Estudantes por uma Cultura Livre

.

Aula de hoje: o que é copyleft?
Aula de hoje: o que é copyleft?

Já não é mais tão novidade (e o que é novidade que dura mais que alguns minutos hoje em dia hein?). Mas vale o registro: um grupo considerável de estudantes das principais universidades americanas está, já há algum tempo, com um projeto bastante interessante chamado “Students For Free Culture”, hospedado no site FreeCulture.org. Criado em 2004, o grupo é ” a diverse, non-partisan group of students and young people who are working to get their peers involved in the free culture movement“, como dizem no about do seu site. Tem por funções:

_ Creating and providing resources for our chapters and for the general public;
_ Outreach to youth and students;
_ Networking with other people, companies and organizations in the free culture movement;
_ Issue advocacy on behalf of our members;

Simpáticas camisetas vendidas no freeculture.org
Simpáticas camisetas vendidas no freeculture.org

.

Depois de cinco anos de atuação um tanto restrita ao Estados Unidos, eles resolveram, no final de abril, soltar um “Manifesto da Cultura Livre” (em inglês), que compila todos os aspectos por eles tratados (e também por nós aqui do BC). O Blog Trezentos, nosso parceiro aqui do lado, resolveu traduzir e publicar o texto e nós reproduzimos aqui abaixo, porque manifestos desse tipo devem ser divulgados sempre que possível. Ressaltamos aqui alguns trechos mais importantes, mas salienta-se que todo o texto é importante:

A missão do movimento da Cultura Livre é construir uma estrutura participativa para a sociedade e para a cultura, de baixo para cima, ao contrário da estrutura proprietária, fechada, de cima para baixo. Através da forma democrática da tecnologia digital e da internet, podemos disponibilizar ferramentas para criação, distribuição, comunicação e colaboração, ensinando e aprendendo através da mão da pessoa comum – e através da verdadeiramente ativa , informada e conectada cidadania: injustiça e opressão serão lentamente eliminadas do planeta.

Nos acreditamos que a Cultura deve ser uma construção participativa de duas mãos, e não meramente de consumo. Não nos contentaremos em sentar passivamente na frente de um tubo de imagem de midia de mão única. Com a Internet e outros avanços, a tecnologia existe para a criação de novos paradigmas, um deles é que qualquer um pode ser um artista, e qualquer um pode ser bem sucedido baseado em seus méritos e não nas conexões da industria.

Nos negamos a aceitar o futuro do feudalismo digital, onde nos não somos donos dos produtos que compramos, mas nos são meramente garantidos uso limitado enquanto nos pagamos pelo seu uso. Nós devemos parar e inverter a recente e radical expansão dos direitos da propriedade intelectual que ameaçam chegar a um ponto onde se sobreporão a todos os outros direitos do indivíduo e da sociedade.

A liberdade de construir sobre o passado é necessária para a prosperidade da criatividade e da inovação. Nós iremos usar e promover o nosso patrimônio cultural, no domínio público. Faremos, compartilharemos, adaptaremos e promoveremos conteúdo aberto. Iremos ouvir a música livre, apreciar a arte livre, assistir filmes livres, e ler livros livres. Todo o tempo, iremos contribuir, discutir, comentar, criticar, melhorar, improvisar, remixar, modificar, e acrescentar ainda mais ingredientes para a “sopa” da cultura livre.

Ajudaremos todo mundo à entender o valor da nossa abundância cultural, promovendo o software livre a o modelo open source. Vamos resistir à legislação repressiva que ameaça as liberdades civis e impede a inovação. Iremos nos opor aos dispositivos de monitoramento à nivel de hardware que impedirão que os usuários tenham controle de suas próprias máquinas e seus próprios dados.

Não permitiremos que a indústria de conteúdo se agarre à seus obsoletos modelos de distribuição através de uma legislação ruim. Nós seremos participantes ativos em uma cultura livre de conectividade e produção, que se tornou possível como nunca antes pela Internet e tecnologias digitais, e iremos lutar para evitar que este novo potencial seja destruído por empresas e controle legislativo. Se permitirmos que a estrutura participativa, e de baixo para cima, da Internet seja trocada por um serviço de TV a cabo – Se deixarmos que paradigma estabelecido para criação e distribuição se reafirme – Então a janela de oportunidade aberta pela Internet terá sido fechada, e teremos perdido algo bonito, revolucionário e irrecuperável.

O futuro esta em nossas mãos, devemos construir um movimento tecnológico e cultural para defender o comum digital.

Tradução: João Carlos Caribé

[Leonardo Foletto.]

Créditos foto: FreeCulture.org

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *