Garfield sem Garfield

garfieldminus

Navegando sem rumo na web encontramos tanta coisa interessante, mas taaanta coisa, que volte e meia nos frustramos por não conseguir apreciar tudo que encontramos. E então, o que fazemos? Linkamos em nossos blogs, claro. Foi assim que surgiu o blog, e é dessa maneira que a grande parte deles se alimentam.

Pois bem. Essa introduçãozinha é para falar desse site aqui,  Garfield Minus Garfield, que encontrei por indicação do Reuben, que por sua vez não sei como encontrou. Trata-se do que o nome já deixa claro: tiras do Garfield em que o Garfield sede seu protagonismo ao jovem Mr. Jon Arbuckle, seu dono. É  bem como diz a apresentação do site: “It is a journey deep into the mnd of an isolated young everyman as he fights a losing battle against lonelines and depression in a quiet American Suburb”.

O site compila todas as tiras publicadas na grande mídia em que o Garfield não aparece. As atualizações  do site dependem de Jim Davis, criador e autor da tira: quando tem Garfield ele não é atualizado, quando tem só Jon, é. Isso torna a periodicidade das atualizações variável, de 1 a 6 vezes por semana. A ultima publicada ( que abre esse post) por exemplo, é de 13 de novembro – quase uma semana atrás.

O site foi inspirado em um livro com o mesmo nome, que pode ser comprado aqui, via Amazon.

[Leonardo Foletto.]

Instrucciones (4) – Baixe HQ

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A cultura de download de HQs merece que se escreva mais a respeito, a começar pelo fato de tratar-se de um modo de democratização cujo triunfo mais corriqueiro é o de baratear este que no Brasil tem se tornado um dos formatos mais caro$ de informação. Ocorre em torno dos scans de quadrinhos [edições de papel escaneadas que podem ser confortavelmente lidas com este programa aqui.] a curiosa formação de coletivos que, mais do que apenas piratear os famigerados gibis de banca [pelo que pessoalmente agradeço, aliás], se dedicam à tradução e à disponibilização de material inédito no Brasil.

É o caso de The Walking Dead, criação de Robert Kirkman e Tony Moore [desenhista substituído por Charlie Adlard a partir da edição nº 7] responsável por repetidas negligências de minha parte na entrega de trabalhos de todo tipo. Sinto muito, mas entre entregar no prazo um artigo sobre qualquer coisa e acompanhar apreensivamente o FIM DO MUNDO, well, o segundo será sempre mais divertido.

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The Walking Dead começa assim: um policial duma cidadezinha americana acorda no hospital após ser baleado num tiroteio e basicamente se vê cercado por zumbis, zumbis, zumbis. No hospital, zumbis. Nas ruas, zumbis. No supermercado, zumbis. Até que encontra um sujeito que lhe avisa que todo mundo se mandou pra capital. Ele vai atrás da família, claro, mas lembre-se dos zumbis. Nos EUA acabou de sair a edição 54 [com cada vez menos humanos e cada vez mais…zumbis], e dá pra encontrar cada uma das edições aqui.

A vantagem da comunidade aí é que o lançamento é praticamente simultâneo, o que também nos leva a uma desvantagem, se for o caso de tu ter dificuldades de ler em inglês: a tradução dos coletivos de scans [voluntária e geralmente anônima, para evitar problemas legais] nem sempre acompanha o ritmo da publicação [no caso de TWD, mensal]. Em todo caso, se tu tem problemas com o inglês e não conhece ainda o belo trabalho de Kirkman [não vou cair no clichê de afirmar que The Walking Dead é mais que uma HQ de zumbi], não vai se importar em ler apenas as 38 primeiras edições traduzidas aqui no Vertigem. [Repare na barra lateral esquerda a quantidade de outros títulos disponíveis pra baixar. Repare também, no final da mesma barra, o convite feito pelo Vertigem a possíveis colaboradores, tradução e/ou diagramação].

No próximo post da série quadrinhos-fundamentais-que-tu-não-acha-no-mercado-brasileiro, prometo falar sobre o Transmetropolitan, de onde saiu a epígrafe que abre o BaixaCultura. E, para as próximas semanas, coerentemente com a primeira frase deste texto, prometo uma matéria aprofundando a questão dos scans. Até lá!

[Reuben da Cunha Rocha.]

O verdadeiro Mago

O caso de Alan Moore é o de um artista relevante dentro e fora da obra, ou o de um artista cuja obra ultrapassa a soma dos livros e inclui a ética de sua escrita, as opiniões que distribui e até a pertinência dos temas sobre os quais opina.

Ou ao menos é o que The Mindscape of Alan Moore me faz pensar. Mindscape, essa invenção bonita da língua inglesa cuja tradução é ruim, ‘paisagem mental’, fazer o quê.

Desde a primeira fala, quando apresenta a distinção essencial entre ficção e mentira, até a intrincada analogia entre as linguagens da arte e da magia, o Grande Barba é uma palavra só: autenticidade.

Ou talvez seja muitas outras. A elegante ironia, sobretudo auto-ironia, a clareza de visão sobre qual deva ser o papel do artista dentro de uma sociedade cujo funcionamento depende sobretudo de passividade e torpor coletivos, a radical certeza do caos, o real desprezo pela estrutura da fama, o didatismo do pensamento mais complexo, essas coisas todas que foram lapidarmente definidas por Bruno numa conversa recente de MSN: “o cara é fodão e pronto!”.

Como se não bastasse, é O Homem Que Recusou Hollywood Money em prol de uma integridade de cuja existência o cinismo de nossa educação exige suspeita.

O documentário, de 2003, alcança o Velho Doido do último ponto de sua carreira até aqui, o trabalho que pela, digamos, profundidade no tratamento do tema (as possiblidades artísticas da pornografia) terminou não só com sua publicação, mas com o casamento dos autores.

The Mindscape of Alan Moore é um filme que inclusive dispensa imagens. É pura densidade de discurso de um dos artistas mais essenciais que andam respirando por aí, infelizmente condenado pela precariedade da leitura dispensada à linguagem que lhe deu fama.

[Reuben da Cunha Rocha.]