Cursos

No ano seguinte à nossa criação, começamos a trabalhar com formação nas áreas relacionadas à cultura livre, ciberativismo, guerrilha da comunicação, comunicação digital e tecnopolítica. Surgiram então oficinas, palestras, cursos, cineclubes e outros formatos diversos que fomos fazendo ao longo do tempo.
Oficinas e cursos atuais:

_ TECNOPOLÍTICA E CONTRACULTURA: Um passeio pelo pensamento tecnopolítico de autonomistas, artistas, hackers e outres rebeldes (curso, 12 a 15h)

Se nos anos 1990, com o casamento do digital com a internet, enxergávamos enormes possibilidades de libertação (da informação de grandes grupos midiáticos, de liberdade de falar o que bem quiser, de criar tecnologias e mundos novos), hoje parece que estamos a lidar com consequências nefastas, representadas em uma palavra na moda nestes tempos: distopia. Nos descuidamos – ou não conseguimos? – prestar atenção na ascensão de plataformas globais de tecnologia, que por sua vez construíram bolhas de informação que confirmam pontos de vista, espalham mentiras e criam realidades alternativas que em muitos casos não há informação comprovada que consiga mudar.

Como podemos compreender o contexto tecnopolítico hoje? Que caminhos podemos apontar para discutirmos e transformarmos a política que sempre está junto na construção de tecnologias? A proposta desse curso é buscar algumas respostas para estas perguntas olhando para o passado e o presente e passear por alguns pensamentos rebeldes sobre a tecnologia desenvolvidos na segunda metade do século XX até hoje. Começamos pelos autonomistas surgidos no ‘maio de 68’ italiano que durou mais de uma década, com foco especial em Antonio Negri, Franco “Bifo” Berardi, Paolo Virno, Maurizio Lazaratto e Giorgio Agamben. Passamos pela explosão de novidades da arte e do ativismo digital dos anos 1990 (Wu Ming, mídia tática, altermundistas, Critical Art Ensemble); continuamos com os hackers e seus princípios éticos de transparência, liberdade e autonomia com as tecnologias; e chegamos até hoje, com a ascensão das redes sociais como principais espaços de discussão pública nas redes digitais e o fim da internet como a conhecemos nos 1990 e 2000, a partir da quebra da neutralidade da rede.

_ COMO DOCUMENTAR UM PROJETO? (oficina prática, 8 a 10h)

Como podemos deixar um registro significativo dos projetos e ações que realizamos? Ou compartilhar o processo de criação antes, durante e depois de uma dada atividade?  Aprender com os erros, refletir sobre o já feito e ativar a memória para que nossos projetos persistam, mesmo que como documentos que vão ajudar outrxs a fazer melhor, são alguns dos benefícios de realizar uma boa documentação dos projetos. É certo que a internet e a tecnologia digital facilitam a produção de registros, mas documentar vai muito além de postar uma foto nas redes sociais: envolve sistematização de informação, trabalho com a memória e cuidado com os jeitos de arquivar o material. É também contar uma história, a nossa versão dos fatos.

A proposta da atividade é mostrar como devemos proceder para garantir um mínimo de documentação de nossos projetos. Abordamos questões introdutórias da importância da documentação e da memória, organizar e escolher aquilo que queremos relatar em nossas ações, o uso de ferramentas de registro e de arquivo, a organização das competências de cada um para produzir bons registros e a publicação dos materiais nas redes digitais (mas também em nossos arquivos internos). O pré-requisito é que xs participantes façam parte de algum projeto cultural, ativista, social, de cuidados, comunicação, inovação e que tragam informações de seus projetos para realizarmos a atividade prática de documentar.

_ OFICINA JORNALISMO ARTESANAL EM ZINES (oficina teórico-prática, 4 a 6h)
Zines são uma forma de expressar qualquer ideia em forma de publicação. Com um longo histórico na contracultura do século XX, eles sobrevivem ao digital século XXI com a proposta de expor ideias e informações de um modo artesanal, com cada detalhe importando para que a sua fruição seja uma experiência única. Na contramão dos fluxos contínuos (e não alcançáveis por nossa cognição) de informação que jorra de todos os lugares digitais, a proposta da oficina é usar o zine como plataforma de um jornalismo lento, hiperlocal e livre: o que importa aqui é a criatividade ao expressar uma informação numa publicação, e não a escala industrial de produção de conteúdos que serão esquecidos logo depois de ler. Vamos fazer uma deriva pela região da oficina para, a partir do olhar curioso pela cidade, expressar no zine quais informações de interesse público da região podem ser transformadas em informações jornalísticas para um zine.

_ GUERRILHA DA COMUNICAÇÃO (oficina teórico-prática, 4 a 6h)
Seria a melhor subversão a alteração dos códigos em vez da destruição destes? Partindo dessa ideia, de algumas leituras e da documentação ao longo dos anos de ações “guerrilheiras” de comunicação aqui no site, é que nasceu a oficina de Guerrilha da Comunicação. A proposta da oficina é a de apresentar teoria e prática de táticas de comunicação de guerrilha: distanciamento, sobreidentificação, happenings, snipers (os franco-atiradores semióticos), subvertising (propagandas anti­consumo com símbolos do capitalismo), cut­-up, happenings, eventos eventos falsos e outras práticas agrupadas na ideia de artivismo. Nomes como Adbusters, Critical Art Ensemble, Wu Ming, Luther Blisset, William Burroughs, Stewart Home, En Medio, Espai in Blanc Provos e BaixoCentro são algumas das referências da oficina.

_ CULTURA LIVRE HOJE (Palestra/roda de conversa, 2h)
A proposta dessa fala é fazer um panorama do que se identifica como cultura livre hoje. A ideia de cultura livre – ou melhor, de um agrupamento de práticas culturais organizadas em torno desse nome-conceito – nasce inspirada pelo movimento do software livre, pelos grupos contraculturais anticopyright e pela ideia de copyleft, que mudou as regras do que se produz, distribui e se pensa sobre software na década de 1980. No final dos anos 1990, a cultura livre se pauta como um movimento de resistência aos grandes monopólios dos direitos autorais no mundo, cuja consequência mais clara foi a privatização do conhecimento a partir da ideia de propriedade intelectual. Ideias e licenças, como o Creative Commons, surgem neste momento e se tornam chaves na perspectiva de trazer mais autonomia aos autores sobre suas próprias obras, enfrentando o status quo do copyright e buscando uma atualização das leis em face às mudanças trazidas pela tecnologia digital e a internet.
A partir dos anos 2000, a ideia de cultura livre se torna ainda mais heterogênea, um guarda-chuva a articular uma série de práticas e modos de fazer que se transformam ao longo dos anos. O software livre e as licenças livres continuam como tags centrais do movimento, mas temas como a produção de conhecimento aberto, a democratização da mídia, os recursos educacionais abertos, a transparência via dados abertos e inspirado pela ética hacker, as práticas artísticas em torno da recriação e do remix, as defesas da neutralidade da rede e da segurança da informação na internet, as políticas públicas culturais de Estado (em especial, a partir dos Pontos de Cultura no Brasil) e a economia colaborativa, entre outros, se tornam assuntos emergentes dentro do movimento. A partir da década dos 2010, a ideia do comum (procomún, em espanhol; commons, em inglês) ganha força na cultura livre como propulsora de modelos organizativos, econômicos e sociais mais justos, num diálogo constante com a economia solidária e o cooperativismo, também a partir das assembléias e Okupas espanholas pós 15M de 2011, até chegarmos aos laboratórios de inovação cidadã que se propagam na Ibero-américa nos últimos anos.

*****

Algumas das formações que conduzimos nos últimos anos:

Visões de Cultura Livre no Brasil (oficina/curso curto, Recife, julho de 2017):

_ Cultura Livre e acesso aberto ao conhecimento (oficina, Universidade de Aveiro, Portugal, 2017);

_ Congresso #GCultural2016 – online, em parceria com os coletivos Artica Centro Cultural 2.0, Gestión Cultural (Uruguay), Comunicación Abierta (Bolívia), Aforo Gestión Cultural (México), Comandante Tom (Espanha)


_ 10 mitos sobre a cultura livre e o acesso aberto ao conhecimento (palestra, FISL17, 2016);


_ Guerrilha da Comunicação (oficinas), em parceria com FotoLivre.org (São Paulo/Ribeirão Preto, 2015-2016);

_ Detournament: cultura livre, copyleft e desvio criativo (Joinville, 2015)

_ Cultura Livre/Pirataria (Congresso de Cultura Livre, Equador; Encontro de monitores do Acessa SP; algumas em parceria com o Ônibus Hacker), 2010-2015;
_ Cineclube CCD, em parceria com a Casa de Cultura Digital Porto Alegre (2013);
_ Cineclube copy, right? (2º edições Santa Maria, 1 em São Paulo, 2009 a 2012);