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BaixaCultura

Canções que migram: música, literatura e cultura livre

 

Na próximo segunda-feira, 27 de abril, às 17h (horário de Brasília) / 21h (horário de Portugal), o BaixaCultura recebe, em seu canal do Youtube, os criadores do projeto “Songs of Seeking / Fragmentos de viagens” para uma conversa sobre música, viagem, criação colaborativa e circulação cultural no eixo lusófono.

O projeto é um ciclo de canções e textos que nasce da colaboração entre o músico e professor luso-brasileiro Gilvano Dalagna, o artista e escritor luso-canadense Richard Simas e a violinista e professora luso-brasileira Clarissa Foletto, todos ligados à Universidade de Aveiro e ao INET-md (Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança). Inspirado em “A Conferência dos Pássaros”, texto sufi persa do século XIII de Farid Ud-Din Attar, o álbum acompanha a jornada de dois personagens — Tomás e Sofia — que partem em busca de sentido pelo mundo, transformando-se, ao longo do caminho, em seres híbridos, meio pássaros, meio humanos.

O resultado é uma obra bilíngue (português e inglês), eclética, com 20 faixas entre canções e narrações, gravada com um ensemble de músicos de origens diversas em Aveiro. O álbum está disponível no Bandcamp com preço livre (“name your price”), e o ebook que acompanha a obra pode ser baixado gratuitamente no repositório aberto da Universidade de Aveiro. Na live, vamos conversar sobre o processo criativo colaborativo entre escritor e compositor, uma inversão do modelo habitual em que o texto literário se subordina à estrutura musical. Vamos discutir também como um projeto acadêmico-artístico nascido em Portugal pode circular pelo mundo lusófono e além dele, os desafios da distribuição independente de música hoje, e como práticas de acesso aberto podem ampliar o alcance de obras artísticas sem sacrificar a sustentabilidade dos criadores.

Quando: Segunda, 27 de abril de 2025, 17h (Brasil) / 21h (Portugal) Onde: Canal do YouTube do BaixaCultura — youtube.com/@BaixaCultura Com: Gilvano Dalagna, Richard Simas e Lara Teang (designer) Mediação: Leonardo Foletto (BaixaCultura)

Ouça o álbum: songsofseeking.bandcamp.com  Baixe o ebook: ria.ua.pt/handle/10773/46762

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Há projetos que nascem de um plano e há projetos que nascem de fragmentos. O Songs of Seeking / Fragmentos de Viagem pertence ao segundo tipo — e não por acaso. A palavra “fragmentos” não é apenas parte do título. Ela descreve o processo inteiro: canções que existiam isoladas sem saber que faziam parte de uma história, pessoas que se encontraram sem saber que iam criar uma obra juntas, uma dramaturgia que só se revelou depois que a matéria estava feita.

No dia 27 de abril de 2026, o BaixaCultura recebeu em live os criadores do projeto — o músico e professor Gilvano Dalagna, o escritor Richard Simas e a designer gráfica Lara Teang — para uma conversa sobre música, literatura, acesso aberto e circulação cultural. O que se seguiu foi uma hora e meia de papo denso, generoso e cheio de desvios produtivos — do século XIII persa até os Engenheiros do Havaí, da Universidade de Aveiro até o Band Camp, dos pássaros de Attar até a diáspora gaúcha em Portugal.

Este texto reconstrói essa conversa.

De onde veio tudo isso

Gilvano Dalagna é professor e investigador na Universidade de Aveiro, ligado ao INET-md (Instituto de Etnomusicologia — Centro de Estudos em Música e Dança). Richard Simas é escritor luso-canadense, nascido na Califórnia, radicado há quase quarenta anos em Montreal, descendente de açorianos que migraram no século XIX. Os dois se conheceram em 2024, num campo criativo — uma espécie de residência artística — realizado na Quinta dos Girassóis, em Ferreira do Zêzere.

“Eu propus a criação de uma canção como atividade, mas foi um desafio lançado para todos os participantes”, conta Gilvano. “O Richard participou e aquela experiência de compor aquela canção foi muito significativa. Quando meses depois ele já estava no Canadá de novo, eu lancei um desafio para ele: escreve uma letra de uma canção.”

O que veio depois foi, segundo Gilvano, “totalmente sem pretensão”. Richard fez algumas perguntas e mandou uma letra. Gilvano fez uma canção a partir dela — a faixa “No One Around”, que está no álbum, ainda que bastante transformada em relação àquela primeira versão. O entusiasmo com o resultado foi tal que Richard, por iniciativa própria, enviou mais duas ou três letras. Gilvano trabalhou musicalmente nelas. E assim, sem que nenhum dos dois soubesse ao certo o que estava sendo construído, foram surgindo canções.

“Eram fragmentos que existiam isolados”, diz Gilvano. “Algumas dessas canções tinham ficado num arquivo durante muitos anos. Eu voltava e revisitava elas e pensava: tem que fazer alguma coisa com essas canções, mas não tinha a menor ideia do quê. Quando nós começamos a trabalhar, eu resgatei essas canções e o que foi mais incrível foi que elas faziam todo sentido com aquela história. Como se encaixassem.”

Richard escuta a descrição do processo feita por Gilvano e diz que fica “completamente fascinado” — porque não sabia que era isso que estavam fazendo. “Eu não tenho nunca uma ideia completa. Tenho só fragmentos. Preciso de outras pessoas para me ajudar a completar as ideias. Na literatura é um pouco diferente, porque ficamos muito sozinhos com a obra, mas mesmo assim eu preciso do leitor para completar o meu impulso.”

E é sobre impulsos que ele quer falar. “Esse projeto mais do que qualquer projeto que eu fiz na minha vida era um projeto de impulsos, com relativamente pouca preparação consciente. Toda aquela retrato coerente que o Gilvano fez — os arcos emocionais, a dramaturgia — eram coisas que eu descobri depois de criar a matéria, depois de escrever.”

Escritor que não vira letrista

Uma das decisões centrais do projeto foi também a mais arriscada do ponto de vista do processo criativo: não transformar o escritor num letrista.

“Quando se fala de colaborações entre escritores e songwriters, o que é muito comum acontecer é que o escritor se torna um letrista”, explica Gilvano. “Ele adapta todas as idiossincrasias da sua escrita à estrutura musical. Isso faz com que muitas vezes ele perca muito da sua identidade como escritor nesse processo.”

O exemplo que Gilvano cita é Paulo Coelho — que tem uma vida como escritor e um passado como letrista, e que as pessoas tendem a separar com clareza. No Songs of Seeking, a aposta foi outra: “Eu propus para o Richard: tenta escrever como se tu tivesses a escrever literatura, o mais próximo possível da tua escrita como escritor mesmo. E a minha função vai ser encontrar a canção dentro disso.”

O que veio daí foi um conjunto de letras que desafiavam os hábitos mais arraigados da composição de canções. “Muitas vezes era impossível pensar num refrão no sentido clássico do termo. O fraseado, as frases eram muito irregulares. E para além disso havia um senso de história que a música precisava acompanhar.”

Gilvano descreve uma mudança de postura ao longo do processo: nas primeiras canções, ele estava mais preocupado com a estrutura musical. Com o tempo, foi aprendendo a “dançar conforme a letra, não tanto conforme a música”. E foi nesse movimento que a relação com A Conferência dos Pássaros — um texto sufi persa do século XIII, de Farid Ud-Din Attar — começou a ganhar clareza.

O livro de Attar fala dos pássaros que descobrem que têm um rei — o Simurg — que vive muito longe, e que chegar até ele é um processo sofrido mas recompensador. Um a um, os pássaros sobem a um púlpito e dão uma desculpa para não fazer a jornada. A poupa responde a cada um com metáforas e pequenas histórias. É uma metáfora transparente do processo de autoconhecimento humano.

“Nós tínhamos interesse nessa noção de viagem e tínhamos também interesse na questão da presença dos pássaros”, diz Gilvano, “mas que ela não fosse uma figura ilustrativa ou descritiva.” O projeto não queria descrever a Conferência — queria se mover na mesma direção que ela.

Um romance cantado – e depois gráfico

À medida que as canções se acumulavam, foi ficando evidente que havia uma dramaturgia em jogo. Dois personagens principais foram emergindo: Tomás e Sofia.

Tomás é gaúcho, do Rio Grande do Sul, tem cerca de 41 anos, migrou para Portugal, é vendedor de livros e tem uma namorada portuguesa chamada Sofia, mais jovem. Numa bela noite, ele deixa Sofia no apartamento em que vivem na Costa Nova — uma praia no litoral centro-norte de Portugal — pega uma cópia d’O Estrangeiro, de Albert Camus, e parte em busca de sentido. Atravessa o Mediterrâneo de Marselha até a Argélia, passa por Paris, chega a Nova York. Sofia, por sua vez, encontra A Conferência dos Pássaros e traça o seu próprio caminho de transformação.

“Nós percebemos que as letras não eram apenas letras isoladas”, diz Gilvano. “O Richard tem essa característica de pensar muito em termos dramatúrgicos. Começou a surgir uma espécie de dramaturgia em torno desses dois personagens.”

Para dar conta dessa dramaturgia, os criadores se valeram de um recurso comum na literatura, mas quase impossível numa canção isolada: os arcos emocionais complexos — o desenvolvimento profundo de um personagem ao longo de uma narrativa extensa. “Isso é presente em grandes obras literárias, mas é quase impossível numa canção. Embora a gente tenha exemplos — Bob Dylan com ‘Hurricane’, entre outros —, muitas vezes a parte musical sucumbe porque é muita informação numa única canção.”

A solução foi distribuir esse arco ao longo de uma série de canções. A forma que emergiu foi chamada de singing novel — romance cantado. “Ao invés da pessoa ler um romance, os capítulos são as canções e ela ouve as canções e vai percebendo isso.”

Quando Lara Teang entrou no projeto para criar as ilustrações, essa forma ganhou mais uma camada. “Eu gostaria de evitar a ideia de que o livro é o booklet”, diz Richard. “Esse objeto da Lara é verdadeiramente a criação de duas personagens fictícias — Tomás e Sofia. O livro contém fragmentos de viagem dessas duas personagens. É um tipo de ficção. Não é só um espelho das canções.”

Lara chegou ao projeto em setembro de 2024 e começou a trabalhar de fato em novembro, depois de um processo de mergulho no universo criado por Gilvano e Richard. “Foi como ir ao encontro da visão deles, com a colaboração deles, e conseguir imaginar o que podia sair daqui e criar uma linguagem gráfica homogênea do princípio ao fim do livro.”

O resultado é uma obra multimídia onde a ilustração mistura fotografia, pintura e tratamento digital — e que, segundo Gilvano, acabou mudando a forma como o projeto se vê a si mesmo. “Esse projeto nos colocou num espaço onde, em termos dramatúrgicos, estamos a pensar muito mais a nível intermodal do que singular. Não como se tivéssemos a falar de uma única linguagem específica.”

Tanto que o nome mudou. “Quando nós começamos a trabalhar com a Lara, vimos que não é mais um romance cantado. É um romance gráfico cantado.”

A materialidade como resistência

Há um momento na conversa em que Gilvano conta que, no início do processo, a ideia era publicar apenas um livro digital. “Hoje em dia não vale mais a pena imprimir nada” — assim ele descreve o preconceito inicial. Mas à medida que o trabalho de Lara foi tomando forma, essa certeza foi ruindo. O livro precisava ser impresso. Não era um booklet — era um envelope que se abre, com um nó, e que guarda um livro dentro.

Isso abre um tema central da conversa com o BaixaCultura: a materialidade da música na era do streaming.

“Desde o advento da internet, a música perdeu muita da sua materialidade”, diz Gilvano. “Aquela coisa de ter um CD na mão, um vinil na mão.” O projeto do Songs of Seeking é, entre outras coisas, uma tentativa de devolver essa fisicalidade — só que invertendo a lógica tradicional. Antes, você comprava o disco e dentro vinham as fotos e as letras. Agora, você pega no livro e dentro dele está o álbum.

“Antigamente compravas o CD que trazia o booklet”, diz Lara. “Aqui inverteu-se a situação. Adquiriste o livro e tens o álbum lá dentro. É uma forma de materializar toda a experiência.”

Gilvano vai mais longe. Ele cita o produtor Paulo Junqueiro — responsável por gravar o IRA!, os Titãs e diversas bandas do rock brasileiro nos anos 80 — numa mesa-redonda recente, onde Junqueiro descreveu uma das grandes dificuldades da indústria atual: ela ficou muito circunscrita a um determinado nicho, e quem sai desse nicho enfrenta dificuldades crescentes.

O problema, para Gilvano, é estrutural. “Para tocar, eu quase tenho que pagar o teatro e tenho que pagar aquelas condições todas que o financiamento do projeto permite. E quem me recebe também precisa ter um financiamento para dar sua cota-parte. Isso acabou um pouco com aquela dinâmica em que os próprios espaços contratavam trabalhos fora do mainstream.”

Nesse cenário, a forma que o projeto encontrou foi o financiamento público: a Direção-Geral das Artes (DGArtes) de Portugal, que financia projetos de música, teatro, artes performativas e artes visuais. “Uma das vantagens de trabalhar com financiamento público é que tu tens mais autoria no processo”, diz Gilvano. “Eu imagino se isso aqui fosse sair por uma gravadora — essa ideia do romance cantado seria muito difícil. Tinha aquela lógica do lado A, do lado B, a música de trabalho muito em evidência. Aqui é difícil definir uma música de trabalho porque as músicas fazem sentido num contexto maior. Talvez nunca teriam autorizado o trabalho que a Lara fez, tão profundo, que se espalha ao longo de muitas páginas.”

Band Camp, acesso aberto e o ceticismo do streaming

A escolha de distribuição do álbum também foi pensada. O Songs of Seeking não está no Spotify, não está no Apple Music, não está nas plataformas de streaming mais populares. Está no Band Camp — com preço livre, o famoso name your price —, e o e-book está disponível gratuitamente no repositório aberto da Universidade de Aveiro.

“Nós temos um ceticismo muito grande em relação a essa lógica de hoje em dia do streaming e da manipulação do streaming”, diz Gilvano. “Algumas dessas companhias muitas vezes estão ligadas a contextos muito sombrios em relação às dinâmicas de poder do mundo. Nós não queríamos compactuar com isso.”

Há também razões estéticas e éticas na escolha do Band Camp. “O Band Camp nos permite trazer mais dessa visualidade que a Lara criou no livro. Nós conseguimos personalizar mais o espaço, associar uma imagem a cada música. Ali a gente encontrou mais facilidade para trazer à tona todas essas camadas de conteúdo que em algumas outras plataformas não se consegue.”

Gilvano fala do ato de fazer um download no Band Camp como algo simbolicamente importante — diferente do consumo fugaz do streaming. “Esse ato de fazer um download, de pensar quanto eu daria para esse disco, para esse trabalho, para nós é muito caro. Muito significativo. Por isso que nós valorizamos muito o Band Camp.”

Richard acrescenta uma dimensão mais visceral: “Tenho um tipo de certeza de que o gesto do artista deveria sempre ficar em contato, o mais possível, com o seu público. Isso faz parte da materialidade do livro, da proposta de tocar música ao vivo, de ficar em contato com as pessoas. Eu faço esse trabalho para ficar em contato com outros como eu, com o mundo. Não faço esse trabalho para mim.”

A associação com a academia reforça a lógica do acesso aberto. “Essa conexão com a universidade surgiu de uma maneira bastante natural”, explica Gilvano. “Há um princípio muito forte no contexto onde eu trabalho: o livro físico tem um custo, as pessoas compram esse livro, mas há uma versão digital que é open access e qualquer pessoa pode fazer download em qualquer lugar do mundo.”

Migração, gaúchos e a Conferência dos Pássaros

Quando Leonardo Foleto pergunta sobre a dimensão migratória do projeto, Gilvano entra num dos momentos mais pessoais da conversa.

Ele nasceu no Rio Grande do Sul e está há muitos anos radicado em Portugal. Richard é descendente de açorianos e carrega décadas entre Montreal e Portugal. No ensemble de músicos que gravou o álbum há pelo menos quatro ou cinco nacionalidades: México, Colômbia, Argentina, Portugal, Brasil. Lara tem avós chineses e raízes em Moçambique.

“Esse é um projeto que é migratório na sua natureza mais essencial”, diz Gilvano. Tanto que, quando o grupo foi se apresentar na Vic Arts House para o segundo concerto de lançamento, a organização do espaço perguntou qual país colocar na divulgação — e não havia resposta simples.

O personagem Tomás carrega essa complexidade de forma literal. Gaúcho em Portugal, ele não se encaixa facilmente no estereótipo do “brasileiro” que os portugueses reconhecem. “Existe essa ideia de Brasil, esse estereótipo, que é muito forte e está muito presente em muitos povos no estrangeiro — da qual o gaúcho muitas vezes não faz parte”, diz Gilvano. “Então ele pertence a um lugar que, de certa forma, ele tem uma certa dúvida se pertence de fato. Quando ele diz que é do Brasil, ele precisa contextualizar de qual Brasil ele vem.”

“Trabalhar sobre isso para mim, como gaúcho, foi muito significativo. Abriu uma espécie de porta para uma revisitação e reconexão com o passado que eu percebi que não era tão passado assim.”

Há referências musicais gaúchas espalhadas pelo projeto — de Vitor Ramil a Bebeto Alves, de Luciano Leães a outros nomes que exigem contexto quando mencionados em Portugal. “Muitas vezes eu falo do Vitor Ramil, do Bebeto Alves, do Lúcio Anel, e tenho que contextualizar. Isso está muito presente aqui também nessa construção toda.”

E a Conferência dos Pássaros ressoa com tudo isso: os pássaros de Attar são seres que perderam a sua base, que não sabem quem é o seu rei, que estão à procura de uma identidade comum. “O estrangeiro — o próprio nome já diz. E depois ver todo esse caráter migratório e estrangeiro dentro do projeto trouxe uma característica muito significativa.”

O palco e os seus desafios

Fazer o Songs of Seeking circular ao vivo é, por definição, complicado. O ensemble tem nove músicos: três cantores, uma flautista, uma violinista que também toca harmônio, um baterista/percussionista, dois guitarristas e um baixista.

“Parece que cada pessoa que está ali tem uma razão de estar. E quando se tira aquela pessoa, tira-se uma espécie de órgão daquilo, e é difícil aquele sistema sobreviver”, diz Gilvano. Richard, com humor, faz a analogia certa: “É como contar uma romança eliminando alguns personagens.”

O grupo está pensando formas de fazer o projeto de maneira mais compacta, mas sem solução definitiva até agora. O que está mais claro é que as formas de circulação não precisam se limitar aos concertos. “Há formas típicas de um livro que também são pertinentes para esse projeto”, diz Richard. “Como feiras, como livrarias, como leituras.” Gilvano completa: “Esses formatos híbridos permitem essas coisas. E como os direitos do livro são nossos, podemos fazer o que quisermos com ele.”

Uma das grandes ambições do grupo é levar o projeto ao Brasil. “Essa natureza migratória ficaria ainda mais evidente, como se fosse um voo de um pássaro”, diz Gilvano.

O que vem depois: uma trilogia

Antes de encerrar, Richard revela que dois novos projetos estão em desenvolvimento — e que, sem planejamento consciente prévio, ambos seguem o mesmo eixo do Songs of Seeking: a relação entre música e literatura.

O primeiro é inspirado numa obra de Caio Fernando Abreu — o gaúcho que escreveu Morangos Mofados, entre outros clássicos da literatura brasileira. A ideia é fazer uma “leitura transdisciplinar” dessa obra para 2027.

O segundo projeto envolve uma encenadora da Califórnia, amiga de Richard de longa data, e parte de um livro do escritor italiano António Tabucchi chamado Requiem — uma narrativa sobre um encontro entre o narrador e o fantasma de Fernando Pessoa. “Aqui a gente joga entre música, literatura, teatro físico, movimento”, diz Gilvano. “A Lara é peça fundamental aqui também, porque toda essa visualidade gráfica vai estar sempre envolvida.”

Os três projetos, juntos, formariam uma trilogia. “Uma trilogia”, confirma Richard. E Gilvano arremata: “Cria quase um movimento nesse domínio das artes transdisciplinares aqui nessa zona do país, em Portugal. E que se tudo correr bem, quem sabe a gente possa ganhar outros horizontes no futuro.”

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