Diálogos Abertos #1: O Caso facebook

Junto com o Hackerspace Matehackers e a Casa da Cultura Digital Porto Alegre, começamos na última quinta-feira, 26 de abril,  uma série de debates sobre temas ligados à cultura digital, tecnopolítica, direitos digitais, cultura livre, ética hacker e outros do nosso cotidiano digital. Nosso intuito foi, e continuará sendo com os próximos, dissecar esses temas num momento em que a internet que conhecemos está acabando, e que novas “internets” estão sendo construídas, num campo em ferrenha disputa que acontece hoje.

Para começar os Diálogos Abertos, não poderíamos deixar de falar do recente caso envolvendo o Facebook, que supostamente vazou (compartilhou, melhor dizendo) dados de cerca de 87 milhões de pessoas para a empresa de marketing político Cambridge Analytica por meio de testes de personalidade. A situação levou o criador da rede social, Mark Zuckerberg, a defender sua empresa no Congresso dos Estados Unidos e despertou um sonoro “eu já sabia” nos meios do ciberativismo de proteção de dados e antivigilante, além de queda do valor das ações da empresa na Bolsa de Valores e alterações na política de proteção de dados da rede social, que vão afetar os mais de 1 bilhão de pessoas com perfis no Facebook.

A conversa realizada no miolo do Vila Flores, condomínio cultural criativo que abriga o Matehackers, girou em torno desse e outros temas correlatos, e teve a condução de Janaína Spode, integrante da CCD POA, produtora cultural e ciberativista nas lutas pelos avanços políticos para reforçar os Direitos Humanos no mundo digital;  Fabricio Solagna, doutorando em sociologia pela UFRGS com pesquisa focada em governança da Internet e Marco Civil na Internet e que já realizou projetos de participação digital no governo do RS e na presidência da República; e Leonardo Feltrin Foletto, doutor em comunicação pela UFRGS, integrante do Matehackers, da CCD POA e editor desta página.

Diálogos Abertos marcou também o lançamento da Newsletter quinzenal CCD POA + BaixaCultura (inscrição e todas as infos aqui), e da campanha de financiamento contínuo do BaixaCultura no Apoia.se. Teve a presença de cerca de 20 pessoas e outras tantas online, na transmissão que fizemos no YouTube e que está disponível aqui abaixo. As fotos são de Sheila Uberti. A 2º edição será realizada em maio.

Colaboração, espaços urbanos e produção cultural em charla

Novamente o Vila Flores, desta vez o espaço conhecido como “Miolo”, foi o cenário da BaixaCharla #4. A convidada desta edição foi Aline Bueno, comunicadora social e gestora cultural, atualmente no Mestrado em Design Estratégico da Unisinos, onde faz parte do SeedingLab – Laboratório de Design estratégico para a inovação cultural e social da Unisino.

Se o Vila abriga (ou abrigou) diversos projetos interessantes, Aline também tem os seus: já fez parte do PortoAlegre.cc, projeto pioneiro de wikicidade criado em 2011 que acabou por impulsionar diversos outros, como a Serenata Iluminada, até hoje uma bela celebração aos espaços públicos de Porto Alegre que ocupa o Parque da Redenção em noites periódicas com cerveja artesanal, bandas diversas, comidas veganas, muita gente e uma auto organização interessante de ver.

Também da Casa da Cultura Digital Porto Alegre, coletivo de cultura digital formado em 2012 que realizou diversas atividades de formação e divulgação da cultura livre, de início na Casa de Cultura Mário Quintana, centro de Porto Alegre, depois em diversas cidades no interior do RS. Do Projeto Vizinhança, ação que busca ativar espaços ociosos da cidade, públicos e privados, e que desde 2012, através da ação coletiva, já transformou 11 lugares em palco de novas experiências, estimulando a convivência entre vizinhos, a troca e a aprendizagem em um ambiente lúdico, criativo e informal.

Entre outros projetos que Aline articulou e/ou fez parte, o Vila Flores, e Associação Cultural do Vila Flores criada para gerir o espaço, foi um dos temas debatidos na charla. Passeamos um pouco sobre alguns temas em comum que os projetos de Aline trouxeram, como a colaboração, a cultura digital, o espaço urbano, a gestão/produção cultural, o que rendeu histórias de breves utopias, realizáveis ou não; da própria CCD POA, espaço onde eu (Leonardo) e Aline nos encontramos e trabalhamos juntos por alguns anos, e do ColaborAmerica 2017, evento que nossa convidada participou no final de semana anterior à conversa no Rio de Janeiro (23 a 25 de novembro de 2017). As fotos da charla são de Sheila Uberti; depois do vídeo são dos projetos citados por Aline e, por fim, algumas que ela mesmo fez do ColaborAmerica no Rio.

P.s: nosso áudio da webcam esteve com problemas, então gravamos o sim via celular, que não está 100% sincronizado com a imagem, o que, cremos, não prejudica assistir/ouvir o vídeo.

 

Vila Flores
Projeto Vizinhança
Projeto Vizinhança & Café na Calçada
Projeto Vizinhança
1º edição do Cineclube CCD Poa, com a participação do coletivo Escuta o Som do Compositor
ColaboraAmerica
José Pacheco, educador português criador da Escola da Ponte, no ColaboraAmerica2017

Conexões Globais 2016

conexoes

O Conexões Globais 2016 acontece novamente em Porto Alegre, mas desta vez no Vila Flores, 1 e 2 de abril, e com foco no debate sobre cidades democráticas. A programação completa pode ser vista aqui, e traz mesas de debate, shows e oficinas sobre cultura digital – ativismo – feminismo – participação social – direitos humanos, entre outros temas. E a novidade é que vamos ser um dos retransmissores do streaming ao vivo das palestras e shows, no link abaixo. Depois, a ideia é fazer um relato do evento por aqui mesmo.

Quem quiser dar uma lida sobre cada um dos seis diálogos que tivemos nos dias 01 e 02 de abril, só conferir nos links abaixo (direto da equipe de comunicação do evento).

Quarto Distrito de Porto Alegre: um Polo da Economia Criativa e da Inovação Colaborativa

Participação Social na era da Internet

Brasil: Jornadas de Junho aos novos movimentos sociais em rede

Porto Alegre: Movimentos Sociais por uma Cidade Mais Democrática

Diversidade Sexual e de Gênero: Os desafios do Ativismo na Rede

Mulherada empoderada: os feminismos insurgentes nas ruas e nas redes