O ano começa

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retorno

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É verdade que demorou mais do que esperávamos, mas a partir de amanhã voltaremos à programação normal do BaixaCultura.  Como Reuben explicou no post anterior, a ausência foi dada pela coincidência de viagens no mesmo período, algo não planejado mas também não discutido muito porque viagens, como se sabe, são necessárias e indispensáveis.

(Reuben já está em São Paulo, o que promete pautas mais interessantes pro BC, pelo óbvio e simples motivo de que em São Paulo as coisas – e principalmente as pessoas – acontecem e aparecem mais facilmente. E agora também teremos um correspondente na USP, o que de certo significará alguma coisa.)

Retornamos com o mesmo espírito de antes e um poquinho mais calejados da validade de nosso trabalho aqui, nem que seja válido somente para manter nossas mentes (e as de vocês) um pouco mais saudáveis e preparadas para o incerto futuro baixacultural que aguarda todos nós.

[Leonardo Foletto.]

Crédito imagem: Rosah Casanova

A culpa é da estrada

pincel-na-estrada

Foi uma coincidência que causou o sumiço geral dos editores do BaixaCultura na última semana: tanto eu quanto Leonardo estivemos (estamos, na real) no meio de longas viagens. Enquanto isso, Edson estuda pra passar na OAB e poder, de fato, garantir que ninguém aqui vai ser preso.

No caso de Leo, foram (são) dois destinos diferentes, sem garantia de acesso à internet. Vocês não sabem, mas o cara é um mochileiro. No meu caso, um só lugar e a soma de todos os transtornos (e todas as muitas e muitas alegrias) gerados por uma mudança de cidade. Inclusive um leve desaparecimento de tudo.

Em São Paulo, sem telefone e internet até agora, com o carnaval batendo à porta e sem notícias de meus dois comparsas, tudo indica que o BaixaCultura seguirá o fluxo das coisas e voltará a dar as caras apenas quando o ano enfim começar, no meio da próxima semana.

Cuidem-se todos, e até lá!

[Reuben da Cunha Rocha.]

Utilizando o RSS feed

Pode não parecer, mas essa parte do blog é bem legal
Pode não parecer, mas essa parte do blog é bem legal

A imagem que você vê aí em cima é dos links para o feed RSS do BaixaCultura. Muita gente sabe  como usar o RSS e não precisa de explicação para sacar que o Baixa Cultura também tem esse serviço; para esses, este post é só mais um lembrete, e pode terminar aqui.

Para outros tantos que podem estar se perguntando: “Que diabo é isso?”, esse post é para avisar  que o RSS trata-se de algo muito simples, que ajuda bastante o blog e facilita a vida dos leitores.

A Wikipédia é um poço de praticidade, nós já sabemos, mas só leia o que ela tem a dizer sobre RSS se você tiver saco e quer saber de todos os detalhes do negócio. Prometemos que nossa explicação logo abaixo é mais direta.

RSS é o sistema pelo qual se reúne o conteúdo de um determinado site, disponibilizando-o de forma prática em nossos navegadores ou agregadores. Por exemplo: você veio aqui no blog e gostou do que viu, mas com tanta coisa interessante na web, você acaba se esquecendo que ele existe e, portanto, nunca mais o acessa. Meses depois você vê alguém linkando um post do BaixaCultura e então pensa: “Putz! Eu tinha esquecido desse blog!“. Então, você resolve voltar lá e clica em um dos (ou nos dois) links de feed que estão em cima. Agora você terá uma espécie de botão no seu navegador que vai dar acesso atualizado a todos os posts ou comentários do blog. Ou, então, o RSS do BaixaCultura vai estar no seu agregador – recomendamos o Google Reader, mas existe uma série de opções para escolher – informando das últimas atualizações do blog.

rss

[Edson Andrade de Alencar. Leonardo Foletto]

Cópia boa, Cópia má – Ou o início

1.

Quando a certa altura do filme um funcionário da indústria fonográfica lamenta o fechamento de centenas de lojas de discos nos Estados Unidos como consequência da pirataria, é inevitável que minha memória dispare certeira praquele tempo de minha adolescência em que qualquer disco parecia raro e qualquer banda obscura, o que repercutia simetricamente no preço das iguarias que encontrávamos, eu e mais um punhado de moleques magros nas tardes quentes de São Luis.

A conclusão inevitável que retiro da memória é que esse e outros argumentos da indústria do entretenimento não são apenas falaciosos, mas solipsistas. Eles mascaram o problema do acesso com a histeria em torno da violação de direitos e do lucro indevido, sem nenhuma vergonha do anacronismo ademais antidemocrático (afinal, o acesso à cultura diz muito da qualidade de uma democracia) do tratamento dispensado a questões como a da cópia livre ou o sampler, essa técnica já secular.

Secular, pois é. Praticada na literatura desde Lautrèamont e, décadas depois, adotada por surrealistas, situacionistas, e uma pá de outros doidos defensores de que numa sociedade entupida de informação, a utilização de materiais pré-existentes pode ser bem mais subversiva do que produzir a partir dum vago princípio de originalidade.

Depois vieram dub, rap, hip hop, os soundsystems, respostas da periferia (econômica, mas também geográfica) ao caráter unidirecional da cultura pop. Respostas mais e mais ameaçadoras para a indústria à medida que a tecnologia digital se torna largamente acessível para qualquer um que queira produzir e compartilhar cultura. Nesse ponto, não apenas os modos de produção, mas também os de distribuição e consumo de produtos culturais necessitam de revisão.

A lógica industrial da cultura [a lógica cultural dominante ao longo do século 20] se baseia num esquema feroz de controle autoral (o copyright), mais ou menos feroz a depender do volume de grana envolvido [no Brasil, pelo menos, os contratos de edição de livro são bastante flexíveis se comparados aos acordos abusivos da indústria fonográfica]. Quando a tecnologia digital torna impossível esse controle, e aos lucros cada vez menores da indústria se equipara uma produção cultural descentralizada, diversificada e auto-gerenciada; quando a reação da indústria é uma dispendiosa campanha “contra a pirataria” por vezes redundando em leis ignorantes, é aí que o toque dado por Ronaldo Lemos em seu depoimento ao filme serve como uma luva: a sociedade é a grande concorrente da indústria.

A declaração de Ronaldo ganha força com o exemplo da produção cinematográfica nigeriana [que de tão fantástico merece outro post, uma série deles]. Um dos primeiros países a investir em cinema digital [é mais barato], a Nigéria produz mais filmes que os EUA e que a Índia. E, ao menos até a realização do documentário, isso tudo sem lei nenhuma de propriedade intelectual.

Ali, ou na contra-indústria tecnobrega de Belém do Pará, ou no trabalho criativo e criminoso [viva!] do dj Danger Mouse, ou em centenas de experiências que o BaixaCultura pretende cobrir, o que está em jogo é um tipo de organização que segundo os critérios de avaliação das velhas leis e dos homens-de-preto da indústria já nasceu pirata, e o incrível apego que esses mesmos homens nutrem por um modelo de indústria que existe há apenas um século, contra um monte de outros séculos de produção artística.

Hum. E talvez os dados já estejam até desatualizados, mais ainda assim pensar que nos últimos seis anos a indústria fonográfica perdeu 7 bilhõe$ de barões é mais do que animador, e confere um justificado senso de desobediência aos nossos queridos downloads.

2.

O donwload, a matéria-prima deste blog. Aqui a pauta é a rede como suporte e produtora de cultura, tanto faz se música, literatura, cinema, artes visuais, teatro, ou algum objeto não identificado, produtos virtuais que tenham a web como ponto de partida, passagem ou chegada. O ponto de vista é jornalístico, mas de um jornalismo aberto pro que ainda desconhecemos.

Este blog a princípio funciona em modo de teste, em todos os sentidos: pautas, formatos de texto, forma dos posts, categorias de links, fontes, imagens ou vídeos disponibilizados, BaixaCultura in progress, erros e acertos à vista.

[Reuben da Cunha Rocha. Leonardo Foletto.]