Notícias do Front Baixacultural (21)

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Imprensa repercurte ato contra o AI-5 digital (Trezentos, 17/05)

Clipping do clipping: a repercussão do protesto contra o projeto de lei do senador Azeredo em alguns jornais on-line brasileiros, dentre eles a Folha Online (Ato contra “Lei Azeredo” reúne 300 pessoas na Assembleia de SP), o IDG Now Tarso Genro critica e prega texto alternativo para lei de crimes digitais ) e o BOL( Suplicy apoia novo texto para “Lei Azeredo”). Como pode-se notar, cada um dando ênfase a um personagem diferente da história.

Em tempo: Acho um tanto equivocado usar o termo”AI-5″ digital para se referir ao projeto de lei do Senador Azeredo. Todos temos alguma noção de que o projeto de lei seja arbitrário, ditatorial e ridículo, mas é forçar um pouco trazer  o famigerado “Ato Institucional nº5” para a comparação, pelo simples motivo de que não é recomendável tirar um elemento de um contexto e colocar em outro completamente diferente. Entendo a ideia de chamar atenção para a situação, mas dá para fazer isso sem precisar buscar elementos tão controversos do passado, não?

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França aprova projeto que desconecta quem faz download ilegal (G1 tecnologia/Reuters, 12/05)

Foi amplamente divulgado e discutido a aprovação de um projeto de lei que permite desativar as conexões de internet daqueles que forem pegos repetidamente fazendo download ilegal de filmes e música. Nós já tinhamos falado desse projeto quando ele tinha sido, inicialmente, rechaçado na França. Mas ele voltou e foi aprovado primeiro pela Assembléia Legislativa da França por 296 votos a 233, e no dia seguinte pelo Senado francês por 189 votos a favor, 14 contra e 109 abstenções, sem nenhuma alteração.

De acordo com o projeto de lei francês, que conta também com apoio da ministra da cultura Christine Albanel, os acusados de pirataria on-line receberão dois e-mails, seguidos de uma notificação oficial. Se os downloads ilegais continuarem a ser feitos pelos infratores dentro de um período de um ano após os avisos, o acesso à internet dessas pessoas será cortado por um período que vai de dois meses a um ano. Mas o mais grave de tudo é que os punidos deverão continuar a pagar pela manutenção do serviço, mesmo durante esse período de inatividade.

Quem será encarregado da burocracia de avisos e suspensões ao usuário é o orgão HADOPI (“Alta Autoridad Para la Difusión de Obras y la Protección de Derechos en Internet“) que vai ser criado exclusivamente pare este fim. Segundo nos conta o sempre atualizado Remixtures, a coisa ainda não está liquidada: o deputado do parlamento Europeu Guy Bono, ligado ao partido socialista, já prometeu solicitar à Comissão Europeia que instaure um procedimento por infracção contra o governo francês por desrespeito do direito comunitário. Quem também manifestou o seu descontentamento para com a lei para com o governo foi a Comissão Nacional da Informática e da Liberdade (CNIL). Na opinião desta entidade, a HADOPI implicar na prática a monitorização extensiva dos internautas sem que uma autoridade judicial seja chamada a intervir antes da aplicação de qualquer sanção contra os internautas identificados pelos seus endereços IPs.

A discussão continua, e o mundo acompanha atento porque um precedente deste tipo pode “incentivar” projetos parecidos em outros países, inclusive no Brasil. Para uma cobertura aprofundada do caso, recomendo o  Remixtures em português, o El País em espanhol, o Accueil – La Quadrature du Net em inglês e francês, e o Framablog só em francês – este, inclusive, pegou uma declaração do nosso velho conhecido Richard Stallman resumindo o caso e que vale a pena ser transcrita aqui:

“The French national assembly voted for a law to give the media companies the power to cut off people’s internet connections on mere accusation.The same law will also require people to install non-free software in order to make their networks “secure”.

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Família acusada de pirataria faz acordo de US$7 mil com gravadoras (G1 Tecnologia, 29/04)

Essa também não é nova, mas vale pela representatividade da coisa: a indústria fonográfica aceitou US$ 7 mil para encerrar um processo (que durou quatro anos) de pirataria musical aberto contra Patricia Santangelo, 46 anos, que foi acusada de baixar e distribuir música “ilegal” na web. O engraçado é que ela alega que nunca realizou qualquer tipo de download, pelo motivo de que não sabia como fazê-lo; quem provavelmente baixou e distribuiu mais de 1 mil músicas –  incluindo “MMMBop”, dos Hanson, e “Beat It”, de Michael Jackson – foram seus dois filhos, Michelle e Robert, que quando o processo começou tinham 20 e 16 anos, respectivamente.

Segundo os termos para encerrar o caso, que está no tribunal de White Plains, a família terá de pagar US$ 7 mil. Eles já deram quase metade da quantia no dia 20 de abril e farão mais seis pagamentos de US$ 583,33 até outubro. O advogado afirmou que a família aceitou o acordo para “controlar custos”, pois agora alguns filhos estão na faculdade.

Este trecho da matéria chega a ser bizarro. A ânsia de lucrar das gravadoras chega ao ponto de processar uma simples família e fazê-la pagar uma dívida em 6 parcelas (!), justamente no momento em que ela junta dinheiro para pagar as caríssimas universidades americanas para seus membros mais jovens.

“Estamos satisfeitos em ter chegado a um acordo com os Santangelos”, disse Cara Duckworth, porta-voz da RIAA. De acordo com ela, o processo obteve sucesso em mostrar as consequências para aqueles que quebram as regras, além de levar os fãs de música para os serviços on-line legalizados, “que compensam de maneira justa os músicos e gravadoras”.

Se o outro trecho é bizarro, esse é nojento, principalmente pela barbaridade dita na última frase.

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Pirataria [digital] chega à literatura [de uma vez por todas] (dia a dia, bit a bit, 13/05)

O sempre bem informado Sílvio Meira pega o recente lançamento do Kindle – aquela telinha pra visualizar ebooks/jornais on-line que que provavelmente você ouviu falar na última semana – para tratar da pirataria de livros na rede, e do começo do fim do que conhecemos como a indústria do livro.  Diferente da indústria musical, falida e fadada ao desaparecimento já há alguns anos, o suporte físico clássico dos livros, o papel, vem resistindo bravamente às novas tecnologias. Porque, afinal de contas, livro é livro, um troço difícil de se preterir em relação à uma fria tela de cristal líquido.

Mas Meira acredita ser bem possível que o kindle, o e-paper colorido, flexível, de alta resolução e brilho, e os serviços de compartilhamento de “livros”  e documentos tipo slideshare.net, wattpad.com e scribd.com – isso sem falar nos milhões de livros compartilhados via torrent – sejam o começo do fim do que conhecemos como a indústria do livro. Será?

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[Leonardo Foletto.]

Notícias do Front Baixacultural (20)

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(Duas notas grandes sobre o mais onipresente tema baixacultural dos últimos tempos e uma nota curta que tende a se tornar cada vez mais frequente por aqui)

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Internautas criam “Google Pirata” para compartilhar arquivos na rede (Folha Online, 24/04)

Uma das estratégias utilizadas pela defesa do caso Pirate Bay foi a de que ele não passava de um motor de pesquisa de torrents que encaminhava os usuários para os materiais protegidos por copyright. Funcionava basicamente como o Google, é o que defendiam. Pois bem: como forma de protestar contra a decisão da Justiça sueca, um grupo de apoiadores do Pirate Bay resolveu criar o The Pirate Google.  Basicamente, ele permite encontrar ficheiros torrent a partir do motor de pesquisa do Google, utilizando o Google Custom Search Engine, de pesquisas personalizadas, para filtrar os resultados, dando destaque aos torrents. Funciona da mesma forma que qualquer um pode fazer colocando um nome qualquer de arquivo e ao lado incluísse a palavrinha mágica “torrent”.

“O site foi criado em apoio a uma internet aberta, neutra e justa para todos, sem levar em conta a posição política e financeira”, afirma o texto de apresentação do site, que não identifica seus criadores. Obviamente que o site nada tem a ver com o Google, mas ainda assim a empresa resolveu se manifestar sobre o assunto. E assim o fez de uma forma um tanto estranha: através de um post no blog do Google Itália (!), como nos informa o Remixtures, onde comentam as diferenças do Google para o Pirate Bay e explicitam os ditos “pecados” dos suecos. Dois dos pontos abordados:

  1. O Google indexa todos os dados online e todo o tipo de ficheiros ao passo que o Pirate Bay se limita a indexar ficheiros torrent.
  2. O Google disponibiliza ferramentas que permitem assinalar e remover os conteúdos em violação dos direitos de autor enquanto que os “piratas” suecos sempre se vangloriaram em ridicularizar as ameaças legais enviadas pelos advogados das grandes editoras e estúdios de cinema de Hollywood ao abrigo da lei norte-americana DMCA.

O Remixtures, no post linkado acima, traz mais detalhes dos argumentos do Google explicitados no post.

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Pirate Google  e o “Ibope” do Pirate Bay (Trezentos, 28/04)

O ótimo blog coletivo Trezentos, um dos que está ali abaixo na sessão Parcerias, publicou uma interessante análise da veiculação na mídia dos resultados do caso Pirate Bay. Maíra, a autora do post, fez uma pesquisa informal em sites de jornais importantes de países – como Brasil, EUA, França e Inglaterra – sobre como andavam as notícias sobre o caso. Para isso, procurou pelas palavras “Pirate Bay” no espaço de busca interna de cada site.

Aos resultados: no Brasil, o site pesquisado foi a Folha de São Paulo, que apresentou 20 resultados para a pesquisa só no último mês. Mesmo falando de ambos pontos de vista (contrário e favorável à decisao do julgamento), Maíra concluiu que a maioria delas tende para a defesa ou o bom lado do compartilhamento. No francês Le Monde, “poucos artigos (6), falam de ambos lados mas os contrários ao compartilhamento tendem a ser um pouco mais rebuscados. Os a favor, um tanto sumários“, nas palavras da blogueira.

No Clarín, da Argentina, “só o básico do básico. A título de informação mesmo” – 4 artigos. Na BBC News, da Inglaterra,tem bastante informação com ênfase na condenação “justa” do Pirate Bay e repúdio ao livre compartilhamento. Entevistam artistas que culpam o P2P e desconhecem notícias de juízes amigos de indústrias, entre outras” – 13 resultados. No NY Times, 7 resultados condenando o pessoal do Pirate Bay veementemente.

No El País, da Espanha,Muitas matérias (13) , muito a favor. Muito próximo da opinião brasileira, talvez até mais a favor”. No belga Le Soir, 9 resultados, “uma tendência ao apenas informativo com uma maioria de matérias contra o compartilhamento de arquivos”.

A pesquisa se restringe à estes 7 países, mas já dá uma boa amostra de a quantas andam a repercurssão do caso. Para nós brasileiros, não deixa de ser surpreendente saber que o principal jornal do país noticia com bastante frequência o caso Pirate Bay,  dando um enquadramento até mesmo favorável aos suecos.

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Coldplay vai permitir download gratuito de seu novo cd (Blog do Gjol, 1/05)

Mais um que entra na (inevitável) onda: o Coldplay lançará seu próximo disco, sugestivamente chamado ‘LeftRightLeftRightLeft‘, para download gratuito no próximo dia 15 de maio. Diz a banda que o disco é um ‘presente de gratidão’ para todos que compraram os discos do Coldplay mesmo em tempos de crise. Em tempo: o disco é ao vivo.

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[Leonardo Foletto.]

Crédito fotos: World War II Photos

Os caça-piratas

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O BaixaCultura não tem reproduzido na íntegra matérias jornalísticas, mais por costume do que por qualquer outro motivo. Normalmente, acrescentamos alguns tópicos, tiramos outros, colocamos mais uns links, tiramos outros, enfim, damos uma editada, por mínima que seja. É o que costumamos fazer no Notícias do Front Baixacultural toda semana, por exemplo.

Mas às vezes somos dados a abrir exceções, e aqui é um caso, porque a matéria reproduzida abaixo é perturbadora, incomoda e coloca uma ponta de raiva nos mais pacífico dos seres que discutem a tal da “Cultura Livre”. É o tipo de coisa que deve ser divulgada amplamente, não importando a forma, para que todos  saibam a que ponto chega o desespero por $$ do ser humano.

Trata-se de uma matéria publicada na Folha Online, escrita pelo editor de informática Diógenes Muniz. Fala de como funciona o esquadrão Anti-Pirataria montado pela APCM e comandado pelo nosso velho conhecido Antonio Borges Filho, Delegado aposentado da Polícia Federal amante de Mercedes (!), que tem saudade dos tempos de polícia, quando podia prender muito mais do que hoje, como ponta-de-lança do Esquadrão. Vou chamar atenção para alguns trechos, comentar algumas coisas e colocar alguns links em outros, mas o texto é a íntegra do que foi publicado na Folha Online, na última quarta-feira 22 de abril.

Vamos a ela:

Saiba como age o esquadrão caça-pirata da internet brasileira

Toda segunda-feira, às 10h, um grupo com meia dúzia de pessoas se encontra em uma sala do edifício Triunfo, na região da av. Paulista, [Localize o edifício no mapinha aqui] para definir as metas de uma cruzada que parece estar cada vez mais longe de um desfecho vitorioso: o combate à pirataria. Com café e roscas à disposição no centro de uma mesa retangular, começa mais uma reunião da APCM (Associação Antipirataria de Cinema e Música), entidade que defende os interesses dos grandes estúdios e gravadoras junto às autoridades policiais e judiciais do país e que, por conta disso, tornou-se a maior vilã da internet brasileira desde a modelo Daniella Cicarelli, responsável por tirar do ar o YouTube em 2007.

Funcionários dos setores de comunicação, “denúncias”, jurídico, financeiro, operacional e segurança on-line debatem a pauta do mês sob a sabatina do diretor-executivo, Antonio Borges Filho. Os tópicos são expostos rapidamente. Em 15 minutos, tudo já foi discutido: distribuição de material de treinamento para polícia, destruição de mídias piratas, divulgação de apreensões para a imprensa, contatos com delegacias, cerco às jukebox ilegais e o fim da comunidade “Discografias”, do Orkut.

“[Março] foi um mês bastante produtivo”, avalia o analista de segurança da informação Bruno Tarelov, responsável pelo combate à pirataria on-line na entidade. Borges Filho, um delegado da Polícia Federal aposentado, 58 anos, sotaque de Juiz de Fora (MG), concorda com o subordinado. Diz estar de bom humor e arrisca uma piada: “Sabe como estão chamando a APCM agora? Associação dos Parasitas do Cinema e da Música.” Todos riem.

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“É bom”, retoma Borges, “isso mostra que estamos fazendo nosso trabalho direito. Estamos conseguindo incomodar bastante gente“. No primeiro trimestre deste ano, a APCM incomodou mais de 1 milhão de pessoas após a comunidade “Discografias”, a maior do Orkut para troca de músicas, sair do ar. Em fevereiro, outros milhares se revoltaram com o fechamento de sites que distribuíam legendas de filmes e séries na rede. Em resposta, surgiram na web um abaixo-assinado (27 mil adesões), um fórum denominado “Odeio a APCM” (15 mil integrantes) e um filhote da comunidade abatida (“Discografias – O Retorno!”, com cerca de 180 mil membros).

A reunião termina, as risadas continuam. O alvo agora é um protesto virtual ocorrido em 1º de abril, no qual internautas trocaram de forma simultânea as fotos de seus perfis no Orkut pelo símbolo da associação – marcado por uma tarja vermelha [como na imagem abaixo]

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Fora da sala, cinco pôsteres enfeitam as paredes do QG da associação: NXZero, Ivete Sangalo, Cláudia Leitte e Metallica. O quinto cartaz não mostra uma banda. “SEQUESTRO – Comprando DVD pirata você financia o crime organizado”, lê-se, num quadro em que um garoto loiro é arrastado pelos braços para dentro de um parque escuro.

[Precisamos deste cartaz para colocar em nossa coleção de cartazes sobre “pirataria”]

APCM, Rota, Deic

A “Discografias” parou de funcionar em março deste ano. Sem sair do anonimato, os responsáveis pelo gerenciamento da comunidade alegaram terem sido ameaçados pela APCM –que nega ter feito “ameaças”, embora confirme notificações diárias ao Google acerca do conteúdo do fórum. Em fevereiro, o órgão pediu (e conseguiu, junto a um datacenter) a retirada do ar dos sites Legendas.TV, legendando.com.br e insubs.com, todos responsáveis por disponibilizar traduções de seriados estrangeiros para o público brasileiro. Em abril, foi a vez do SeriesBR rodar -a página fornecia downloads de seriados.

[O e-mail mandado pela APCM ao datacenter do Legendas TV é uma boa amostra do funcionamento  “atropelativo” da entidade]

Na semana em que a APCM derrubou os sites de legendas, no começo de fevereiro, a própria página da associação virou um flanco dessa batalha, sendo invadida (“Viva os downloads!” comemoravam os hackers na home-page) e tirada do ar logo em seguida. Três dias depois, o endereço APCM.org.br atingia 4,5 mil visitas em apenas 24 horas –a média mensal era de 2,5 mil.

Após esse episódio, a empresa destacou uma pessoa para cuidar especificamente da segurança de seu site. “Está bem mais reforçado. Com monitoramento mais constante, vai ser difícil sua derrubada”, desafia Borges.

[Alguém duvida de que haverá uma nova invasão, mesmo com este reforço?]

Com a reclamação dos funcionários de que suas caixas de e-mail estão entupidas com recados de protesto, o órgão também planeja mudar seus domínios de correios eletrônicos, o que já aconteceu com o telefone da entidade. Mesmo sem divulgá-lo, receberam ligações enfurecidas.

[O telefone que recebeu as tais ligações foi o (11) 3061-1990 e o e- mail anti-piracy@apcm.org.br. Acredito que não estejam mais em atividade, mas quem quiser testar sinta-se à vontade]

Com aparato concentrado principalmente em São Paulo, mas atuação em todo território nacional, a APCM possui 30 funcionários. Entre seus agentes estão ex-policiais da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) e do Deic (Departamento de Investigações sobre Crime Organizado). Eles são responsáveis pelo serviço de inteligência, ou seja, procuram nas ruas e na web casos de violação aos direitos autorais. Ao todo, são quatro agentes em São Paulo; outros Estados têm um cada (Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Santa Catarina e Minas Gerais).

Além do trabalho de investigação, a associação recebe denúncias, ajuda a polícia nas apreensões e acompanha processos para saber se os infratores foram condenados. Dão a isso o nome de “suporte logístico”.

Quando necessário, são convocados “free-lancers” para manobras braçais (jogar CDs e DVDs dentro de sacolas na hora do “rapa”, por exemplo). A entidade fornece toda a infraestrutura necessária para a polícia chegar aos supostos piratas. Há, por exemplo, um galpão mantido pela entidade na Grande SP de 3.500 m² com 20 milhões de CDs e DVDs piratas. A APCM é fiel depositária de toda a muamba, deixando-a à disposição da Justiça.

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A ajuda também pode ocorrer em menor escala. É famosa nos corredores da associação a história –confirmada pelo próprio diretor-executivo– de uma delegacia que não tinha sequer tinta na impressora para produzir um Boletim de Ocorrência sobre uma violação de direitos autorais. A APCM resolveu o caso fornecendo o cartucho para a impressora da polícia.

A parte mais impopular da associação, de enfrentamento na internet, conta com seis funcionários. Além do coordenador, Bruno Tarelov, são cinco jovens (todos entre 20 e 30 anos) vindos das áreas de ciência da computação ou sistema de informações.

[Bruno Tarelov costumava atender no e-mail que tinha na APCM, btarelov@apcm.org.br, mas não deve mais fazer isso hoje.]

À primeira vista (camisetas, jeans, tênis, cabelos espetados), é mais fácil supor serem moderadores da “Discografias” do que legalistas da indústria do entretenimento. Eles rastreiam links que abrigam material para download sem o devido pagamento de direitos autorais.

A busca pode ser feita de forma automatizada ou “no braço”, entrando em cada blog, comunidade ou fórum dedicado a entretenimento. O programa utilizado para derrubar esses links é o Robo (assim mesmo, sem acento), produzido pela empresa dinamarquesa Kapow. Segundo o site oficial, a companhia fornece serviço de captura de informação agregada, “tanto pública quanto privada”.

[Opa, peraí: como assim tanto pública quanto privada? Até parece que tudo é a mesma coisa.]

O software promove uma varredura, destacando o que a APCM quer encontrar (no caso, links que levem ao download de músicas e filmes). Seu verdadeiro trunfo é descobrir até mesmo os conteúdos escondidos em cyberlockers (armários virtuais como o Rapidshare, em que é possível armazenar volumes enormes de arquivos para downloads).

Saudades

Adoro carros Mercedes, mas, quando vejo um modelo desses na rua, não posso pegar para mim. Não tenho dinheiro para comprá-lo. Agora, qual é a diferença entre pegar para si um bem material e um bem imaterial?”, questiona o diretor-executivo da APCM, Antonio Borges Filho . [o homem da foto abaixo]

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É esse exemplo que Dr. Borges, como é chamado pelos funcionários, escolhe para começar sua conversa no fim da visita da reportagem à APCM. Sua sala é adornada com referências policiais, como bonés do FBI (polícia federal norte-americana), da DEA (Drug Enforcement Administration, a agência antidrogas dos EUA) e do DPF (Departamento da Polícia Federal). Um isqueiro cromado, no formato de revólver, enfeita a prateleira ao lado da porta.

Ele prossegue discursando sobre sua marca de automóveis favorita. “Na verdade, já tive um Mercedes 94.” Acende um cigarro. “Mas me dava muito trabalho aquele carro.”

[Imaginaram a cena? Dr. Borges, com seu boné do FBI, fumando um cigarrito, em sua sala com quadros de Academias de Polícia da vida, dizendo que “tive um Mercedes, mas dava muito trabalho aquele carro”.]

Borges participou da maior apreensão de cocaína da história da PF, realizada em junho de 1994, em Tocantins. Foram sete toneladas de coca pura. Advogado, bacharel em Ciências Contábeis, gosta de assistir a filmes policias e de suspense. “Não quero que você coloque isso [da apreensão de cocaína]. Podem achar que quero me prevalecer do fato de ter feito parte da PF, que é algo que nunca fiz.”

[Capaz Doutor Borges, o senhor, tão correto que é, jamais vai se prevalecer do fato de ter feito parte da PF. Ninguém tá pensando nisso, ok?]

O delegado aposentado trabalhou por duas décadas na PF. Está desde 2006 no combate à violação dos direitos autorais, quando começou a prestar serviços para a extinta Apdif (Associação Protetora dos Direitos Intelectuais Fonográficos).

Para falar sobre os temas espinhosos que cercam sua função, o diretor-executivo da APCM prefere metáforas. Critica, por exemplo, a contumaz desobediência às regras nos aeroportos, onde os passageiros desrespeitam o aviso de não ligar o celular no avião (“é como se pedissem para todos ligarem ao mesmo tempo!”).

As pessoas não têm essa conscientização de respeito às normas. Às vezes, é preciso a repressão para que a coletividade entenda que tem de respeitar“, explica. Quando o assunto é o preço dos bens culturais ao consumidor final, diz que “adoraria que tudo fosse grátis”. “Mas, infelizmente, não é assim que funciona.”

No fim da conversa, Borges diz acreditar “na causa” da APCM. “Tenho um cunhado que, quando me mostra esses filmes aí [piratas], eu já falo: ‘se você não tirar isso aí de dentro eu vou ter que apagar'”, relata.

[Alô cunhadão, cuidado com o Doutor. Se você quiser ripar um cdzinho teu pro PC, te cuida que até isso ele vai querer, hein]

Questionado sobre o que é mais difícil –trabalhar na APCM ou na PF–, abre um sorriso e responde na mesma velocidade com que um tira saca a arma do coldre: “A APCM é mais difícil.” Sua voz ganha um tom nostálgico: “Tenho saudades da polícia. Tenho saudades de prender”.

[Leonardo Foletto.]

Créditos imagens: Beatriz Toledo/Folha Imagem e arte Folha de São Paulo

Notícias do Front Baixacultural (19)

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Como verás nos textos abaixo, o caso The Pirate Bay foi o assunto da semana na área de cobertura do BaixaCultura:

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Criadores do Pirate Bay teriam pena maior se estivessem no Brasil, diz advogado (IDG Now, 17/04)

A decisão do caso Pirate Bay ainda repercute, e não poderia deixar de ser. O IDG Now ouviu especialistas dos dois lados da questão aqui no Brasil e fez duas matérias, cada qual com uma opinião sobre o assunto. Para o advogado Renato Opice Blum, da Blum advogados, que já apareceu neste blog na cobertura da Campus Party, considerou  “a pena baixa, pela quantidade de obras (que tiveram seus direitos autorais infringidos)”. Diz ele que a lei brasileira prevê pena mínima de dois anos de detenção para os condenados por “infração por contribuição”.

Representante máximo do que nós do BC não apoiamos, ele ainda afirma, na cara de pau lustrada a óleos e mais óleos pagos pelas gravadoras e assemelhados, que ” decisões como essa são importantes para que a sociedade aprenda a lidar “com uma nova realidade de costumes tecnológicos”. “Vai haver maior acesso (às músicas), mas, por outro lado, existem proteções que devem ser respeitadas. Isso pode sugerir até uma diminuição de preços (no futuro), mas não quer dizer que todo mundo tem o direito de copiar o que quer. As leis precisam ser respeitadas.”

Já a outra matéria do IDG Now diz que…

Decisão é ineficaz, diz especialista em direito digital (IDG Now, 17/04)

O nosso conhecido Ronaldo Lemos aparece como fonte da matéria escrita pelo editor assistente do IDG Now Pedro Marques para afirmar que “A decisão não vai mudar nada. Nos últimos 15 anos, os sites estão sendo condenados e, mesmo após fecharem, existem inúmeros outros que acabam surgindo e prestando o mesmo serviço”. Para ele, “o que coibiria mesmo a pirataria seria um serviço competitivo e inovador”. Como alternativa, Lemos sugere a criação de um serviço de download ilimitado, onde as pessoas pagariam uma taxa fixa e poderiam baixar quantas músicas quisessem. “Isso é o que o consumidor quer: um catálogo abundante e a possibilidade de baixar (músicas) sem limite. Essa idéia é muito positiva e, se a indústria tivesse tomado esse caminho, a história seria bem diferente, hoje.”

Para finalizar, o professor de direito da FGV comenta mais um pouco sobre a decisão: “Acho ruim, porque o que acontece é que está havendo uma expansão dos direitos autorais e isso começa a passar por cima de direitos individuais, como a privacidade. Não é que não deva existir direito autoral, mas o ideal é que haja um equilíbrio.”

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Paulo Coelho declara apoio ao The Pirate Bay (O Globo Digital, 15/04)

O arauto da literatura brasileira de auto-ajuda no exterior,  nosso picareta-mor que enganou até os velhinhos da Academia Brasileira de Letras, o incomparável mago Paulo Coelho declarou apoio na semana passada ao The Pirate Bay. Diz ele: “Eu apoio o site abertamente. Até mesmo me voluntariei a viajar à Suécia para discutir o caso dos conteúdos abertos, mas nunca recebi uma resposta” .Paulo Coelho mantem um blog com o sugestivo nome “Pirate Coelho” e é um apoiador da causa dos piratas: “Desde o início dos tempos os seres humanos têm a necessidade de compartilhar – desde comida até a arte. A troca é parte da condição humana. Uma pessoa que não troca não é apenas egoísta, mas amarga e solitária”.

Na matéria do O Globo ainda consta que o mago “publicou um texto em que propõe uma forma diferente de se ver os piratas. Segundo ele, ‘o conceito do pirata como um ladrão selvagem e sem sentimentos, que se mantém até hoje, foi criado pelo governo britânico como forma de propaganda'”. E por que criaram o conceito? O nosso imortal da ABL explica:

Porque os piratas foram os primeiros a se rebelar contra as condições desumanas nos navios mercantes e da Marinha Britânica, em que capitães tiranos transformavam a vida da tripulação em um verdadeiro inferno.”Eles até mesmo abrigavam escravos africanos fugidos e viviam com eles como iguais. Os piratas demonstraram de forma clara, e subversiva, que os navios não precisavam ser comandados de forma brutal e opressiva como ocorria na marinha mercante e no serviço militar britânico”.

Paulo Coelho – apesar de sua literatura, ou por causa dela – também disponibiliza todos os seus livros em PDF de grátis no seu Site Oficial. Está lá, inclusive, sua última obra, o “thriller”  “O Vencedor Está Só“.

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Is it time to stop using the word ‘piracy’? (The Guardian, 16/04)

A confusão deve ter acontecido com muita gente: “Piratas na somália prosperam em nação sem lei“. Opa, peraí: de que piratas estamos falando mesmo? A partir dessa idéia, o artigo do The Guardian discute o uso do termo pirataria para designar coisas tão distintas quanto roubo de cargas nos mares sem lei da Somália quanto “roubo” de filmes e música através de downloads.

O nosso velho conhecido Richard Stallman sugere o uso de outras palavras para designar a situação quando na web: “unauthorised copying”, “prohibited copying” – e até mesmo um irônico “sharing information with your neighbour”. Já John Gruber, do Daring Fireball blog, sugere uma já usada para este mesmo fim: “bootlegging“. E aí, alguma sugestão para o português?

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Should Online Scofflaws be denied web acess? (NY Times, 12/04)

Eric Pfanner, correspondente em Paris do NY Times, escreve um interessante artigo em torno da pergunta:  até que ponto o acesso à internet é um direito humano fundamental?A partir daí, ele faz um balanço das últimas decisões a favor e contrárias à pirataria na rede em lugares como França, União Européia, Nova Zelândia e Estados Unidos, claro. Apesar da postura algo conservadora do texto, é um dos mais lúcidos e informativos relatos do “estado da arte” da proibição de acesso a internet e de como vem sendo tratada a questão da pirataria em diversos locais do planeta.

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[Leonardo Foletto.]

Notícias do Front Baixacultural (18)

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Trent Reznor fala sobre seu modelo de negócio (Música Líquida, 7/04)

Figura carimbada aqui no BC, o cabeça (e corpo) do Nine Inch Nails deu uma entrevista para um canal do site Digg. O foco da entrevista (em inglês, 40 minutos) foi, principalmente, o modelo de negócio que Reznor vem adotando para seu trabalho. A dica vem do blog Música Líquida, criado em março com a idéia de “trocar experiências, informações e ideias a respeito do novo universo musical“.

Um dos editores do blog é o músico Leoni,  aquele que compôs boa parte das músicas do início do Kid Abelha, conhecido, de tempos pra cá, como um dos poucos músicos do mainstream que vem sabendo “se adaptar”  à Nova Ordem da  Música,  disponibilizando, em seu site oficial, diversas músicas suas para download de grátis.

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Tráfego na Suécia cai um terço após lei antipirataria mas rígida (IDG Now, 2/04)

Berço do Pirate Bay, a Suécia rendeu-se ao policiamento na internet. No início deste mês, entrou em vigor uma nova regulamentação que concede a todos os detentores de copyright a possibilidade de solicitar a um tribunal uma autorização para obter, junto do provedor de acesso à Internet, a identidade do utilizador associado a um endereço IP envolvido na transferência de conteúdos ilegais. A diferença para a legislação anterior, segundo informa o Remixtures, é de que até então eles precisavam de denunciar previamente a alegada infração à polícia ou a um procurador do Ministério Público.

A nova lei já fez cair 33% o tráfego local. A quantia de dados trocados por internautas suecos caiu de uma média de 120 Gbps para 80 Gbps, pelo menos nos primeiros dias do mês, segundo informa o IDG Now, que, por sua vez, baseia-se na empresa de consultoria local Netnod.

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Mais uma vítima da pirataria (Carta Capital, 9/04)

A edição desta semana da Carta Capital retoma o bizarro caso do jornalista americano Roger Friedman, colunista de entretenimento da rede americana de notícias Fox, que publicou no site do canal uma resenha de X-Men Origins: Wolverine. O problema da coisa toda é que Friedman viu o filme numa cópia pirata e inacabada do filme, disponível na internet, mais de um mês antes do lançamento oficial. Resultado: a resenha foi apagada e Friedman foi demitido sumariamente.

Segundo a Carta Capital, Friedman não se importou muito com a qualidade do filme e parece ter ficado mais impressionado com a facilidade da pirataria na internet. “Foram realmente poucos segundos até que o filme começou a passar na tela do meu computador”, afirmou. Maurício Stycer, em seu blog no IG, conta que o colunista resolveu debochar de seus chefes: “Neste momento, meus ‘primos’ na 20th Century Fox provavelmente estão tendo um ataque apoplético”, escreveu ele na resenha.

A matéria da Carta Capital, escrita por Felipe Marra Mendonça, diz ainda que o vazamento do filme causou transtornos para os estúdios FOX e resultou em uma investigação do FBI. As primeiras notícias do surgimento de cópias piratas de Wolverine surgiram em 1º de abril e poucos acreditaram que fossem verídicas. Em 24 horas, no entanto, cerca de 500 mil espectadores haviam obtido uma cópia da obra. O estúdio tentou exigir que todos os sites que hospedavam cópias as retirassem dos servidores, mas foi impossível conter a propagação digital. [Nota do editor: obviamente.]

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Rechazada por sorpresa la ley francesa antipiratería que preveía cortes en internet (El País, 9/04)

Ao contrário de que todos os prognósticos indicavam, o Parlamento Francês não aprovou o radical projeto de lei do governo de Sarkozy, que impunha severas proteções ao direito autoral. Dentre outras coisas esdrúxulas, o projeto previa que, se o usuário baixasse conteúdo protegido por direito autoral continuamente, receberia um email de aviso do Hadopi, sigla em francês para “Alta Autoridad Para la Difusión de Obras y la Protección de Derechos en Internet“, um orgão que seria criado somente para este fim de fiscalizar. Se continuasse baixando esses conteúdos, em 6 meses receberia um outro aviso, agora em carta certificada. Se ainda assim persistisse, poderia ter sua conexão cortada por um período que poderia variar entre 1 a 12 meses.

O projeto já havia sido aprovado (e endurecido, segundo o El País) no senado francês, por isso o prognóstico de que também fosse aprovado no Parlamento. Mas não foi dessa vez: por 21 votos contra 15 ele foi rechaçado. Uma vitória da sociedade francesa que, mesmo temporária, nós aqui também comemoramos. Mais informações sobre o tema tem aqui.

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Frank Zappa inventou a licensa global para legalizar o P2p em 1983 (Remixtures, 9/04)

Na década de 1980, a “pirataria” era coisa de fita cassete passada entre amigos, como o post anterior de Reuben nos conta. Mas eis que o Remixtures nos conta que Zappa, em 1983, surge com a proposta de criar um sistema revolucionário de distribuição digital via telefone e televisão por cabo, que passava pela aquisição dos direitos para a duplicação digital e alojamento dos melhores lançamentos de todas as gravadoas num servidor central. A partir deste servidor, essa música seria disponibilizada por telefone ou TV a Cabo, as tecnologias mais apropriadas para isto à época.

O Remixtures conta que “a imaginação do músico ia ao ponto de propor três tipos de formatos de som. Desde os pagamentos de royalties à facturação ao cliente, tudo se processaria automaticamente a partir do software inicial do sistema. O consumidor teria direito a subscrever um ou mais canais temáticos em troco do pagamento do pagamento de uma mensalidade que permitira gravar toda a quantidade de música pretendida.”

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[Leonardo Foletto.]

Crédito fotos: World War II Photos e Numerama.

Notícias do Front Baixacultural (17)

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Jango – o Jabá volta a atacar outra vez na internet (Remixtures, 3/03)

Todos nós ouvintes de rádio nos anos 80, 90 e 00 conhecemos bem o que quer dizer Jabá, palavrazinha feia para significar prática muito mais feia ainda. Pois a praga é que o tal do jabá está na moda também no meio online.

Segundo nos conta Miguel Caetano, a  Jango, uma companhia responsável por uma plataforma de rádio online composta por estações temáticas que conta com cerca de seis milhões de ouvintes mensais, lançou no início do mês que recém findou o Airplay, um sistema de promoção do tipo jabá em que quanto mais uma editora ou uma pessoa pagar, quanto mais vezes as suas músicas passarão nas rádios da Jango. Nas palavras escritas no Remixtures:

Assim, quem quiser ser escutado pelo menos mil vezes poderá pagar 30 dólares. Para tal basta apenas submeter uma música e indicar o nome de artistas já conhecidos do grande público que na vossa opinião mais se assemelha ao vosso som. Por exemplo, se acham que o vosso estilo é bastante parecido com o dos Radiohead, as vossas músicas acabarão por ser ouvidas pelos utilizadores que sintonizarem a rádio personalizada dos Radiohead. De modo a segmentar mais o público-alvo, podem ainda escolher atingir apenas os ouvintes com uma determinada idade/género ou que residam numa cidade/região/país específico.

Ainda que funcione num sistema um tanto transparente, radicalmente contrário ao por baixo dos panos jabá, o tal do Airplay parte de uma suspeita premissa de quem faz a seleção das músicas é o $$, e não um editor apaixonado e conhecedor de música. É o tipo de prática que se já não gostávamos quando não tinhamos a opção de escolher, hoje mesmo é que não vamos gostar, com o mar abudante de possibilidades que a web nos proporciona.

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Qual o futuro da música? (Bravo, março de 2009)

Arthur Dapieve foi chamado à Bravo para fazer essa matéria de capa aproveitando o gancho do show do Radiohead mês passado, já que a banda, na visão de muitos, é a pauta perfeita para falar de “futuro da música”. O jornalista e escritor formulou e respondeu 10 perguntas, algumas interessantes como O método de vender música sem que ela tenha um preço definido vai se popularizar, estabelecendo uma relação direta de mercado? , outras nem tanto, comoVão acabar os popstars, os artistas que marcam uma geração, como os Beatles nos anos 60 ou Madonna nos 90? Iniciaremos uma era de cauda longa em que cada vez mais artistas venderão cada vez menos de seus discos, como escreveu o jornalista americano Chris Anderson?, dentre mais outras oito.

Uma pena que tanto as perguntas quanto as respostas não fogem muito do senso comum que todos nós, mesmo sem informações detalhadas do assunto, saberíamos formular e até responder. De qualquer forma fica a dica, nem que seja para consolidar algum conhecimento sobre o assunto.

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Luta pela liberdade não termina nunca (Trasel Blog, 2/04)

O jornalista e pesquisador Marcelo Trasel, do qual já devemos ter comentado por aqui, faz um artigo para o seu blog em que atualiza a discussão sobre a já famosa “Lei dos Cibercrimes”, ou “Lei Azeredo”, em referência ao senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG), que propôs a lei.

O fato novo, nas palavras de Trasel, é “ a inacreditável minuta produzida pelo Ministério da Justiça de Tarso Genro, com sugestões de modificação da redação do artigo 22 do PL 89/2003“. A minuta modifica de tal forma a lei que o blogueiro Gravataí Merengue, do Imprensa Marrom, sugere a alteração do nome do projeto de lei para “Lei Tarso Genro”. Nosso Ministro da Justiça – que tanto anda, nestes últimos meses, tomando decisões polêmicas e, na maioria dos casos, acertada – agora fez bobagem.

(O fato é mais triste ainda para nós nascidos e votantes no RS, pela cortada na já pequeníssima esperança de ver um governador decente por estas plagas, já que é dado como certo que Tarso concorrerá, com chances claras de vencer, à sucessão da nossa simpática desgovernadora Yeda Crusius.)

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Pirate Bay em Porto Alegre (Baguete, 2/04)

Pete Sunde, um dos três fundadores do nosso velho conhecido Pirate Bay, estará na capital gaúcha para participar da 10ª edição do Fórum de Software Livre, de  24 a 27 de junho. A vinda de Sunde foi confirmada pelo Baguete, que obteve a informação segundo “fontes próximas”  aos organizadores do evento. De qualquer modo,  o sueco concedeu uma entrevista ao portal Clic RBS e confirmou sua vinda:  “Eu ainda não tenho certeza quanto à data da minha chegada, eu ainda não comprei as passagens, mas estarei no Brasil para o Fórum.” Até lá, todos nós já saberemos do do resultado final do famoso julgamento.

Outra figura proeminente na comunidade livre-cultural da internet que tem sua vinda ao evento já confirmada é o barbudinho invocado Richard Stallman, ninguém menos que o criador do movimento do software livre e de quem, aliás, já falamos por aqui.

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[Leonardo Foletto.]

Crédito foto: World War II Photos

Notícias do Front Baixacultural (16)

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Jesus é a favor da pirataria sem fins lucrativos (Pontes Oníricas, 21/03)

Chapeleiro, figura constante e sempre pertinente da caixa de comentários deste blog, apresenta uma curiosa defesa do download livre à luz do evangelho. Jesus não tem discos no país do Torrent, digamos assim. O que a já universal prática do download tem em comum com o milagre da multiplicação dos pães e peixes executada pelo milenar Jesus? O Chapeleiro tem uma teoria.

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Caiu na rede é peixe (Carta Capital, 20/03)

Pedro Alexandre Sanches ouve blogueiros, produtores, a APCM e o Google, e escreve esta boa matéria sobre a generosa prática da disponibilização de arquivos musicais na rede. Posicionamentos absurdos, posturas esclarecidas e histórias curiosas — como a de uma obscura gravação caseira de um João Gilberto ainda-não-famoso que caiu recentemente na rede. Os extras e a repercussão da matéria você lê no blog do PAS.

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50 anos de Playboy disponíveis na rede (Cibermundi, 20/03)

Embora a notícia de que todo o conteúdo da Playboy publicado de 1954 a 2007 possa, digamos, crescer os olhos de algum afobado leitor, a coisa não é tão estimulante assim. Para acessar o histórico volume de, hum, informação, é necessário in$talar uma plataforma da Microsoft chamada Silverlight.

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Download livre: Nine Inch Nails, Jane’s Addiction e Street Sweeper

NIN/JA 2009 é o nome da turnê conjunta das bandas Nine Inch Nails, Jane’s Addiction (NIN/JA, sacou?) e Street Sweeper — nada mais nada menos que a nova banda de Tom Morello. E como não poderia deixar de ser em se tratando de algo relacionado ao visionário Trent Reznor, é possível baixar gratuitamente uma espécie de amostra grátis [um EP com seis faixas, duas de cada banda] da soma. Assim como rolou com último disco do NIN, a bolacha virtual pode ser adquirida em diversos formatos e variações de qualidade.

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[Reuben da Cunha Rocha.]

Notícias do Front Baixacultural (15)

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Discografias fora do ar (15/03)

Aconteceu, afinal. A comunidade Discografias do Orkut, eternamente ameaçada de fechamento pelos fiscais da cultura, fechou. A explicação oficial:

“Informamos a todos os membros da comunidade ‘Discografias’ e relacionadas (Trilhas Sonoras de Filmes, Trilhas Sonoras de Novelas, Coletâneas (V.A.), Pedidos, Dicas/Dúvidas e Índice Geral), que encerramos as atividades devido às ameaças que estamos sofrendo da APCM e outros orgãos de defesa dos direitos autorais.

Nosso trabalho foi árduo para manter as comunidades organizadas, sem auferir nenhum tipo de vantagem financeira com elas, somente com o intuito de contribuir de alguma forma para a cultura e entretenimento.

Não é com o fechamento desta comunidade e outras equivalentes que as gravadoras irão aumentar seus lucros.

Muitos artistas perderão seus meios de divulgação.

Milhares de membros terão que procurar outras atividades no Orkut que não seja o download de músicas e afins. O número de sites e blogs de conteúdo similar, mais programas como eMule, limewire, de torrents e outros P2P, cresce em progressão geométrica.

Perdem eles, perdemos todos, mas enfim, tudo em nome do dinheiro das grandes corporações. Nada em nome da cultura.

Tais entidades de defesa dos direitos autorais, como a R.I.A.A. nos Estados Unidos e APCM no Brasil, que é a representante legal de:

UNIVERSAL MUSIC DO BRASIL LTDA.;
WARNER MUSIC BRASIL LTDA.;
SONY – BMG BRASIL LTDA.;
SIGLA – SISTEMA GLOBO DE GRAVAÇÕES AUDIO VISUAIS LTDA;
EMI MUSIC LTDA.;
COLUMBIA PICTURES INDUSTRIES INC.;
DISNEY ENTERPRISES INC.;
METRO-GOLDWYN-MAYER STUDIOS INC.;
PARAMOUNT PICTURES CORPORATION;
TWENTIETH CENTURY FOX FILM CORPORATION;
UNIVERSAL CITY STUDIOS INC.;
WARNER BROS.;
UNITED ARTISTS PICTURES INC.;
UNITED ARTISTS CORPORATION;
UBV – UNIÃO BRASILEIRA DE VÍDEO E ASSOCIADAS

Sendo ainda representante de IFPI – International Federation of the Phonographic Industry e MPA – Motion Picture Association no Brasil, se dizem “sem fins lucrativos”, vamos acreditar nisso, né gente? Como todos acreditam nas histórias da carochinha.

Portanto, deixamos aqui os dados de contato do orgão responsável pelo fechamento das comunidades e de um de seus representantes:

APCM – ANTI-PIRATARIA CINEMA E MÚSICA
RUA HADDOCK LOBO, 585SÃO PAULOSP – BRAZIL
INTERNET ANTI-PIRACY UNIT

Telefone: +55 (11) 3061-1990x244

e-mail: anti-piracy@apcm.org.br

=>Bruno Henrique Tarelov: btarelov@apcm.org.br

Fone: 55 11 30611990 ramal 238

Fax: 55 11 30611221

Agradecemos a todos que de um jeito ou de outro, colaboraram para que nossas comunidades fossem tão populares. Valeu, gente!

A Moderação

Observação

A APCM só perseguia nossas comunidades, e assim, os links postados pelos nossos membros estavam sendo rapidamente denunciados e excluídos, pois eles querem aparecer e só deletam de onde está mais fácil e tem maior visibilidade na mídia.

O pessoal que baixava de nossas comunidades vai poder continuar a procurar os links no lugar de maior acervo: O Google.

Atentem para a sutil cacetada do finzinho da nota. Por agregar quase 1 milhão de pessoas, a Discografias era no mínimo um poderoso espaço simbólico, mas após seu fechamento as atividades ilícitas de download de discos seguem seu curso inabaladas. Só que em vez de digitar o nome do disco procurado no search da comunidade, você terá que fazê-lo no próprio Google. Acabo de saber, via Cibermundi, que a APCM [Associação Antipirataria Cinema e Música] deu a seguinte declaração a respeito do fechamento da Discografias:

“A comunidade, assim como outras fontes de infrações aos direitos de artistas e produtores, foi e continua sendo observada pelo Departamento de Internet da Associação, que considera um avanço positivo a sua exclusão da rede mundial de computadores.”

Fora a lenga-lenga sobre “proteger os direitos de artistas”, notem que a Associação prefere ver um avanço naquilo que, a rigor, não serve pra nada. Imagine quantos blogs de download surgiram na rede antes que você terminasse de ler esta frase.

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Artistas em defesa do download gratuito (Folha de S.P., 12/03)

The Featured Artists Coalition é o nome da associação que reúne mais de 140 músicos que criticam uma proposta do governo britânico de classificar o download de músicas como crime. Entre os artistas, Robbie Williams, Annie Lennox e, claro, Ed O’Brien, do Radiohead. O argumento, vejam só, é de que deve caber aos próprios artistas decidir quando suas músicas podem ou não ser utilizadas gratuitamente. Uma contrapartida [bastante justa, por sinal] sugerida pelo grupo seria a cobrança direta a sites como Youtube e MySpace pela utilização de duas músicas em publicidade.

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BaixaCultura no Cronópios (11/03)

Enquanto o mundo aguarda o resultado do julgamento do Pirate Bay, você, intrépido leitor, pode ler a singela reflexão que fizemos sobre o caso, publicada pelo cronopíssimo Cronópios [link direto pro texto aí no título] na última semana, e pelo jornal O Imparcial (São Luís – MA) na última segunda-feira. O texto é assinado coletivamente, prática que pretendemos manter sempre que publicarmos fora do espaço deste blog sobre assuntos referentes à sua temática. Agradecimentos a Pipol (co-editor do Cronópios), de quem partiu o convite para publicar no site, e a Zema Ribeiro, que intermediou a publicação do texto no jornal.

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Para entender a Internet (17/03)

Foi lançado oficialmente ontem, via twitter, o desde já fundamental livro “Para Entender a Internet: Noções, práticas e desafios da comunicação em rede“. É  como um dicionário da rede, onde cada especialista – acadêmicos e não-acadêmicos – escreve um verbete. A lista de colaboradores é extensa e qualificada: Alex Primo (interação), Alexandre Matias (cultura do remix), Ana Brambilla (Jornalismo colaborativo), Edney Souza (blog), Luli Radfahrer (mobile), Raquel Recuero (rede social), Ronaldo Lemos (creative commons), Sérgio Amadeu (pirataria), Soninha Francine (internet e lei eleitoral), apenas para ficar entre os que mais conheço.

A idéia do livro é reunir textos originais de ativistas, acadêmicos e profissionais que estão ajudando a inventar/moldar a cultura da Web no Brasil. É uma experiência de produção de conteúdo educativo usando a Rede que começou na Campus Party em janeiro de 2009. É também um projeto colaborativoliteralmente – publicado com licença CC e aberto a interferências.

O organizador e idealizador do projeto é Juliano Spyer, que explica: “Apesar de terem sido produzidos pensando no leitor com pouca familiaridade com a Web, os textos vão além das simplificações e dos modismos para, ao mesmo tempo, ensinar e provocar”. O livro está disponível para visualização no blog linkado acima e, lá mesmo, para download em PDF.

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A volta do Sabor Graxa (10/03)

Bruno Brum, um dos grandes poetas que Minas Gerais pariu nos últimos anos, está de casa nova. A decisão de voltar com o blog foi acompanhada de uma outra, que merece enorme atenção: lá você encontra disponíveis pra download os dois livros do autor, Mínima Idéia (2004) e Cada (2007). Bruno também edita, junto com Makely Ka, a Revista de Autofagia, cuja terceira edição está no forno, e cujas duas primeiras você também baixa no blog de Bruno. Entra lá pra mais informações.

[Reuben da Cunha Rocha. Leonardo Foletto.]

Notícias do Front Baixacultural (14)

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Música erudita gratuita ganha espaço na rede (Folha Online, 6/01)

Tempos atrás fizemos um post contando de um ótimo blog com um tremendo acervo de discos de música erudita. No início deste ano, a Folha Online, por meio do colaborador Irineu Franco Perpétuo, fez uma matéria contendo algumas dicas de mais blogs e sites com música erudita para baixar. Destaque para o italiano Branle de Champaigne, especialista em música renascentista, medieval e barroca;  o argentino Il Canto Sospeso, centrado na música erudita contemporânea (séculos XX e XXI); e o brasileiro Brazilian Concert Music, só com compositores brasileiros.

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Download de “Watchmen” de Alan Moore completo (Comunidade Revista Bizz no Orkut, 1/03)

Em semana de estréia do filme Watchmen, o nobre colega Marcello foi à comunidade da Revista Bizz para disponibilizar para download a edição completa da revista de Alan Moore e Dave Gibbons. O link para baixar é esse aqui, mas entra lá no tópico da comunidade para ver o  quanto Marcello foi espinafrado por sua atitude de apoio a “pirataria”.

Em tempo:  Neste link está o trailer do filme; o site oficial, muito bonito como costumam ser a maioria das páginas dos filmes de hollywood; e o verbete na Wikipédia sobre o filme, bastante completo.

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Daniel diz que pirataria pode ajudar a difundir seu filme (Babel, 5/03)

O bombardeio midiático em cima do novo filme do cantor Daniel fez com que boa parte de nós, pobres consumidores de cultura, ficassemos sabendo que “O Menino da Porteira” estreou semana passada nos cinemas brasileiros. Pois não é que Daniel, ao descobrir só agora que 90% das cidades brasileiras não têm cinema, resolveu ir contra seus patrões e declarar, implícita e explicitamente, que a pirataria pode ser muito boa para a divulgação de seu filme:

“Antes de o filme ser lançado, é complicado. Mas, depois, a gente vai ter que ter noção que, se o filme tiver respaldo, vai ter certa procura da pirataria. Você viu o que aconteceu no Tropa de Elite? Foi pirateado, mas teve sucesso de público também. Então…”.

Daniel entende que seu público principal não é aquele que costuma ir às salas de cinema no Brasil, grande parte delas localizada em shoppings. Para esse seu público preferencial ver seu filme, a pirataria pode sim ajudar. Então, a entrevistadora pergunta: “se souber que, numa cidade pequena, sem cinema, alguém viu o filme num DVD pirata, ficará chateado?

“Acho que é uma coisa quase normal. Lógico que a gente gostaria que fosse tudo da forma correta, mas não é assim.Tem amigos meus, como Bruno e Marrone, que começaram a fazer sucesso depois da pirataria. O complicado é que a pirataria tira emprego, não gera benefício pra ninguém. Mas às vezes a pessoa só vê assim.”

Mas a desobediência de Daniel esbarraria logo depois na fala de Rodrigo Saturnino Braga, diretor-geral da Sony Pictures no Brasil, co-produtora e distribuidora do filme,

“Os DVDs piratas também não chegam nas cidades que não têm cinema. Eles são vendidos aqui debaixo do meu escritório, na Berrini”, diz o executivo da Sony.

Em tempo (2):  a matéria linkada aqui é do Babel, recente e já ótimo blog da jornalista de Carta Capital, Ana Paula Sousa.

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Portrait of an Artist as an Avatar (NY Times, 5/03)

A editoria de tecnologia do NY Times não é a toa referência para boa parte dos jornais (e portais) mundiais: traz informações atuais, bem apuradas e, principalmente, ótimos textos, tudo como manda o tão esquecido Manual do Bom Jornalismo. Esse perfil aqui, produzido por Sarah Corbett, é mais um desses exemplos: conta a história do “artista” Filthy Fluno, um avatar pixelado e black power do Second Life (!) que ajudou seu criador –  Jeffrey Lipsky, artista plástico – a consolidar sua carreira no “mundo real”, com exposições em lugares tão distintos quanto Nova York e Portugal. No meio disso tudo,  muitas questões sobre as fronteiras cada vez mais apagadas entre o mundo digital e o real.

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Lars Ulrich dos Metallica pirateia-se a si próprio (Remixtures, 6/03)

Miguel Caetano do Remixtures nos conta que Ulrich, baterista do Metallica e principal responsável pela guerra declarada pela banda ao saudoso Napster, numa recente entrevista a Eddie Trunk do programa “That Metal Show” da cadeia de televisão VH1 Classic, confessou que baixou de maneira “ilegal” o  próprio disco novo de sua banda, Death Magnetic:

“Eu sentei-me e descarreguei o Death Magnetic da Internet apenas no intuito de experimentar. Foi algo do tipo “Wow, é assim que isto funciona.” Eu pensei para os meus botões que se havia alguém com direito a descarregar de borla o Death Magnetic era eu.”

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[Leonardo Foletto.]

Crédito foto: World War II Photos

Notícias do Front Baixacultural (13)

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(Excepcionalmente começando com uma nota pequeña de auto-promoção)

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BaixaCultura, MinC e Overmundo

José Murilo, responsável pelas notícias sobre cultura digital do site do Ministério da Cultura, republicou dois textos nossos na página do MinC: este e este. A parceria promete render mais frutos, segundo interesse da ambas as partes. Além disso, Reuben criou uma conta no Overmundo com a finalidade de republicar as entrevistas e matérias mais extensas aqui do blog. O link permanente está aí do lado, na coluna ‘Parcerias’.

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Dossiê sobre cibercultura da Revista FAMECOS (Cultura Digital, 08/01)

Uma nota que está meio passada pela data, mas não por seu conteúdo: vale a pena conferir o  número 37 da Revista FAMECOS (PUC do Rio Grande do Sul), que traz um dossiê com os textos mais importantes apresentados durante o II Simpósio Nacional da ABCiber (Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura), realizado em São Paulo, em dezembro de 2008. Tem bastante coisa que pode satisfazer os mais variados tipos de interesse relacionados à cibercultura, indo desde o jornalismo online e a cibernotícia até temas mais específicos como interfaces multisensoriais e inteligência coletiva, passando ainda por temas populares na rede como podcasts e fotologs, dentre outros assuntos.

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O dilema do pirata (Trabalho Sujo, 02/02)

Alexandre Matias entrevista o jornalista Matt Mason, autor de The Pirate’s Dilemma, livro que possui o sugestivo e enigmático (para mim, ao menos) subtítulo: How Youth Culture reinvented capitalism [Como a cultura jovem reinventou o capitalismo]. A seguir, alguns trechos da entrevista que elucidam mais do teor do livro:

Sobre direito autoral:

Não acho que ele vá acabar, o direito autoral é muito importante. Mas o que está mudando é o conceito de uso justo, o que dá pra se fazer sem pedir permissão. Acho que o direito autoral também está ficando mais sofisticado. E nós realmente precisamos de leis fortes sobre direitos autorais, mas não precisam ser tão rígidas quanto as leis de hoje”

Sobre pirataria e capitalismo:

“O que estamos assistindo, com a pirataria e a forma com que as pessoas usam a internet, é um sintoma de algo maior que está acontecendo com o capitalismo. Mais uma vez, a forma como pensamos os negócios está mudando. Se você olhar as visões clássicas da economia, as empresas sempre tiveram um motivo para acrescentar valor à sociedade. Mas o capitalismo mais recente está mais preocupado em agregar valor às suas diretorias do que para todos – claro que estou simplificando demais esta situação. Acho que estamos voltando ao modelo clássico, os negócios precisam agregar algo às pessoas, dar a elas boas experiências.”

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Livro: Más allá del Google (Blog do GJol, 2/02)

Excelente dica do blog do GJol, Grupo de Pesquisa em Jornalismo Online da pós-graduação da UFBA: “Más allá de Google” é o novo livro de Jorge Juán Fernández García, colaborador do Infonomia.com, uma interesse revista online espanhola. Segundo Adriana Rodrigues do GJol, “o livro versa sobre  sobre leis direcionadas em como utilizamos ou nos afetam a informação e as tecnologias digitais”, e como de praxe está disponível para download em PDF.

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Como e onde arranjar convites para trackers privados de BitTorrenet (Remixtures, 4/02)

Ótimas dicas do nosso parceiro português para entrar no assombroso mundo dos trackers privados, os menos perseguidos pela RIAA e similares, e aqueles onde mais se encontra monstruosidades de raridades para baixar.

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Jornalismo online 0.5 (Marcelo Träsel, 05/02)

Jornalismo online no início dos anos 80? Lento, e mais caro que o impresso. Duvida? Veja o vídeo.

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Mais de um milhão de móveis de “livros móveis” estão disponíveis (Blog do GJol, 7/02)

Outra do Blog do GJol, porque é boa: o Google Books está disponível também para dispositivos móveis, com um acervo que gira em torno do um milhão e meio de e-books.

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[Leonardo Foletto e Reuben da Cunha Rocha.]

Crédito foto: World War II Photos

Notícias do Front Baixacultural (12)

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(Cá estamos de volta, depois da uma semana de ausência por ocasião da cobertura da Campus party 2009)

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Internet em 2020: propriedade intelectual (Dia a Dia, bit a bit, 15/01)

Silvio Meira, de quem já linkamos um perfil, fez uma ótima série de posts só agora descoberta por mim: trata-se de um comentário detalhado dos resultados do Pew Internet Project (PIP) sobre o futuro da rede,  divulgado ao final do ano passado. Ele dividiu em seis posts, cada um tratando de temas diferentes, como mobilidade, interfaces, privacidade e transparência, e, claro, propriedade intelectual. Nesse assunto, os resultados do relatório dizem que na próxima década continuará a disputa entre os donos de copyright e defensores de propriedade intelectual, de um lado, e crackers [e/ou piratas] do outro, algo que Silvio (e nós) não concorda e ilustra o porquê citando uma série de posts seus sobre o assunto.

O restante do post, como os outros sobre a pesquisa, é deveras interessante e altamente recomendável. São vários trechos que nos fazem pensar sobre todas estas questões que discutimos quase diariamente aqui no BC, e Meira traz idéias sobre problemas que permeiam nossas discussões, como nesse trecho aqui abaixo:

“aliás, tem coisa que, mesmo já estando na rede, hoje, não deveria durar muito, como venda de música como “arquivo”. música e vídeo [e software] tem que passar a ter um tratamento negocial similar à assinatura de um serviço, temporário ou permanente, ao invés de serem distribuídas como arquivos que podem se perder no seu drive, celular ou onde forem armazenadas. uma vez assinadas, o provedor cuidaria para que o conteúdo pudesse ser usado a seu bel prazer, de acordo com direitos que você adquiriu.

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As 20 coisas que você precisa saber sobre música online (Pop Up!, 20/01)

Bruno Nogueira comenta o livro “ 20 things you must know about online music”, um e-book escrito por Andrew Dubber, professor e pesquisador musical da Birmigham City University, na Inglaterra, que dá para ser baixado no site dele. O livrinho é uma compilação de posts escritos pelo professor Andrew sobre música online, com conselhos bastante práticos (as tais 20 coisas do título) sobre o assunto, voltado especialmente a quem produz música e quer sobreviver dela.

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El Partido Pirata aterriza en EEUU (El País, 30/01)

Uma filial do já conhecido Partido Pirata europeu está sendo criada nos Estados Unidos, no Estado da California. O Pirate Party americano tem as mesmas plataformas eleitorais do seu irmão mais antigo – neutralidade da rede e proteção da privacidade – e, para ser reconhecido pela Secretaria  de Estado da California, juntou mais de 88 mil assinaturas de apoio. Diz o site do partido que o processo de criação do partido está andando e, em breve, eles terão sua existência  reconhecida.

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Impedir a partilha de ficheiros é impossível (Remixtures, 1/02)

Nosso bravo colega além-mar Miguel Caetano fala de uma cartilha – ou “livro branco” –  sobre segurança nas redes Peer-to-peer, lançada pela empresa alemã Ipoque, especializada na venda de soluções de gestão de tráfego para os fornecedores de acesso à Internet. A cartilha, que pode ser baixada mediante registro, aponta uma série de medidas que podem ser tomadas para a proteção do direito do autor em redes P2P, e chega a interessante conclusão de que a maioria das medidas inventadas até ao presente são ineficazes. Miguel faz um resumo de algumas destas medidas, dividindo-as em três tópicos: o que definitivamente não resulta, o que pode funcionar mas apenas nalguns casos e o que funciona mas sai muito caro.

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Troca de música gratuita é positiva para a economia, afirma estudo (Folha Online, 2/2)

Um estudo realizado pelo governo da Holanda (sempre ela) aponta a troca de arquivos musicais gratuita como positiva para a economia, e que as pessoas que trocam música dessa forma na internet também costumam comprar mais produtos de entretenimento. A notícia é tão boa que vou até colar um trechinho dela aqui abaixo:

As perdas dos titulares de direitos autorais sobre trocas de música, de acordo com o documento, são inferiores em relação aos impactos econômicos gerados pelos os usuários que fazem o download de músicas gratuitamente. Ao não pagar por uma música, os usuários liberam os fundos de propriedade intelectual que, por sua vez, se destinam à aquisição de outros produtos –situação que se considera positiva para a sociedade no geral.

Estamos justificados agora, RIAA e APCM?

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[Leonardo Foletto]

Crédito foto: World War II Photos

Notícias do Front Baixacultural (11)

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95% dos downloads de música são ilegais (Estadão, 16/01)

Dados da Federação Internacional da Indústria Fonográfica: mais de 40 bilhões de arquivos de música foram compartilhados ilegalmente no ano passado. No entanto, a mesma federação anuncia que o número de downloads legais também cresceu, e que a venda de músicas digitais corresponde hoje a 1/5 do faturamento total da indústria. Mas a maluquice das pessoas que efetivamente pagaram para baixar singles de Lil Wayne (o campeão de downloads legais de 2008 ) não é o bastante para salvar a indústria do naufrágio – segundo a mesma IFPI, a renda mundial da indústria de discos diminuiu mais 7% no ano passado. Comemoremos.

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A vontade dele é te matar (Pop Up!, 14/01)

A fatídica entrevista de João Carlos Muller, consultor jurídico da Associação Brasileira de Produtores de Discos, continua repercutindo. Desta vez é o jornalista Bruno Nogueira que chama a atenção para alguns pontos pouco destacados aqui no blog. E nós todos continuamos nos divertindo com a falta de noção das pessoas com algum poder e nenhum discernimento. Com a palavra, Bruno Nogueira:

Entre outras coisas, ele compara o cara que pega aquele disco raro do Zé Ramalho, que saiu de catalogo e não vende mais, para download em um blog com um assaltante de caixa forte de banco. E diz que para turma que baixa o disco que eles podem ficar tranquilo, porque agora eles estão atrás apenas do fornecedor. Igual guerra do tráfico.

Sua principal crítica ao Creative Commons tem como base o argumento que Gil, que é todo pró a idéia, até agora só licenciou uma música na vida. Mas entre as várias incongruências – que passam por defender o DRM, licença digital que nenhuma gravadora adota mais, claramente sem saber o que se trata – a cereja do bolo está também no próprio ex-ministro. Depois de um papo de que o autor merece o mundo, ele solta a pérola:

“O Gil recuperou na justiça a obra dele, numa burrice que o Guilherme fez, eu avisei a ele que ia perder aquela obra. Ferrou-se!”

Burrice do Guilherme, porque, segundo Muller, também não é só porque você tem uma idéia que você pode ser dono dela.

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Uma nova cara para o Remixtures (15/01)

O blog Remixtures, onipresente neste clipping e capitaneado pelo bravo colega d’além-mar Miguel Caetano – e não Miguel Jorge, como erroneamente foi informado semana passada, pelo quê pedimos desculpas públicas -, está de cara nova e com um novo e polêmico modelo de negócio: o Freemium. Trata-se de um sistema cuja lógica é a mesma das bandas que disponibilizam suas músicas gratuitamente na intenção de lotar – e lucrar com – os shows: num modelo freemium, o serviço básico é grátis, e o lucro vem dos produtos adicionais. Nas palavras de Caetano:

Em termos concretos, a proposta freemium do Remixtures passa por disponibilizar uma série de serviços personalizados e complementares a uma vasta gama de entidades potencialmente interessadas como jornais, revistas, publicações online, escolas de formação profissional, bandas e músicos independentes, editoras discográficas, promotoras de concertos, universidades, associações industriais e profissionais, etc. Inicialmente e salvo situações excepcionais, este modelo deverá abranger os seguintes serviços disponibilizados ao preço mínimo referido.

A descrição dos serviços e os respectivos preços tu confere no link do título. É uma forma interessante e pra lá de válido de trazer o modelo da música para o campo da produção textual, já que em vários pontos da discussão cultural em torno da internet a música parece vários passos adiante das demais formas de expressão. Boa sorte ao Remixtures na nova fase!

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E por falar em Remixtures, quando me preparava para fazer a segunda tradução para este blog, do artigo Copyright, Copyleft & the Creative Anti-Commons, tive a grata surpresa de descobrir que Miguel Caetano já fez.

[Reuben da Cunha Rocha.]

Crédito foto: World War II Photos

Notícias do Front Baixacultural (10)

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Banda bate o pé contra Associação Anti-Pirataria (Discofonia, 12/12)

A notícia não é exatamente nova, mas nunca é tarde pra baixar um disco: o Cérebro Eletrônico resolveu disponibilizar o EP Pareço Virtual no 4Shared e, embora isso tenha sido feito oficialmente e em concordância com o selo da banda, nada impediu que o disquinho fosse removido da rede por uma ação antipirataria. Disquinho no sentido carinhoso. O EP – que reapresenta algumas canções do cd Pareço Moderno (um dos grandes lançamentos do ano passado), algumas versões ao vivo e remixes – é um disco de respeito, e está de volta. Além das 08 canções, a pasta vem com o pdf do encarte e da licença Creative Commons que regula o uso do material.

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O cético e a ciberliberdade (Continuum, dez 2008/jan 2009)

Em sua última edição, a revista Continuum, do projeto Itaú Cultural e linkada à direita, faz uma excelente entrevista com o Sílvio Meira, professor de engenharia de software na Universidade Federal de Pernambuco, editor de um blog no Terra Magazine e autor de duas centenas de textos sobre tecnologia e seu impacto na sociedade, que o tornaram uma referência  nacional quando se fala de assuntos envolvendo as palavras “redes”, “software” ou “internet”. Dá uma olhada em um trecho da entrevista:

“Se olharmos para a história, veremos que sempre se viveu em redes. Os seres humanos são gregários por natureza. O que aconteceu é que a pessoa deixou de viver em seu grupo geograficamente conexo, que foi estendido por um mecanismo de dessincronização de sua capacidade de comunicação. Se pensarmos antropologicamente, os grupos humanos só podiam se comunicar com eles próprios. Como não tinham o domínio da escrita, que é a codificação da informação que permite que ela seja deixada para trás ou levada para a frente, para o futuro e para outras geografias, ficavam parados, fechados entre eles. O que vem acontecendo na história da humanidade é que, à medida que começamos a codificar o que pensamos, a criar a capacidade de transferir isso no espaço e no tempo, ampliamos as redes.”

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Dub Brasil (URBe, 06/01)

Mais música. Cannabis Records, o autodenominado primeiro selo de dub do Brasil, iniciou suas atividades jogando na rede duas excelentes coletâneas do gênero. Os dois volumes de Pac-o-mania podem ser baixados no myspace do selo, tudo com a tarja do Creative Commons. A Cannabis conta com 08 produtores de dub na ficha técnica, alguns deles veteranos com projeção na cena internacional. Além de conferir o trabalho dos caras nos dois discos, o público ainda leva o belo bônus que é o trabalho visual do artista Rodrigo Dário, responsável pelas capas.

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Álbum mais vendido em 2008 na Amazon teve licença Creative Commons (Remixtures, 6/01)

O onipresente (em nossos clippings) Remixtures, capitaneado pelo jornalista português Miguel Jorge, fez um post sobre um dado bastante interessante: o disco mais vendido na loja virtual Amazon foi o Ghosts I-IV, do Nine Inch Nails, lançado em março de 2008 sob licensa Creative Commons. Esse dado talvez tenha relação com outra questão importante: o disco foi comercializado em formato digital na sua totalidade ao preço de cinco dólares. Vale dizer também que Reznor, como Reuben explicou nesse post, é um cara no mínimo ligado nas novas tendências colocadas à todos pela web. A lista completa dos mais vendidos, e dos melhores segundo o ranking dos editores da loja virtual, podem ser conferidas aqui.

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Em busca de uma nova cultura para o digital (Ecodigital, 9/01)

José Murilo Júnior, do blog Ecodigital e do MinC, fez a tradução de um interessante artigo (Queimando Livros, legalmente) de James Boyle, publicado originalmente no Financial Times, em 8 de dezembro último. Advogado e professor de direito, Boyle é autor do livro The Public Domain, uma das obras indispensáveis para entender a questão do domínio público e de como ele está sendo impiedosamente atacado pela polícia do copyright (no link acima dá para ler o livro online, baixá-lo, ou mesmo comprá-lo).

Dá uma sacada no tom do artigo de Boyle:

(…) Imagine o pequeno sublinhado azul sob cada título levando à íntegra do livro. Para meu filho isto faria perfeito sentido. O título do livro no catálogo e quando você clica no link, certamente estaria pronto para começar a lê-lo. Isso é o que ele aprendeu em sua experiência de clicar links. Porque não aqui? Era um velho livro, afinal, há muito sem qualquer chance de ser reeditado. Imagine ser capaz de ler os livros, ouvir a música, assistir os filmes – ou pelo menos a produção comercialmente indisponível que a Biblioteca decidisse que valia à pena digitalizar. Evidentemente esse é o tipo de coisa que a lei, em sua pujança, proíbe. (…)

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Revista Cult disponibiliza acervo digital (12/01)

A cultura brasileira ganha mais uma biblioteca virtual a partir de hoje. Há alguns anos, quando completou 50 edições publicadas, a revista encartou dois cd-roms contendo o que então era um menor mas já precioso acervo. Agora, o passo é mais adequado a estes tempos líquidos – menos suporte físico, mais conteúdo. A Cult foi fundada em 1997 e a esta altura – tendo passado por mudanças de editora e de publico alvo – já possui uma memória considerável a ser preservada e relida, cheia de contribuições para a literatura, filosofia, política e ciências sociais.

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[Leonardo Foletto. Reuben da Cunha Rocha.]

Crédito foto: World War II Photos

Notícias do Front Baixacultural (9)

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Pensando música (Pop Up!, 11/12)

O jornalista Ronaldo Evangelista, do blog Vitrola, convidou uma galera para um bate-papo  sobre música, internet, gravadoras, distribuidoras, dentre outras coisas: Maurício Tagliari, dono da gravadora YB; André Bourgeois, produtor do músico Curumim; Juliano Polimeno, do Phonobase; e Pena Schmidt, que já foi dono tanto de gravadoras grandes como de pequenas. O resultado, em vídeo, tá nesse post do blog de Bruno Nogueira, divido em 3 partes. É para ser um piloto de um programa  – Think Thank – que vai continuar. Esperemos.

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Estamos sendo observados (Veja, 17/12)

A matéria é de uma edição já antiga, mas como li nesse final de semana, linko-a aqui: trata-se de um bom relato sobre a quantas andam as intenções megalomaníacas do Google. Quer um exemplo: o projeto O3b (sigla em inglês de “os outros 3 bilhões”), que, através da instalação de um cinturão de dezesseis satélites que ficarão fixados na órbita geoestacionária sobre a linha do Equador, vai oferecer internet de alta velocidade sem fio a 3 bilhões de pessoas que moram em países pobres ou em desenvolvimento, principalmente na África, e que não têm acesso à internet por completa ausência de infra-estrutura.

(Jogada de mestre, convenhamos: além de passar adiante a fama de “empresa generosa”, sabemos todos que mais gente com acesso à internet é incremento de acessos ao Google e suas empresas, o que, por sua vez, se traduz em mais cliques nos Ad Sense e, por fim, em dinheiro de publicidade. Legal né?)

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Song From the Heart of Marketing Plan (NY Times, 24/12)

Em artigo para o principal jornal americano, o jornalista Jon Pareles levanta uma interessante questão sobre o inóspito futuro da música: “What happens to the music itself when the way to build a career shifts from recording songs that ordinary listeners want to buy to making music that marketers can use?”. O artigo não é muito longo – duas páginas, em inglês –  e vale pela abordagem algo inédita sobre um tema que todos se atiram a traçar comentários.

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Editora indepedente estabelece parceria com tracker de Bit Torrent What.cd (Remixtures, 2/01)

Miguel Caetano fez um post sobre uma atitude provavelmente inédita até aqui: uma gravadora (pequeníssima, mas enfim uma gravadora) irá permitir que os membros do What.cd, um site privado de torrent, tenham em primeira mão acesso aos novos discos produzidos sob a sua chancela. A gravadora – ou editora, no português sempre mais correto de Portugal – é a Open Eye Records, sediada em Rochester, no estado de Nova Iorque, Estados Unidos, que é especializada em promover sonoridades próximas do Hardcore e do Punk.

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Vamos trazer o criador da web para polemizar” (Link, 5/01)

O Caderno Link desta semana traz uma entrevista com Marcelo Branco, responsável pela edição brasileira do Campus Party – se você não sabe o que vai ser o Campus Party, entre aqui e descubra. O cara fala da “politização” desta próxima edição, e da presença ilustre de Tim Berners-Lee, um dos criadores da web, que estará na abertura do evento e em uma palestra sobre web 3.0 (sim, mal sabemos do que se trata a 2.0 e já se fala em 3.0).

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[Leonardo Foletto]

Crédito foto: World War II Photos

Notícias do Front Baixacultural (8)

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(Excepcionalmente com uma semana de atraso, devido às folgas que se fazem cada vez mais necessárias em finais de ano).

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O deputado pirata (Super Interessante, 12/2006)

Sim, essa é bem antiga, mas é algo que fazia tempo que procurava: a entrevista publicada pela Super com Rick Falkvinge, o sueco fundador do Partido Pirata, qjue tem como principal bandeira de campanha a liberação dos donwloads na rede. Em 2006, eles conseguiram34 918 votos, 0 que seria suficiente para assumir uma cadeira no parlamento sueco se não fosse a cláusula de barreira adotada no país, que impede a presença de partidos nanicos no Parlamento. Neste ano, eles voltaram: inscreveram 20 candidatos para a eleição do Parlamento Europeu, que vai acontecer em junho de 2009.

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Los Enemigos del copyright ( El País, 17/12)

Boa matéria do jornal espanhol falando sobre Joost Smiers e seu novo livro,  Um Mundo sin Copyright, que paradoxalmente não é disponibilizado em Copyleft ou CC (culpa da editora, dizem). Smiers, que é professor da Research Group Arts & Economics da Utrecht School of the Arts, na Holanda, defende que o copyright é anti-democrático, porque só beneficia as grandes corporações: “Estoy a favor del mercado, pero estos grandes conglomerados de la industria cultural lo que hacen es manipularlo con su maquinaria de marketing. Nos convierten en consumidores pasivos. Creo que nadie tiene derecho a decirnos qué película tenemos que ver o qué libro debemos leer. Y eso es lo que hacen con su publicidad“.

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A Cauda Longa afinal é bastante curta (Remixtures, 26/12)

Todo mundo ouviu falar (e adorou saber) da tal Teoria da Cauda Longa, apresentada pelo editor da revista Wired Chris Anderson, que dizia: “O futuro do negócio dos conteúdos online está em vender menos cópias de um maior número de diferentes items“. Mas como diz o Remixtures, “esta visão optimista da produção e distribuição de conteúdos tem vindo a ser arrasada com uma série de dados empíricos”. Nesse post, o blog português mostra duas dessas pesquisas que põe em dúvida a veracidade da tal Cauda Longa.

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The Comics Are Felling the Pain of Print (NY Times, 26/12)

O NY Times traz matéria com um viés interessante: como alguns cartunistas começaram a aparecer mais (e lucrar mais) com a disponibilização gratuita de seus cartoons na rede. Vale a leitura, principalmente para quem se interessa sobre o mundo novo que a rede está abrindo aos cartoons & HQs.

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Internet toma lugar dos jornais como 2º fonte de notícias dos EUA, diz Pew (IDG Now, 26/12)

Um estudo recente da Pew Research Center for the People & the Press diz que a internet já é a segunda fonte de informaçãoes dos norte-americanos – 40%, contra 35% dos jornais, perdendo só para a TV, com 70%. Claro que no Brasil ainda não se tem um número tão alto, mas quem se arrisca a dizer em quanto tempo números próximos a estes vão valer também por aqui?

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[Leonardo Foletto.]

Crédito foto: World War II Photos