Diálogos Abertos #3: Fake news, liberdade de expressão e as eleições 2018

Dando sequência ao nosso papo tecnopolítico & cultural digital presencial e por streaming, vamos realizar a terceira edição do Diálogos Abertos sobre a onipresente e complexa questão das fake news. Já faz algum tempo que temos sido bombardeados de todos os lados com informações falsas sobre os mais variados assuntos, em especial a política e em redes como o WhatsApp e o Facebook. Esse bombardeio tem causado efeitos problemáticos para nossa vida em sociedade e, principalmente, para o sistema político tal qual conhecemos hoje, haja vista a decisiva participação de bots e agentes desinformadores nas campanhas do Brexit inglês e da eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. É necessário combater essas informações falsas, sob o risco de esses efeitos se espalharem ainda mais, mas quais são as formas existentes de frear as fake news? É possível a construção de uma lei que seja razoável sobre o assunto? Como o jornalismo e as agências de checagem de fatos (“Fact checking”)podem contribuir para esse trabalho? e com que recursos farão o trabalho árduo, caro e cansativo que é o de checar a vericidade de informações?
Esse texto da Tatiana Dias publicado no Intercept Brasil levanta outras questões importantes: “as megaempresas do Vale do Silício podem investir o quanto quiserem em iniciativas de checagem de fatos – é uma boa maneira de aliviar a consciência –, mas nada muda o fato de que o coração de seus modelos de negócio é que cria um ambiente fértil para a desinformação.” Os esforços coletivos de construção de credibilidade são importantes, mas paliativos para um problema muito mais estrutural, que é o modelo de negócio da internet hoje, baseado na comercialização dos dados e na economia de atenção. O jornalismo tradicional não tem como (ou não quer) atacar esse problema com esmero porque, entre outros motivos, perdeu o poder (financeiro, estrutural, de inovação) de outrora para as grandes empresas do Vale do Silício. Então prefere se aliar a elas em iniciativas como a Comprova, um consórcio de 24 organizações jornalísticas (em sua maioria, mídias tradicionais) e, com isso, tentar resgatar sua credibilidade combalida pelos contínuos erros (ou desvios), em especial no Brasil pós-2013. Nesse caso específico, fica um acordo em que ambos saem ganhando: os principais responsáveis pela disseminação de informações falsas na rede mostram algum movimento para combater o que criaram, ainda que não atacando o principal motivo (seu próprio modelo de negócios); e o jornalismo tem uma chance para resgatar a credibilidade perdida e, num momento de escassez, angariar recursos com quem mais tem feito dinheiro hoje, justamente as gigantes do Vale do Silício.
Para o debate, teremos como convidados:
_ Naira Hofmeister, jornalista que já trabalhou para diversos veículos do Brasil e do exterior, premiada três vezes com o ARI de Jornalismo, o mais tradicional do Rio Grande do Sul. Especializada em grandes reportagens, vem desenvolvendo nos últimos anos matérias investigativas financiadas por leitores, como é o caso do Dossiê Cais Mauá e do Dossiê Palcos Públicos, de Porto Alegre, e é uma das jornalistas que está à frente da Filtro Fact-checking, iniciativa que vai checar informações de fatos, dados e declarações públicas com foco no Rio Grande do Sul, em campanha de financiamento coletivo no Catarse;
_ Nicholas Nether, advogado, mestre em Direito e Especialista em Direito Público pela Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP).

O debate terá a condução dos integrantes da CCD POA Janaína Spode, produtora cultural e ciberativista nas lutas pelos avanços políticos para reforçar os Direitos Humanos no mundo digital;  Fabricio Solagna, doutorando em sociologia pela UFRGS com pesquisa focada em governança da Internet e Marco Civil na Internet e que já realizou projetos de participação digital no governo do RS e na presidência da República; e Leonardo Foletto, doutor em comunicação pela UFRGS e editor desta página.

 

Diálogos Abertos #3 será realizado no cr1pto espaço criativo, local onde antes funcionava a lanchonete vegana Pasito, ao lado do Bar Opinião, no coração da Cidade Baixa, às 19h, em Porto Alegre. Teremos cafés, chás, mate e algumas comidinhas. Transmissão ao vivo via canal do Youtube do BaixaCultura, depois o vídeo será disponibilizado aqui. Tudo de grátis, só chegar.

Diálogos Abertos #1: O Caso facebook

Junto com o Hackerspace Matehackers e a Casa da Cultura Digital Porto Alegre, começamos na última quinta-feira, 26 de abril,  uma série de debates sobre temas ligados à cultura digital, tecnopolítica, direitos digitais, cultura livre, ética hacker e outros do nosso cotidiano digital. Nosso intuito foi, e continuará sendo com os próximos, dissecar esses temas num momento em que a internet que conhecemos está acabando, e que novas “internets” estão sendo construídas, num campo em ferrenha disputa que acontece hoje.

O primeiro assunto dos Diálogos Abertos não poderia deixar de ser o recente caso envolvendo o Facebook, que supostamente vazou (compartilhou, melhor dizendo) dados de cerca de 87 milhões de pessoas para a empresa de marketing político Cambridge Analytica por meio de testes de personalidade. A situação levou o criador da rede social, Mark Zuckerberg, a defender sua empresa no Congresso dos Estados Unidos e despertou um sonoro “eu já sabia” nos meios do ciberativismo de proteção de dados e antivigilante, além de queda do valor das ações da empresa na Bolsa de Valores e alterações na política de proteção de dados da rede social, que vão afetar os mais de 1 bilhão de pessoas com perfis no Facebook.

A conversa realizada no miolo do Vila Flores, condomínio cultural criativo que abriga o Matehackers, girou em torno desse e outros temas correlatos, e teve a condução de Janaína Spode, integrante da CCD POA, produtora cultural e ciberativista nas lutas pelos avanços políticos para reforçar os Direitos Humanos no mundo digital;  Fabricio Solagna, doutorando em sociologia pela UFRGS com pesquisa focada em governança da Internet e Marco Civil na Internet e que já realizou projetos de participação digital no governo do RS e na presidência da República; e Leonardo Feltrin Foletto, doutor em comunicação pela UFRGS, integrante do Matehackers, da CCD POA e editor desta página.

Diálogos Abertos marcou também o lançamento da Newsletter quinzenal CCD POA + BaixaCultura (inscrição e todas as infos aqui), e da campanha de financiamento contínuo do BaixaCultura no Apoia.se. Teve a presença de cerca de 20 pessoas e outras tantas online, na transmissão que fizemos no YouTube e que está disponível aqui abaixo. As fotos são de Sheila Uberti. A 2º edição será realizada em maio.

Uma newsletter quinzenal

Nos reunimos com a CCD POA para organizar, embasar e ir mais fundo nas informações que todos os dias postamos nas nossas redes sociais e plataformas como este site. Daí nasceu a nossa Newsletter em conjunto, para informar e debater temas como tecnopolítica, direitos digitais, privacidade, cultura livre, remix e (contra) cultura digital – e também informar as atividades que realizamos por aí e organizar uma agenda de eventos nessas áreas. Mais uma newsletter, vocẽ pode pensar: e é, sim, mais uma newsletter, e ao mesmo tempo não é: nosso objetivo é trazer um conteúdo diverso, aprofundado, olhando para o que acontece no presente e sobre as transformações que a internet está passando e nos fazendo passar enquanto sociedades. Mas também queremos olhar para trás, para lembrar de textos, fatos e histórias que nos ajudam a entender esse frenético cotidiano de hoje, por isso em todos os envios vamos resgatar algum texto ou acontecimento passado que, no mar de informações compartilhadas todos os dias, acaba por se perder.

Se inscreva a nos acompanhe! O 1º envio é nessa quinta, 19/4, e os próximos serão sempre às quintas, a cada 2 semanas, salvo em ocasiões especiais.