Breque dos APPs e as alternativas para o trabalho digitalizado

Foto: Rafael Vilela/Mídia Ninja

A pandemia exacerbou a já visível exploração de trabalhadores por parte de plataformas digitais como Rappi, iFood e Uber Eats. O Breque dos APPs, realizado em 1 de julho de 2020, foi um começo de organização da luta desses profissionais, que se espalhou Brasil afora e promete seguir forte. Criou-se o cenário para refazer uma pergunta feita há tempos: há alternativas à estas plataformas?

Não é nenhuma novidade que o distanciamento social como medida pública de saúde para conter o avanço do covid-19 aumentou a demanda pela entrega de refeições e alimentos em casa. Ao mesmo tempo, na outra curva da equação, com a economia estagnada e taxas de desemprego que já vinham crescendo e agora explodiram, a quantidade de desempregados migrando para a função de “autônomos” também aumentou.

No meio destas duas variáveis ascendentes, estão as plataformas digitais, embutidas de algoritmos supostamente neutros que servem para conectar ofertantes e demandantes. Mas é sabido que não é apenas para fazer essa relação que as plataformas funcionam. Nesta função de conexão, as empresas donas dos aplicativos são proprietárias do código que liga o cliente ao prestador e determinam o preço cobrado pelo serviço baseado em uma lógica interna desconhecida tanto dos usuários quanto de quem o utiliza para trabalhar.

No caso dos apps de entregas, durante a pandemia foi percebida a queda no valor recebido por entrega, possivelmente devido ao aumento no número de pessoas que passaram a trabalhar como entregadores. Ou seja: diminui o número de entregas por entregador e o valor pago por entrega, fazendo com que trabalhadores passem agora mais de doze horas por dia rodando para receber o sustento necessário. Ninguém além das próprias empresas sabem com qual razão é calculada a diminuição da comissão por entrega e o quanto a quantidade de entregas ou de pedidos por dia influencia nesta composição. A mesma coisa acontece com aplicativos de motoristas e outras categorias.

A paralisação dos entregadores de aplicativos (Breque dos Apps, em 1/7) escancarou a relação exploratória entre plataformas e trabalhadores. Como diz Paulo Lima, conhecido como Galo (@galodeluta), já uma figura requisitada na mídia (alternativa) brasileira, “A alimentação é a coisa que mais dói, ter que trabalhar com fome carregando comida nas costas” (em “Superexplorados em plena pandemia, entregadores de aplicativos marcam greve nacional”).

Grupos de entregadores de aplicativos em diversas cidades do país e de outros países da América Latina se uniram para reivindicar condições mais justas de trabalho: refeições, EPIs e álcool gel para atender clientes durante a maior pandemia do século, e maior comissão por entrega, que permita trabalhar menos horas, entre outras reivindicações por condições melhores (que deveriam ser básicas) de trabalho.

Desde o início, as plataformas mantêm o mesmo argumento: não são empregadores, portanto não tem obrigação com os ofertantes. Conectam pessoas que querem um serviço com outras que oferecem o serviço, e só. Mas se são apenas atravessadores, como podem, por exemplo, definir o preço praticado online, debitar despesas da conta dos entregadores e motoristas, e até mesmo praticar o boicote velado a seus ditos “colaboradores”? Há mais variáveis neste serviço que apenas a conexão.

Em um paralelo com a gestão competitiva e manipuladora que já era feita no Brasil com revendedoras por empresas de cosméticos, a pesquisadora Ludmila Abílio (2020) sintetiza a interação dos entregadores, motoristas e demais prestadores de serviço com as plataformas digitais: “submetido a um gerenciamento obscuro e cambiante que define/determina quanto ele pode ganhar e quanto tempo terá de trabalhar para tanto, o trabalhador estabelece estratégias de sobrevivência e adaptação, visando ao mesmo tempo decifrar, adequar-se à e beneficiar-se da forma como o trabalho é organizado, distribuído e remunerado”. Em resumo: precarizado, o trabalhador adere, não é contratado. Como diz Galo: “Quem faz nossos horários são nossas dívidas“.

A urgência do tema não é novidade. O capitalismo de plataforma introduziu uma nova roupagem à precarização do trabalho, agora rebatizado de “empreendedorismo”, barrando até mesmo a possibilidade de trabalhadores reivindicarem direitos judicialmente. Mas a percepção que os autônomos têm do funcionamento destas plataformas vêm mudando conforme o entendimento sobre a relação injusta com o aplicativo aumenta. Em diversos países surgem iniciativas de organização entre os trabalhadores de  aplicativos, em níveis de articulação regional, nacional e internacional.

Tanto as paralisações programadas quanto as ações destas novas organizações de trabalhadores ainda não podem ser consideradas como bem articuladas em suas propostas e ações. Rafael Grohmann e Paula Alves, do DigiLabour, dizem em matéria na Jacobin Brasil que “é inútil, e contraproducente, exigir um movimento pronto – fast food – sem contradições ou com todas as soluções “para ontem”. O movimento real está em plena construção.”.

Este movimento desponta em tempo real para três frentes. A primeira, claro, para novas paralizações: há outra nacional marcada para o dia 25/7, que continua exigindo o aumento do valor por km, do valor mínimo da entrega, o fim dos bloqueios do entregador nos aplicativos, o fim da pontuação e restrição de local, seguro de roubo, de acidente e vida, e equipamentos de proteção contra a covid-19. Se for do mesmo tamanho da primeira, que ocorreu em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Fortaleza, Belo Horizonte, Recife e algumas cidades do interior, fortalecerá uma revolta que teve apoio popular e alguns resultados expressivos nos reviews e notas dos principais apps, que nesse dia tiveram um pico negativo.

A segunda diz respeito à organizações representativas dos trabalhadores para reivindicar direitos junto ao poder Público; já há conversas na Câmara dos Deputados sobre isso. Aqui há uma grande incógnita (e uma certa esperança, especialmente na esquerda) de como será a relação destas organizações com os sindicatos, de modo geral engessados no século XX em seus métodos de representação e em muitos casos subordinados à partidos políticos. Grohmann e Alves citam, no texto da Jacobin, a Asociación de Personal de Plataformas (APP), na Argentina, Independent Workers’ Union of Great Britain (IWGB), na Inglaterra, e #NiUnRepartidorMenos, do México, como alguns exemplos de como os trabalhadores estão se organizando de maneira próxima a de sindicatos. No mesmo texto, há a informação de que no Brasil, só entre os motoristas, já há 18 sindicatos e associações, o que denota também um crescimento de organização dos entregadores por aqui.

Outro movimento que mostra esse crescimento foi realizado em junho de 2020: a primeira conferência digital global de trabalhadores da chamada “economia de plataforma” (ou capitalismo de plataforma, entre outros nomes). Foi organizada por, entre outros, a Taxi Project 2.0, uma iniciativa de origem espanhola que está agregando diversos outros grupos do país e da Europa ligado aos serviços de transporte de passageiro, como Uber e Cabify, mas também dos apps de entrega.

A terceira frente surgida a partir da movimentação dos entregadores de apps é a que mais nos interessa aqui: soluções para o trabalho digitalizado. Há as soluções de alternativas organizacionais em que, por exemplo, a plataforma é autogerida ou cooperativa. Nesse aspecto, o cooperativismo de plataforma (da qual já falamos aqui) surge como alternativa ao modelo das plataformas privadas. Aproveita-se a tecnologia mas redefine-se a propriedade sobre o algoritmo e sobre os dados: são os próprios ofertantes e demandantes que são donos e operam a plataforma, sem a necessidade de atravessadores com interesses próprios e propostas injustas.

O documentário Reclaiming Work, de Cassie Quarless e Usayd Younis, da produtora Black & Brown Film, apresenta cooperativas de entregadores (de bicicleta ou motoboys) que oferecem uma alternativa às gigantes Deliveroo [aplicativo de entrega de comida britânico] e Uber. La Pájara, uma das cooperativas que aparecem no documentário, foi formada após alguns onda de protesto contra a Deliveroo em Madri. Em Barcelona, há a Mensakas, que desenvolveu sua própria plataforma e que prioriza redes de economia solidária na circulação de alimentos e outros produtos para a população catalã. Em debate organizado pela Fundação Rosa Luxemburgo no dia 16/7, Galo de Luta comentou que os Entregadores Antifascistas, coletivo que tem puxado o #BrequedosApps no Brasil, está se organizando enquanto cooperativa, com vias de produzir seu próprio aplicativo. Ainda sem plataforma, há alguns anos funciona em Porto Alegre a Pedal Express, coletivo organizado horizontalmente de entregadores de bicicleta.

Cooperativas como a La Pájara ou a britânica York Collective  são apoiadas por uma federação ainda mais ampla, a CoopCycle — uma “cooperativa de cooperativas” sediada na frança com atuação na Europa e na América do Norte. A organização criou um software que pode ser utilizado por quaisquer interessados em iniciar uma cooperativa de entregadores – para garantir que o negócio não seja cooptado, a licença de utilização do software, chamada não por acaso de Coopyleft, só é permitida para iniciativas que sigam o modelo cooperativo. Desta forma, buscam garantir que a tecnologia está nas mãos dos próprios entregadores cooperativados, uma decisão que retoma a posse dos dados e das tecnologias utilizadas, o que descentraliza a propriedade e ajuda a combater os monopólios que fizeram da rede hoje um grande jardim murado controlado por poucos e criaram a “ressaca da internet” que comentamos aqui faz dois anos.

 

Os principais componentes da Coop.Cycle incluem software, aplicativos para smartphones, mapeamento, seguros e construção de alianças com potenciais fornecedores, oferecidas a qualquer cooperativa que entre para a rede. Esse é um elemento fundamental para que, de saída, essas cooperativas possa disputar o mercado de Apps multinacionais como Rappi, Uber e iFood, pois a partir dessa tecnologia é possível reunir grupos e cooperativas, como o La Pájara ou o York Collective, com trabalhadores isolados e conectar estes com os clientes e fornecedores de alimentos. Há também outras plataformas digitais de propriedade dos trabalhadores ligadas ao Cooperativismo de Plataforma que estão buscando fazer, em diferentes áreas, esforços parecidos, muitas listadas nesse diretório.

As cooperativas tem como método de financiamento a contribuições dos trabalhadores, definidas e compartilhadas, em tese, de maneira transparente. A gestão de uma plataforma cooperativa é, portanto, democrática, fornecendo não apenas uma voz aos trabalhadores, mas profissionalizando de verdade seus trabalhos dentro da “Economia de Bicos”, e dando a eles o controle de como isso é definido. Os trabalhadores também ganham proteção real na forma de seguros e de representação legal que, na maioria dos casos, são inexistentes nas plataformas convencionais.

Há, ainda, diversas limitações práticas para construir cooperativas, em especial na área de tecnologia. A cultura predominante não é propícia a isso, muito menos os modelos de negócios e financiamento predominantes; no Brasil, porém, uma cooperativa nessa área é modelo de atuação e prestação de serviços há alguns anos: a Eita, que desenvolve tecnologia em diálogo com movimentos sociais populares, redes e instituições de pesquisa e já fez plataformas de mapeamento de feiras orgânicas e o aplicativo de consumo responsável Responsa, entre outros projetos. Há um longo caminho a percorrer para que esse tipo de cooperação possa ter uma chance real de desafiar as grandes plataformas, mas usar a tecnologia para ajudar os trabalhadores a desfrutar (e tomar) os meios de produção parece ser um caminho possível para reconstruir uma economia em prol do bem-comum.

[Leonardo Foletto e Victor Wolffenbuttel]

 

BaixaCharla ao vivo #4: Cooperativismo de Plataforma

A quarta BaixaCharla tratou de um pequeno livro e uma ideia poderosa: cooperativismo de plataforma. Publicado em março de 2017 pelas Editora Elefante e Autonomia Literária, em parceria com a Fundação Rosa Luxemburgo, com tradução e comentários de Rafael Zanatta, o livro é fruto de uma conferência do autor – Trebor Scholz, professor associado da The New School, em Nova York, nos Estados Unidos – em que mais de mil participantes discutiram ideias para a criação de um novo tipo de economia online em contraponto à chamada economia do compartilhamento.

O texto de apresentação da publicação, escrito por Daniel Santini e Ana Ruschë, introduz à crítica a esta nova roupagem de um velho sistema de exploração capitalista, agora alimentado por tecnologias vigilantes e desregulação de mercados. “A ideia de uma nova economia, mais inteligente e dinâmica, em que liberdade e facilidade valem mais do que posse absoluta e exclusiva de objetos, ganha força. Por que ter um carro se eu posso conseguir um com motorista em dois cliques no celular, a um preço razoável? Ou, invertendo a lógica, por que manter aquele quarto vazio nos fundos da casa quando alguém poderia aproveitar esse espaço? Para que deixar a bicicleta encostada ou um livro mofando? Por que não aproveitar melhor as coisas?”

Mas as coisas não são tão simples assim, como todo mundo que já tenha olhado para o lado e visto à abolição das leis trabalhistas no trabalho de entregadores de iFood, Rappi, Uber Eats e nos motoristas de aplicativos. “Seja pela noção ecológica de dar vida útil maior às coisas, seja pela sedução que as novas tecnologias nos imprimem em um cotidiano tão veloz, seja pela necessidade de complementação de renda ou pelo desemprego, o atual pacto do ubercapitalismo está acessível a poucos toques: em um aparelhinho na palma da tua mão. Cantando as maravilhas que sempre desejamos – horários flexíveis, valorização do acervo e das habilidades pessoais –, nos fisga com um desejo antigo: a ilusão de não se subordinar e de finalmente tomar as próprias decisões.”

O fenômeno está diretamente relacionado à fase atual do capitalismo e se repete, em diferentes intensidades, em todo o planeta, explicam Santini e Ruschë na apresentação.  Para ajudar a pensar em estratégias de fuga desse sistema, a ideia do Cooperativismo de plataforma proposta por Trebor Scholz questiona o modelo de propriedade para a Internet. Em vez da economia de compartilhamento vendida como um pacote de “ideias geniais” (cuidadosamente fomentadas por departamentos de marketing de empresas), o que o autor propõe são plataformas de cooperativismo “de propriedade coletiva, possuídas pelas pessoas que geram a maioria do valor nessas plataformas, [e que] podem revigorar essa mentalidade pública inicial. O cooperativismo de plataforma pode mudar o modo como pessoas comuns pensam sobre suas relações na Internet.”, diz o professor.

O tom otimista do livro (que pode ser baixado de grátis aqui)  reflete um momento histórico e um lugar: um começo de propagação de iniciativas cooperativas em alguns países do norte global, onde um sistema mais sólido de bem-estar social, com direitos trabalhistas e condições de emprego, moradia e alimentação mais robustas que o sul. Por isso, algumas ideias do livro podem soar utópicas para nós, brasileiros, ainda mais neste distópico 2019 de Bolsonaro. Mas, ainda assim, são ideias que tem a força de nos inspirar e imaginar realidades diferentes das atuais, algumas mais outras menos difíceis de serem implantadas.

“Daqui a trinta anos, quando enfrentaremos o fim das profissões e mais empregos serão ‘uberizados’, podemos muito bem acordar e imaginar por que não protestamos contra essas mudanças. Podemos sentir remorso por não termos buscado alternativas, mas não podemos mudar o que não entendemos. Portanto, estou perguntando o que significa a ‘economia do compartilhamento’?”[Trebor Scholz]

O livro está disponível para download no site da Fundação Rosa Luxemburgo.

Esta foi uma edição especial da BaixaCharla. Realizada dentro de um estúdio profissional de rádio, em sala de aula da disciplina de Cibercultura, à convite do professor Andre Deak, na ESPM São Paulo, teve na bancada as estudantes de jornalismo Malu Ogata, Maria Clara Jorge, além de André e Leonardo Foletto, editor do BaixaCultura, e na plateia o restante dos alunos da turma, que fizeram algumas perguntas e comentários sobre o tema (ou nem tanto). Segue abaixo na íntegra e alguns dos exemplos citados e trechos do livro.

 

_ Apresentação (até 7min.34s)

_ Parte 1: Plataformas de trabalhos “colaborativos” que unem freelancers e empresas: (7min34s – 30min)
UpWork, Crowdwork

_ Parte 2: A Ascensão do Cooperativismo de Plataforma (30min – 42min35s)

_ Parte 3: Rumo a uma tipologia das plataformas cooperativas (42min, 35s – 56min10s)

Intermediação de trabalho online de propriedade cooperativa
Loconomics, Fairmondo, Coopify, Eita, Coolab;

Plataformas cooperativas controladas por cidades
Um “airbnb” controladas por cidades, por exemplo. Artigo de Nathan Schneider, The Nation;

Plataformas de propriedade dos “produsuários”
Resonate.is

Plataformas de trabalho mantidas por sindicatos

Cooperativas de dentro (das grandes empresas)

Parte 4. Dez Princípios para o Cooperativismo de Plataforma (56min10s – final)
1) Propriedade
2) Pagamentos decentes e seguridade de renda;
3) Transparência e portabilidade de dados;
4) Apreciação e reconhecimento;
5) Trabalho codeterminado;
6) Uma moldura jurídica protetora;
7) Proteção trabalhistas portáveis e benefícios;
8) Proteção contra comportamento arbitrário;
9) Rejeição da vigilância excessiva do ambiente de trabalho;
10) O Direito de se desconectar;

III Encontro SUL da Rede de Produtoras Culturais Colaborativas

Pelo terceiro ano consecutivo, as produtoras culturais colaborativas da região sul vão realizar seu encontro anual em Porto Alegre e região metropolitana. O III Encontro Regional SUL da Rede das Produtoras Culturais Colaborativas contará com debates, oficinas, install fest de software livre, roteiro pelos espaços coletivos de produção cultural de Porto Alegre e atrações culturais, com a participação das produtoras colaborativas da região Sul, representantes das produtoras das regiões Norte e Nordeste do Brasil e parceiros locais que trabalham com produção cultural, software livre e economia solidária. O evento vai de 4 a 7 de outubro (quarta-feira à sábado) em Porto Alegre, no Espaço Cultural 512 (Rua João Alfredo, 512, Cidade Baixa) e na Unisinos Campus Porto Alegre (Av. Dr. Nilo Peçanha, 1640, sala 307) e em Novo Hamburgo, no Espaço Sideral e na Casa Aberta Clube da Esquina (Rua Casimiro de Abreu, 272/251)

A edição deste ano do encontro tem o reconhecimento e apoio da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural do MinC, através do edital Cultura e Redes, realizado em 2015, cujos recursos foram liberados somente este ano. As inscrições para todas as atividades são gratuitas e podem ser realizadas aqui.

A programação completa está abaixo. Todes estão convidados a cdiscutir/praticar/conhecer a tecnologia social das produtoras colaborativas, economia solidária, gestão de espaços coletivos de produção, tecnologias livres, criptomoedas, redes livres, comunicação alternativa e outros temas que vão ser debatidos nos dias de evento.

Programação completa
Evento Facebook

PROGRAMAÇÃO

1º DIA – 4 de outubro (quarta)
LOCAL: Recepção/ almoço/atividades – Espaço Cultural 512 (Rua João Alfredo, 512, Cidade Baixa, Porto Alegre – RS)

14h – Abertura
RODAS DE CONVERSA
15h – Como a web 3.0 pode ser um mutirão para fazer a inteligência coletiva emergir? Daniel Muller (ASL)
16h – Permacultura digital: intertextualizando a cultura da permanência. Fabianne Balvedi (PR), Pedro Jatobá (BA) e Leandro Atlas (RS)
17h – O Corais 20 tá chegando!: apresentação da nova versão da plataforma de gestão da Rede das Produtoras Culturais Colaborativas, Cooperativa EITA
19h – Install Fest – Oscar Luz e Associação do Software Livre (ASL)
19h – CINELIVRE: exibição de filmes produzidos em software livre e/ou distribuído em licenças livres. (Curadoria: Cláudia Archer)
20h30 – O Futuro do Software Livre no Brasil (Associação do Software Livre – ASL)
21h – Quarta Livre no 512
Shows: Mosaico Fluido, Áurea Vênus, Andrei Côrrea (vocalista/guitarrista da banda Trem Imperial) e convidado surpresa. Nos intervalos do show, DJ Virgulinux vai tocar suas seletas musicais nordestinas montadas só com músicas livres para baixar e de domínio público disponíveis na internet.

2º DIA – 5 de outubro (quinta-feira)
LOCAL: Unisinos Porto Alegre (Av. Dr. Nilo Peçanha, 1640, sala 307)

Seminário do III Encontro SUL das Produtoras Colaborativas
10h – Abertura. Mesa 1: As produtoras colaborativas e os arranjos locais de produção econômica
Tempos de “crise” são tempos de união e de criar novas (ou recriar velhas) formas de produção. Também são períodos para se buscar bons exemplos e soluções de viabilidade financeira que sejam, de fato, colaborativas. Como a tecnologia social das Produtoras Culturais Colaborativas pode contribuir para este cenário? Como a economia solidária pode dialogar com a economia colaborativa na produção de alternativas viáveis financeiramente e socialmente justas? Quais os principais desafios para quem quer sobreviver produzindo uma cultura livre, colaborativa e economicamente sustentável? Como, nas brechas da crise, detectar e potencializar arranjos locais de produção cultural livre? Estas e outras questões serão discutidas nessa mesa de abertura do Seminário do III Encontro SUL de Produtoras Culturais Colaborativas.
_ Pedro Jatobá (Iteia/Rede das Produtoras Colaborativas)
_ Aline Bueno (mestranda em design estratégico na Unisinos, integrante do SeedingLab e do Vila Flores);
_ Ana Mercedez Sarria Icasa (Núcleo de Estudos de Gestão Alternativa- NEGA, UFRGS);
_ Joel Grigolo (Matehackers/MachinariumLAB);
_ Leandro Anton (fotógrafo, Geógrafo e Educador Popular, integrante da Coordenação do Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo);

14h – Crise capitalista atual e possibilidade de um pós-capitalismo: o papel da democratização da cultura via militantes digitais
Gláucia Campregher (Professora do Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFRGS) e Rodrigo Brites (discente de Relacões Internacionais da UFRGS e pesquisador da internet como ferramenta de poder). A proposta da discussão é alertar para o alcance da cultura digital, principalmente aquela voltada para o desenvolvimento de práticas colaborativas, na proposição de alternativas à crise atual que aponta para maior concentração de riqueza, poder, e controle das produções materiais e imateriais, mesmo que ao mesmo tempo estas novas tecnologias permitam também alguma democratização na sua produção e consumo.

16h – Mesa 3: Comunicação e cultura livre em tempos bicudos
Virou consenso dizer que o jornalismo brasileiro vive um “apagão” nos últimos anos, a partir do acirramento político que se deu em torno das Jornadas de Junho de 2013 e das eleições presidenciais de 2014. Ao mesmo tempo que o dito jornalismo tradicional está em crise,  é visível a expansão de coletivos de comunicação e jornalismo “contra-hegêmonico” pelo Brasil, que buscam construir narrativas sobre os acontecimentos de pontos de vista que não os tradicionalmente mostrados na mídia tradicional. De que formas estes coletivos conversam com o software e a cultura livre? Como produzir comunicação e jornalismo em tempos bicudos, de acirramento de lados que não dialogam? Como fugir da polarização e produzir informação qualificada sobre os acontecimentos hoje no Brasil? Essas e outras questões vão pontuar o debate com diversos integrantes de coletivos de comunicação do RS e SC.
_ Agência Ganesha (Florianópolis, SC)
_ Nonada Jornalismo Travessia (POA-RS)
_ Coletivo Catarse (Porto Alegre – RS)
_ Coletivo Maruim – Florianópolis, SC

Mediação: Leonardo Foletto (https://baixacultura.org/, doutor em comunicação e informação pela UFRGS)

3º DIA – 6 de outubro (sexta)

10h – Oficina Laboratório Fotodoc online com ferramentas livres (Sheila Uberti – http://fotolivre.org)
Atividade de apresentação e prática guiada sobre as possibilidades de publicar online a documentação fotográfica de projetos culturais. Falaremos sobre licenças, softwares, integração de ferramentas, atualização e manutenção dos conteúdos. Não é necessário conhecimento de nenhuma linguagem de programação ou de edição de imagens avançada.

LOCAL: Espaço Cultural 512 (Rua João Alfredo, 512, Cidade Baixa, Porto Alegre – RS)

14h – Passeio pelos Espaços coletivos de produção cultural em Porto Alegre (conhecidas também como “Casas Colaborativas”).
A proposta da atividade é conhecer os espaços e compartilhar informações sobre as atividades realizadas, as formas de gestão e de troca de informação entre os participantes.
Quilombo do Sopapo
Marquise51
Galpão Makers
Vila Flores – encerramento com roda de conversa sobre a reconfiguração das Casas Colaborativas

4º DIA – 7 de outubro (sábado)

15h -A tecnologia blockchain (Bitcoin¢) e seus impactos socioeconômicos (Lucas Alberto – ASL e convidados)
16h – Internet(s) possíveis para a cultura livre. Roda de conversa (Casa de Cultura Digital Porto Alegre)
17h – Redes Livres e/ou Provedores Comunitários no Brasil e mundo (Rodrigo Troian, Coolab – laboratório cooperativo de redes livres)

Local: Espaço Cultural 512 (Rua João Alfredo, 512, Cidade Baixa – Porto Alegre).

Festa de Encerramento

19h – Festa da Cultura Livre: Junção Primavera Cultural Novo Hamburgo  – Lúpulo Jah e Outro Mundo Acontece: Kalunga Quilombola (POA) e Expo Arte,

Local: Espaço Sideral (Rua Casemiro de Abreu, 272, Novo Hamburgo) e Casa Aberta Clube da Esquina (Rua Casemiro de Abreu, 251), uma na frente da outra.

SOBRE AS PRODUTORAS CULTURAIS COLABORATIVAS

As Produtoras Culturais Colaborativas (http://www.corais.org/colabor ativas) são uma tecnologia social que integra práticas formativas em software livre, metodologias de inclusão digital e produção cultural comunitária orientadas pelos princípios da economia solidária. São iniciativas de desenvolvimento local realizadas em telecentros onde jovens, produtores e gestores culturais, empreendedores e artistas, participam da gestão do espaço e do processo formativo, criando e comercializando produtos e serviços da economia criativa em software e licenças livres e de forma autogestionária. A tecnologia social qualifica espaços de inclusão digital em laboratórios de educação em cultura livre, contribuindo para o registro de suas comunidades. Existem pontos da rede em Recife e Olinda (PE), Belém e Santarém (PA), Porto Alegre e Novo Hamburgo (RS), Florianópolis (SC), Curitiba (PR), Salvador e Chapada Diamantina (BA).