Um relato (relaxado) do Fórum da Cultura Digital 2010

Passados duas semanas do Fórum da Cultura Digital 2010, talvez não haja muito mais o que falar a respeito do evento do que outros já falaram. [E já se falou bastante, basta ver os links com a tag #culturadigitalbr no delicious].

Receio que muita das inúmeras coisas que aconteceram durante os três dias de novembro na Cinemateca vão ecoar nos próximos meses e até nos próximos anos, num esquema vagaroso e não programado de assimilação de ideias. É possível que muitas das informações do Fórum só venham a bater quando da junção com outras infos obtidas no calor do dia a dia. Quando isso acontecer, o estrago pode vir a ser grande – ou pode não dar em nada, como muitas das ideias geniais que passam alguns breves segundos por nós e morrem sem mal dar sinal de vida pós-mortem.

De qualquer modo, aqui vai uma seleção aleatória de links com comentários breves de algumas das coisas que lembramos agora, com o necessário respiro das belas fotos do evento realizadas pelo coletivo UARA (todas as fotos são de André Motta e Pedro Caetano e foram tiradas daqui). Seria prepotência querer fazer uma cobertura daquele caos criativo que foi o Fórum agora, então melhor mesmo, na nossa visão, é lembrar de algumas coisas e deixar outras tantas para serem recordadas durante os próximos meses, quando o mar de informação cotidiana pedir para chafurdar nas milhares de gavetas internas onde ainda reverberam as experiências apreendidas nos três dias de novembro de 2010 na Cinemateca Brasileira de São Paulo.

 

_ Atual mercado de livros vai falir, diz estudioso americano.

O estudioso em questão é Bob Stein (na foto acima), que participou de uma mesa no seminário internacional no primeiro dia (15) do Fórum. Descontando o fato de ser uma matéria da Veja, vale a leitura da entrevista por duas considerações deixadas por Stein sobre o(s) futuro(s) do livro:

“O futuro do livro segue em duas direções. O livro impresso se transformará em um objeto de arte. Em outras palavras, pessoas abastadas poderão comprar lindas versões de livros impressos. Eles terão mais ilustrações e servirão como um souvenir. Já a maioria dos livros terá como padrão o formato digital. Você poderá imprimi-lo, se quiser, e a leitura se tornará muito mais social e dinâmica.”


_ Ex-parceiro de Godard, Jean-Pierre Gorin mira o digital

Entrevista do cineasta/mestre/professor Jean-Pierre Gorin (foto acima), que participou de palestra que encerrou o 2º dia do fórum, à repórter da Ilustrada (Folha) Ana Paula Sousa. Vale pela sinceridade de Gorin, daquele raro tipo de pessoa que, por não ter muita coisa a temer, diz o que pensa sem tá nem aí para com que os outros vão “falar” dele , e pelo raro e saudável  exemplo de ser um artista pouco afeito a qualquer tipo de concessão em sua obra.

.

_ Transmedia and Remix Debate at Brazilian Digital Culture 2010

Eduardo Navas é um estudioso do remix (participou do 3º dia do fórum, na mesa “Cultura Digital para além da internet: remix e transmídia“). Quando dizemos estudioso é porque o cara estuda mesmo o remix, com diversos textos interessantíssimos publicados sobre o tema e um conceito de remix melhor que o da Wikipedia. Navas fez um relato bastante detalhado (em inglês) de sua participação no Fórum no ótimo Remix Theory (na imagem acima), um dos melhores lugares para se ver achados sobre a natureza e a evolução do remix, de simpáticas recombinações de desenhos da Disney à densos artigos teóricos sobre a ètica da modularidade de informações.

.

_ Carta do Fórum da Cultura Digital em Defesa da Liberdade na Internet

Foi o documento produzido durante o fórum por diversos ativistas e usuários da internet cansados da ameaça de apropriação da rede em nome da proteção de crimes como pedofilia. Vale ler, divulgar, assinar e também acompanhar a discussão sobre o assunto no congresso nacional.

.

_ Linha do Tempo da Cultura Digital

Apresentado durante o fórum, a Linha é uma construção colaborativa que visa recuperar a história da cultura digital no Brasil e no mundo. Começou com um recorte dos últimos 10 anos, mas a ideia é que se abra ao recorte de tempo que as pessoas acharem necessário. O legal é que ela está aberta a participação de qualquer um, mediante um simples cadastro. Dá para escrever um verbete sobre um fato que tu ache interessante constar ali e dar pitaco nos que já estão lá, além de acrescentar mais dados, fotos, vídeos aos verbetes.

**

Vale dizer que as experiências e pesquisas acadêmicas apresentadas no espaço Experiências de Cultura Digital transmitidas ao vivo via streaming estão disponíveis para assistir e baixar (como é o caso da argentina La Vecindad, da foto acima).É um rico material de mais de vinte vídeos que, ademais de recuperar os trabalhos apresentados, pode ser útil para quem esteve no fórum e não pode estar presente na sala Petrobras (onde localizava o espaço) diante das mil e uma atividades acontecendo ao mesmo tempo. Segundo fontes confiáveis, outro projeto envolvendo as experiências de cultura digital está no forno, com previsão de estar pronto no início do ano que vem.

Para outros materiais e detalhes do Fórum, vasculhe o culturdigital.br/forum2010.