Cursos

No ano seguinte à nossa criação, começamos a trabalhar com formação nas áreas relacionadas à cultura livre, remix, direito autoral, ciberativismo, guerrilha da comunicação, comunicação digital, entre outros tópicos investigados aqui. Surgiram então oficinas, palestras, cursos, cineclubes e outros formatos diversos que fomos fazendo ao longo do tempo.
Oficinas e cursos atuais:

_ OFICINA JORNALISMO ARTESANAL EM ZINES (oficina teórico-prática, 4 a 6h)
Zines são uma forma de expressar qualquer ideia em forma de publicação. Com um longo histórico na contracultura do século XX, eles sobrevivem ao digital século XXI com a proposta de expor ideias e informações de um modo artesanal, com cada detalhe importando para que a sua fruição seja uma experiência única. Na contramão dos fluxos contínuos (e não alcançáveis por nossa cognição) de informação que jorra de todos os lugares digitais, a proposta da oficina é usar o zine como plataforma de um jornalismo lento, hiperlocal e livre: o que importa aqui é a criatividade ao expressar uma informação numa publicação, e não a escala industrial de produção de conteúdos que serão esquecidos logo depois de ler. Vamos fazer uma deriva pela região da oficina para, a partir do olhar curioso pela cidade, expressar no zine quais informações de interesse público da região podem ser transformadas em informações jornalísticas para um zine.

_ GUERRILHA DA COMUNICAÇÃO (oficina teórico-prática, 4 a 6h)
Seria a melhor subversão a alteração dos códigos em vez da destruição destes? Partindo dessa ideia, de algumas leituras e da documentação ao longo dos anos de ações “guerrilheiras” de comunicação aqui no site, é que nasceu a oficina de Guerrilha da Comunicação. A proposta da oficina é a de apresentar teoria e prática de táticas de comunicação de guerrilha: distanciamento, sobreidentificação, happenings, snipers (os franco-atiradores semióticos), subvertising (propagandas anti­consumo com símbolos do capitalismo), cut­-up, happenings, eventos eventos falsos e outras práticas agrupadas na ideia de artivismo. Nomes como Adbusters, Critical Art Ensemble, Wu Ming, Luther Blisset, William Burroughs, Stewart Home, En Medio, Espai in Blanc Provos e BaixoCentro são algumas das referências da oficina.

_ CULTURA LIVRE HOJE (curso teórico, 6h)
A proposta do curso é fazer um panorama do que se identifica como cultura livre hoje. A ideia de cultura livre – ou melhor, de um agrupamento de práticas culturais organizadas em torno desse nome-conceito – nasce inspirada pelo movimento do software livre, pelos grupos contraculturais anticopyright e pela ideia de copyleft, que mudou as regras do que se produz, distribui e se pensa sobre software na década de 1980. No final dos anos 1990, a cultura livre se pauta como um movimento de resistência aos grandes monopólios dos direitos autorais no mundo, cuja consequência mais clara foi a privatização do conhecimento a partir da ideia de propriedade intelectual. Ideias e licenças, como o Creative Commons, surgem neste momento e se tornam chaves na perspectiva de trazer mais autonomia aos autores sobre suas próprias obras, enfrentando o status quo do copyright e buscando uma atualização das leis em face às mudanças trazidas pela tecnologia digital e a internet.
A partir dos anos 2000, a ideia de cultura livre se torna ainda mais heterogênea, um guarda-chuva a articular uma série de práticas e modos de fazer que se transformam ao longo dos anos. O software livre e as licenças livres continuam como tags centrais do movimento, mas temas como a produção de conhecimento aberto, a democratização da mídia, os recursos educacionais abertos, a transparência via dados abertos e inspirado pela ética hacker, as práticas artísticas em torno da recriação e do remix, as defesas da neutralidade da rede e da segurança da informação na internet, as políticas públicas culturais de Estado (em especial, a partir dos Pontos de Cultura no Brasil) e a economia colaborativa, entre outros, se tornam assuntos emergentes dentro do movimento. A partir da década dos 2010, a ideia do comum (procomún, em espanhol; commons, em inglês) ganha força na cultura livre como propulsora de modelos organizativos, econômicos e sociais mais justos, num diálogo constante com a economia solidária e o cooperativismo, também a partir das assembléias e Okupas espanholas pós 15M de 2011, até chegarmos aos laboratórios de inovação cidadã que se propagam na Ibero-américa nos últimos anos.

O curso vai percorrer um pouco desse histórico da cultura livre trazendo casos, situações e coletivos para o debate, e dialogar com novas perspectivas de transformação social em tempos de retrocessos no Brasil e no planeta.

SUMÁRIO
1. Origens I: ação anticopyright e contracultura
2. Origens II: Software livre e o copyleft
3. Propagação: Resistência aos monopólios do copyright e as licenças livres
4. Expansão: pontos de cultura brasileiros; remix e recriação; livre acesso ao conhecimento & dados abertos; ciência aberta; mídia livre.
5. Expansão II: (a volta d) o comum e a inovação cidadã.
6. Prognósticos futuros: antivigilância, redes livres e o fim da internet (da cultura livre?) como conhecemos

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Algumas das formações que conduzimos nos últimos anos:

Visões de Cultura Livre no Brasil (oficina/curso curto, Recife, julho de 2017):

_ Cultura Livre e acesso aberto ao conhecimento (oficina, Universidade de Aveiro, Portugal, 2017);

_ Congresso #GCultural2016 – online, em parceria com os coletivos Artica Centro Cultural 2.0, Gestión Cultural (Uruguay), Comunicación Abierta (Bolívia), Aforo Gestión Cultural (México), Comandante Tom (Espanha)


_ 10 mitos sobre a cultura livre e o acesso aberto ao conhecimento (palestra, FISL17, 2016);


_ Guerrilha da Comunicação (oficinas), em parceria com FotoLivre.org (São Paulo/Ribeirão Preto, 2015-2016);

_ Detournament: cultura livre, copyleft e desvio criativo (Joinville, 2015)

_ Cultura Livre/Pirataria (Congresso de Cultura Livre, Equador; Encontro de monitores do Acessa SP; algumas em parceria com o Ônibus Hacker), 2010-2015;
_ Cineclube CCD, em parceria com a Casa de Cultura Digital Porto Alegre (2013);
_ Cineclube copy, right? (2º edições Santa Maria, 1 em São Paulo, 2009 a 2012);