SOPA dos EUA quer censurar a internet

Nas últimas semanas, a ofensiva anti “pirataria” ganhou mais um capítulo na sua já longa história – e se tu acompanha esse blog no Twitter ou Facebook já deve saber disso.

A novidade sobre o assunto vem em forma de um nebuloso projeto de lei no país onde nasceu a internet, os Estados Unidos. Trata-se do SOPA (Stop Online Piracy Act), que, dentre outras coisas, pretende dar aos provedores de acesso o poder de tirar do ar, sem ordem judicial, sites que violem a legislação dos EUA, assim como também permite a criação de listas negras para suspender determinados IPs ou domínios.

Outro absurdo do projeto é o poder dado aos sites de publicidade (como o Google Ad Sense, por exemplo) de cortar um serviço sem notificar os usuários. Para isso, basta que o site em questão esteja envolvido em alguma infração de copyright (disponibilizar uma música para download sem autorização expressa do autor, por exemplo) e seja denunciado pelo SOPA – assim que receberem o comunicado, os provedores de acesso dos EUA podem bloquear em até 5 dias o DNS do site.

Ou seja: em questão de 5 dias, um site pode sair do ar, ter todos seus contratos de publicidade encerrados, tudo através de uma simples denúncia do SOPA.

O telefone é também arma política para proteger a internet

O projeto vem conseguindo angariar apoio entre os dois pólos da política norte-americana, Democratas e Republicanos. De outro lado, de tão descabido, o SOPA uniu Mozilla, Creative Commons, Google, Facebook, Twitter, Linkdin e Zynga contra o projeto, que, segundo o senador  Zoe Lofgren, da Califórnia, pode significar o “fim da internet como a conhecemos”.

A esperança (ou não) é que tanto o Senado quanto a sociedade estadunidense estão discutindo amplamente o projeto. Mais de 1 milhão de e-mails contrários ao SOPA e  87,834 chamadas telefônicas chegaram ao Congresso de lá, dentre outras ações que o gráfico acima mostra. [As ligações se deram através da organização de um Tumbrl chamado Protect the Net].

Mesmo na mídia, muita coisa tem sido produzida para alertar a sociedade da gravidade da coisa; em especial, dê uma olhada nesse infográfico, da Mashable, nessa matéria do site MainStreet e nesta análise da Wired.

[vimeo http://vimeo.com/32637506]

A organização Fight for the Future, assim como a Eletronic Frontier Foundation (EFF) e outras tantas que defendem a liberdade na rede nos EUA, estão preparando várias formas de barrar o projeto. Vale dar uma olhada no vídeo produzido pela Fight for the Future (acima) para entender a gravidade do “Protect IP”, um projeto de lei semelhante ao SOPA e tão nefasto quanto.

Tu pode estar se perguntando “mas o que eu tenho a ver com isso?”. Os argentinos do Derecho a Leer fizeram um belo infográfico (aqui abaixo) com a querida Mafalda para explicar que, sim, mesmo nós latino-americanos temos muito que ver com o SOPA.

 

P.s: Vale acompanhar os posts da parceira Faconti sobre o SOPA aqui.

Créditos: 1, 2. Agradecimentos ao Jefferson Jota, Iuri Lammel  e Sergio Amadeu pelas referências do Derecho a Leer, Fight for the future e outros links citados no texto.
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  1. Chega a ser meio assustador por um lado, mas por outro…posso estar errado, mas as vezes acho tudo isso não tem como dar certo, só vai piorar a situação mais ainda para a grande mídia e grandes corporações.

    Quer dizer, quanto mais se feche o cerco ao conteúdo em copyright, talvez, as pessoas comecem aderir mais às opções liberadas pelos proprios artistas, por exemplo as músicas do Jamendo que tem que ser como pre requisito licenciadas em Creative Commons, bem como blogs, livros, filmes e etc que também tenham seu conteúdo liberados em qualquer tipo de licença aberta.

    É uma questão de mostrar para as pessoas que existe vida inteligente (muito mais inteligente, diga-se de passagem) na esfera livre da informação.

  2. Tempo pra ser muito mais inteligentes e criativos. Acostumados a comer fast-cultura das corporações estavamos virando obesos, iguais e chatos.
    Tempo pra criar uma internet alternativa, sem corporações e negociantes oportunistas.
    Tempo pra buscar outros medios de comunicação, que os eletrónicos.

    Ainda que é feio o que faz o capitalismo que não sabe compartilhar.
    Eles estan acabando com eles mesmos, não acha?

  3. Também concordo, Pete.
    É mesmo momento de oportunidades, de criar modelos novos, de arriscar pra ver no que dá e esquecer um pouco o passado, que pode até ter sido glorioso, mas não será mais – ainda mais se houver a escolha pela não-evolução.
    É bem por aí, Teo: a repressão não tem surtido o efeito planejado por quem reprime, mas o efeito contrário, de só abrir a mente das pessoas para ver o quanto é ridículo essa onda repressiva.
    abraços
    L.

  4. “É bem por aí, Teo: a repressão não tem surtido o efeito planejado por quem reprime, mas o efeito contrário, de só abrir a mente das pessoas para ver o quanto é ridículo essa onda repressiva.”

    Além de criar um monte de hackers…

  5. Estados Unidos da hipocrisia…
    Eu não consigo parar de pensar se não terá nenhum motivo maior escondido por traz destas leis… pois não faz sentido nenhum os EUA fazerem isso sendo que são os mais beneficiados com isso.. sem contar que a industria do entretenimento irá perder muito mais do que como está agora…
    Eu não consigo parar de pensar nas mais obscuras possibilidades… uma vez que as redes sociais como foi mostrado no vídeo foi o pilar de revoltas, etc… não estariam os EUA se auto-censurarem em troca de petróleo?
    Muito sinceramente não me espantaria em nada.. e de certa forma parece claro…
    Mais uma vez.. este país que se julga dono do mundo… fazendo barbaridades de que se julgava ser de ditaduras como eles mesmos diziam sem nenhuma restrição dos demais países.

    www = world wide web… quem são os EUA para bloquear isso…

    Admiro um americano no seu espirito criativo e empreendedor… mas o seu país me repugna…

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