Arduíno e patentes de software no ciclo copy, right?

2º dia do ciclo copy, right? rola amanhã, 16 de junho, às 16h30, na Matilha Cultural, um centro cultural independente dos mais interessantes de São Paulo, localizado na rua Rêgo Freitas, 542, a poucas quadras da estação República do metrô, região central da cidade. 

Os dois filmes de amanhã – que vão ser exibidos na sala de cinema da Matilha, no 3º andar –  tocam em  duas questões primordiais da cultura digital: o software e o hardware livre.

O primeiro filme exibido, “Patent Absurdity” (2010, 28 min), dirigido por Luca Lacarini e produzido por Jamie King com o apoio da Free Software Foundation, fala da batalha travada pela indústrias dos softwares para manter o monopólio de patentes de seus programas e do quanto essa relação afeta a economia mundial.

Marcelo De Franceschi, ex-editor desta página, fez como uma de suas últimas colaborações a tradução, legendagem e a subida do video em três partes no Youtube (e no Vimeo). No nosso canal do Youtube estão as três partes para quem quiser ver – mas garanto que será melhor assistir o filme na bela sala de projeção da Matilha.

O segundo, “Arduíno – o documentário” (2011, 28 min), dirigido por Rodrigo Calvo e Raúl Diez Alaejos, trata do desenvolvimento da placa homônima, um “mini-computador” que pode sentir o estado do ambiente que o cerca por meio da recepção de sinais de sensores e que é um dos principais representantes do que se chama “hardware livre”.

As legendas do “Arduíno – o Documentário” foram feitas também por Marcelo, que puxou a escrita desse post sobre o assunto. Ali, dizemos, entre outras coisas, que:

“O atual problema que há é que, devido aos sistemas de padronização e patenteamento, muitas pessoas ficaram sem a possibilidade de aprender como as coisas funcionam” diz  o engenheiro e pesquisador David Cuartielles.

O open source hardware diminui essa diferença, facilitando o aprendizado da programação de circuitos eletrônicos que cercam as nossas atividades.  Tendo noções de como são efetuados os controles dos circuitos e das programações, não seremos facilmente ludibriados e podemos inovar.”

 O vídeo pode ser assistido no nosso canal do Vimeo – e também na Baixa TV aqui do lado.

Na conversa pós-exibição dos filmes estarão Rodrigo Rodrigues, sócio da Metamáquina e integrante do Garoa Hacker Clube – o primeiro hackerspace do Brasil, sediado no porão da Casa da Cultura Digital, que realiza duas brincadeiras  semanais com a ferramenta:  a “Noite do Arduíno“, na quinta, e o ‘Arduino 100 noção‘, aos sábados.

A Metamáquina é uma empresa dedicada à impressão 3D de baixo custo que teve seu “start” através de uma bela campanha no Catarse – e que tem sede numa salinha pequena da Casa da Cultura Digital. A Metamáquina, como diversas outras novas empresas, não seria possível sem a popularização das impressoras 3D a partir dos hardwares abertos, que propiciaram a criação de projetos como a Makerbot – impressoras 3D que pegam um modelo de um objeto disponível na internet e imprimem esse objeto.

Junto com Rodrigo estará Bernardo Gutierrez, “pós-jornalista” espanhol que já trabalhou como correspondente em diversos países da América Latina e escreveu para várias revistas & jornais – como Público, El País, GEO, National Geographic, La Vanguardia, Interviú, La Repubblica o Der Tager Spiegel, dentre outras. Ele é hoje CEO do Future Media, consultoria de estratégias digitais, e blogueiro no diário espanhol 20 minutos.

Bernardo é também ativista do 15M espanhol, um dos grupos protagonistas da cada vez menos silenciosa Revolução Copyleft. É de lá que trará para o debate diversos exemplos de usos de arduínos em ocupações urbanas – e na relação das cidades com o software livre, no que ele chama de Urbanismo P2P, que nada mais é que a aplicação dos princípios da liberdade embutidos no copyleft para a arquitetura.

Um exemplo de sua “remezcla” sobre cidades copyleft é este texto, “Sonhei que era um DJ de Ruas“, onde ele aplica as principais liberdades do SL a cidade:

Libertad 0. Libertad para ejecutar la ciudad sea cual sea nuestros propósito

Libertad 1. Libertad para estudiar el funcionamiento de la ciudad y adaptarlo a tus necesidades – el acceso al código fuente es condición indispensable para eso.

Libertad 2. La libertad para redistribuir copias y ayudar así a tu vecino.

Libertad 3. La libertad para mejorar la ciudad y luego publicarlo para el bien de toda la comunidad.

Estas e outras provocações mais amanhã, na Matilha, de grátis. Apareçam!

II Fórum da Cultura Digital Brasileira

Página do Fórum 2010

Boa parte das pessoas que passam por aqui já devem estar sabendo, mas não custa reforçar: o II Fórum da Cultura Digital Brasileira vai acontecer no próximo mês, entre 14 e 17 de novembro, na Cinemateca, em São Paulo. O legal é que está com as chamadas para apresentação de atividades (oficinas, experiências, redes e pesquisas acadêmicas) abertas até pelo menos o dia 22, ou seja, amanhã.

A ideia do evento este ano é a de reunir pessoas, Brasil e mundo afora, e suas experiências com a cultura digital. Daí vem o nome que acompanha o fórum “a rede das redes”, que representa a intenção de ouvir/reunir todos que estejam fazendo alguma coisa em prol da tal cultura digital, seja nas suas localidades interioranas quanto nas capitais mundiais tecnológicas.

A programação do evento ainda está para ser fechada (creio que no início da semana que vem já esteja sendo divulgada), mas a julgar pela do ano passado, coisa boa deve vir por aí. Um dos ilustres que estiveram em novembro passado, data do I Fórum, foi Jamie King, idealizador dos documentários “Steal This Film”, que exibimos e traduzimos por aqui – aliás, parece que ele vem novamente este ano, agora para apresentar sua experiência do Vodo Project, uma iniciativa que auxilia videomakers na circulação (e remuneração) de seus filmes pelo planeta.

Foto do Fórum 2009

O fórum do ano passado teve diversos shows, de Porcas Borboletas à Mini-Box Lunar, passando por Jorge Mautner, Lucas Santanna e Teatro Mágico (foto acima). Ao que tudo indica, este ano não haverá shows nos dias do evento – mas se tu quiser levar tua banda pros lados da Cinemateca entre os dias 15 e 17 de novembro, provavelmente haverá um espaço livre para “manifestações artísticas”.  É esperado, também, um show grandão para a abertura do evento, no domingo dia 14, no Auditório Ibirapuera, pertinho da Cinemateca.

Assim que houver a confirmação dos convidados do II Fórum divulgaremos por aqui. Vale dizer que, independente dos convidados “principais”, muita gente “anônima” (e interessante) que trabalha com cultura digital – e tudo que esse guarda chuva engloba, de programadores hard users à artistas yuppies que usam o digital em suas obras – vai estar por São Paulo nestes três dias de novembro, seja apresentando algo, assistindo as palestras e/ou somente fazendo contatos para projetos posteriores.

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Espaço da Cinemateca, São Paulo, em foto do Fórum da Cultura Digital 2009
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Lamentavelmente, quando ocorreu a primeira edição do Fórum, ano passado, estávamos viajando e postando pouco no BaixaCultura, de modo que não acompanhamos o evento. Perdemos coisas interessantes que, felizmente, podem ser recuperadas através do blog do I Fórum, como a entrevista com Cícero Silva (curador de arte do culturadigital.br e um dos organizadores do FILE), Heloísa Buarque de Holanda (professora da UFRJ que já falamos por aqui), Anapuaká Muniz (um dos coordenadores da rede Web Brasil Índigena), dentre outras coisas que tu pode ver com calma e tranquilidade lá no blog do fórum.

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As fotos dessse post são de Gil Prado.