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Bem-vindos ao campo minado

_ O dia que Mark Fisher destruiu seu mentor” (Jacobin Brasil)

Publicado em 13 de janeiro de 2026 — data que marca o aniversário da morte de Fisher em 2017 —, o texto da Jacobin Brasil traz a tradução de Terminator vs Avatar, ensaio em que o filósofo britânico desmonta de forma cirúrgica o pensamento de Nick Land, seu ex-mentor e hoje uma das referências intelectuais do movimento neorreacionário trumpista. O texto foi publicado originalmente em 2014 na coletânea #Accelerate e permanece como uma das críticas mais certeiras ao aceleracionismo de direita: mostra como o niilismo de Land, que flertava com o marxismo dos fluxos e da desterritorialização, desembocou em um elogio sem mediações à destruição capitalista. No ensaio, Fisher propõe distinguir o aceleracionismo de esquerda — que ele ainda sustentava, com reservas — do niilismo tecnocapitalista de Land. O ponto central da crítica é a análise do livro Economia Libidinal, de Lyotard, e da afirmação de que os operários britânicos “gostavam” do sofrimento industrial. Para Fisher, esse argumento revela uma filosofia da submissão: ao confundir os fluxos de desejo com os vetores do capital, Land abandona qualquer horizonte de transformação e transforma a aceleração em fim em si mesmo. Fisher chama isso de “capitalismo cibernético sem rosto”, um sistema que não precisa mais de sujeito, de classe, de política, apenas de velocidade e de colapso. Land não é apenas um “desvio intelectual”, mas um sintoma do que acontece quando a teoria perde o fio que a conecta à vida coletiva.

O que torna o texto ainda mais valioso hoje é a clareza com que Fisher identifica a estrutura do problema antes que ela se tornasse mainstream. Escrever em 2014 sobre Land como precursor do movimento neorreacionário, da aliança entre capitalismo extrativista e autoritarismo digital, era fazer diagnóstico com uma década de antecedência. Lido em 2026, o texto é mais um daqueles que tem um tom profético: o mentor que Fisher “destruiu” é hoje citado por Marc Andreessen como seu filósofo favorito e circula nos corredores do Vale do Silício como um dos pensadores mais influentes da singularidade.

 

_ Traduções de Nick Land, por Fabrício Silveira;

O pesquisador gaúcho Fabrício Silveira (autor do livro O Exterminador do Futuro: Mídia, horror e política em Nick Land) vem publicando sistematicamente em seu Medium traduções dos principais textos de Nick Land para o português. Land, como se sabe, é a referência filosófica central do movimento neorreacionário que embasa partes do trumpismo tecnológico, e quase nada de sua obra estava disponível em português.

Três textos recentemente traduzidos por Silveira permitem entender o núcleo duro da Neorreação: A ideia da Neorreação (de junho de 2013) formula o conceito de “catraca degenerativa” — a ideia de que o progressismo instala mecanismos irreversíveis de deterioração e que qualquer reversão simples é impossível, pois “a saída não pode ser a entrada”. Não há caminho de volta (de abril de 2014) condensa esse argumento numa só imagem: a da restauração malsucedida do Ecce Homo de Elías García Martínez, usada por Land para ridicularizar qualquer tentativa de “restauração” política; Reaceleracionismo (também de 2014) retoma a distinção entre aceleracionismo de direita e de esquerda — Land acusa o segundo de querer usar a velocidade sem aceitar o colapso que ela implica.

Lidos em conjunto, esses textos mostram a arquitetura de um pensamento que é simultaneamente sofisticado e perigoso. Land é um filósofo torto que elaborou, com rigor conceitual, uma justificativa para o colapso das instituições democráticas como condição evolutiva. Entender Land, voltamos a dizer aqui, é uma tarefa política e necessária para os tempos de hoje. Silveira, que é pesquisador em Comunicação e vem há anos mapeando esse terreno, oferece ao leitor brasileiro acesso a materiais antes inacessíveis, com notas críticas que contextualizam o que se lê. O projeto de tradução é complementado por outros textos em seu Medium, incluindo a tradução da matéria da New Yorker que perfila o retorno de Land ao mainstream do Vale do Silício; a crítica de Mikey Downs à obra de Land (“A tese fundamental de Nick Land é que o capitalismo é inteligência artificial”); e textos de outros autores no campo neorreacionário, como o russo Alexander Dugin, “filósofo de Putin” e Peter Thiel, além de alguns nomes ligados ao aceleracionismo, como Reza Negarestani. Bem vindos ao campo minado.

Ilustração criada em 1899, imaginando como os alunos aprenderiam no ano 2000. (De Jean-Marc Côté / Getty Images)

_ “O socialismo após a IA” (Jacobin Brasil / Blog da Boitempo)

Em dezembro de 2025, a Jacobin Brasil publicou este ensaio de Evgeny Morozov, republicado pela Boitempo em 2026, que vai além da crítica habitual às big techs. Morozov questiona diretamente a tradição socialista: seria possível simplesmente “reaproveitar” as tecnologias do capitalismo — incluindo a IA — em um projeto de emancipação? Ou a tecnologia carrega em si os valores e desejos do contexto que a gerou? Dialogando com Aaron Benanav, o autor defende que o socialismo precisa ser capaz de oferecer não apenas distribuição mais justa do que o capital produziu, mas uma forma de vida distinta. Algo que realmente valha desejar. Para sustentar o argumento, Morozov examina a proposta de Aaron Benanav de uma “economia multicriterial” pós-capitalista — e encontra ali, apesar da sofisticação, o mesmo pressuposto que critica: a de que os fracassos históricos do socialismo foram falhas de procedimento, solucionáveis com mais democracia e melhores critérios. Mas se a IA, como Morozov argumenta, não é uma ferramenta neutra que pode ser simplesmente redirecionada — se ela cristaliza, em sua própria arquitetura, os valores e os desejos do capitalismo que a gerou —, então não basta reformar as instituições: é preciso repensar o que queremos produzir, como queremos viver e quais tecnologias são compatíveis com isso. O socialismo, nessa leitura, não pode ser apenas capitalismo com painéis de controle mais sofisticados. Morozov diz que a tradição de esquerda tem sido historicamente tímida ao questionar as tecnologias que promete apenas redistribuir. Em um momento em que a narrativa dominante sobre IA oscila entre o entusiasmo de quem quer acelerá-la e o reformismo de quem quer regulá-la, a pergunta de Morozov — que forma de vida essa tecnologia produz? — é a que mais importa e a que menos se ouve. Ele afirma:

“Um socialismo digno da IA ​​não pode retroceder a uma divisão de trabalho simples, na qual a política decide e a tecnologia provê. Ele precisa reconhecer a tecnologia como um espaço primordial de autoformação coletiva. A questão não é abandonar a composição democrática de critérios, nem romantizar o caos. Trata-se de construir instituições que tratem a existência coletiva como um campo de luta e experimentação — um campo onde novos valores, novas habilidades e novas formas de viver estão constantemente se moldando. (…) Isso significa aceitar a impureza não apenas como um princípio de design, mas como uma condição existencial. Em vez de imaginar uma economia perfeitamente funcional complementada por um Setor Livre isolado, precisamos de arranjos permeáveis ​​nos quais experimentos circulem entre as esferas, às vezes colidindo com as métricas oficiais, às vezes reformulando-as. As instituições não apenas equilibrariam os critérios; elas deixariam espaço para projetos rebeldes que ainda não se encaixam em nenhuma métrica reconhecida e que talvez nunca se encaixem”.

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