Diálogos Abertos #4: internet livre e segura

 

A quarta edição do Diálogos Abertos, nosso “programa” de debates mensal que realizamos em parceria com a Casa da Cultura Digital Porto Alegre, discutiu, neste último sábado, a busca por uma internet livre e segura para tod@s. É possível?

Nos reunimos na sede da Amigos da Terra Brasil, núcleo brasileiro de uma organização internacional dedicada à proteção do meio ambiente e à promoção do desenvolvimento com sustentabilidade e justiça social, co-organizadora desta edição ao lado de integrantes da Marcha Mundial das Mulheres, que luta pelos direitos reprodutivos das mulheres.

Participaram da conversa integrantes do BaixaCultura, CCD POA, Amigos da Terra, Marcha Mundial das Mulheres e outras organizações e projetos, como a EITCHA, Escola Itinerante de Tecnologia Cidadã Hacker. Falamos sobre a garantia de direitos como a privacidade, a liberdade de expressão, o acesso à informação, a participação social e o direito à manifestação, nos contextos do Marco Civil da Internet e da Lei Geral da Proteção de Dados, e sobre formas de defesa – ou que pelo menos dificultem – a vigilância na rede por governos e grandes empresas.

Os slides guia da apresentação de algumas ferramentas, criada por Fabrício Solagna, está aqui. Também tem uma apresentação de Leonardo Foletto, editor do BaixaCultura, usada em sala de aula (PUCRS) sobre privacidade e antivigilância.

Algumas das ferramentas mostradas no Diálogos estão listadas aqui abaixo:

_ TOR, navegador anônimo da web;
_ Checa se o servidor do email é seguro, StarTTLS;
_ Algumas excelentes extensões para tornar seu navegador Firefox mais seguro;
_ Safer Nudes, guia para mandar seus nudes de maneira segura, produzido pela Coding Rights;
_ Fuzzyfyme, extensão para firefox e Chrome que ajuda a impedir anúncios direcionados no Facebook;
_ Safer Manas, dicas de segurança digital em GIFS;
_ MailVelope, plugin para criptografar seu email (Gmail, Yahoo, Hotmail e vários outros);
_ Você na Mira, extensão (Firefox e Chrome) que ajuda a saber qual “caixinha” você é direcionado nos anúncios políticos do Facebook;
_ Alternativas aos serviços do Google;
_ Clue, aplicativo menstrual com uma boa política de dados pessoais;

E o vídeo do evento, na íntegra (3h de duração):

 

Diálogos Abertos #2: A Internet como conhecemos morreu. E agora?

A Federal Communications Comission (a “Anatel” dos EUA) decidiu, em dezembro de 2017, acabar com a neutralidade da rede, princípio que obriga os provedores de internet a tratar igualmente todos os dados, sem poder discriminar ou privilegiar nada do que passa por suas redes. O Senado dos EUA, porém, rejeitou essa decisão, jogando agora para a Câmara de Representantes (a Câmara dos Deputados dos EUA) e o presidente Trump decidirem se a medida da FCC vai ser invalidada definitivamente e a neutralidade de rede seja efetivamente restaurada.

Muitos já dão como certa que Trump e os deputados vão reverter a decisão do Senado e pôr fim a neutralidade da rede  – o que ocorre também devido a afirmação da liderança republicana da Câmara expressando sua oposição em votar a neutralidade da rede agora. Se de fato a neutralidade for derrubada por lei, é a maior mudança da história da internet até aqui. Nos próximos anos, é grande a chance de nós usuários termos que pagar mais para acessar certos tipos de serviço – uma conexão que priorize a velocidade dos vídeos ou o desempenho dos games, por exemplo, o que é proibido por lei hoje. Sem a neutralidade da rede, as empresas de telecomunicações são donas da rede e podem definir o conteúdo que você irá acessar, como numa assinatura de TV a cabo.

O cerceamento da internet por empresas privadas como o Google, Facebook, Amazon e Apple também tem ajudado a tornar a internet livre, descentralizada e gestionada por pessoas (ou comitês com participação da sociedade civil), uma realidade cada vez mais distante. Cerca de 70% dos brasileiros acessam a rede pelo celular e, não raro, só entram em serviços como o Facebook, WhatsAPP e Instagram quando conectados. A internet tem virado o que muitos de nós ativistas por uma internet livre temíamos: um grande jardim murado, onde quem dá as cartas do que e como acessar são grandes empresas privadas com sede nos EUA.

Diante desse cenário, vamos, novamente junto com a CCD Porto Alegre e o hackerspace Matehackers, debater no segundo Diálogos Abertos o que (e se) ainda é possível ser feito para manter a internet livre e descentralizada, como ela foi pensada inicialmente e como ela funcionava até anos atrás, e sobre como podemos lidar com mais essa situação distópica. Há gente, como Peter Sunde, um dos criadores do The Pirate Bay, que já desistiu: “Ainda pensamos na internet como esse novo Velho Oeste. Nada está escrito em pedra ainda, então não ligamos. De alguma forma tudo vai dar certo. Mas não é por aí. Nunca vimos tanta centralização, desigualdade e capitalismo extremos. Porém, de acordo com o marketing feito por gente como Mark Zuckerberg e empresas como o Google, tudo é feito para ajudar a rede aberta e promover democracia, e por aí vai. Ao mesmo tempo, são monopólios capitalistas. É como confiar no vilão pra fazer boas ações. É bizarro.” Outros, como Tim Berners-Lee, criador-chefe da Web, diz que devemos nos preocupar com a regulação, porque se deixarmos para o mercado regular a internet a situação pode ficar ainda pior do que já está.

Nossa conversa também vai trazer outras perspectivas mais, digamos, otimistas, que apontem para novos caminhos de (re) construção da internet, como as redes livres. Teremos como convidados Rodrigo Troian, ativista de software livre desde 2004 e que desde 2008 vem pesquisando e fazendo redes em malha por wifi utilizando roteadores de baixo custo – as chamadas redes livres, como ele comentou na BaixaCharla. Além dele, vão participar da conversa integrantes das organizações participantes e quem mais quiser; a roda de conversa é aberta a todxs que quiserem participar (falar, escutar e/ou só observar)

O evento será novamente no Vila Flores, às 18h30. Como da primeira vez, vai rolar transmissão ao vivo no nosso canal no YouTube.
UPDATE 19/6: Tivemos um problema na conexão de internet, então o vídeo transmitido ao vivo vai até os 22min49s, e aos 22min53s entra a segunda parte, não transmitida, mas gravada – por isso uma pequena diferença na qualidade de imagem/som.

https://youtu.be/sXGKorxS_zE