Notícias do Front Baixacultural (10)

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Banda bate o pé contra Associação Anti-Pirataria (Discofonia, 12/12)

A notícia não é exatamente nova, mas nunca é tarde pra baixar um disco: o Cérebro Eletrônico resolveu disponibilizar o EP Pareço Virtual no 4Shared e, embora isso tenha sido feito oficialmente e em concordância com o selo da banda, nada impediu que o disquinho fosse removido da rede por uma ação antipirataria. Disquinho no sentido carinhoso. O EP – que reapresenta algumas canções do cd Pareço Moderno (um dos grandes lançamentos do ano passado), algumas versões ao vivo e remixes – é um disco de respeito, e está de volta. Além das 08 canções, a pasta vem com o pdf do encarte e da licença Creative Commons que regula o uso do material.

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O cético e a ciberliberdade (Continuum, dez 2008/jan 2009)

Em sua última edição, a revista Continuum, do projeto Itaú Cultural e linkada à direita, faz uma excelente entrevista com o Sílvio Meira, professor de engenharia de software na Universidade Federal de Pernambuco, editor de um blog no Terra Magazine e autor de duas centenas de textos sobre tecnologia e seu impacto na sociedade, que o tornaram uma referência  nacional quando se fala de assuntos envolvendo as palavras “redes”, “software” ou “internet”. Dá uma olhada em um trecho da entrevista:

“Se olharmos para a história, veremos que sempre se viveu em redes. Os seres humanos são gregários por natureza. O que aconteceu é que a pessoa deixou de viver em seu grupo geograficamente conexo, que foi estendido por um mecanismo de dessincronização de sua capacidade de comunicação. Se pensarmos antropologicamente, os grupos humanos só podiam se comunicar com eles próprios. Como não tinham o domínio da escrita, que é a codificação da informação que permite que ela seja deixada para trás ou levada para a frente, para o futuro e para outras geografias, ficavam parados, fechados entre eles. O que vem acontecendo na história da humanidade é que, à medida que começamos a codificar o que pensamos, a criar a capacidade de transferir isso no espaço e no tempo, ampliamos as redes.”

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Dub Brasil (URBe, 06/01)

Mais música. Cannabis Records, o autodenominado primeiro selo de dub do Brasil, iniciou suas atividades jogando na rede duas excelentes coletâneas do gênero. Os dois volumes de Pac-o-mania podem ser baixados no myspace do selo, tudo com a tarja do Creative Commons. A Cannabis conta com 08 produtores de dub na ficha técnica, alguns deles veteranos com projeção na cena internacional. Além de conferir o trabalho dos caras nos dois discos, o público ainda leva o belo bônus que é o trabalho visual do artista Rodrigo Dário, responsável pelas capas.

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Álbum mais vendido em 2008 na Amazon teve licença Creative Commons (Remixtures, 6/01)

O onipresente (em nossos clippings) Remixtures, capitaneado pelo jornalista português Miguel Jorge, fez um post sobre um dado bastante interessante: o disco mais vendido na loja virtual Amazon foi o Ghosts I-IV, do Nine Inch Nails, lançado em março de 2008 sob licensa Creative Commons. Esse dado talvez tenha relação com outra questão importante: o disco foi comercializado em formato digital na sua totalidade ao preço de cinco dólares. Vale dizer também que Reznor, como Reuben explicou nesse post, é um cara no mínimo ligado nas novas tendências colocadas à todos pela web. A lista completa dos mais vendidos, e dos melhores segundo o ranking dos editores da loja virtual, podem ser conferidas aqui.

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Em busca de uma nova cultura para o digital (Ecodigital, 9/01)

José Murilo Júnior, do blog Ecodigital e do MinC, fez a tradução de um interessante artigo (Queimando Livros, legalmente) de James Boyle, publicado originalmente no Financial Times, em 8 de dezembro último. Advogado e professor de direito, Boyle é autor do livro The Public Domain, uma das obras indispensáveis para entender a questão do domínio público e de como ele está sendo impiedosamente atacado pela polícia do copyright (no link acima dá para ler o livro online, baixá-lo, ou mesmo comprá-lo).

Dá uma sacada no tom do artigo de Boyle:

(…) Imagine o pequeno sublinhado azul sob cada título levando à íntegra do livro. Para meu filho isto faria perfeito sentido. O título do livro no catálogo e quando você clica no link, certamente estaria pronto para começar a lê-lo. Isso é o que ele aprendeu em sua experiência de clicar links. Porque não aqui? Era um velho livro, afinal, há muito sem qualquer chance de ser reeditado. Imagine ser capaz de ler os livros, ouvir a música, assistir os filmes – ou pelo menos a produção comercialmente indisponível que a Biblioteca decidisse que valia à pena digitalizar. Evidentemente esse é o tipo de coisa que a lei, em sua pujança, proíbe. (…)

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Revista Cult disponibiliza acervo digital (12/01)

A cultura brasileira ganha mais uma biblioteca virtual a partir de hoje. Há alguns anos, quando completou 50 edições publicadas, a revista encartou dois cd-roms contendo o que então era um menor mas já precioso acervo. Agora, o passo é mais adequado a estes tempos líquidos – menos suporte físico, mais conteúdo. A Cult foi fundada em 1997 e a esta altura – tendo passado por mudanças de editora e de publico alvo – já possui uma memória considerável a ser preservada e relida, cheia de contribuições para a literatura, filosofia, política e ciências sociais.

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[Leonardo Foletto. Reuben da Cunha Rocha.]

Crédito foto: World War II Photos

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