Retrospectiva 2018

Na última edição do ano de nossa newsletter (já assinou?) em parceria com a CCD POA, fizemos uma retrospectiva de 2018 a partir das nossas 18 edições enviadas quizenalmente, entre abril e dezembro. Mais uma vez começamos uma tradição que não sabemos quanto tempo vai durar, mas desde o princípio do Baixa gostamos disso. Segue abaixo a recompilação mês a mês, com os links para as íntegras de cada boletím e a data do mês em que cada uma foi enviada. Ao final, apresentamos uma nuvem de tag com todas as 137 páginas de texto Arial 11 espaçamento simples que renderam as 18 edições dos boletins. Aguarde a próxima em 10 de janeiro de 2019, com novidades. Boa virada e que 2019 seja um ano potente!

abraços,
Leonardo Foletto,
editor do BaixaCultura

Abril (19)

Nossa news começou em abril com um tema que seria comum aqui até o final do ano: Ressaca da Internet, que depois viraria texto no BaixaCultura e no Outras Palavras. Também foi a edição em que comentamos o “vazamento” dos dados do Facebook via Cambridge Analytica, uma situação que criaria ainda diversas notícias no ano, como o depoimento de Mark Zuckerberg no Senado Americano, e desencadearia uma crise na maior rede social digital do planeta que não parece terminar em 2019. Falamos também do financiamento recorrente do BaixaCultura no Apoia.se, um primeiro experimento para tentar viabilizar a mídia alternativa digital sobre cultura livre & tecnopolítica, que continua firme e querendo ser maior – em dezembro de 2018 temos 42 apoiadores mensais, das quais agradecemos muito. A íntegra dessa edição primeira pode ser lida aqui.

Maio  (3, 10 – edição especial Cryptorave, 24)

Maio foi um mês com três boletins. A edição #2 (leia completa) teve um texto que, hoje, soa até mais instigante que antes – Que tal nós mesmos usarmos e agregarmos valor aos dados que produzimos na internet? E também começamos os inúmeros relatos sobre o dilema Google x Ética. Teve edição especial (leia aqui) com a cobertura da CryptoRave 2018, realizada em 4 e 5 de maio na linda Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Foi também momento de discutir ética e inteligência artificial e a moribunda neutralidade da rede nos EUA, em nossa edição #4 (leia completa). Já nos informes nossos, publicamos no BaixaCultura uma BaixaCharla com Rodrigo Savazoni e Geórgia Nicolau, do Instituto Procomum, em Santos, lugar a qual um dos que cá escreve nesse boletim, Leonardo Foletto, voltaria algumas vezes ainda em 2018 para documentar o processo da instigante Colaboradora; e o Diálogos Abertos #1, nosso programa de conversa por streaming, no qual falaríamos, é claro, do caso do Facebook (disponível aqui na íntegra).

Junho (7 e 21)

Em junho começamos a relatar mais de perto a votação da Lei de Proteção de Dados Pessoais, como se percebe na edição #5 (aqui na íntegra), que entre outros vários assuntos, traz um alerta sobre as mudanças no WhatsApp impostas pelo Facebook (e que abriram as portas para o caos dos impulsionamentos de “notícias”), divulga a interessante pesquisa de Bia Martins sobre os hackerspaces do Brasil e a polêmica compra do GitHub pela Microsoft. Devido a série de notícias e informações que publicamos à época e que de alguma forma põe fim a utopia de uma internet livre e neutra, nossa edição número #6 (íntegra aqui) teve como texto inicial “A distopia da realidade”, onde, entre outros tópicos, falamos que todo esse mundo de vigilância digital que vivemos hoje foi “previsto” pelos hackers e pelos ativistas mais antigos do software livre, como o próprio Richard Stallman – que sempre foram chamados de paranóicos… Não por acaso, nossa segunda edição do Diálogos Abertos debateu do fim da internet como a conhecemos.

Julho (5 e 19)

Julho foi o mês de, além de acompanhar as votações no congresso e a pauta tecnopolítica global, falar do caso da Abin e o seu desejo em ser a NSA brasileira e do insólito caso do “El Paquete Cubano”, como vocês podem ler na edição #7 da newsletter. Também foi mês de dar dicas de leitura, vídeos e bots para acompanhar, falar um pouco do machismo no mundo da tecnologia a partir de uma situação do 18º FISL (Fórum Internacional do Software Livre), de retomar o sempre pertinente assunto da reforma da lei de direitos autorais, e de divulgar os resultados da State of Commons, mapeamento anual de produtos licenciados em Creative Commons  ao redor do mundo, como vocês podem ler na edição #8 do boletim.

Agosto (2, 16 e 30)

Agosto teve três edições de nossa newsletter. Na primeira (#9), nos (re) perguntamos, dados às situações à época ocorridas, se a democracia estaria ameaçada pelo uso malicioso da tecnologia – mal sabíamos que nas eleições teríamos um caso para chamar de nosso nesse contexto… Falamos da epidemia das fake news e fizemos uma terceira edição do Diálogos Abertos justamente sobre isso. Também citamos as primeiras preocupações com aplicações indevidas da tecnologia de reconhecimento facial e novamente, Google x Ética. No BaixaCultura, fizemos uma “reportagem work-in-progress” (ou seja, sempre em construção) sobre as redes livres, trouxemos um relato do ESOCITE (Estudios Sociales de la Ciencia y la Tecnología) em Santiago do Chile e falamos de como o RSS pode ser usado para fugir dos algoritmos nada transparentes que selecionam as informações para nós nas redes sociais. Você pode ler tudo mais que informamos em agosto nas edições #10 e #11, com destaques para os vetos da nossa LGPD (ainda não derrubados, pois é), a culpa do zero rating na propagação das fake news e o lançamento do Fato jurídico da quinzena.

Setembro (14 e 27)

Na seara dos direitos digitais, em setembro tivemos duas notícias importantes vindas da Europa: a condenação do serviço de inteligência britânico GCHQ pelo programa de vigilância em massa das comunicações, prática revelada lá em 2013 por Snowden. E a aprovação, pelo Parlamento Europeu, do projeto de lei de direitos autorais chamado de “Copyright Directive”, que, se posto em prática, criará um cenário de restrição pesado de liberdade de expressão no Velho Continente, o que certamente respingará por aqui. Detalhamos ambas notícias na nossa edição #12, enquanto que na seguinte destacamos o aniversário (10 anos!) do BaixaCultura, apresentamos o Diálogos Abertos #4 com um bate-papo e uma apresentação de ferramentas para acessar uma internet livre e segura e comentamos sobre o perigoso projeto Dragonfly, um mecanismo de pesquisa feito pela Google sob medida para a China, com a censura já colocada desde o princípio. O projeto foi cancelado agora em dezembro, se tornando um ótimo exemplo de como ações de oposição às grandes corporações as vezes funcionam.

Outubro (11 e 25)

Em plena eleições brasileiras, nos perguntamos: como os bots arruinaram o click ativismo? Enxurrada de bots, perfis falsos de redes sociais, envio ilegal de mensagens de WhatsApp… as edições de outubro – a #14 e a #15 – trouxeram uma seleção de informações e comentários que foram influenciados pela batalha eleitoral que tivemos neste 2018. Mas não só: falamos também da possibilidade de criminalização da criptografia, trouxemos uma agenda só de eventos de tecnologia voltado para mulheres, via Ada.vc; no BaixaCultura, trouxemos um longo e importante texto de como pesquisar anonimamente com o melhor e mais seguro buscador na rede, DuckDuckGo, enquanto que realizamos, como co-organizadores ao lado da Data Privacy Brasil e da Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP), o Workshop Lei de Proteção de Dados Pessoais, em Porto Alegre.

Novembro  (8 e 22)

Se antes das eleições brasileiras já falávamos em distopia, depois, com a eleição de Jair Bolsonaro como presidente no Brasil e um congresso tomado pela bancada BBB (bala, boi e Bíblia) e outros péssimos governantes como deputados e governadores, aí a distopia virou mesmo realidade. Retomamos, tanto na #16 quanto na edição #17, a questão da dependência tecnológica que ameaça a democracia, assim como voltamos (ou melhor: nunca paramos de) a falar do Facebook, que agora passou a vender nossas mensagens privadas por 10 centavos. Também falamos de coisas boas: o Encontro de Cultura Livre do Sul, que reuniu cerca de 200 pessoas de toda a ibero-américa em 3 dias intensos de debates, rodas de conversa, exposições em videoconferências na rede que já estão todas disponíveis no link acima. E do(s) lançamento(s) do novo zine do BaixaCultura, “A Ideologia Californiana”, de Richard Barbrook e Andy Cameron, primeiro volume da coleção Tecnopolítica, editada em parceria com a Monstro dos Mares.

Dezembro (7)

Começamos o último mês do ano, este que ainda estamos enquanto você recebe esse boletim de informações por e-mail, um pouco cansados de tudo que passou nesse intenso 2018. Mas não deixamos de trazer notícias e análises importantes, como uma excelente matéria no El País que se pergunta: ainda é possível resgatar a essência da web como espaço aberto e neutro? Nela,  são apresentados o que alguns pioneiros (Tim Berners-Lee, Jaron Lanier, Douglas Rushkoff) tem trabalhado em projetos que buscam um retorno à essência da web como espaço aberto, gratuito, neutro, seguro e construído por todos. Na edição #18, falamos também das criptofestas que ocorreram no final do ano, em especial a CripTRA, em Maquiné-RS, que participamos com algumas rodas de debate sobre mídia, privacidade, criptografia e articulação de uma rede de apoio para a segurança na internet aqui no Sul.

O top10 das palavras mais utilizadas nas newsletter desse ano:
Dado: 341; Rede: 240; Internet: 237; Livre: 203; Lei: 199; Direito: 183; Ser: 175; Projeto: 171; Tecnologia: 169; Empresa: 165.
Essas palavras dizem algo para você? Talvez não muito, mas é interessante e divertido de “resumir” nossos textos em algumas palavras mais usadas.

Cultura livre do sul global – um manifesto

Nascido enquanto movimento mais ou menos organizado a partir da pauta anticopyright, a cultura livre é, para a maior parte da população do sul (e do norte também) global, uma incógnita. Cultura livre é compartilhar cultura nas redes para todes? É acesso livre e gratuito à bens culturais, em licenças que favorecem o compartilhamento? é buscar práticas alternativas ao copyright de remuneração para autorxs e produtorxs de conteúdo? uma crítica à propriedade intelectual que restringe e criminaliza o intercâmbio de cultura, potencializado ainda mais a partir da internet? um movimento social “digital” em prol do conhecimento aberto? uma cultura feita de forma “livre”, sem amarras com movimentos, organizações e quaisquer outros fatores que tornam a cultura presa e fechada?

No Encontro de Cultura Livre do Sul, realizado nos dias 21, 22 e 23 de novembro de 2018 na internet, discutimos e buscamos respostas para algumas destas questões acima descritas e outras mais. Durante as 6 mesas de debate do encontro, das discussões nas plataformas digitais e redes sociais, falamos sobre políticas públicas e marcos legais de direitos do autor; digitalização de acervos e acesso ao patrimônio cultural em repositórios livres; de laboratórios, produtoras colaborativas, hackerspaces, hacklabs e outras formas de organizações que defendem e praticam no dia a dia a cultura livre; de como nos inserimos em uma rede internacional e da questão da defesa dos bens comuns que a cultura livre também faz; das muitas formas de produção cultural – editorial, musical, audiovisual, encontros, fotográficas – que estão sendo realizadas no âmbito das licenças e da cultura livre; e das plataformas, conteúdos e práticas educacionais que tem o livre como paradigma de ação e propagação.

Com os mais de 200 participantes inscritos que tomaram parte desses três dias, pensamos sobre as especificidades da cultura livre no sul global em relação ao norte. A discussão sobre a liberdade de usos e produção de tecnologias livres tem sido fundamental para a cultura livre desde o princípio, mas acreditamos que, no sul, temos a urgência maior de nos perguntar para quê e quem servem nossas tecnologias livres. Não basta somente discutir se vamos usar ferramentas produzidas em softwares livres ou se vamos optar por licenças livres em nossas produções culturais: necessitamos pensar em tecnologias, ferramentas e processos livres que sejam usadas para dar espaço, autonomia e respeito aos menos favorecidos, financeira e tecnologicamente, de nossos continentes, e para diminuir as desigualdades sociais em nossos locais, desigualdades estas ainda mais visíveis no contexto de ascensão fascista global que vivemos nesse 2018.

Desde o sul, temos que pensar na cultura livre como um movimento e uma prática cultural que dialogue intensamente com as culturas populares de nossos continentes; que respeite e converse com os povos originários da América, que estão aqui em nosso continente vivendo em uma cultura livre muito antes da chegada dos “latinos”; que defenda o feminismo e os direitos iguais a todes, sem distinção de raça, cor, orientação sexual, identidade e expressão de gênero, deficiência, aparência física, tamanho corporal, idade ou religião; que dialogue com a criatividade recombinante das periferias dos nossos continentes, afeitas ao compartilhamento comunitário e sendo alvo principal do extermínio praticado por nossas polícias regionais; que busque resguardar nossa privacidade a partir de táticas antivigilância e na defesa do direito ao anonimato e à criptografia; e que lute pela propagação das fissuras no sistema capitalista, buscando, a partir de uma prática cultural e tecnológica anticopyright, formas alternativas e solidárias de vivermos em harmonia com Pachamama sem esgotar os recursos já escassos de nosso planeta.

Pensar e fazer a cultura livre desde o sul requer pensarmos na urgência das necessidades de sobrevivência do nosso povo. Requer nos aproximarmos da discussão sobre o comum, conceito chave que nos une na luta contra a privatização dos recursos naturais, como os oceanos e o ar, mas também dos softwares livres e dos protocolos abertos e gratuitos sob os quais se organiza a internet. Nos aproximar do comum amplia nosso campo de disputa no sul global e nos aproxima do cotidiano de comunidades, centrais e periféricas, que lutam no dia a dia pela preservação dos bens comuns.

Importante lembrar que o conceito de comum do qual buscamos nos aproximar deve ser pensado como algo em processo, como um fazer comum (commoning em inglês). Isto é, não termos em vista somente o produto em si – livro, vídeo, música, hardware ou software livres – mas a nossas próprias práticas e dinâmicas através das quais juntos criarmos novas formas de viver, conviver e também produzir. Este é o fazer comum. Por isso, é tão importante mantermos vivas essas redes que acabamos de ativar, essas conexões que percorreram todas as mesas e todas as plataformas nas quais mapeamos, escrevemos, registramos e gravamos.

Para os próximos anos, nos comprometemos a seguir os esforços de tornar a cultura livre um movimento que, além de lutar por tecnologias, produtos e práticas culturais não proprietárias, também batalhe pela redução da desigualdade social de nossos continentes a partir do ativismo pela liberdade do conhecimento em prol de comunidades mais justas, autônomas, igualitárias, respeitosas e livres. Temos, como objetivos para os próximos 5 anos (2019 – 2024):

_ Realizar encontros bianuais, online ou presencial, com o objetivo de desenvolver uma parceria global para o desenvolvimento e defesa da cultura livre e dos bens comuns;

_ Alimentar e divulgar mais amplamente as plataformas para o mapeamento e curadoria de iniciativas de cultura livre;

_ Criar e manter fóruns online para incentivar o debate e as trocas entre os diferentes projetos/atores de cultura livre do Sul, especialmente no intervalo dos encontros;

_ Propor formações contínuas em cultura livre, de modo a relacionar as práticas e conceitos trabalhados à pessoas e projetos do sul global;

_ Promover espaços seguros de inclusão e diversidade dentro dos debates sobre cultura livre, garantindo a igualdade de direitos. Em nossos espaços serão rejeitados todos os tipos de práticas e comportamentos homofóbicos, racistas, transfóbicos, sexistas ou excludentes de alguma forma;

_ Fortalecer a liberdade de expressão, acesso à informação e a criação de espaços democráticos de comunicação que garantam avanços nas discussões sobre cultura livre e na construção democrática das políticas sobre o tema;

Internet, Ibero-américa, sul-global, 23 de novembro de 2018

Assinam os coletivos:

BaixaCultura, Brasil
Casa da Cultura Digital Porto Alegre, Brasil
Ártica, Uruguay
Ediciones de La Terraza, Argentina
Em Rede, Brasil
Nodo Común, Iberoamérica
Rede das Produtoras Culturais Colaborativas, Brasil
Rede iTEIA.NET, Brasil
Libreflix, Brasil

Pad para aderir ao manifesto (adicione o nome da pessoa ou grupo no final)

“A Ideologia Californiana” em Porto Alegre e Maquiné

Em 1995, a internet comercial estreava no Brasil., Mark Zuckerberg ia a escola primária em White Plains (interior do Estado de Nova York, nos EUA) aos 11 anos, Larry Page e Sergey Brin se conheciam na pós-graduação em computação em Stanford (na California) e começavam a trabalhar na ideia do Page Rank (que originaria o Google três anos depois) e Richard Barbrook e Andy Cameron (então membros do Hypermedia Research Centre of the University of Westminster, em Londres), publicavam um ensaio chamado “A Ideologia Californiana” na Mute Magazine, texto que logo circularia pelas então populares listas de e-mails e seria uma das primeiras críticas ao  agressivo neoliberalismo do Vale do Silício.

A explosão da bolha especulativa das empresas de internet no final dos 1990 poderia ter servido como um alerta sobre aonde esse pensamento poderia levar o planeta, mas a sedução da ideologia californiana persistiu e espalhou-se com a ajuda do Google, Facebook, Apple, Amazon e vários outros dos gigantes do Vale do Silício que hoje fazem parte de nossa vida cotidiana. Prosperou a ideia de um mundo pós-industrial baseado na economia do conhecimento, em que a digitalização das informações impulsionaria o crescimento e a criação de riqueza ao diminuir as estruturas de poder mais antigas, em prol de indivíduos conectados em comunidades digitais. E hoje, queiramos ou não, predomina na nossa sociedade digital.”

23 anos depois, o texto continua atual e relevante. Por conta disso, o BaixaCultura, laboratório online de cultura livre, em parceria com a Editora Monstro dos Mares, lança nesta sexta-feira 14, em Porto Alegre, “A Ideologia Californiana – Uma crítica ao livre mercado nascido no Vale do Silício”. A edição, produzida artesanalmente, tem 43 páginas, introdução do editor do BaixaCultura e Doutor em Comunicação pela UFRGS, Leonardo Foletto, a partir do tradução do inglês feita por Marcelo Träsel, professor de jornalismo da Fabico/UFRGS.

O texto é o primeiro volume de uma coleção criada em parceria com a Monstro dos Mares, nominada “Tecnopolítica”, que busca trazer, em formato artesanal e de baixo custo, textos considerados clássicos e outros inéditos sobre a vasta discussão em torno da tecnologia e suas relações com a sociedade, a política e a comunicação. O próximo lançamento da coleção será uma coletânea de textos clássicos sobre criptografia e política, do início dos anos 1990.

O lançamento de “A Ideologia Californiana” vai ocorrer na Livraria Taverna, espaço de resistência literária e cultural no centro histórico de Porto Alegre, na Fernando Machado, 370, às 19h30, com um bate-papo sobre o livro/zine entre o tradutor, Marcelo Träsel, e o editor, Leonardo Foletto. No local, haverá comidas (com opções veganas) e cervejas artesanais, além, é claro, do livro/zine para venda a R$10. PEDIDOS do zine em info@baixacultura.org. Entrega em todo o Brasil.

SERVIÇO

Lançamento “A Ideologia Californiana”, de Richard Barbrook e Andy Cameron, em edição artesanal do BaixaCultura e Monstro dos Mares.
Sexta-feira, 14 de dezembro, 19h30
Livraria Taverna (Fernando Machado, 370), Centro Histórico, Porto Alegre – RS

Fotos: Sheila Uberti

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Já o segundo lançamento será na CripTRA – criptofesta do Alto Tramandaí, em Maquiné,uma pequena cidade próxima da costa do Rio Grande do Sul conhecida por suas belas cachoeiras, a cerca de 1h30 de Porto Alegre. A criptofesta é uma iniciativa inspirada nas CryptoParties mundiais, na CryptoRave e faz parte de uma série de eventos dessa temática que estão sendo realizados no Brasil desde novembro. Inscrições gratuitas. “Com a CripTRA queremos construir um encontro gratuito, aberto e acessível, que propicie a troca de aprendizado sobre segurança digital, criptografia, anonimato, software livre e com isso promover a liberdade de expressão e de existências”, escreve a organização, autogestionada por uma série de pessoas e coletivos que se preocupam com segurança da informação e técnicas antivigilância na internet.

Na CripTRA, faremos uma conversa rápida com o editor do livro/zine, este que vos escreve, e de como a ideologia californiana está na base da vigilância e no capitalismo de dados atual. Também participaremos da Mesa de Abertura, às 11h, uma conversa sobre Mídias, Privacidade e Vigilância, ao lado de Chúy (que vai falar sobre Repressão) e a Mar1sc0tron (Mídia Livre). E, via Casa da Cultura Digital Porto Alegre,  teremos um debate, às 14h, sobre “Tecnopolítica, proteção de dados e segurança digital na América Latina“, uma “performance” da nossa PirateADA, dispositivo canino-digital que cria uma rede livre aberta de compartilhamento de arquivos e um chat anônimo, e, por fim, às 20h uma roda de conversa sobre “Formas de articulação e formação de rede no RS em tempos de resistência”. Confira toda a programação.

SERVIÇO

Lançamento “A Ideologia Californiana”, de Richard Barbrook e Andy Cameron, em edição artesanal do BaixaCultura e Monstro dos Mares.
Sábado, 15 de dezembro, 16h
CripTRA – Criptofesta do Alto Tramandaí (Canto da Terra Armazém Café, Rua Luiz Alves da Costa 715)

 

 

Encontro de Cultura Livre do Sul – todos os vídeos y relatos

Terminou o Encontro de Cultura Livre do Sul. Ou só começou: as redes estão formadas, resta nos unir e manter por perto para enfrentar o que vem por aí. O debate continua em nosso grupo em Investigación Social e nas redes, o mapeo em Civics, a curadoria de produtos culturais livres em Ediciones de La Terraza e os relatos de cada uma das mesas será publicado até o dia 7/12 – vamos organizando os links por aqui assim que publicados.

Também estamos trabalhando nos desdobramentos do evento em um texto-manifesto que, por hora, está em rascunho, aberto para acreścimos, edições e assinaturas – individual ou de forma coletiva. São boas novidades em prol de uma continuidade do trabalho tão importante e que julgamos necessário: articular e conectar a cultura livre desde o sul global.

Acá abaixo estão todos os vídeos das 6 mesas do evento, da abertura e da pré-abertura com o lançamento da coletânea impressa da revista Pillku.

Presentación de la edición impresa de la revista “Pillku, amantes de la libertad”, en el marco del primer Encuentro Online de Cultura Libre. Se puede descargar en versión PDF en este enlace.  Participaram Anita Almada, Estrella Soria (MEX), Jorge Gemetto (URU) y San Hoerth (HON)

Abertura do encontro com os organizadores e coordenadores das mesas: Barbi Couto (Argentina), Bia Martins (BRA), Dani Cotillas (ES), Jorge Gemetto (UY), Leonardo Foletto (BRA) e Mariana Fossati (URU).

Mesa 1, Políticas públicas e reformas legais.
Participaram: María Juliana Soto y Lucía Camacho (COL), Diego Morales (ECU), Mariangela Petrizzo (VEN), Esteban Magnani (ARG), Daniel Cordones (URU), moderação de Jorge Gemetto (URU).

Mesa 2, Digitalização de acervos e acesso ao patrimônio cultural.
Participaram Fabs Balvedi (BRA), Gabriela Riera (ARG), Patrícia Peñafiel (EQU) e Pedro Jatobá BRA), com moderação de Carlos Lunna (BRA). Leia o relato da mesa, por Carlos Lunna.

Mesa 3, Laboratórios, hackerspaces e outros espaços de comunidades locais.
Participaram: Esaú Acosta (ES), HackLab Feminista La Chinampa + Insubordinadas (MEX), Karina Menezes (BRA), Carlos Diego (BRA), Illa_bekka (ARG-ES), moderação de Bia Martins (BRA) e Dani Cotillas (ES).

Mesa 4, Redes Internacionais. Como nos inserimos em um movimento global.
Participaram Constanza Belén Verón (ARG),  Juliana Guerra (MEX), Leonardo Sehn (BRA), Marcela Basch (ARG) e Rodrigo Savazoni (BRA), mediação de Leonardo Foletto e Janaína Spode (BRA).

Mesa 5, Produção cultural livre.
Participaram Gonzalo Miranda (ARG), Alex Appella (ARG), Andrés Bracony (ARG), Virginia Barré (ARG) e Salvador García (URU). Mediação de Barbi Couto (ARG).

Mesa 6, Educação Aberta e cultura livre.
Partiparam Fernando Daguano (BRA/CHI), Marianicer Figueroa (VEN), Jorge David García (MEX), Walter Lippold (BRA), Inés Martino y Fabricio Caiazza (ARG) e Sergio Rubio-Pizzorno (MEX). Mediação de Mariana Fossati (URU).

 

Mesa 4: como nos inserimos em um movimento global?

Nascido enquanto movimento *mais ou menos* organizado a partir da pauta anticopyright, a cultura livre é, para a maior parte da população do sul (e do norte também) global, uma incógnita. Cultura livre é compartilhar cultura nas redes para todes? É acesso livre e gratuito à bens culturais? Se é isso, como se sobrevive disponibilizando obras de formas gratuitas? Como fica a remuneração dos autores? Se cultura livre é buscar práticas alternativas de remuneração à autorxs e produtorxs de conteúdo, quais são estas práticas? quem sobrevive disponibilizando suas obras gratuitamente? Se cultura livre implica uma crítica à propriedade intelectual que restringe e criminaliza o intercâmbio de cultura, qual a alternativa que propõe? Se é um movimento social “digital”, como se organiza? quais são as pautas? quem são os principais atores nessa história? Se é uma cultura feita de forma “livre”, sem amarras com movimentos, organizações e quaisquer outros fatores que tornam a cultura presa e fechada, como ela se manifesta na sociedade? quem produz essa cultura livre?

Para discutir como o *movimento* de cultura livre se organiza no sul global é que propusemos esta mesa. Se a cultura livre é tudo isso falado acima – acesso livre e gratuito, formas alternativas de remuneração e disponibilização de bens culturais, movimento social digital, uma forma de fazer cultura mais “livre” – como que ela vem se organizando no nosso sul global? Quem são nossos parceiros institucionais ao redor do mundo e, principalmente, no sul global? quais as principais redes que lutam no dia a dia pela cultura livre e o conhecimento aberto? Quem são os principais instituições, coletivos, pessoas e redes que tomam parte nas disputas travadas sobre os nossos princípios de atuação?

Por quê, se ainda não está claro, deveria: para fazer e propagar a cultura livre, precisamos colaborar e tecer redes. Se a cultura livre é um movimento que se diz contra o status quo dos monopólios do copyright capitalista patriarcal, de que forma podemos nos unir e tentar pequenos “hackeamentos” nesse sistema? Como fazemos para juntarmos forças e cuidarmos de nossas redes, nossos trabalhos, esforços e vidas? A provocação que fazemos para a discussão nessa mesa é: quais os desafios para tecer e sustentar redes locais e globais e quem podemos contar como parceiros, institucionais e pessoais, no para nossa atuação no sul global?

Para isso, teremos como participantes:

_ Constanza Belén Verón, que ocupa a função de “Encargada de comunidad” da Wikimedia Argentina, espaço local de uma das principais instituições que defende a cultura livre e o conhecimento aberto, responsável pela Wikipedia, este monumento à colaboração e a cultura livre na rede;
_ Juliana Guerra, ativista e participante de espaços coletivos feministas da América Latina;
_ Leonardo Sehn, colaborador do Centro de Tecnologia Acadêmica do Intituto de Física da UFRGS (CTA IF/UFRGS), espaço voltado ao desenvolvimento de tecnologias livres e para a integração de novos paradigmas de produção e disseminação do conhecimento, como tecnologias livres, recursos educacionais abertos e ciência aberta; responsável pela EITCHA!, Escola Itinerante de Tecnologia Cidadã Hacker que foi beneficiária do primeiro Mozilla Science Mini-Grants, e participante da comunidade do GOSH, Hardware para Ciência Aberta Global;
_ Marcela Basch, periodista, editora de El Plan C, portal de economia colaborativa e cultura libre da argentina e uma das organizadoras de Comunes, encontro de de cultura libre y economia colaborativa anual em sua 3º edição, realizado em Buenos Aires;
_ Rodrigo Savazoni; escritor, pesquisador e diretor executivo do Instituto Procomum, responsável pelo LabxSantista, laboratório de inovação cidadã situado em Santos, São Paulo.

Como mediadores, relatores e co-participantes da charla, teremos:
_ Leonardo Foletto jornalista, pesquisador e professor, doutor em comunicação UFRGS, editor do BaixaCultura e integrante da CCD POA, coletivo de direitos digitais baseados em Porto Alegre;
_Janaína Spode, produtora cultural e ciberativista na CCD POA;

A transmissão da mesa será realizada via streaming no canal do BaixaCultura, às 19h GMT – 16h em Uruguay/Argentina, 17h no Brasil e 20h na Espanha.

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Nacido como movimiento * más o menos * organizado a partir de la pauta anticopyright, la cultura libre es, para la mayor parte de la población del sur (y del norte también) global, una incógnita. ¿La cultura libre es compartir cultura en las redes para todos? ¿Es el acceso libre y gratuito a los bienes culturales? Si es así, ¿cómo se sobrevive ofreciendo obras de formas gratuitas? ¿Cómo queda la remuneración de los autores? Si la cultura libre es buscar prácticas alternativas de remuneración a autorxs y productores de contenido, cuáles son estas prácticas? ¿quién sobrevive ofreciendo sus obras gratuitamente? Si la cultura libre implica una crítica a la propiedad intelectual que restringe y criminaliza el intercambio de cultura, ¿cuál es la alternativa que propone? Si es un movimiento social “digital”, cómo se organiza? ¿Cuáles son las pautas? ¿quiénes son los principales actores en esa historia? Si es una cultura hecha de forma “libre”, sin amarras con movimientos, organizaciones y cualesquiera otros factores que hacen la cultura presa y cerrada, como ella se manifiesta en la sociedad? ¿quién produce esa cultura libre?

Para discutir cómo el *movimiento* de cultura libre se organiza en el sur global es que propusimos esta mesa. Si la cultura libre es todo esto hablado arriba – acceso libre y gratuito, formas alternativas de remuneración y disponibilización de bienes culturales, movimiento social digital, una forma de hacer cultura más “libre” – cómo se viene organizando en nuestro sur global? ¿Quiénes son nuestros socios institucionales alrededor del mundo y, principalmente, en el sur global? ¿Cuáles son las principales redes que luchan día a día por la cultura libre y el conocimiento abierto? ¿Quiénes son las principales instituciones, colectivos, personas y redes que toman parte en las disputas trabadas sobre nuestros principios de actuación?

Por qué, si aún no está claro, debería: para hacer y propagar la cultura libre, necesitamos colaborar y tejer redes. Si la cultura libre es un movimiento que se dice contra el status quo de los monopolios del copyright capitalista patriarcal, ¿de qué forma podemos unirnos e intentar pequeños “hackeamientos” en ese sistema? ¿Cómo hacemos para juntar fuerzas y cuidar de nuestras redes, nuestros trabajos, esfuerzos y vidas? La provocación que hacemos para la discusión en esta mesa es: ¿cuáles son los desafíos para tejer y sostener redes locales y globales y quién podemos contar como socios, institucionales y personales, para nuestra actuación en el sur global?

Para ello, tendremos como participantes:

_ Constanza Belén Verón, encargada de comunidad de Wikimedia Argentina, espacio local de una de las principales instituciones que defiende la cultura libre y el conocimiento abierto, responsable de Wikipedia, este monumento a la colaboración y la cultura libre en la red ;
_ Juliana Guerra, activista y participante en espacios colectivos feministas en América Latina;
_ Leonardo Shen, colaborador del Centro de Tecnología Académica del Instituto de Física de la UFRGS (CTA IF/UFRGS), espacio orientado al desarrollo de tecnologías libres y para la integración de nuevos paradigmas de producción y diseminación del conocimiento, como tecnologías libres, recursos educativos abiertos y ciencia abierta; responsable por EITCHA!, Escuela Itinerante de Tecnología Ciudadana Hacker que se ha beneficiado de la primera Mozilla Science Mini-Grants, y participante de la comunidad del GOSH, Hardware para Ciencia Abierta Global;
_ Marcela Basch, periodista, editora de El Plan C, portal de economía colaborativa y cultura libre desde Argentina y una de las organizadoras de Comunes, encuentro de cultura libre y economía colaborativa anual en su 3º edición, realizado en Buenos Aires;
_ Rodrigo Savazoni; escritor, investigador y director executivo de Instituto Procomum, responsable por LabxSantista, laboratorio de inovación ciudadana em Santos, São Paulo.

Como mediadores y co-participantes de la charla, tenemos:
_ Leonardo Foletto, periodista, investigador y profesor, doctor en comunicación UFRGS, editor del BaixaCultura e integrante de la CCD POA, colectivo de derechos digitales basados ​​en Porto Alegre
_ Janaína Spode, productora cultural y ciberativista en la CCD POA;

La transmisión de la mesa será realizada vía streaming en el canal del BaixaCultura, a las 19:00 GMT – 16h en Uruguay / Argentina, 17h en Brasil y 20h en España.

 

 

Encontro Cultura Livre do Sul – abertura

Com a transformação da internet nos últimos anos, como, em 2018, a ideia da cultura livre permanece? quais são as atuais discussões que envolvem a temática no sul global? Quais iniciativas, pessoas, projetos, coletivos, instituições que hoje defendem e atuam na cultura livre? Quais os desafios de sustentabilidade postos em iniciativas de cultura livre num mundo onde a internet está cada vez mais centralizada? Passados mais de 15 anos da criação das licenças CC, um marco na história recente da cultura livre, como está a discussão sobre as leis de direitos autorais hoje? Quais os bens culturais (publicações, filmes, músicas, artes visuais, tecnologias, sítios) produzidos em diálogo com a cultura livre?

A mesa de abertura do I Encontro de Cultura Livre do Sul tratará de apresentar estas questões e explicar todos os detalhes de como vai funcionar o evento, totalmente online e em diversos espaços na rede. Será formada por integrantes dos seis coletivos organizadores:

_ Mariana Fossati y Jorge Gemetto (Uruguay), Artica Online, un centro cultural online que desarrolla servicios de formación, consultoría e investigación para la implementación de proyectos artístico-culturales en Internet;

_ Leonardo Foletto (Brasil), BaixaCultura, laboratório online que trabalha com documentação, pesquisa, formação e experimentação em cultura livre, criado em 2008.

_ Barbi Couto (Argentina), Ediciones de La Terraza, un sello de Córdoba (Argentina) nacido en 2012 que publican libros ilustrados o libros objeto y que forman parte de un nuevo paradigma de producción cultural, más solidario y colectivo, que entiende el acceso a la cultura como un derecho humano, y que podemos fortalecer desde nuestra labor editorial cotidiana de promoción de la lectura.

_ Beatriz Martins (Brasil), do Em Rede, espaço para reflexão e discussão de temas como Cultura Livre, Remix, Ciência Aberta, Economia P2P, Política em Rede e outros assuntos relacionados a novas formas de organização das instituições e circulação de bens intelectuais, que tem a ver com os tempos atuais das redes eletrônicas.

_ Dani Cotillas (Espanha), Nodo Común, una alianza de comunicadores, gestores culturales y activistas que busca establecer procesos de comunicación enfocados a la creación de comunidades, la participación social y la construcción colectiva.

_ Carlos Lunna (Brasil), Redes de Produtoras Culturais Colaborativas, rede de coletivos e organizações sociais que trabalham com tecnologias livres em arranjos produtivos locais em 8 estados brasileiros;

A transmissão será via YouTube, neste link, na quarta-feira, 21/11, no horário das 14h GMT – 11h Argentina e Uruguay, 12h Brasil e 15h Espanha.

***

Como este encontro funciona?

O encontro é organizado em mesas temáticas. Cada mesa temática consiste em um texto disparador e uma videoconferência que será transmitida ao vivo e gravada. Você pode participar durante a transmissão no chat do YouTube ou mais tarde, deixando seu comentário no vídeo ou na postagem. Com a hashtag #CulturaLS18 você pode compartilhar e comentar a qualquer momento.

No cronograma a seguir, você encontrará o link para cada mesa, onde poderá ler o texto disparador. As videoconferências estarão nos mesmos links, a partir da data e hora indicadas para cada um.

Cronograma

Atividade de pré-encontro: 20 de novembro

Apresentação da edição impressa da Revista Pillku

– 21 hs GMT | 18hs AR /UY | 19hs BR | 22 hs ES

Dia 1: 21 de novembro

Conferência de abertura

– 14h GMT | 11 hs AR /UY | 12hs BR | 15h ES –

Mesa 1: Políticas públicas e reformas legais

– 16 hs GMT | 13 hrs AR/UY | 14hs BR | 17hs ES –

Mesa 2: Digitalização e acesso ao patrimônio cultural

– 19hs GMT | 16 hs AR/UY | 17hs BR | 20hs ES

Dia 2: 22 de novembro

Mesa 3: Laboratórios, hackerspaces e outros espaços de comunidades locais

– 16 hs GMT | 13hs AR/UY | 14hs BR | 17hs ES –

Mesa 4: Redes Internacionais. Como nos inserimos em um movimento global?

– 19hs GMT | 16hs AR / UY | 17hs BR | 20hs ES

Dia 3: 23 de novembro

Mesa 5: Produção cultural livre

– 16 hs GMT | 13hs AR/UY | 14hs BR | 17pm ES

Mesa 6: Educação aberta e cultura livre + encerramento do encontro

– 19hs GMT | 16hs AR / UY | 17hs BR | 20hs ES

Atividades paralelas

1º Mapeamento Global da Cultura Livre do Sul com Civics

Ao longo do encontro, o objetivo é mapear nossas próprias iniciativas de cultura livre e também aquelas que conhecemos de nosso país ou região. O foco será cobrir as áreas geográficas geralmente deixadas de lado: distritos e cidades do interior e bairros periféricos das grandes cidades.

O mapa, além de localizar as iniciativas, permite gerar uma cartografia “global” que situa o cidadão e as práticas urbanas – informais e emergentes – em nível internacional e de fácil acesso e comparabilidade. CIVICS é a plataforma que hospeda o mapa e neste post você encontrará instruções sobre como usá-lo.

Curadoria da Produção Cultural Livre em Ediciones de la Terraza

Ao longo do encontro, vamos mapear os editores que trabalham a partir do paradigma do livre. Se você faz parte de uma editora (não importa o tamanho do projeto, se você publicar livros, revistas, fanzines, impressos ou digitais ou ambos os formatos) e publicar todo o material ou parte dele com licenças Creative Commons este é o momento de se registrar.

Leituras compartilhadas e colaborativas em Investigación Social punto Net

Na plataforma de Investigación Social punto Net, criamos um grupo público no qual você pode se registrar para publicar seus textos e vídeos, bem como compartilhar bibliografia associada a cada mesa temática. Você também encontrará um fórum e a possibilidade de fazer anotações na web para compartilhar suas reflexões e, assim, gerar uma leitura colaborativa de cada texto disponível. Aqui você pode se cadastrar e começar.

Conversações

Você está interessado em encontrar outros participantes e interagir? Estamos usando a hashtag #CulturaLS18 nas redes sociais.

Você quer escrever um artigo de alguma atividade ou tópico? Participe da cobertura colaborativa no seu próprio blog. Publique e compartilhe nas redes com #CulturaLS18, ou dentro do grupo de Pesquisas Sociais punto Net.

Onde comentar sobre as mesas temáticas e dar sua opinião sobre cada tópico? Nos links de cada mesa você encontrará os posts originais e poderá deixar comentários.

Articular a cultura livre desde o sul global

O ENCONTRO

A cultura livre é jeito /maneira de produzir cultura que promove o compartilhamento e a continuidade de obras culturais como bens comuns da humanidade. Como ideia, existe desde que a cultura existe, mas, como proposta prática mais organizada, nasce inspirada no movimento do software livre e nas 4 liberdades por ele fundamentadas, ainda nos anos 1980 e 1990, e se espalha pelo mundo a partir da luta anticopyright do início dos 2000 e das licenças livres, das quais as mais conhecidas e bem sucedidas hoje são o Creative Commons (CC).

Com a transformação da internet nos últimos anos, como, em 2018, a ideia da cultura livre permanece? quais são as atuais discussões que envolvem a temática no sul global? Quais iniciativas, pessoas, projetos, coletivos, instituições que hoje defendem e atuam na cultura livre? Quais os desafios de sustentabilidade postos em iniciativas de cultura livre num mundo onde a internet está cada vez mais centralizada? Passados mais de 15 anos da criação das licenças CC, um marco na história recente da cultura livre, como está a discussão sobre as leis de direitos autorais hoje? Quais os bens culturais (publicações, filmes, músicas, artes visuais, tecnologias, sítios) produzidos em diálogo com a cultura livre?

Com essas provocações em mente, queremos realizar um encontro 100 % online para unirmos nós, xs autorxs, produtorxs e ativistas da cultura livre, com outras pessoas que buscam conhecer o movimento e se aproximar, informando-nos do “estado da arte” no sul global. Será nos dias 21, 22 e 23 de novembro de 2018, na internet, em diversos nós e páginas da internet que explicamos melhor mais abaixo.

A chamada para o encontro é aberta para todas aquelas pessoas que se identifiquem como pertencentes ao sul global. Sul aqui não é utilizado como estritamente geográfico, por isso não há impeditivo de país de origem. Para fins desse encontro entendemos sul como uma identificação cultural e geopolítica de vozes, territórios e corpos que historicamente foram calados, explorados, oprimidos, colonizados e/ou subjugados.

OBJETIVOS

_ Fomentar a discussão e a prática da cultura livre a partir da perspectiva do sul global; do planeta/terra;

_ Mapear e fortalecer as iniciativas de cultura livre do sul global, nesta edição em especial da Ibero América;

_ Dar a conhecer e divulgar as bases da cultura livre para públicos que ainda não a conhecem;

_ Criar canais, ferramentas e redes que facilitem o encontro de pessoas que trabalham com a cultura livre no sul global;

_ Discutir a sustentabilidade de projetos de cultura livre e articulações possíveis para fortalecimento de uma rede de apoio entre iniciativas.

PARTICIPANTES

Ativistas de cultura livre, artistas, professores, estudantes, pessoas dedicadas à gestão, mediação e articulação cultural.

COLETIVOS QUE ORGANIZAM O ENCONTRO

Mesa 1: Políticas públicas e reformas legais

O movimento da cultura livre nasceu em resposta ao avanço das leis de propriedade intelectual em todo o mundo. Desde então, ele questiona fortemente o papel do Estado em colocar barreiras e reprimir a livre circulação do conhecimento. Mas o movimento da cultura livre também propõe marcos normativos e políticas públicas para proteger os bens comuns, com o objetivo de socializar a produção e o acesso à cultura. Nesta mesa falaremos sobre as lutas atuais na região: reformas do direito autoral, leis de software livre e de repositórios institucionais abertos, políticas de digitalização do patrimônio e de produção cultural livre, e muitas outras propostas que vão desde a solução de problemas específicos até a mudança radical do sistema.

Coordena Ártica.

Mesa 2: Digitalização e acesso ao patrimônio cultural

Esta mesa de trabalho procura dar visibilidade às possibilidades de acesso às diversas manifestações culturais, nos mais variados formatos, através de plataformas livres e que consigam lograr o alcance do público-alvo interessado em cultura, bem como ser uma ferramenta de livre acesso para o público em geral. Na ocasião pretende-se também incluir a relação desses produtos com as licenças livres disponíveis e como reverberá os conteúdos e maneiras de salvaguardar o banco de dados para acessos futuros.

Coordena Rede das Produtoras Culturais Colaborativas.

Mesa 3: Laboratórios, hackerspaces e outros espaços de comunidades locais

Nas últimas décadas foram criados vários tipos de espaços comunitários, como laboratórios cidadãos e hackerspaces, por todo o planeta e também no sul global. Com diferentes formatos e objetivos, seus participantes em geral compartilham os valores da produção colaborativa e do uso de tecnologias livres. Inseridos em diferentes contextos, mais carentes ou mais abundantes, esses espaços têm sido polos irradiadores dos valores do conhecimento livre e da cultura livre. Mas como tem sido essa experiência? Quais suas potencialidades, limites e desafios? Essas são algumas das questões que esta mesa pretende abordar.

Coordenam Nodo Común e Em Rede.

Mesa 4: Redes internacionais. Como nos inserimos em um movimento global?

Para fazer e propagar a cultura livre, precisamos colaborar e tecer redes. Se somos um movimento que é contra o status quo capitalista patriarcal, de que forma podemos nos unir e tentar pequenos “hackeamentos” nesse sistema? Quem são nossos parceiros institucionais ao redor do mundo e, principalmente, no sul global? quais as principais redes que lutam no dia a dia pela cultura livre e o conhecimento aberto? Como fazemos para juntarmos forças e cuidarmos de nossos trabalhos, esforços e redes? Nesta mesa discutiremos como a cultura livre se insere num movimento global, quais os desafios para tecer e sustentar redes locais e globais e quem podemos contar como parceiros, institucionais e pessoais, no para nossa atuação no sul global.

Coordena Baixa Cultura.

Mesa 5: Produção cultural livre

Cada vez mais projetos culturais decidem apostar no paradigma da cultura livre e começam, por exemplo, a usar licenças livres e casas culturais de trabalho comum, entre outras metodologias colaborativas. um desenvolvimento conceitual muito elaborado, enquanto outros projetos têm uma sensibilidade ligada à cultura livre, mas desconhecem muitos detalhes importantes. A idéia desta mesa é mostrar diversas experiências de diferentes disciplinas culturais, aproveitando para falar sobre seus problemas relativos ao licenciamento livre, à propriedade intelectual, a constituição de catálogos ou pesquisas regionais de projetos culturais e coletivos culturais que trabalhem dentro do paradigma livre, entre outras questões. Um eixo transversal é como os diferentes projetos preveem a sustentabilidade.

Coordena Ediciones de la Terraza.

Mesa 6: Educação aberta e cultura livre

Talvez uma das áreas mais importantes em que a cultura livre é vital para o sul global seja a educação, onde a necessidade de materiais educacionais acessíveis, adaptáveis e reutilizáveis é um assunto urgente para uma educação verdadeiramente democrática e equitativa. O movimento de educação aberta e recursos educacionais abertos é, paradoxalmente, muito importante no norte, mas ainda não tem apoio e recursos suficientes nos países do sul. Nesta mesa, discutiremos as práticas educacionais abertas e as políticas que foram promovidas e que devemos promover para apoiá-las, na perspectiva do sul global.

Coordena Ártica.

METODOLOGIA

Modo 100% online: a participação será feita através da Internet, utilizando videoconferências ao vivo, publicações na web, documentos de texto, mapeamentos, curadorias e coberturas colaborativas, além de fóruns e chats.

Textos desencadeadores: para cada mesa, pediremos a uma pessoa que encaminhe um texto com provocações para pensar criticamente no marco da cultura livre. Essa pessoa também participará da moderação da mesa.

Chamada aberta: o encontro irá incorporar a possibilidade de participar com histórias de experiências, posts nos blogs dos participantes, bibliografia recomendada e mapeamento de experiências.

Videoconferências: durante cada um dos três dias do encontro, duas videoconferências serão realizadas por dia, de 1 hora a 1 hora e meia, com base nos textos de provocação. Em cada videoconferência, haverá pessoas convidadas a comentar e refletir, a partir de sua experiência ou perspectiva, o conteúdo dos materiais.

Espaços para debate: os textos serão publicados em espaços de debate online onde qualquer participante poderá fazer contribuições, perguntas e comentários. Esses espaços estarão abertos durante um período antes e depois das videoconferências, para dar tempo à participação. As ferramentas incluirão fóruns e chats, além de documentos com comentários e anotações.

Relatorias: cada mesa será documentada com um relatório que sintetizará os pontos discutidos, os acordos, desacordos, problemas pendentes e novos debates que permanecerão abertos.

Mapeamento: durante todo o encontro vamos mapear experiências e projetos atuais de cultura livre.

Curadorias da produção cultural livre: para acompanhar o debate na mesa de produção cultural, vamos fazer uma curar uma curadoria de produção editorial e artística recente, baseada em licenças livres.

Cobertura colaborativa: faremos uma chamada aberta para blogs para cobrir o encontro online de cultura livre do sul, através de posts relacionados às mesas do encontro.

PLATAFORMAS / ESPAÇOS

As mesas do encontro serão desenvolvidas nos sites dos coletivos que coordenam cada mesa. As videoconferências serão transmitidas ao vivo no YouTube. Nas redes sociais, vamos usar a hashtag #CulturaLS18.

IDIOMAS

Durante o encontro, nos comunicaremos indiscriminadamente em espanhol e português, promovendo o melhor entendimento possível entre os falantes das duas línguas.

DATA

As inscrições estão abertas até 31 de outubro de 2018.

O encontro dura 3 dias, de 21 a 23 de novembro de 2018, com instâncias anteriores e posteriores para considerar os tempos de participação online.

HORÁRIO

Dia 1: 21 de novembro

– 14 hs GMT | 11 hs AR/UY | 12 hs BR | 15 hs ES – Conferência de abertura

– 16 hs GMT | 13 hs AR/UY | 14 hs BR | 17 hs ES – Mesa 1: Políticas públicas e reformas legais

– 19 hs GMT | 16 hs AR/UY | 17 hs BR | 20 hs ES – Mesa 2: Digitalização e acesso ao patrimônio cultural

Dia 2: 22 de novembro

– 16 hs GMT | 13 hs AR/UY | 14 hs BR | 17 hs ES – Mesa 3: Laboratórios, hackerspaces e outros espaços de comunidades locais

– 19 hs GMT | 16 hs AR/UY | 17 hs BR | 20 hs ES – Mesa 4: Redes internacionais. Como nos inserimos em um movimento global?

Dia 3: 23 de novembro

– 16 hs GMT | 13 hs AR/UY | 14 hs BR | 17 hs ES – Mesa 5: Produção cultural livre

– 19 hs GMT | 16 hs AR/UY | 17 hs BR | 20 hs ES – Mesa 6: Educação aberta e cultura livre + final do encontro

INSCREVA-SE

O encontro é aberto e gratuito. Inscreva-se até 31 de outubro de 2018.

COMPLETE O FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO

BaixaCultura 10 anos – História Aberta

“A lógica industrial da cultura [dominante ao longo do século 20] se baseia num esquema feroz de controle autoral (o copyright), mais ou menos feroz a depender do volume de grana envolvido. Quando a tecnologia digital torna impossível esse controle, e aos lucros cada vez menores da indústria se equipara uma produção cultural descentralizada, diversificada e auto-gerenciada; quando a reação da indústria é uma dispendiosa campanha “contra a pirataria” por vezes redundando em leis ignorantes, é aí que é possível perceber: a sociedade é a grande concorrente da indústria.

Na produção cinematográfica nigeriana, ou na contra-indústria tecnobrega de Belém do Pará, ou no trabalho criativo e criminoso [viva!] do dj Danger Mouse, ou em centenas de experiências que o BaixaCultura pretende cobrir, o que está em jogo é um tipo de organização que segundo os critérios de avaliação das velhas leis e dos homens-de-preto da indústria já nasceu pirata, e o incrível apego que esses mesmos homens nutrem por um modelo de indústria que existe há apenas um século, contra um monte de outros séculos de produção artística.”

Assim começávamos o BaixaCultura, em setembro de 2008, então como um blog, tocado por Leonardo e Reuben da Cunha Rocha. 10 anos e muita coisa depois, cá estamos, vivo, como uma laboratório online de cultura livre, ainda com textos, ensaios e reportagens, mas também com oficinas, cursos, zines/livros, ciclos de filmes (copy, right?) e uma tentativa de buscar sustentabilidade através do financiamento recorrente. Dá pra dizer: resistimos.

Na era em que tudo é registrado, onde parece tão fácil documentar, muito tem se perdido. Um paradoxo, ainda mais visível e paradoxal nos projetos, pessoas e instituições de cultura livre, remix, artivismo, hackers, contracultura, software livre, etc. Com alguma dose de sem-noçãozisse e outra de teimosia, cá estamos como um dos poucos projetos vivos que ainda documenta, (in)forma e produz cultura livre (e contra) cultura digital nesse distópico 2018. Celebremos?


Pois sim, vamos celebrar! De um jeito tímido e pequeno, porque é o possível do momento. Para isso vamos fazer dessa semana, a última de setembro de 2018, dias atípicos de resgate da memória e de celebração da existência. A partir da ideia de Sheila Uberti, nossa parceira de muitos projetos, organizamos três frentes:

_ HISTÓRIA ABERTA: ao longo da semana, todos os dias destacaremos em nossas redes alguns dos 480 (!) posts produzidos desde 2008, sob a hashtag #baixacultura10anos. É uma forma de revisitar estes textos, dá-los a conhecer por algumas pessoas que não os conhecem e, também, compartilhar uma memória da cultura livre e (contra) cultura digital ao longo destes últimos 10 anos de intensas transformações no mundo digital.

_ HISTÓRIA COLETIVA: Queremos também convidar vocês – leitor@s, alun@s, apoiador@s, colaborador@s, simpatizantes – a compartilhar algum momento, texto, depoimento, imagem, declaração de amor ou ódio, sobre a cultura livre destes últimos 10 anos, ligados ou não ao baixacultura. Quem usar a hashtag #baixacultura10anos no twitter/facebook/instagram e outra redes vai nos ajudar a agregar depois o conteúdo em uma página e mostrar todas as postagens na…

_ PEQUEÑA JUNÇÃO BAIXACULTURAL: sexta-feira, dia 28/9, às 18h, vamos fazer uma celebraçãozinha desses 10 ano numa videoconferência transmitida no nosso canal do YouTube, mostrando os momentos compartilhados pela tag #baixacultura10anos, tocando músicas livres, falando um pouco da cultura digital brasileira, da ressaca da internet, com alguns convidad@s presenciais em carbono (num lugar de Porto Alegre que logo anunciamos) e em silício (de outros lugares do Brasil e mundo, online). Tod@s estão convidados a participar, seja vindo no local, papear, tomar uma cerveja conosco e participar da transmissão, ou online, perguntando no chat ou entrando ao vivo para dar um salve & comentar algo. Nos próximos dias te passamos as coordenadas. Salve data/hora: 28/9, 18h em diante.

UPDATE: local presencial confirmado: Jardin’s do Chopp, gastrobar da cidade baixa com pizzas (veganas/vegetarianas e com carne) excelentes e as maravilhosas Cervejas Babilônia, uma das melhores artesanais do Estado (a Helles com Butiá e a Oatmeal Stout são imbatíveis), a preço justo. A partir das 18h30.

O vídeo ficará, como sempre, disponível aqui abaixo. Na íntegra, depois vamos editar melhor. Adelante!

Descentralizar e voltar ao diálogo: Journal de Nodo Común

No último post publicamos um texto sobre como o velho & bom RSS pode ajudar a fugir dos algoritmos das redes sociais.  Hoje mostramos uma alternativa que já está sendo feita com o objetivo de descentralizar a comunicação das redes sociais: o Journal do Nodo Común.

O Journal é um aplicativo para android que agrega uma seleção de RSS de diversos sites e projetos latino-americanos que trabalham com a cultura livre, o software livre, a tecnopolítica, os direitos digitais e o ciberfeminismo. Criado pelo Nodo Común, uma rede & projeto de cultura livre baseada na América Latina, ele traz, numa interface simples, os posts de cada um dos projetos (são mais de 30) na ordem cronológica em que ele são postados. É possível também ver todas as publicações de cada um dos selecionados no feed.

A novidade é que agora, além dos projetos da latino-américa em espanhol, também temos alguns em português. Já vinhamos faz algum tempo trabalhando na ideia de organizar uma seleção de feeds na nossa temática em ptbr, à convite de Dani Cotillas, de Nodo. Agora começamos de fato, por enquanto com poucos feeds, mas a ideia é que nas próximas semanas sejam incorporados muito mais que estamos selecionando novos projetos não ligados à grandes grupos e instituições para constar no feed também. Se vcs tiverem sugestões, aceitamos também!

Procurem pelo app na Play Store e fiquem sabendo: Journal Nodo Común.

Diálogos Abertos #2: A Internet como conhecemos morreu. E agora?

A Federal Communications Comission (a “Anatel” dos EUA) decidiu, em dezembro de 2017, acabar com a neutralidade da rede, princípio que obriga os provedores de internet a tratar igualmente todos os dados, sem poder discriminar ou privilegiar nada do que passa por suas redes. O Senado dos EUA, porém, rejeitou essa decisão, jogando agora para a Câmara de Representantes (a Câmara dos Deputados dos EUA) e o presidente Trump decidirem se a medida da FCC vai ser invalidada definitivamente e a neutralidade de rede seja efetivamente restaurada.

Muitos já dão como certa que Trump e os deputados vão reverter a decisão do Senado e pôr fim a neutralidade da rede  – o que ocorre também devido a afirmação da liderança republicana da Câmara expressando sua oposição em votar a neutralidade da rede agora. Se de fato a neutralidade for derrubada por lei, é a maior mudança da história da internet até aqui. Nos próximos anos, é grande a chance de nós usuários termos que pagar mais para acessar certos tipos de serviço – uma conexão que priorize a velocidade dos vídeos ou o desempenho dos games, por exemplo, o que é proibido por lei hoje. Sem a neutralidade da rede, as empresas de telecomunicações são donas da rede e podem definir o conteúdo que você irá acessar, como numa assinatura de TV a cabo.

O cerceamento da internet por empresas privadas como o Google, Facebook, Amazon e Apple também tem ajudado a tornar a internet livre, descentralizada e gestionada por pessoas (ou comitês com participação da sociedade civil), uma realidade cada vez mais distante. Cerca de 70% dos brasileiros acessam a rede pelo celular e, não raro, só entram em serviços como o Facebook, WhatsAPP e Instagram quando conectados. A internet tem virado o que muitos de nós ativistas por uma internet livre temíamos: um grande jardim murado, onde quem dá as cartas do que e como acessar são grandes empresas privadas com sede nos EUA.

Diante desse cenário, vamos, novamente junto com a CCD Porto Alegre e o hackerspace Matehackers, debater no segundo Diálogos Abertos o que (e se) ainda é possível ser feito para manter a internet livre e descentralizada, como ela foi pensada inicialmente e como ela funcionava até anos atrás, e sobre como podemos lidar com mais essa situação distópica. Há gente, como Peter Sunde, um dos criadores do The Pirate Bay, que já desistiu: “Ainda pensamos na internet como esse novo Velho Oeste. Nada está escrito em pedra ainda, então não ligamos. De alguma forma tudo vai dar certo. Mas não é por aí. Nunca vimos tanta centralização, desigualdade e capitalismo extremos. Porém, de acordo com o marketing feito por gente como Mark Zuckerberg e empresas como o Google, tudo é feito para ajudar a rede aberta e promover democracia, e por aí vai. Ao mesmo tempo, são monopólios capitalistas. É como confiar no vilão pra fazer boas ações. É bizarro.” Outros, como Tim Berners-Lee, criador-chefe da Web, diz que devemos nos preocupar com a regulação, porque se deixarmos para o mercado regular a internet a situação pode ficar ainda pior do que já está.

Nossa conversa também vai trazer outras perspectivas mais, digamos, otimistas, que apontem para novos caminhos de (re) construção da internet, como as redes livres. Teremos como convidados Rodrigo Troian, ativista de software livre desde 2004 e que desde 2008 vem pesquisando e fazendo redes em malha por wifi utilizando roteadores de baixo custo – as chamadas redes livres, como ele comentou na BaixaCharla. Além dele, vão participar da conversa integrantes das organizações participantes e quem mais quiser; a roda de conversa é aberta a todxs que quiserem participar (falar, escutar e/ou só observar)

O evento será novamente no Vila Flores, às 18h30. Como da primeira vez, vai rolar transmissão ao vivo no nosso canal no YouTube.
UPDATE 19/6: Tivemos um problema na conexão de internet, então o vídeo transmitido ao vivo vai até os 22min49s, e aos 22min53s entra a segunda parte, não transmitida, mas gravada – por isso uma pequena diferença na qualidade de imagem/som.

https://youtu.be/sXGKorxS_zE

Cultura livre, comum e inovação cidadã em charla

Primeiro de março, final de manhã quente em Santos. Da rodoviária até o Instituto Procomum nos disseram que levava nem 20 minutos a pé. Nos disseram também que a viagem de São Paulo até Santos é rápida, e foi: de descer em Jabaquara, entrar no terminal, comprar passagem, pegar a Imigrantes para descer a serra e chegar na maior cidade do litoral paulista não deu 2h. Baixamos do ônibus com mochilas nas costas e seguimos a pé por uma praça grande de nome muito encontrado Brasil afora, Andradas. Atravessamos pelo meio das arvores centenários, cruzamos com pessoas sentadas nos bancos, vendedores de livros usados, até chegarmos numa daquelas típicas ruas centrais de cidades brasileiras, de calçadas estreitas tomadas de decoração de lojas, muitas lojas, de móveis, eletrodomésticos, roupas, tecidos, ferragens, lancherias e trecos em geral. As nuvens fartas disfarçam a queimação dos raios de sol na pele, mas não aliviam o calor, abafado e úmido que prenuncia chuva. Pouca gente na rua comercial, pelo menos não o suficiente para atrapalhar a caminhada, que segue rápida, ritmada, queremos chegar, largar as mochilas, tomar uma água, secar o suor. Agora viramos a esquerda numa rua com mais prédios, menos comércio, uma igreja grande, uma praça que parece antiga à esquerda, um posto na esquina; nessa esquina dobramos à esquerda novamente. Estamos na rua Sete de Setembro, que ao final dá no mar, no porto, no Mercado Municipal, região de casas antigas, prédios baixos, lojas de todos os tipos. Calçadas estreitas, em alguns pontos irregulares,  passamos por um muro de um colégio, um restaurante-bistrô, pequenos comércios, paradas de ônibus. Da calçada olhamos para o o outro lado da rua: número 52, uma porta fechada, um pavilhão grande. Deve ser aqui. Antiga sede da Associação Prato de Sopa Monsenhor Moreira, agora sede do Laboratório Santista. É.

Principal projeto do Instituto Procomum, o LabxS é um laboratório cidadão em formação. Os 1200 m² estão sendo ocupados aos poucos, com mutirões para cuidar da horta, fazer móveis, grafitar as paredes, decorar o ambiente. Já há quartos e banheiros enormes com vários boxes, resquício do tempo que o espaço recebia dezenas de moradores de rua por dia e oferecia comida, banho e um pouco de cuidado para estes voltarem para a rua no mesmo dia. Um dos banheiros coletivos já foi reformado e, nos próximos meses, vai ser usado na Colaboradora, projeto com inscrições até o próximo dia 29/4: trata-se de um um ambiente onde artistas, produtores e a comunidade aprendem juntos a solucionar os complexos problemas contemporâneos por meio da arte e da cultura. Um residência artística, mas não só. Um grande salão, antigo refeitório, já tem sido usado como auditório e local de grupos de trabalho, inclusive na 2º edição do Circuito Labs, realizada no início deste 2018. O circuito é um festival de inovação cidadã feito via chamada pública para realização de ações que promovem os bens comuns e as soluções de problemas de baixo para cima.

Muitos dos projetos do LabxS e do Instituto Procomum precisam de mais do que duas palavras de explicação. Ficam naquela intersecção entre várias áreas: não se tratam, por exemplo, de iniciativas culturais, nem de tecnologia, de empoderamento, nem de inovação, mas de tudo isso junto e misturado com outras várias coisas. Fomentam a solução de problemas no espaço público a partir de tecnologias digitais, metodologias colaborativas, pessoas e coletivos da região da Baixada Santista. Inovação cidadã e cultura livre, dois termos que definem o trabalho realizado pelo Procomum, não são facilmente compreensíveis hoje no Brasil. Quer dizer: não são termos complexos, acadêmicos, mas simples, tão simples que a vezes permitem muitas interpretações. Polissemia pura, que para fins de comunicação entre diferentes precisam ser definidos. Descrições e explicações são facilmente encontradas em todo o site do Procomum e do LabxS não por acaso.

A BaixaCharla abaixo não foi tão descritiva ou explicativa, mas afetiva. Nos conhecemos, eu (Leonardo), Rodrigo e Geórgia faz oito anos, trabalhamos juntos na CCD São Paulo em projetos como o Produção Cultural no Brasil, Fórum da Cultura Digital, BaixoCentro, além do principal projeto, a própria casa, criativa e louca como costumam ser as coisas difíceis de definir. “A Casa me deu régua e compasso do que eu não quero fazer”: frase forte de Rodrigo, citando Gil e “Aquele Abraço“, dá uma amostra do porquê a CCD foi tema de alguns bons minutos do papo. Não é fácil criar um espaço onde a experimentação se dava sem forçar, ação cotidiana “naturalizada” em cafés e conversas paralelas na cozinha que resultavam em projetos meio de brincadeira, meio a sério, que poderiam ser levados adiante e bancados por articulações financeiras num cenário – hoje percebemos bem – favorável de políticas culturais e investimentos públicos. “Prioridade pra quem se desloca” era um lema daqueles tempos, que jamais seria escrito como missão, regra, mandamento, a não ser que fosse de brincadeira, aí sim poderia pintar um dia na parede escrito à caneta, fruto empolgado de “horas felizes” no fim de tarde regadas à truco e cachaça. A lembrança com alguma distância temporal soa romântica, mas há de se recordar que o espontâneo daquela época acontecia pela ação de muitos “kamikazes financeiros” que adquiriam dívidas e compravam brigas nada sustentáveis e que durariam anos para curar. Mas que, ao contrário dos kamikazes originais, não morreram, e cá está uma das muitas provas.

O Instituto Procomum, e o LabxS, é como um irmão mais velho da CCD. Mais organizado, sustentável, feminista, negro, LGBT, com protocolos claros de convívio, hierarquia reconhecida e disposição para enfrentar o desafio da organização. O que não significa caretice nem engessamento eterno, mas sim que cada um assuma a sua responsabilidade, que colabore sem esquecer que o afeto é importante, que cuidar de todxs e trazer as emoções para conversar é fator diferencial de sobrevivência nesse brasil hostil de 2018 – politização do mal-estar, como apontou Amadeu Fernandéz no relato que produzimos em Enfrenta. Rodrigo e Geórgia passaram por muita coisa em governo, empresas privadas e organizações da sociedade civil para, hoje, saber o que querem. E também para se articular local e internacionalmente e buscar recursos para sustentar seus experimentos: o espaço da rua Sete de Setembro e os projetos já tocados pelo Procomum atestam isso.

A BaixaCharla girou da cultura livre à CCD, da política ao comum, do cuidado à inovação. Foi mais um papo informal e tão espontâneo quanto uma câmera na mão (da Sheila Uberti, parceira de todas as horas) torna possível. O primeiro em São Paulo – ou melhor, em Santos, na Rua Sete de Setembro, 52, Vila Nova, um dia calor de final de verão. As fotos depois do vídeo são do e LabxS e dos arredores do Mercado Municipal.

Uma newsletter quinzenal

Nos reunimos com a CCD POA para organizar, embasar e ir mais fundo nas informações que todos os dias postamos nas nossas redes sociais e plataformas como este site. Daí nasceu a nossa Newsletter em conjunto, para informar e debater temas como tecnopolítica, direitos digitais, privacidade, cultura livre, remix e (contra) cultura digital – e também informar as atividades que realizamos por aí e organizar uma agenda de eventos nessas áreas. Mais uma newsletter, vocẽ pode pensar: e é, sim, mais uma newsletter, e ao mesmo tempo não é: nosso objetivo é trazer um conteúdo diverso, aprofundado, olhando para o que acontece no presente e sobre as transformações que a internet está passando e nos fazendo passar enquanto sociedades. Mas também queremos olhar para trás, para lembrar de textos, fatos e histórias que nos ajudam a entender esse frenético cotidiano de hoje, por isso em todos os envios vamos resgatar algum texto ou acontecimento passado que, no mar de informações compartilhadas todos os dias, acaba por se perder.

Se inscreva a nos acompanhe! O 1º envio é nessa quinta, 19/4, e os próximos serão sempre às quintas, a cada 2 semanas, salvo em ocasiões especiais.



Lançamento da campanha de financiamento & continuidade

O cansaço já havia decidido por mim faz alguns meses: 15 de setembro de 2018 seria a data de morte do BaixaCultura. É o dia também de aniversário de 10 anos, idade simbólica para um projeto que nasceu quando as redes sociais eram menores e a internet era outra, mais livre, menos distópica. Estava escolhendo alguns dos textos mais representativos nessa década para organizar um livro de despedida, uma espécie de coletânea do que passou pelos nossos radares, dos debates esperançosos sobre a necessária reforma nas leis de direito autoral nos idos de 2009 às máquinas de vigilância disfarçadas de redes sociais como este Facebook, passando por muitos (mesmo) outros temas que passaram por nossas páginas.

Comentei com algumas pessoas desse desejo e ouvi algumas respostas que diziam: “mas agora que tem 10 anos vai acabar?”. De fato, existem poucos projetos vivos que documentam e produz cultura livre (e contra) cultura digital. Na era em que tudo é registrado, onde parece tão fácil documentar, muito tem se perdido. Um paradoxo, ainda mais visível e paradoxal no mundo onde me movo, dos projetos, pessoas e instituições de cultura livre, remix, artivismo, hackers, contracultura, software livre, etc.

Comecei a pensar: e se o BaixaCultura continuar? Diferente, mais ativo e frequente, como resistência mesmo, num mundo (e especialmente neste Brasil de 2018) cada vez mais difícil de resistir. Como poderia encarar o desafio da sustentabilidade fazendo, vá lá, um jornalismo tão artesanal, por muitas vezes lento, um laboratório de produção de conteúdo, experimentação e formação em cultura livre, independente de publicidade e com a parceria de muitxs?
Uma tentativa de responder as perguntas acima está na campanha de financiamento recorrente que começamos nesta semana. Apoiar o BaixaCultura no APOIA.se é acreditar na cultura livre, no conhecimento aberto, e dar um crédito todo mês para que nós continuemos fazendo (e qualificando) nosso trabalho nessas áreas. São várias opções de apoio, começando por R$5, e você escolhe de acordo com as suas possibilidades de colaboração. Nossas metas estão detalhadas de forma transparente, para que todxs saibam o quanto precisamos mensalmente para fazer o BaixaCultura. E tem recompensas também, de zines a newsletter, de surpresas (impressas!) a encontros presenciais, oficinas e cursos.
Chega mais, veja o vídeo, leia o texto, se quiser/puder/achar importante apoie, se não ajude a espalhar. Recorrente é maratona e não 100m rasos, então a questão ainda segue. https://apoia.se/baixacultura
Leonardo Foletto, editor

Um pacote semanal de arquivos offline

Quatro anos atrás hospedei em minha casa por alguns dias um programador cubano, que veio à Porto Alegre para um evento internacional de software livre, o FISL. Ele aproveitou a ocasião também para acompanhar alguns jogos da Copa do Mundo de 2014, então depois de Porto Alegre andou por várias outras cidades do Brasil, inclusive esteve no Rio de Janeiro quando ocorreu a final, aquele Alemanha X Argentina vencido pela primeira com um gol na prorrogação. Por conta das viagens, ele veio com uma mala grande, carregada com roupas para uma estadia longa e também com algumas lembranças de seu país, entre elas algumas garrafas de Rum para presentear seus anfitriões. Festeiro e alegre como boa parte dos cubanos que conheci, adorava sair pra dançar à noite; nos “aquecimentos” em nossa casa, ensinava a fazer mojitos com o rum que trouxe, completados com açúcar, água com gás e muita “hierbabuena” – como é chamado o hortelã em espanhol.

Além da bagagem física, ele também trouxe uma bagagem considerável de arquivos em seu HD. Compartilhava com quem quisesse seu acervo: mais de 10 gigas de música e ouros tantos de filmes cubanos. Ainda que tivessem alguns clássicos de fácil circulação na internet, boa parte era material mais raro de conseguir, músicas e filmes que não estão no YouTube ou em outro serviço de streaming, e que talvez só seja encontrado na internet em clubes de download, ainda os melhores espaços para se baixar qualquer coisa na rede. O fato da velocidade de conexão em Cuba ser muito lenta torna bem mais difícil o compartilhamento de arquivos online e na “nuvem”, um dos motivos pelos quais nosso amigo programador usou constantemente nossa (meia boca) internet de 15 megas para baixar os mais diversos arquivos enquanto esteve em casa.

Soube depois, conversando com ele, que carregar arquivos digitais em pastas (em pendrives, HDs, etc) para compartilhar é um hábito comum em Cuba, onde a rede é acessado por uma minoria do país: algumas estimativas internacionais falam em 5% de pessoas com acesso na ilha em casa, enquanto que a “Oficina Nacional de Estadística de Cuba” disse que, em 2014, eram 27%, embora essa estatística reflita os conectados à intranet local. Mesmo estes 5%, o acesso ainda é lento e caro: na maioria das casas, a velocidade é 56 kbits, como nos velhos modens dos anos 1990, e há restrições de horas (a de meu amigo cubano é de 30h por mês). Há zonas de wifi públicas presentes em algumas das principais cidades cubanas e cybercafés públicos, mas ambos são caros: dados de 2016 dizem que a primeira saía em torno de US$2 dólares por hora e o segundo entre US$6 e 10 por hora – sendo que o salário médio no país gira em torno de U$$20 mensais. As torres de dados para telefonia móvil estão sendo implantadas e, por enquanto, o acesso ocorre apenas para algumas pessoas do governo ou de (poucas) instituições privadas, segundo me contou o programador da ilha.

Esta realidade de conexão ajudou a manter por lá o hábito do compartilhamento físico, offline, de arquivos dos mais variados. Um dos principais arquivos digitais compartilhados da ilha é o chamado “El Paquete Semanal“, um pacote de arquivos de quase 1 TB (contendo entre 15 e 18 mil) distribuídos toda semana ao redor do país com softwares, esportes, telenovelas, desenhos animados, mangás, películas, videogames, músicas, revistas e muito outros conteúdos que a internet traz. “É a melhor maneira de estar atualizado offline” me disse, meses depois, o amigo cubano.

São dois modos os mais comuns de receber o material de “El Paquete”. O primeiro é pagar entre U$1 e U$2 (ou CUC, o peso convertible cubano, usado mais por turistas; diferente do CUP, o peso cubano usado no dia a dia) e receber em sua casa, toda semana (segunda ou terça, dependendo da cidade), alguma pessoa com os arquivos em HDs portáteis ou em memórias flashs (cartões de memórias de máquinas fotográficas, por exemplo), que copia para o seu computador o que você escolher. A outra é comprar nas mais diversas lojas pelo país, especialmente a de aparelhos para smartphones, que revendem para outros clientes. Daí ele se espalha de mão em mão, tal qual um arquivo na internet.

No site de “El Paquete” é possível ver uma lista detalhada dos arquivos de cada semana, divididos por pastas e sub-pastas; na da segunda semana de março de 2018, por exemplo, havia 5 gigas de documentários, curtas, novelas e longas cubanos em “Cinemateca Cubana”; quase 4 GB de aplicações para Android e Iphone em “Aplicaciones para Móviles”; 20 GB em “Música MP3 2018”, com sub-pastas como “Top UK 40 Singles”, “Unreleased Puerto Rico”, “Temas de Estreno Internacionales”, “Top de Febrero”, entre outras; 30 GB de séries de países de língua inglesa em “Series en Transmision”, de “Outlander” a “Grey’s Anatomy”, de Law & Order” a “Arquivo X”; 4GB de revistas em inglês e espanhol, atualizadas semanalmente; entre muitos outros arquivos – lembrando que é quase 1 TB, a capacidade média de boa parte dos HDs que vem nos computadores portáteis hoje vendidos.

Além destes arquivos, “El Paquete” contém também os arquivos de um mercado digital chamado Revolico, que funciona de modo semelhante ao Craigslist: as pessoas compram e vendem todo tipo de coisas, de bicicletas à aulas de matemática, incluindo o próprio acesso à Internet a um preço com desconto. É considerado o principal mercado negro de Cuba, mas tem uma particularidade: é oficialmente bloqueado na ilha desde 2007, quando foi começado por expatriados cubanos na Espanha. Ainda assim, alguns conseguem acessar porque os fundadores do site criaram uma série de servidores proxy, soluções de DNS, endereços web privados e espelhos que mantém o site no ar em Cuba – há, inclusive, seções inteiras sobre o como acessar o site no próprio Revolico.

Os que não conseguem, que são a maioria dos usuários, baixam os arquivos de “El Paquete” e depois usam offline. Uma vez baixado do pacote, Revolico pode ser navegado normalmente em um navegador da Web, de modo que você poderá entrar em contato com os vendedores com um telefonema, assim como você faria se você encontrou o anúncio em um jornal. Em uma reportagem da Vice de 2015, um artista cubano que vive em Havana e consome o “El Paquete” diz que o Revolico é conhecido por todos no país, e é essencial para muita gente.

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A realidade de uma internet lenta e de pouca penetração não explica sozinha, claro, a escala e o alcance de “El Paquete”. No início dos 1970, cerca de dez anos após a revolução cubana e a nacionalização dos meios de comunicação social, uma economia baseada no aluguel de material de entretenimento começou a florescer em escala na ilhaCom o desenvolvimento de novas mídias, o comércio se adaptou: passou de revistas para as fitas de vídeo VHS e Betacam, depois CDs, VCDs e DVDs e hoje os HDs e pendrives. O Pacote Semanal é o resultado do desenvolvimento gradual dessas redes por mais de quatro décadas.

Não há informação precisa de quantos pacotes são distribuídos semanalmente. Até pouco tempo atrás, não se conhecia publicamente os distribuidores dos pacote. Muitos perguntam como, semanalmente, é possível baixar 1 TB de arquivos com a conexão lenta que existe em Cuba; alguns já especulam que ele vem diretamente dos Estados Unidos. No vídeo abaixo, produzido em 2015 pela CiberCubaTV, “El Transportador”, conhecido como criador de “El Paquete” dá mais detalhes de como funciona o esquema.

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Fotos: 1 e 3 print vídeo, 2 BBC.

 

Iniciativas feministas na cultura livre & ciberativismo #8M

Compilamos aqui neste post uma pequena série de projetos & textos feministas e/ou com uma perspectiva feminina sobre cultura livre, direitos digitais, cultura hacker, tecnologia e ciberativismo que publicamos em nossas redes sociais neste último dia 8 de março, dia da mulher.

PROJETOS

_ Cyborgfeministas “es un recurso para quienes quieran entender y explorar el punto donde se cruzan el género y las tecnologías”. É uma iniciativa de TEDIC, uma organização que defende os direitos digitais e promove o uso de tecnologias livres.


_ Economía Femini(s)ta (EF) “es una organización que nació en mayo de 2015 con el objetivo de visibilizar la desigualdad de género a través de la difusión de datos, estadísticas, contenidos académicos y producción original orientadas a todo público”;

_ GenderIT.org é um projeto internacional que pretende ser um think tank DE e PARA direitos da mulher, direitos sexuais e ativistas de direitos da internet, acadêmicos, jornalistas e defensores de uma variedade de disciplinas e contextos. A organização oferece um espaço de reflexão, influência e advocacia na política e cultura da internet, para ajudar a atender às necessidades das mulheres e não infringir seus direitos:

_ “Somos feministas interessadas em cultura hacker e os conhecimentos que unem política, gênero e suas tecnologias. Pautamos a interseccionalidade nas nossas ações, não toleramos machismo, homofobia, transfobia, misoginia, lesbofobia, xenofobia e racismo. Nosso objetivo é semear conhecimento, autonomia com corresponsabilidade e caminhos de mudanças sociais. Somos uma coletiva hackerfeminista”. Conheça a MariaLab.

_ Vedetas é uma servidora feminista produzida a partir de algumas integrantes do MariaLab. Ela existe para ajudar grupos feministas nas suas atividades online e aumentar a segurança e autonomia de mulheres na internet. Também há bastante material sobre cultura hacker, segurança da informação e feminismo.

 

_ Guia Prática de Estratégias e Táticas para a Segurança Digital Feminista foi construída pela Universidade Livre Feminista, o CFEMEA (Centro Feminista de Estudos e Assessoria), Marialab e Blogueiras Negras e SOS Corpo (Instituto Feminista para a Democracia). A proposta é provocar o debate sobre mudança de comportamento no espaço virtual e no uso de ferramentas e dispositivos que acessam a internet visando a proteger mulheres das violências sofridas na rede.

_ Mulheres na Tecnologia (MNT) é uma organização sem fins lucrativos cuja missão é contribuir para o protagonismo feminino na construção de um mundo sustentável na era digital. Habilitam organizações para a jornada de promoção da equidade de gênero, conectam comunidades de mulheres em TI e organizam eventos, encontros e apoiam iniciativas de protagonismo feminino na tecnologia.

_ A PyLadies  é um grupo de mentoria com foco em ajudar mais mulheres a se tornar participantes ativas e líderes na comunidade open source Python. Sua missão é promover, educar e promover uma comunidade Python diversificada através de divulgação, educação, conferências, eventos e encontros sociais. No Brasil organiza diversas atividades e tem núcleos em cidades como São Paulo, Porto Alegre, Campinas e Fortaleza, entre outras cidades.

_ A Django Girls é uma organização sem fins lucrativos e uma comunidade que capacita e ajuda as mulheres a organizar oficinas de programação gratuitas, de um dia, fornecendo ferramentas, recursos e suporte. “Somos uma organização de voluntariado com centenas de pessoas contribuindo para levar mulheres mais incríveis ao mundo da tecnologia. Estamos tornando a tecnologia mais acessível criando recursos projetados com empatia.” Durante cada um dos eventos, entre 30 e 60 mulheres criam sua primeira aplicação web usando HTML, CSS, Python e Django.

_GenderHacker é um “un estado de eterna transición y negación del binarismo extremo por el que el cuerpo indeciso debe transitar de una de las dos identidades permitidas a la otra y nunca quedarse en medio”. Site com diversos projetos, obras e trabalhos da artista e ativista trans Diego Marchante.

_ Fembot Collective é um coletivo fundado em 2009 na Universidade de Oregon, nos EUA, que edita a publicação aberta ADA sobre gênero, novas mídias e tecnologias. Produziram também a “Zen and the art of making tech work for you”, uma publicação de 2015 que trabalha com segurança da informação, privacidade e técnicas anti-vigilância para mulheres.

_ I am the Code é um movimento fundamental para mobilizar governos, empresas e investidores para apoiar mulheres jovens em STEAMD (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes, Matemática e Design), aprendendo a codificar, aprender criativos e problemas de cracking.

TEXTOS & ENTREVISTAS & RELATÓRIOS

_ Relatório produzido pela organização Derecho Digitales sobre gênero, internet e feminismo na América Latina. Detalha vários projetos na área, alguns que já listados aqui, outros não. Vale acessar o texto completo, de 30 páginas.

 

_ A Revista Pillku, focada em cultura livre e procomún, trouxe como tema de sua edição de dez 2017 o ciberfeminismo. A edição fala desde “la resistencia, las identidades disidentes, la interseccionalidad, disputamos el acceso universal a internet, con deseos de inundar la red con contenidos feministas y descolonizar los medios digitales”.

_ Menstruapps é uma reportagem especial criado pela Coding Rights que documenta os aplicativos que monitoram a menstruação (e ganham dinheiro com isso). Reportagem, design e infográfico feito por mulheres, a partir de uma organização também com ênfase no ciberfeminismo.

_ “Ciberfeminismo“, livro sobre o empoderamento feminino através da tecnologia, produzido pela editora Monstro dos Mares e organizado por Cláudia Mayer com textos de várias autoras.

_ “Que se calem as musas: por que o feminismo deve se opôr ao copyright” é um texto da ciberativista argentina Evelin Heidel (Scann) que foi traduzido para o ptbr por Sheila Uberti e publicado no site da Casa da Cultura Digital Porto Alegre.

__ A Radios Libres é um projeto latino-americano que pretende ser um “espaço de formação e debate em torno das tecnologias livres e da cultura livre”. Nessa semana, entrevistaram a Loreto (Maka) Bravo de la Red de Radios Comunitarias y Software Libre y Palabra Radio, que explicou como o feminismo e as tecnologias livres são ferramentas que permitem lutar contra o patriarcado;

_ “Ciencia, Cyborgs y Mujeres: La Reinvención de la Naturaleza” é um livro de ensaios da antropóloga Donna Haraway. “O trabalho de Donna Haraway é uma verdadeira encruzilhada. Reúne diferentes disciplinas acadêmicas (Biologia, Antropologia, História), várias tecnologias (Fotografia, Manipulação Genética, Agricultura) e várias formas de construção de experiência (Turismo, Partidos Políticos). Seus ensaios são simultaneamente história da ciência, análise cultural, pesquisa feminista e posição política. Eles são escritos com a intenção de que aqueles que os abordem a partir de uma dessas perspectivas se encontrem caminhando pelos outros, já que nenhum deles é suficiente para capturar as nuances de textos polifônicos.”

Gracias a Sheila Uberti, Janaína Spode e outras várias mulheres que contribuírem para a lista, ainda em processo. Sabe de mais projetos? Nos escreva: info@baixacultura.org