Pirate Bay e o novo mundo compartilhado

pirate bay

Na tarde de 8 de fevereiro de 2013, escrevemos assim na nossa página no Facebook: “Acabou de ser lançado (14h de hoje), simultaneamente na rede e no Festival de Berlim, e está disponível para download e em streaming no Youtube”. O filme era  “The Pirate Bay – Away From the Keyboard“,  documentário, que já nasceu importante, sobre a história do The Pirate Bay, maior site de compartilhamento de arquivos por torrent do planeta e símbolo da luta pela liberdade de distribuição de conteúdo na internet.

Produzido de forma independente e dirigido pelo sueco Simon Klose, o documentário arrecadou US$ 50 mil no Kickstarter (primeira e ainda a principal plataforma de crowdfunding mundial) para ser produzido. “Após cinco anos de trabalho duro é um grande prazer finalmente fazer o upload do torrent sobre esse grande site nele mesmo. De certa forma, acredito que o TPB AFK finalmente chegou a sua casa”, diz Klose na página do doc. “Este não é apenas um filme sobre os fundadores do TPB, mas também um filme sobre todos vocês que usam o site. Por favor, convertam-no em todos os formatos possíveis e compartilhem o máximo que puderem!”, pede.

O chamado do diretor tem surtido efeito: o filme tem sido visto e compartilhado por diferentes grupos de pessoas, interessados ou não na cutura livre. Está, obviamente, em torrent disponibilizado no The Pirate Bay, onde é possível baixar em 480p, 720p ou 1080p, e em streaming no YouTube, na versão original (com a maioria do áudio em sueco, terra dos fundadores do site) e com legendas nas mais diferentes línguas – inclusive em português, trabalho a cargo do pessoal do Partido Pirata do Brasil.

Não precisamos (mas vamos) dizer o quanto é um filme importante de ser visto. Nos seus pouco mais de 88 minutos, apresenta (e explica) a grande diferença entre “o mundo velho como um vovô com Alzheimer“, baseado em produtos físicos e propriedades fechadas, e o “novo mundo” baseado no compartilhamento e em propriedades abertas. Como faz isso? entre outras coisas, acompanhando o dia a dia dos fundadores do projeto, Peter Sunde, Fredrik Neij e Gottfried Svarthol, e os processos que o TPB tem levado nas costas.

Uma cena tem sido muito comentada: a que Peter Sunde, nosso velho conhecido, explica a um juiz porque “não dizemos IRL (in real life) e sim AFW (away from keyboard): “acreditamos que o que acontece na internet é real”. Outras chegam a ser divertidas, como quando os fundadores tem que explicar às autoridades dos EUA e da Suécia que não tem empregados contratados (“somos amigos que falam por chat”) ou dizer que o TPB não tem arquivos físicos, nem controlam seu conteúdo, apenas mediam os usuários que compartem arquivos via torrent.

tpb-afk

O jornalista espanhol Bernardo Gutierrez diz que o TPB é a inovação que a indústria deveria ter criado. Uma plataforma aberta de encontro e intercâmbio, massiva  a ponto de gerar dinheiro através da publicidade e repartir o bolo com os autores. Diz Gutierrez: “El Imperio del Plástico y del Celuloide Comercial- cuya decadente capital sigue siendo la #PostMetrópolis de Los Ángeles- debería haber creado una plataforma como Flattr, micro mecenazgo para compensar a autores con lógica de red. Pero, oh wait, el innovador Flattr es una iniciativa de Peter  Sunde, ese temible líder de la piratería mundial que fundó The Pirate Bay”.

Ademais da polêmica, “TPB – Away from the Keyboard” é um filme para ver com teus pais, avós, amigxs, namoradxs. Pode ser usado como uma boa desculpa para explicar, mais uma vez, que o mundo mudou e que a internet e as tecnologias de comunicação estão chacoalhando as formas de produzir e acessar bens culturais  (aproveite para falar do Torrent também, talvez a principal metáfora para entender o que é o mundo em compartilhamento de hoje). Nesse contexto novo, o Pirate Bay é um farol anarquista a ser seguido, curtido e compartilhado – sempre com uma piscada de desconfiança que o excesso de informações a que temos acesso hoje nos dá o dever de ter.

Assista o filme abaixo, com legendas em pt-br (ou english, se preferir).

Notícias do Front Baixacultural (13)

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(Excepcionalmente começando com uma nota pequeña de auto-promoção)

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BaixaCultura, MinC e Overmundo

José Murilo, responsável pelas notícias sobre cultura digital do site do Ministério da Cultura, republicou dois textos nossos na página do MinC: este e este. A parceria promete render mais frutos, segundo interesse da ambas as partes. Além disso, Reuben criou uma conta no Overmundo com a finalidade de republicar as entrevistas e matérias mais extensas aqui do blog. O link permanente está aí do lado, na coluna ‘Parcerias’.

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Dossiê sobre cibercultura da Revista FAMECOS (Cultura Digital, 08/01)

Uma nota que está meio passada pela data, mas não por seu conteúdo: vale a pena conferir o  número 37 da Revista FAMECOS (PUC do Rio Grande do Sul), que traz um dossiê com os textos mais importantes apresentados durante o II Simpósio Nacional da ABCiber (Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura), realizado em São Paulo, em dezembro de 2008. Tem bastante coisa que pode satisfazer os mais variados tipos de interesse relacionados à cibercultura, indo desde o jornalismo online e a cibernotícia até temas mais específicos como interfaces multisensoriais e inteligência coletiva, passando ainda por temas populares na rede como podcasts e fotologs, dentre outros assuntos.

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O dilema do pirata (Trabalho Sujo, 02/02)

Alexandre Matias entrevista o jornalista Matt Mason, autor de The Pirate’s Dilemma, livro que possui o sugestivo e enigmático (para mim, ao menos) subtítulo: How Youth Culture reinvented capitalism [Como a cultura jovem reinventou o capitalismo]. A seguir, alguns trechos da entrevista que elucidam mais do teor do livro:

Sobre direito autoral:

Não acho que ele vá acabar, o direito autoral é muito importante. Mas o que está mudando é o conceito de uso justo, o que dá pra se fazer sem pedir permissão. Acho que o direito autoral também está ficando mais sofisticado. E nós realmente precisamos de leis fortes sobre direitos autorais, mas não precisam ser tão rígidas quanto as leis de hoje”

Sobre pirataria e capitalismo:

“O que estamos assistindo, com a pirataria e a forma com que as pessoas usam a internet, é um sintoma de algo maior que está acontecendo com o capitalismo. Mais uma vez, a forma como pensamos os negócios está mudando. Se você olhar as visões clássicas da economia, as empresas sempre tiveram um motivo para acrescentar valor à sociedade. Mas o capitalismo mais recente está mais preocupado em agregar valor às suas diretorias do que para todos – claro que estou simplificando demais esta situação. Acho que estamos voltando ao modelo clássico, os negócios precisam agregar algo às pessoas, dar a elas boas experiências.”

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Livro: Más allá del Google (Blog do GJol, 2/02)

Excelente dica do blog do GJol, Grupo de Pesquisa em Jornalismo Online da pós-graduação da UFBA: “Más allá de Google” é o novo livro de Jorge Juán Fernández García, colaborador do Infonomia.com, uma interesse revista online espanhola. Segundo Adriana Rodrigues do GJol, “o livro versa sobre  sobre leis direcionadas em como utilizamos ou nos afetam a informação e as tecnologias digitais”, e como de praxe está disponível para download em PDF.

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Como e onde arranjar convites para trackers privados de BitTorrenet (Remixtures, 4/02)

Ótimas dicas do nosso parceiro português para entrar no assombroso mundo dos trackers privados, os menos perseguidos pela RIAA e similares, e aqueles onde mais se encontra monstruosidades de raridades para baixar.

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Jornalismo online 0.5 (Marcelo Träsel, 05/02)

Jornalismo online no início dos anos 80? Lento, e mais caro que o impresso. Duvida? Veja o vídeo.

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Mais de um milhão de móveis de “livros móveis” estão disponíveis (Blog do GJol, 7/02)

Outra do Blog do GJol, porque é boa: o Google Books está disponível também para dispositivos móveis, com um acervo que gira em torno do um milhão e meio de e-books.

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[Leonardo Foletto e Reuben da Cunha Rocha.]

Crédito foto: World War II Photos