As olheiras de Noah, ou CineYoutube (1)

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Acordo. Tropeço até a sala. Estão todos acordados. Finjo que não estou tonto. Volto pro quarto. Olho pro espelho. Ao invés das linhas da vida nas mãos, posso ver minha história nas olheiras no rosto do meu reflexo. Lembro de ter feito um comentário parecido quando minha namorada me apresentou o trabalho de Noah Kalina, o novaiorquino que aos 19 anos começou uma fotografia que hoje, aos 27, ainda não terminou.

Noah K. Everyday é o nome da obra em construção, registro digital do processo de envelhecimento do fotógrafo. Que é também meu e teu: é isso que penso quando reparo que quanto mais escrevo a respeito de Noah mais sua imagem se assemelha para mim à do próprio tempo, quem sabe o tempo seja isso, a medida da profundidade de nossas olheiras. É provável que o impacto que senti tenha vindo menos das fotografias e mais da velocidade que não esperava do meu próprio desgaste, e é por isso que sugiro que tu veja o primeiro dos vídeos disponibilizados por Noah, que organiza as fotografias dos primeiros 2356 dias [entre os anos 2000 e 2006] do projeto:

O próximo vídeo será lançado no aniversário de 10 anos do projeto, segundo o fotógrafo. Depois disso a idéia é disponibilizar um vídeo a cada cinco anos de trabalho, até acabar. Quando acaba? Quando Noah morrer, ora.

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Em tempo. Entenda que a coisa cresceu tanto que já rolou até paródia dos Simpsons.

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Ainda em tempo. Esta é a primeira de uma série de resenhas de vídeos de youtube, esse formato ainda pouco apreciado pela crítica cultural. E tal.

[Reuben da Cunha Rocha.]

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