#GCultural2016 – Experiências e Projetos de cultura e ativismo digital

mesa-3      A segunda semana do Congresso de Gestão Cultural #GCultural2016 é a dos trabalhos da Mesa 3 – Experiências e Projeto de Cultura e Ativismo Digital. Como o nome sugere, talvez ela seja a que mais traga diversidade nas ponéncias, porque é justamente este o objetivo: compartilhar experiências, sem um foco específico em cultura livre, questões profissionais, ferramentas/softwares ou lugares como as de outras mesas, mas tudo isso um pouco, centrado na ideia da palavra experiência – relatar o que aconteceu na experiência pesquisada/vivida por cada um@ e aprendermos com os erros e acertos de cada uma delas.

     Quando Mariana e Jorge vieram falar conosco sobre este congresso, e esta mesa em específico, pensamos que ela poderia ser o lugar para discutir um pouco mais a questão do ativismo, tão presente no nosso trabalho do BaixaCultura desde 2008 e tão importante no contexto brasileiro no qual falamos, de impeachment de Dilma Roussef. [Caso alguém queira saber: sabemos que é/foi golpe mesmo (seja político e/ou judiciário, midiático), e nada conseguimos enquanto brasileiros fazer pra evitar – muito por culpa do próprio PT, em boa parcela responsável pela situação chegar a esse ponto em que “os fins justificam os meios”, e também porque a “democracia” não parece ser um valor relevante para boa parte d@s brasileir@s. Teremos de lidar de frente com as consequências atuais e futuras deste fato, talvez concentrando energia em buscar “saídas” no micro, na autonomia, no local – mas esse é um papo pra outro momento].

     Mas aconteceu que as temáticas dos trabalhos enviados para nossa mesa não foram tão explicitamente ativistas quando imaginávamos, e tudo bem: o ativismo pode não estar explicitamente presente naquilo que fazemos, mas está lá, em todas nossas ações, em todas as decisões que tomamos, em tudo aquilo que queremos (ou não) pensar. Ativismo é ação, ação é existência. E todas os trabalhos apresentados para esta mesa falam muito dos desafios de existir enquanto projetos/pessoas de cultura (digital).

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     Começamos (empezamos!): o primeiro artigo nos traz Daniel Daza Prado, de Buenos Aires, contando como descobriu o que era uma rede livre (red inalámbrica libre) e como, então, foi atrás de etnografar duas dessas comunidades em Buenos Aires. Crias diretas da cultura livres, estas redes já existem às centenas ao redor do planeta, com milhares de pessoas trabalhando de modo voluntário para levantar antenas caseiras, hackear routers e desenhar novas arquiteturas de rede à margem das grandes operadoras de internet.

     Na sequência, Marta Álvarez conta a experiência do bit:LAV, um espaço de criação de Valladolid (Espanha) inspirado nos laboratórios do procomún, como o referencial Medialab Prado em Madrid ou o recém criado Lab Santista, apresentado na 1º mesa deste #Gcultural. bit:LAV junta Marta e Alberto Marcos Cabero, a remezcla e as implicações políticas da cultura digital, em um espaço cultural dentro do Laboratório de Artes de Valladolid (LAVA).

     O terceiro trabalho da mesa vem do Brasil, mais precisamente São Paulo: Preto Café. Um café numa mesa de cultura e ativismo digital? não um café qualquer, mas o primeiro café pague-quanto-quiser da cidade de São Paulo, aberto em 2015 como um espaço de promoção da liberdade e da confiança – e inspirado pelos princípos de compartir da cultura e do software livre. Lucas Pretti busca compartilhar a experiência desde a busca pela inovação já no modelo jurídico-administrativo até a intenção colaborativa pragmática (que leva à defesa de um modelo de gestão “semi-aberto”) que leva o Preto Café a ser uma obra artística relacional.

     Nossa quarta ponéncia é desde Assunción: música Okápe é uma plataforma que busca agregar músicos da cena independente do Paraguai através de diversos formatos de difusão e promoção musical: festivais, shows, feiras, oficinas. Okápe é uma palavra do idioma Guarani que significa “fora” e dá nome ao projeto com a ideia de expansão e de dar um impulso para fora a cena musical alternativa paraguaia, como conta José Caballero no video da ponéncia mais abaixo.

     Na sequência, Bruno César Alves Marcelino, do Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura – CLAEC de Foz do Iguaçú, cidade brasileira da tríplice fronteira (Paraguai e Argentina), traz um mapeamento cultural de duas cidades de outra região fronteiriça brasileira, Jaguarão e Arroio Grande, no sul do Rio Grande do Sul, próximo ao Uruguai. Duas cidades que, apesar de seu diminuto tamanho, apresentam 17 grupos, entidades ou aparelhos culturais, em sua maioria escolas de samba, num processo de gestão ainda precário.

     Lucy Alvaréz Galvez nos conta, no sexto trabalho da mesa, sua experiência de 13 anos de trabalho enquanto produtora cultural na televisão colombiana. É um relato que dá voz a uma geração de produtores que trabalharam antes e depois do surgimento da internet e que passaram pelas transformações das tecnologias de comunicação nos últimos anos e suas brutais modificações no ambiente de trabalho em que a tecnologia é presença forte, como a televisão. Como se adaptar e se apropriar dos diversos aparelhos digitais que aparecem e são extintos num ambiente como o de um canal de televisão regional? É uma questão que permeia a apresentação de Lucy, no vídeo e em texto.

     Por fim, temos Janaína Capeletti, de Porto Alegre (Brasil), que traz um artigo sobre as especificidades da arte digital feita no Brasil e sua relação com o ativismo e a cultura hacker. Ela entrevistou quatro profissionais que transitam entre a academia e a produção artística brasileira para saber como se dá essa relação na arte contemporânea brasileira. Constatatou, por hora, que o ativismo se dá na própria subversão aos processos da arte convencional, à vezes usando de princípios da ética hacker de forma não intencional.

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     Para estimular o debate, propomos algumas questões para discussão na mesa e em cada trabalho:
_ Qual a ação ativista que vocês percebem nos trabalhos de vocês?
_ O que vocês tem tirado de maior aprendizado (em especial para a gestão cultural) a partir do trabalho apresentado aqui?
_ Quais os principais desafios para sobrevivermos enquanto rede na seara da gestão cultural na ibero-américa?

     O debate começa no grupo de telegram e segue por lá, nos comentários aqui ao lado (ou aqui embaixo, se quiser via Facebook), no Twitter ou em outras redes via #gcultural2016. Na quinta-feira (jueves), às 19h GMT (16h no horário de Brasília e na Argentina e no Uruguai), teremos uma videoconferência para dialogarmos e apresentarmos algumas questões para o debate. Adelante!

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Libertades con senderos que se bifurcan en red. Fragmentos de una etnografía de los grupos que crean Redes Libres, Abiertas y Comunitarias
Daniel Daza Prado (Buenos Aires, Argentina)

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     Esta ponencia plantea compartir algunos fragmentos de una etnografía de las comunidades de Redes Inalámbricas de Internet Libre. El texto pretende describir, problematizar y analizar las experiencias de vida cotidiana, la tecnología y el activismo digital de estos grupos. Las redes inalámbricas libres están formadas por personas que conectan sus computadoras para compartir datos y servicios utilizando tecnología WiFi. Surgidas en el marco de la denominada “cultura libre” ya existen cientos de estas redes alrededor del mundo, trabajando voluntariamente para levantar antenas caseras, hackear routers y diseñar otras arquitecturas de conexión con el fin de promover procesos de participación libres, igualitarios y políticos en internet.

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Arte y activismo digital en la periferia: bit:LAV
Marta Álvarez (Valladolid, Espanha)

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     En los últimos años han proliferado en España los laboratorios del procomún, espacios en los que se ha ido articulando de forma específica toda una investigación colectiva en torno a este concepto y sus diferentes aplicaciones en el campo de la cultura y el conocimiento en relación con las posibilidades de la Red. Tomando como ejemplo espacios como Medialab Prado (Madrid) y como referencia centros dedicados al arte digital tales como Etopia (Zaragoza), Hangar (Barcelona) o Laboral (Gijón); nos propusimos tratar de desarrollar un espacio de creación e investigación en torno a la cultura digital y especialmente el arte en la ciudad de Valladolid que nos permitiera elevar de forma colectiva una visión crítica desde el arte con respecto al uso de las nuevas tecnologías.

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Estética relacional e economia de código aberto: a experiência híbrida do Preto Café com o conceito pague-quanto-quiser
Lucas Pretti (São Paulo, Brasil)

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   Este relato conta a história de criação do Preto Café, o primeiro café pague-quanto-quiser da cidade de São Paulo, aberto em 2015 como um espaço de promoção da liberdade e da confiança. Procuro compartilhar a experiência desde a busca por disrupção no modelo jurídico-administrativo e a intenção colaborativa mas pragmática (que leva à defesa de um modelo de gestão “semi-aberto”) até o status de obra artística relacional, que o empreendimento de fato alcança.

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Música Okápe
Caballero Gómez (Assunción, Paraguay)


     MÚSICA OKÁPE es un proyecto del Centro Cultural de España Juan de Salazar que tiene como objetivo favorecer la proyección nacional e internacional de la música independiente de Paraguay. Es una plataforma que pretende ser una red entre músicos paraguayos/as y la región donde participaron más de 70 proyectos, solistas, bandas y dj de diferentes tendencias y estilos. Fomentando la escena independiente con ciclos de conciertos, talleres, festivales, encuentros colaborativos, cibermedios, videos y programas de radio.


As Organizações da Sociedade Civil na Promoção das Políticas Culturais: Jaguarão/RS e Arroio Grande/RS, Brasil
Bruno César Álvares Marcelino (Foz do Iguaçú, Brasil)

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     Este trabalho é uma apresentação dos resultados obtidos junto ao projeto de pesquisa Cartografia da Cultura Fronteiriça, financiado via Fundo de Apoio à Cultura do Estado do Rio Grande do Sul – Brasil, o projeto teve como objetivo mapear e identificar as entidades e grupos culturais sediados nos municípios de Jaguarão e Arroio Grande/RS cidades que integram a fronteira sul do estado, a metodologia se deu em três partes, na primeira ocorreu o levantamento e coleta de dados, a segunda foi a realização da pesquisa de campo e visita aos grupos e associações mapeadas inicialmente e a terceira e última consistiu no tratamento dos dados e das informações coletadas. Identificamos um total de dezessete grupos e entidades culturais, no qual por meio dos resultados dos questionários e das visitas à campo, pode-se compreender de forma aprofundada como se dá a promoção das políticas culturais entre os grupos identificados.

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Experiencia en Canal 13
Lucy Tatiana Galvis Peñuela (Bogotá, Colômbia)


     Es un relato de la experiencia como artista plástica y productora de televisión con especialización en Gerencia y Gestión Cultural y en Televisión en el uso de nuevas tecnologías para el desarrollo de proyectos en Cultura-Comunicación y Educación en Colombia.

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Arte Digital e Ciberativismo: Intersecções com a Ética Hacker no Cenário Brasileiro
Janaína Capeletti (Porto Alegre, Brasil)

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     Este artigo é o resumo de uma pesquisa que analisa as especificidades da arte digital feita no Brasil, nos dias de hoje, e sua relação com o ativismo. Através de entrevistas com quatro profissionais que transitam entre a academia e a produção artística foi possível constatar que na arte brasileira, o ativismo se dá na própria subversão aos processos da arte convencional e na incorporação da cultura hacker no fazer artístico mesmo que, muitas vezes, de forma não intencional pelos atores.

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