Rip: A Remix Manifesto no ciclo copy, right? 2.0
dezembro 18th, 2010 § 3 Comentários
No segundo dia do Ciclo copy, right? 2.0, parceria do BaixaCultura e do Macondo Cineclube, teremos a exibição de “RIP: A Remix Manifesto“.
RIP é dirigido pelo ciberativista Brett Gaylor (na foto mais abaixo), e tem como foco principal a discussão acerca dos direitos autorais, propriedade intelectual, compartilhamento de informacão e a cultura do remix nos dias de hoje.
O documentário parte da história de Gregg Gillis – mais conhecido como Girl Talk – para entrevistar nomes ligados ao debate sobre propriedade intelectual, como Lawrence Lessig, criador do Creative Commons e autor do célebre “Free Culture“, e Jammie Thomas, uma pacata cidadã dos EUA condenada a pagar US$ 1,5 milhão para a indústria fonográfica por ter baixado e compartilhado 24 músicas protegidas por copyright.
Outro caso mostrado é o do estadunidense Dan O’Neill, que em 1971 formou o Air Pirates, um grupo de cartunistas que publicaram duas revistas nas quais Mickey e seus amiguinhos apareciam em paródias com enredo sexual. A Disney, que não gosta que mexam com seus plágios, processou durante anos o grupo, o que não impediu que as revistas pudessem ser digitalizadas e encontradas na internet – aqui e aqui.
“O filme pergunta até que ponto realmente é um crime você pegar uma música de uma banda famosa que ganha um monte de dinheiro com direitos autorais e criar em cima dessa música“, explica a paulista Daniela Broitman, produtora responsável pelas cenas rodadas no Brasil, em matéria de 2009 no Globo, quando o filme foi apresentado no Festival Internacional do Rio
Entre os entrevistados brasileiros destaque Gilberto Gil, na época ministro da Cultura, e os DJs Marlboro e Sany Pitbull. “O compartilhamento é a própria natureza da criação”, diz Gil, no filme, realçando um pouco da ideia do discurso que o fez ser conhecido como “Ministro Hacker, proferido em 2004.
O filme foi lançado oficialmente em 2008, no Canadá, mas disponibilizou material online muito antes, através do Open Source Cinema, um projeto criado por Brett Gaylor que busca facilitar a circulação e o remix de vídeos online. A ideia original era que o filme fosse uma produção colaborativa, onde o público pudesse contribuir com material ou mesmo baixar, editar e remixar o filme de acordo com a sua vontade, seguindo a ideia da Cultura do Remix.
Assista o trailer de aperitivo para a próxima terça:
**
Como prometido no último post, voltamos aqui a falar do “Copyright Criminals” por dois motivos: o primeiro, para trazer alguns trechos selecionados do relato de Silvana Dalmaso sobre o 1º dia do ciclo, que você pode ler na íntegra num post do blog do Fora do Eixo:
Perdeu e muito quem não foi assistir a Copyright Criminals, na terça-feira à noite, no Macondo Cineclube, dentro do Ciclo “Copy, Right? 2.0″. O jornalista Marcelo de Franceschi (foto), integrante do BaixaCultura.org apresentou o filme produzido por Benjamin Franzen e Kembrew Mcleod, professor de comunicação da Universidade de Iowa. Marcelo, que produziu seu trabalho de conclusão de curso sobre o tema cultura livre, também traduziu o documentário depois de ter entrado em contato diretamente com seus realizadores.
(…) O doc mostra de um modo quase didático a origem do sampling vinculada ao hip hop americano e as implicações da prática no mundo da música. Mostra famosas brigas jurídicas entre músicos e gravadoras. Dá exemplos de canções ressucitadas e ouvidas depois de sampleadas pelos DJs. O Public Enemy, muito referenciado no filme, chega a samplear trechos de discursos políticos. Além disso, o doc mostra o traballho quase árduo de pesquisa dos sampleadores para encontrar, em meio a tanta música, “aquele” trecho interessante para a composição pretendida.
(…) O doc mostra a urgente preocupação dos defensores dos direitos autorais, a ânsia das gravadoras por processar sampleadores, a preocupação dos artistas em preservar suas composições intocadas, originais…Minha música, minha propriedade…
O sample, o remix, o mash up, enfim…Dos vinis arranhados para a tecnologia digital…são práticas culturais muito ricas e criativas para serem reduzidas a ações preguiçosas, simples apropriações ou crimes de direito autoral.
E o segundo para disponibilizá-lo para download. A versão pirata de “Copyright Criminals” pode ser baixada em duas partes – aqui e aqui – e a legenda em português aqui.
*
Retomando o serviço:
“RIP: A Remix Manifesto” – Ciclo Copy, right? 2.0
Documentário dirigido por Brett Gaylor (2008, 86min)
21/12, Terça-Feira, 19h30 (mas chegando até as 20h tu provavelmente pega o filme na íntegra)
Macondo Lugar, 643, Centro, Santa Maria-RS
Um relato (relaxado) do Fórum da Cultura Digital 2010
dezembro 1st, 2010 § 4 Comentários
Passados duas semanas do Fórum da Cultura Digital 2010, talvez não haja muito mais o que falar a respeito do evento do que outros já falaram. [E já se falou bastante, basta ver os links com a tag #culturadigitalbr no delicious].
Receio que muita das inúmeras coisas que aconteceram durante os três dias de novembro na Cinemateca vão ecoar nos próximos meses e até nos próximos anos, num esquema vagaroso e não programado de assimilação de ideias. É possível que muitas das informações do Fórum só venham a bater quando da junção com outras infos obtidas no calor do dia a dia. Quando isso acontecer, o estrago pode vir a ser grande – ou pode não dar em nada, como muitas das ideias geniais que passam alguns breves segundos por nós e morrem sem mal dar sinal de vida pós-mortem.
De qualquer modo, aqui vai uma seleção aleatória de links com comentários breves de algumas das coisas que lembramos agora, com o necessário respiro das belas fotos do evento realizadas pelo coletivo UARA (todas as fotos são de André Motta e Pedro Caetano e foram tiradas daqui). Seria prepotência querer fazer uma cobertura daquele caos criativo que foi o Fórum agora, então melhor mesmo, na nossa visão, é lembrar de algumas coisas e deixar outras tantas para serem recordadas durante os próximos meses, quando o mar de informação cotidiana pedir para chafurdar nas milhares de gavetas internas onde ainda reverberam as experiências apreendidas nos três dias de novembro de 2010 na Cinemateca Brasileira de São Paulo.
_ Atual mercado de livros vai falir, diz estudioso americano.
O estudioso em questão é Bob Stein (na foto acima), que participou de uma mesa no seminário internacional no primeiro dia (15) do Fórum. Descontando o fato de ser uma matéria da Veja, vale a leitura da entrevista por duas considerações deixadas por Stein sobre o(s) futuro(s) do livro:
“O futuro do livro segue em duas direções. O livro impresso se transformará em um objeto de arte. Em outras palavras, pessoas abastadas poderão comprar lindas versões de livros impressos. Eles terão mais ilustrações e servirão como um souvenir. Já a maioria dos livros terá como padrão o formato digital. Você poderá imprimi-lo, se quiser, e a leitura se tornará muito mais social e dinâmica.”
_ Ex-parceiro de Godard, Jean-Pierre Gorin mira o digital
Entrevista do cineasta/mestre/professor Jean-Pierre Gorin (foto acima), que participou de palestra que encerrou o 2º dia do fórum, à repórter da Ilustrada (Folha) Ana Paula Sousa. Vale pela sinceridade de Gorin, daquele raro tipo de pessoa que, por não ter muita coisa a temer, diz o que pensa sem tá nem aí para com que os outros vão “falar” dele , e pelo raro e saudável exemplo de ser um artista pouco afeito a qualquer tipo de concessão em sua obra.
.
_ Transmedia and Remix Debate at Brazilian Digital Culture 2010
Eduardo Navas é um estudioso do remix (participou do 3º dia do fórum, na mesa “Cultura Digital para além da internet: remix e transmídia“). Quando dizemos estudioso é porque o cara estuda mesmo o remix, com diversos textos interessantíssimos publicados sobre o tema e um conceito de remix melhor que o da Wikipedia. Navas fez um relato bastante detalhado (em inglês) de sua participação no Fórum no ótimo Remix Theory (na imagem acima), um dos melhores lugares para se ver achados sobre a natureza e a evolução do remix, de simpáticas recombinações de desenhos da Disney à densos artigos teóricos sobre a ètica da modularidade de informações.
.
_ Carta do Fórum da Cultura Digital em Defesa da Liberdade na Internet
Foi o documento produzido durante o fórum por diversos ativistas e usuários da internet cansados da ameaça de apropriação da rede em nome da proteção de crimes como pedofilia. Vale ler, divulgar, assinar e também acompanhar a discussão sobre o assunto no congresso nacional.
.
_ Linha do Tempo da Cultura Digital
Apresentado durante o fórum, a Linha é uma construção colaborativa que visa recuperar a história da cultura digital no Brasil e no mundo. Começou com um recorte dos últimos 10 anos, mas a ideia é que se abra ao recorte de tempo que as pessoas acharem necessário. O legal é que ela está aberta a participação de qualquer um, mediante um simples cadastro. Dá para escrever um verbete sobre um fato que tu ache interessante constar ali e dar pitaco nos que já estão lá, além de acrescentar mais dados, fotos, vídeos aos verbetes.
**
Vale dizer que as experiências e pesquisas acadêmicas apresentadas no espaço Experiências de Cultura Digital transmitidas ao vivo via streaming estão disponíveis para assistir e baixar (como é o caso da argentina La Vecindad, da foto acima).É um rico material de mais de vinte vídeos que, ademais de recuperar os trabalhos apresentados, pode ser útil para quem esteve no fórum e não pode estar presente na sala Petrobras (onde localizava o espaço) diante das mil e uma atividades acontecendo ao mesmo tempo. Segundo fontes confiáveis, outro projeto envolvendo as experiências de cultura digital está no forno, com previsão de estar pronto no início do ano que vem.
Para outros materiais e detalhes do Fórum, vasculhe o culturdigital.br/forum2010.
Notícias do front baixacultural (23)
setembro 23rd, 2010 § Deixe um comentário
Excepcionalmente hoje vamos ressuscitar reativar essa seção, já que a semana foi mais movimentada do que as avenidas gaúchas no 20 de setembro.
.
Lançado o The #copyright Daily (Twitter, 30/08)
Criaram uma interface nova para apresentar o conteúdo que vai de tweet-em-tweet: o jornal. No sistema paper.li, desenvolvido em março deste ano, são agregados tweets e links que são do mesmo assunto, ou seja, que contém a mesma #hashtag – #copyright, no caso deste paper.li.
É possível também agregar tweets de determinados usuários ou listas. O conteúdo dos links então é organizado na página, com textos, pdfs, vídeos, etc. As edições são lançadas diariamente e para recebê-las é preciso fazer a assinatura, por e-mail, clicando em “Alert me”.
.
Jean-Luc Godard doa mil euros a francês condenado a pagar multa por pirataria (O Globo, 15/09)
O fotógrafo James Climent, condenado a pagar uma multa de 20 mil euros por baixar 13 mil arquivos, recebeu uma ajuda de custo de mil euros do seu compatriota Jean-Luc Godard. Antes de fazer isso, o diretor deu numa entrevista ao site inRocks em que declarou seu ceticismo para com os direitos do autor. “Direitos do autor? Um autor só tem deveres” disse um dos pais da já cinquentona Nouvelle Vague. Vale destacar que Godard é um notório amante das colagens, algo que usou na série de oito filmes História do Cinema e no recente Notre Musique.
Mas voltando ao assunto: Climent agradeceu ao cineasta em seu blog num post intitulado “God(ard) bless us”. Na página, ele também presta contas sobre outras doações que vem arrecadando através do PayPal, do Flattr e de uma ONG.
.
Polícia Civil fecha “xerox” na Praia Vermelha (ADUFRJ, 15/09)
Professores e universitários foram considerados criminosos quando a polícia CIVIL apreendeu material didático da Escola de Serviço Social da Universidade FEDERAL do Rio de Janeiro, dia 13 de setembro. Uma boca de xerox foi fechada. Imagens e fotos feitas no local mostram como foi a operação dos sete policiais, três viaturas e uma delegada.
O dono da boca e as cópias ilícitas e foras-da-lei foram encaminhados para a Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) vinculada ao muito útil Centro de Apoio ao Combate à Pirataria. Para fazer uma coisa dessas, a polícia do Rio certamente já deve ter resolvido o problema da segurança pública. Contra a ação, professores da UFRJ se reuniram com o Reitor e com o Conselho da Universidade e fizeram uma moção de repúdio e um abaixo-assinado. A professora Ivana Bentes acompanhou e emite detalhes do caso em seu twitter e o professor Alexandre Nodari fez uma análise em seu blog.
.
Militantes pró-pirataria atacam sites das indústrias de filme e música (Estadão, 20/09)
O grupo Anônimo (esse é o nome) deu uma rasteira nas páginas da Motion Picture Association of America (MPAA) e da Recording Industry Association of America (RIAA). Organizados através do fórum 4chan, os piratas decidiram sobrecarregar os servidores dos sites, tirando-os do ar. O ataque “anti” anti-pirataria ocorreu devido a uma declaração da empresa de software Aiplex.com, que disse ter atacado ano passado o site de torrent The Pirate Bay.
O blog da empresa de segurança Panda Security mostrou em detalhes como foi a primeira ofensiva dos piratas. No mesmo post, a empresa conta que a segunda ofensiva, contra a British Phonographic Industry (BPI), falhou. É de se lembrar que a BPI requeriu ao Google a remoção de links de servidores de arquivos em junho deste ano, tentando tolir os downloads divulgados em blogs e fóruns.
.
Crédito foto: 1) World War II Photos[Marcelo De Franceschi]










