A curiosa história de um roteador adorado por hackers

Kai Hendry/Flickr

Texto publicado originalmente na Vice, por Ernie Smith, traduzido e adaptado livremente para o BaixaCultura.

Como um firmware licenciado em software livre transformou um roteador da Linksys num dispositivo lendário para hackers

Em um mundo onde nossos roteadores se parecem cada vez mais com aranhas de cabeça para baixo do que com coisas que você gostaria de ter em sua sala de estar, há apenas um punhado de roteadores que podem ser considerados “famosos”.

Os esforços de Steve Jobs para vender o AirPort – principalmente usando um bambolê durante uma demonstração do produto – definitivamente merecem destaque nesta categoria. Os roteadores mesh feitos pelo Eero, de propriedade da Amazon, provavelmente também.

Mas um certo roteador da Linksys, apesar de ter quase 20 anos, leva o prêmio principal de roteador “famoso” – e tudo por causa de um recurso que inicialmente não foi documentado e, depois, se mostrou extremamente popular em uma base de usuários específica.

Estamos falando do ícone azul e preto do acesso sem fio, o Linksys WRT54G, o roteador sem fio que mostrou ao mundo o que um roteador sem fio pode fazer.

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1988 foi o ano em que a Linksys foi formada por Janie e Victor Tsao, dois imigrantes taiwaneses nos Estados Unidos. De acordo com um perfil da Linksys na rede InC., a empresa começou como uma forma de conectar inventores com fabricantes no mercado taiwanês, mas logo mudou-se para o próprio negócio de hardware, no início dos anos 1990, chegando finalmente às então nascentes redes domésticas – um campo que, no início dos anos 2000, a Linksys passou a dominar.

Hoje, não costumamos parar muito para pensar quando precisamos comprar um roteador; você vai a uma loja (ou na internet) e compra um simples por a partir de R$100. Mas no final dos anos 1990 não era assim. O mercado de roteadores não estava no radar de muitas empresas de hardware porque a necessidade se limitava ao uso em escritórios, o que significava que instalar um roteador em casa era extremamente caro e estava fora do alcance de pessoas “normais”. É a oportunidade perfeita para um tipo de empresa não muito grandes para brincar com os “peixes grandes” do mercado.

Durante sua primeira década de existência, Janie e Victor Tsao aproveitaram essas oportunidades, usando as mudanças de mercado para ajudar a posicionar melhor seu hardware de rede. No início dos anos 90, o hardware Linksys ainda precisava vir com seus próprios drivers. Mas quando o Windows 95 da Microsoft apareceu, os drivers de conexão à rede vieram junto – e isso significava que uma grande barreira para a participação de mercado da Linksys repentinamente desapareceu da noite para o dia.

Com os modems dial-up em vias de sair, houve uma necessidade imediata. “À medida que o uso da Internet de banda larga doméstica começou a florescer no final dos anos 90, com custos muito mais altos do que para conexões dial-up, Victor percebeu que as pessoas iriam querer conectar todos os seus pequenos escritórios ou computadores domésticos a uma linha dessas”, disseram Janie e Victor na InC. “Para fazer isso, eles precisariam de um roteador, um divisor de cabos de alta tecnologia que permite que vários computadores se conectem a um único modem.”

As empresas com as quais a Linksys estava competindo estavam focadas em um mercado em que os roteadores custam quase tanto quanto um computador. Mas Victor encontrou o ponto ideal: um roteador de $ 199 que vinha com um software fácil de configurar e razoavelmente compreensível para meros mortais. E tinha o design distinto pelo qual a Linksys se tornou conhecida – uma mistura de plásticos azuis e preto, com uma série de minúsculas luzes LED na frente. Em uma análise do roteador EtherFast Cable / DSL, a PC Magazine observou que a Linksys fez muito mais do que o que era solicitado à época. “Um preço de US $ 200 seria uma inovação para um roteador de porta Ethernet dupla, mas a Linksys agregou ainda mais valor no pacote de 1,8 por 9,3 por 5,6 polegadas (HWD)”, escreveu Craig Ellison. O roteador, que podia lidar com velocidades de até 100 megabits, tinha quatro portas – e poderia, teoricamente, lidar com centenas de endereços IP. Talvez não fosse tão confiável quanto alguns de seus concorrentes mais caros, mas tinha um preço razoável para residências, o que o tornava uma proposta atraente para o mercado.

O resultado foi que o roteador se tornou um tremendo sucesso, que ajudou a Linksys ter participação de mercado muito maior que seus concorrentes. O sucesso chamou a atenção da Cisco, gigante do hardware de rede, que adquiriu a Linksys em 2003 por $500 milhões. A aquisição ocorreu em um momento em que a empresa criada por Janie e Victor estava ganhando meio bilhão de dólares por ano e crescia rapidamente no mundo, em grande parte devido ao sucesso de seus roteadores.

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Surgido relativamente no início da história do roteador sem fio, a série de roteadores WRT54G mostrou uma flexibilidade muito além do que seu criador pretendia para o dispositivo. Ele estava basicamente em toda parte, nas prateleiras de residências e em pequenos negócios ao redor do mundo. O WRT54G, apesar do nome assustador, era o roteador sem fio que as pessoas que precisavam de um primeiramente comprariam.

Mas a razão pela qual a série WRT54G resistiu por tanto tempo, apesar de usar um protocolo sem fio que se tornou obsoleto há 12 anos, pode se resumir a um recurso que inicialmente não estava documentado – e que apareceu em meio a todas as complicações de um grande fusão, como foi o caso da compra da empresa pela Cisco. Intencionalmente ou não, o WRT54G estava escondendo algo fundamental no firmware do roteador: um software baseado em Linux.

Isso era um problema porque significava que a Linksys seria obrigada a liberar o código-fonte de seu firmware sem fio sob a GNU General Public License, que exige a distribuição do software derivado nos mesmos termos do software que o inspirou. Andrew Miklas, um contribuidor da lista de e-mail do kernel do Linux, explicou que havia entrado em contato pessoalmente com um membro da equipe da empresa e confirmado que o software era baseado em Linux. “Eu sei que algumas empresas sem fio hesitam em lançar drivers de código aberto porque temem que seus hardwares possam ficar fora das especificações”, escreveu ele. “No entanto, se os drivers já foram escritos, haveria alguma razão técnica para que eles não pudessem ser simplesmente recompilados para o hardware Intel e lançados como módulos binários?”

Em uma coluna de 2005 para o Linux Insider, Heather J. Meeker, uma advogada focada em questões de propriedade intelectual e software de código aberto, escreveu que teria sido uma tarefa difícil para a Cisco descobrir o software livre por conta própria:

“A primeira lição desse caso é a dificuldade de fazer diligência suficiente no desenvolvimento de software em uma era de desintegração vertical. A Cisco nada sabia sobre o problema, apesar de provavelmente ter feito diligências de propriedade intelectual na Linksys antes de comprar a empresa. Mas, para confundir as coisas, a Linksys provavelmente também não sabia do problema, porque a Linksys estava comprando chipsets da Broadcom, e a Broadcom provavelmente também não sabia, porque, por sua vez, terceirizou o desenvolvimento do firmware do chipset para um desenvolvedor estrangeiro. Para descobrir o problema, a Cisco teria que fazer diligência em três níveis de integração de produto, que qualquer pessoa no comércio de fusões e aquisições pode dizer que é praticamente impossível.”

Bruce Perens, um “capitalista de risco” (venture capitalist), defensor do código aberto e ex-líder do projeto para a distribuição Debian Linux, disse à LinuxDevices que a Cisco não foi culpada pelo que aconteceu. “Os subcontratados em geral não estão fazendo o suficiente para informar os clientes sobre suas obrigações sob a GPL”, disse Perens.

No entanto, as informações sobre o roteador com o firmware de código aberto estavam lá, e a postagem de Mikas rapidamente ganhou atenção na comunidade de entusiastas. Uma postagem do Slashdot já indicava possibilidades: “Isso pode ser interessante: pode fornecer a possibilidade de construir um firmware de ponto de acesso super-legal com IPsec e suporte nativo a ipv6 etc etc, usando essas informações!” Cerca de um mês após a postagem no Slashdot, a Linksys lançou seu firmware de código aberto.

Jay Gooby/Flickr

Para os hackers, essa informação abriu um mundo de oportunidades. Desenvolvedores terceirizados rapidamente adicionaram recursos ao hardware original que nunca foram planejados. O WRT54G era essencialmente um roteador comum que, agora, poderia ser “hackeado” para emitir um sinal sem fio mais poderoso – em desacordo com a Comissão Federal de Comunicações – desenvolvido em um servidor SSH ou VPN para sua rede doméstica – ou, ainda, poderia ser transformado no cérebro de um robô. O WRT54G também provou ser a raiz de alguns firmware de código aberto úteis na forma de OpenWrt e Tomato, entre outros, o que significava que havia toda uma infraestrutura para ajudar a estender seu roteador além do que o fabricante queria que você fizesse. A Cisco foi compelida pela ameaça de ação legal para lançar o firmware baseado em Linux sob a licença GPL, mas, embora tenha ficado impressionada ao ver que o dispositivo estava sendo usado para objetivos muito mais além do que a caixa dizia, não o fez.

Como a Lifehacker disse em 2006, era a maneira perfeita de transformar seu roteador de $60 em um roteador de $600, o que, provavelmente, significava que estava custando dinheiro à Cisco ter um dispositivo tão bom no mercado. Como resultado, a empresa “atualizou” o roteador de uma forma que era efetivamente um downgrade, removendo o firmware baseado em Linux e substituindo-o por um equivalente proprietário, reduzindo assim a quantidade de RAM e armazenamento que o dispositivo usava, o que tornava difícil substituir o firmware por algo criado por terceiros.

Isso irritou os usuários finais, e a Cisco (aparentemente percebendo que havia estragado tudo) lançou uma versão Linux do roteador, o WRT54GL, que restaurou as especificações removidas. Esse é o modelo que você ainda pode encontrar na Amazon hoje e ainda mantém uma página de suporte no site da Linksys – e apesar de atingir o máximo de 54 megabits por segundo por meio sem fio, um número irrisório considerando o que roteadores modernos com o mesmo preço podem fazer , ainda está à venda. Toda a confusão sobre a GPL piorou anos depois que a supervisão do firmware foi descoberta pela primeira vez – a Cisco acabou pagando um acordo para a Free Software Foundation. Hoje, a empresa vende uma linha inteira de roteadores preto e azul que mantêm suporte para firmware de código aberto. (Eles custam muito mais do que o WRT54G jamais custou.)

“Queremos que este livro expanda o público da plataforma WRT54G e o uso de dispositivos incorporados como um todo, revelando o potencial que esta plataforma tem a oferecer.”

Essa é uma passagem da introdução de “Linksys WRT54G Ultimate Hacking” de 2007, um livro que explora o fato do WRT54G ser um sistema embarcado que pode ser hackeado e usado de várias maneiras, tanto usos práticos quanto por pura diversão. A maioria das pessoas que comprou uma variante do WRT54G na Best Buy provavelmente não se importou que o firmware fosse de código aberto. Mas este fato criou uma espécie de culto em torno do dispositivo, tornando-o hackeável e capaz de fazer mais coisas do que se imaginaria – hackear este dispositivo se tornou tão comum que existe um livro inteiro de 400 páginas dedicado a isso.

Um texto do Ars Technica de 2016 revelou que o roteador, na época, ainda ganhava milhões de dólares por ano para a Linksys, que naquela época já havia sido vendido para a Belkin. Apesar de não ser nem de longe tão poderoso quanto as opções mais caras, o WRT54GL – sim, especificamente aquele com Linux – manteve seu público em sua segunda década porque foi percebido como sendo extremamente confiável e fácil de usar. “Vamos continuar a construí-lo porque as pessoas continuam comprando”, disse na época o gerente de produtos globais da Linksys, Vince La Duca, afirmando que o fator que mantinha o roteador à venda era que as peças continuavam a ser fabricadas.

Apesar de sua idade, o roteador continuou a vender bem por anos após sua data de validade e continua, ainda hoje, sendo amado por muitos hackers – em grande parte devido à sua dependência de drivers de código aberto. Se a sua base de usuários está dizendo para você se manter fiel a algo, continue.

Jornadas de ciência e tecnologia abertas no sul global

Ao longo dos quase 10 anos de BaixaCultura, sempre tivemos algumas colaborações de pessoas, próximas ou não, que se interessam pelas pautas que aqui falamos e buscam trazer para cá seus pontos de vista. Basta, por exemplo, buscar no arquivo textos do André Solnik, Luís Eduardo Tavares, da Aracele Torres, da Daiane Hemerich, entre outrxs, para ver que trazer textos e perspectivas que não somente a nossa aqui oxigena um pouco o espaço. E, também, apresenta olhares para temáticas não tao abordadas aqui não por falta de interesse, mas por questões de tempo e conhecimento do tema em questão.

É o caso desse relato aqui, escrito por Marina de Freitas, engenheira física recém formada pela UFRGS. Natural de Santo Ângelo, na região das missões, noroeste do RS, Marina se aproximou da ciência cidadã e do hardware aberto a partir de sua participação no Centro de Tecnologia da UFRGS (CTA, na foto acima; Marina é a com a guitarra vermelha), espaço muito ativo e interessante de aprendizado em tecnologias abertas localizado no Instituto de Física da universidade, no Campus do Vale, Porto Alegre quase Viamão (cidade da região metropolitana). No último FISL, em meados de julho de 2018, conversamos sobre o evento em que ela participaria em Santiago, as Jornadas Latinoamericanas de Estudios Sociales de la Ciencia y la Tecnología, e falamos sobre biohacking, hardware aberto e o que ela estava esperando encontrar no Chile. Daí saiu a vontade de escrever um relato sobre as jornadas, que cobre uma temática que, vocês vão ver, se relaciona muito com o que falamos aqui, embora não seja um tema tão frequente pela falta de conhecimento (e tempo) desse editor que aqui escreve e das pessoas mais próximas do Baixa. Quem sabe não abrimos um flanco aqui para falar mais de ciência aberta, open hardware e biohacking? Confira o relato de Marina logo abaixo.

Leonardo Foletto, editor

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O ESOCITE caiu em meus colos de surpresa. As Jornadas Latinoamericanas de Estudios Sociales de la Ciencia y la Tecnología (ESOCITE) estão na sua 12° edição e ocorrem desde 1995. Mas, para mim, uma novidade. Este ano foi sediada em Santiago do Chile, com o pertinente tema “Ciudadanías del conocimiento: nuevas formas y tensiones en el hacer y pensar la ciencia, la tecnología y la sociedad.”.

Durante os dias 18, 19 e 20 de Julho se reuniram na Facultad de Ciencias Sociales da Universidad de Chile pesquisadoras, ativistas, professoras e engenheiras para discutir e refletir sobre as mudanças nas arquiteturas e políticas de ciência, tecnologia e inovação, sobre as novas formas de ação cidadã e suas interpelações na ciência, sobre a nova demanda de construção de conhecimento fora das instituições tradicionais e necessidade de uma maior resposta aos aos problemas cidadãos e demandas sociais.

Foram 34 seções, com mais de 120 trabalhos apresentados, que discutiram a educação de ciência e tecnologia, a educação rural, as controvérsias tecnocientíficas, o futuro das cidades inteligentes, as ações de engenharia social e anti-hegemônica, passando pela biotecnologia, a nanotecnologia, a agroecologia, a saúde pública e o ativismo, sem excluir a história da ciência e tecnologia na América Latina, e culminando no acesso aberto e ciência aberta.

Não passou despercebido nesta história toda as marcas das Tomas Feministas, mais um elemento da Onda Feminista na América Latina. O espaço em que ocorreu a jornada, a Facultad de Ciencias Sociales da Universidad de Chile, esteve ocupada durante 3 meses por estudantes feministas que protestavam contra o assédio sexual na universidade e em defesa de uma educação não-sexista. Finalizadas no início de Julho, cartazes, pinturas e intervenções feministas preenchiam o espaço, impossíveis de não serem vistas. É neste clima energizante, que vivenciei esta jornada.

Que somos colônias, sabemos, mas me chamou atenção a fala da pesquisadora Lea Velho, na abertura do evento. Nos contou – como se estivéssemos todas em volta do fogo – sobre o “bem sucedido” caso de cooperação internacional da Estação Ecológica de Maracá, quando, apesar dos acordos firmados, os artigos publicados foram muito mais numerosos para os pesquisadores franceses, do que para os brasileiros. Revela como a internacionalização da produção científica da América Latina tem se resumido ao padrão colonial de exploração onde nós não fazemos parte do fazer ciência, apenas fornecemos dados. Ao contrário, gostaríamos que uma internacionalização da produção cientifica Latina levasse ao aumento na diversidade do pensar científico, contribuindo para a pluralidade de perspectivas e visões. Mas o que tem se visto é apenas uma sofisticação nos mecanismos de exploração. Sem muitas surpresas, o que não significa que não dói.

Nós, cientistas e tecnólogos, estamos sempre buscando argumentos para a pergunta “Por que ciência e tecnologia são importantes para as pessoas?”. O pesquisador Irlan Van Linsingen propôs uma sútil mudança nesta pergunta: que tal “De qual ciência e tecnologia necessitam as pessoas?”. Esta mudança de perspectiva dialoga diretamente com a descolonização da ciência e tecnologia. Enquanto produzimos o conhecimento (e os dados) que os gringos querem importar, nos motivando nas motivações deles, viramos as costas para nossa gente e para suas necessidades.

O pesquisador Mariano Fressoli conectou tudo isso a ciência cidadã através do exemplo da Rhizomática, rede telefônica comunitária de Oaxaca, México. Redes essas construídas a partir da necessidade de uma comunidade, e não da necessidade de mercado de uma empresa, ou de pesquisa de uma instituição. Redes telefônicas auto-governadas, sem fins-lucrativos, sem-besteira. A conexão, no ESOCITE, foi reforçada institucionalmente pelas duas oficinas oferecidas: Oficina Ciencia Ciudadana e Open Knowledge Map. Ambas apontando a direção que caminham os debates sobre ciência, tecnologia e sociedade.

Sumário do Gosh Roadmap

Na sessão “Acesso Aberto e Ciência Aberto”, uma surpresa: a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) possui um grupo de trabalho de ciência aberta. A FIOCRUZ é uma das grandes instituições de pesquisa em saúde do Brasil, e o fato de possuírem um grupo de trabalho de ciência aberta indica um caminho promissor no Brasil para esta ciência. Não bastando, lançaram um livro sobre Ciência Aberta e Dados Abertos, intitulado “Livro Verde – Ciência Aberta e Dados Abertos: Mapeamento e Análise de Políticas, Infraestruturas e Estratégias em Perspectiva Nacional e Internacional”. Só felicidade!

Também marcou presença nesta sessão a comunidade do Global Open Science Hardware (GOSH) [openhardware.science], representada por eu mesma. Apresentei o GOSH Roadmap, o roteiro guia da comunidade de cientistas, artistas, engenheiras e pesquisadoras que desenvolvem e usam hardware aberto para ciência. Este documento foi escrito colaborativamente pela comunidade, e traz os passos que acreditamos ser necessários para que o Open Science Hardware (Hardware Científico Aberto) esteja difundido, a nível global, até 2025. Apesar de estar numa sessão repleta de pessoas acostumadas com a ciência aberta e dados abertos, a reflexão sobre a necessidade de que os instrumentos científicos sejam também livres e abertos foi uma novidade. Uma novidade muito bem recebida e acolhida.

A importância de considerar a territorialidade tanto na educação, quanto na própria produção de ciência e tecnologia se mostraram evidentes nos trabalhos compartilhados ao longo da Jornada. As relações, diretas e indiretas, com a ciência cidadã e ciência aberta despontavam aqui e ali, permeadas de ativismo, preocupação e esperança. As Jornadas terminaram, mas fica a vontade de produzir uma ciência aberta imersa numa cultura livre.

Marina de Freitas

Fotos: 1 (CTA), 2 (twitter), 3, 4, 5 (Marina) e 6 (gosh)