Hermeto fluindo ao vento

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Um dos grandes músicos  em atividade neste país, o “Beethoven do século 20” (como o define  um tanto exageradamente o acordeonista Sivuca, outro gênio brasileiro), Hermeto Pascoal, ao fim do ano passado, abriu mão das licenças pela internet e liberou para uso de qualquer músico todas as composições registradas em seu nome. Fez isso com estilo, na forma da singela cartinha abaixo, publicada em seu site oficial.

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Hermeto, que nos idos de 1973 já lançava um disco com o nome de ” A Música Livre de Hemeto Pascoal“, é uma daquelas muitas figuras que pouco ou nada ganhou com direitos autorais de suas composições: como não se organizou para registrar suas músicas, tudo que ganhou de $$ na música foram com shows, segundo afirma o repórter Lucas Pretti em matéria do Estadão, do qual tirei boa parte das informações deste texto.

Aliás, não poderia ser mais incoerente alguém como Hermeto ganhar com direito autoral. A ideia de liberdade musical, de improvisação, de pulverização das composições, é algo que sempre acompanhou o alagoano,  que não perdia a oportunidade de falar que  “tudo é música” e todos podem fazer música com qualquer coisa – objetos, plantas, voz, teclado, flauta doce ou copo de água, como ele mostrou algumas vezes em entrevistas. Sua música já era de código aberto muitos anos antes do termo existir.

Sua ida para a internet tem muito a ver com sua namorada e parceira musical desde 2002, Aline Morena, que não se conformava que um artista do porte de Hermeto não tivesse sequer um site próprio. Tanto botou pilha no barbudo que fez quatro sites, um para cada tipo de apresentação de Hermeto (com a Big Band, o Grupo, orquestras sinfônicas e para o duo com ela), todos que podem ser acessados através do site oficial.

A previsão é que nos próximos dias comece a disponiblização de  sua extensa discografia para download, na própria página oficial.

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Existem vários vídeos só no Youtube dando conta dos múltiplos talentos do músico. Tem desde uma conversa musical com Dominguinhos, daquelas que só duas figuraças conseguem fazer sem doer, até um depoimento no ótimo documentário Janela da Alma, passando pelo impressionante improviso vocal de “Remelexo“, tirada do ao vivo em Montreux de 1979. Mas  se é pra selecionar um para encerrar o post, fiquemos com outro improviso, mais longo, também no ao vivo em Montreux de 1979:

[Leonardo Foletto.]