Propagandas Antipirataria [4]

Nobre usuário de um computador conectado à internet:

Se tu é daqueles que, como nós, se incomoda com a hipocrisia e o desgaste de criatividade maléfica em campanhas contra a pirataria de tudo, junte-se a nós na caça de imagens e vídeos dessas famigeradas estratetegemas endinheiradas. Quem sabe organizando-as e compilando-as em um alguns posts a hipocrisia da coisa toda se faça mais visível.

Nesse quarto episódio (aqui o primeiro, segundo e terceiro) dessa busca implacável por mais exemplos de engenhosidade a serviço dos grande$ arti$ta$, encontramos mais duas campanhas trazendo músicos de fantoches. Uma agência indiana bolou uma ação em que pessoas mendigam na rua e nos semáforos usando máscaras de gente ryca como Bono Vox, Rihana e Sting. Não seria uma ofensa aos mendigos?

Uma campanha com peças mais trabalhadas foi a “Piracy”, divulgada em março. A criação era da agência italiana TBWA e de sua revista digital  First Floor Under para promover a festa de inauguração de seu novo estúdio de criação em Milão. As sete imagens são montagens de astros  da música, já mortos, feitas a partir de 6500 CDs originais atacados por CDs piratas. Junto a um stop-motion (no fim do post), o  senso comum do trabalho foi muito reproduzido (ou pirateado?) na web, indo parar até em jornais impressos.

 

[vimeo=http://vimeo.com/20884785]

Créditos das Imagens: 1, 2 a 7.

[Marcelo De Franceschi]

Baixa nos jornais

Textos do Baixa andaram circulando por outras paragens nestas últimas semanas.

Os dois artigos foram publicados em jornais da querida Santa Maria, que promoveu sua “polêmica” 38ª Feira do Livro, de 30 de abril à 15 de maio. Em meio a ela, foi impresso o Jornal Rascunho, produzido pela Cooperativa dos Estudantes de Santa Maria (CESMA) – cuja sede aconteceu o primeiro ciclo copy, right?. No jornal, de circulação gratuita na cidade, está o texto da imagem que abre esse post (dá pra clicar nele para aumentar), um artigo que apresenta o blog e nossa visão sobre copyright e cultura livre e digital.

O outro texto apareceu na edição de sábado/domingo do Diário de Santa Maria, o jornal do grupo RBS na cidade. Assim como o texto “De quem é a música”,  em 2009, “Páginas digitalizadas” ocupa a seção “Ideias” do Caderno Mix, e é uma versão totalmente remixada do longo post “Juremir Machado e os (finados) direitos autorais“. A ideia foi apresentar um contraponto à visão que é predominante no jornal, que em março publicou, no mesmo caderno, uma criminalizadora reportagem versando sobre as locadoras da cidade e suas adaptações ao fato das pessoas baixarem filmes ou preferirem comprar no camelô a alugar. O timing de publicação do texto, no final de semana do encerramento da Feira do Livro, ajudou a provocar (alguma) discussão.

Quadrinhos pirata

Uma nova seleção de quadrinhos sobre pirataria & assuntos correlatos se faz necessária, já que a nossa última tem quase dois anos. Clique nas imagens para ver elas maiores, caso queira.

Créditos: 1, 2 (Patrick Corregan); 3; 4,5,6 (by Mark Parisi); 7 (CartoonStock); 8 (Laerte); 9,10 (Malvados).

A fugaz e inofensiva saga do Capitão Copyright

Dando sequência a mais uma seção efêmera do BaixaCultura, falemos de um outro personagem quadrinístico. Dessa vez,  um herói que virou vilão e sumiu, tanto que tu provavelmente nem se lembra de que ele existiu.

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Captain Copyright 2

O famigerado Capitão Copyright foi criado em 2006 pela “Access Copyright” – também conhecido como Canadian Copyright Licensing Agency, uma reunião de editores, fotógrafos e escritores que defendem o status quo do copyright – para “educar” as crianças canadenses sobre os limites do copyright e as consequências de seu infrigimento.

No papel, a ideia era que o capitão fosse uma ferramenta útil para professores promoverem a doutrina do “Acess Copyright” – ou seja, de que “roubo” de obras com copyright é errado.

Como era de se imaginar, não deu certo. Já no mesmo ano, em 2006, o projeto parou de funcionar. A explicação oficial foi a seguinte: “we have come to the conclusion that the current climate around copyright issues will not allow a project like this one to be successful“. Algo como “Nós tivemos que finalizar o projeto por conta de que o atual clima que envolve os assuntos de copyright não permite que um projeto como este tenha sucesso“.

Capitão Copyright

Este “clima” contrário ao copyright na época se manifestou em blogueiros, pensadores, artistas e outros tantos que começaram a perseguir o tal “herói”, publicando textos e mais textos que versavam sobre o grande equívoco de ensinar as crianças canadenses as malícias ultrapassadas das leis de copyright.

Michael Geist, colunista de tecnologia do jornal Ottawa Citizen, deu essa declaração em uma matéria produzida sobre o assunto no site Canada.com:

“Nossas crianças precisam desenvolver o gosto pela aprendizagem, a paixão pela criatividade. (…) Estes exercícios [do Capitão Copyright] não oferecem nada disso, são uma vergonha que não deveria ter espaço em nenhuma sala de aula do país.”

Depois dessa e uma série de outras críticas, o Capitão Copyright não teve como continuar. Todos os sites da iniciativa desapareceram, mas como uma vez na rede sempre na rede, dá pra dar uma olhadela nas páginas oficiais do projeto via Wayback Machine. Ou, então, fique com essa HQ aqui abaixo, fazendo piada com uma situação que já nasceu como piada pronta.

Captain Copyright HQs

 

Notícias do front baixacultural (23)

Excepcionalmente hoje vamos ressuscitar reativar essa seção, já que a semana foi mais movimentada do que as avenidas gaúchas no 20 de setembro.

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Lançado o The #copyright Daily (Twitter, 30/08)

Criaram uma interface nova para apresentar o conteúdo que vai de tweet-em-tweet: o jornal. No sistema paper.li, desenvolvido em março deste ano, são agregados tweets e links que são do mesmo assunto, ou seja, que contém a mesma #hashtag – #copyright, no caso deste paper.li.

É possível também agregar tweets de determinados usuários ou listas. O conteúdo dos links então é organizado na página, com textos, pdfs, vídeos, etc. As edições são lançadas diariamente e para recebê-las é preciso fazer a assinatura, por e-mail, clicando em “Alert me”.

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Jean-Luc Godard doa mil euros a francês condenado a pagar multa por pirataria (O Globo, 15/09)

O fotógrafo James Climent, condenado a pagar uma multa de 20 mil euros por baixar 13 mil arquivos, recebeu uma ajuda de custo de mil euros do seu compatriota Jean-Luc Godard. Antes de fazer isso, o diretor deu numa entrevista ao site inRocks em que declarou seu ceticismo para com os direitos do autor. “Direitos do autor? Um autor só tem deveres” disse um dos pais da já cinquentona Nouvelle Vague. Vale destacar que Godard é um notório amante das colagens, algo que usou na série de oito filmes História do Cinema e no recente Notre Musique.

Mas voltando ao assunto: Climent agradeceu ao cineasta em seu blog num post intitulado “God(ard) bless us”. Na página, ele também presta contas sobre outras doações que vem arrecadando através do PayPal, do Flattr e de uma ONG.

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Polícia Civil fecha “xerox” na Praia Vermelha (ADUFRJ, 15/09)

Professores e universitários foram considerados criminosos quando a polícia CIVIL apreendeu material didático da Escola de Serviço Social da Universidade FEDERAL do Rio de Janeiro, dia 13 de setembro. Uma boca de xerox foi fechada.  Imagens e fotos feitas no local mostram como foi a operação dos sete policiais, três viaturas e uma delegada.

O dono da boca e as cópias ilícitas e foras-da-lei foram encaminhados para a Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) vinculada ao muito útil Centro de Apoio ao Combate à Pirataria. Para fazer uma coisa dessas, a polícia do Rio certamente já deve ter resolvido o problema da segurança pública. Contra a ação, professores da UFRJ se reuniram com o Reitor e com o Conselho da Universidade e fizeram uma moção de repúdio e um abaixo-assinado. A professora Ivana Bentes acompanhou e emite detalhes do caso em seu twitter e o professor Alexandre Nodari fez uma análise em seu blog.

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Militantes pró-pirataria atacam sites das indústrias de filme e música (Estadão, 20/09)

O grupo Anônimo (esse é o nome) deu uma rasteira nas páginas da Motion Picture Association of America (MPAA) e da Recording Industry Association of America (RIAA). Organizados através do fórum 4chan, os piratas decidiram sobrecarregar os servidores dos sites, tirando-os do ar. O ataque “anti” anti-pirataria ocorreu devido a uma declaração da empresa de software Aiplex.com, que disse ter atacado ano passado o site de torrent The Pirate Bay.

O blog da empresa de segurança Panda Security mostrou em detalhes como foi a primeira ofensiva dos piratas. No mesmo post, a empresa conta que a segunda ofensiva, contra a British Phonographic Industry (BPI), falhou. É de se lembrar que a BPI requeriu ao Google a remoção de links de servidores de arquivos em junho deste ano, tentando tolir os downloads  divulgados em blogs e fóruns.

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Crédito foto:
1) World War II Photos
 

[Marcelo De Franceschi]

Notas sobre o futuro da música (2): David Byrne encontra Thom Yorke

A revista Wired de dezembro de 2007 publicou uma conversa entre Byrne e Thom Yorke, do Radiohead, que na época, estava recém lançando o emblemático “In Rainbows”. Traduziremos aqui a introdução e o papo inteiro, cheios de gírias e correndo o sério risco de cometer aberrações tradutórias. Mas qualquer coisa comentem e sugiram melhorias.

David Byrne e Thom Yorke sobre o Valor Real da Música

Parecia uma ideia louca. Quando o Radiohead disse que iria lançar seu novo álbum, In Rainbows, por download no esquema pague-o-quanto-quiser, você pensaria que o grupo tinha virado comunista. Afinal, Thom Yorke e companhia são um dos grupos mais bem sucedidos do mundo – um querido da crítica e favorito dos fãs por quase 15 anos. Eles não tinham lançado um novo álbum em mais de quatro anos, o mercado estava ansioso para o próximo disco. Então, por que o Radiohead faria uma experiência tão radical?

Acontece que a jogada foi um astuto movimento de negócios. No primeiro mês, cerca de um milhão de fãs baixaram In Rainbows. Cerca de 40 % deles pagaram por ele, de acordo com a comScore, a uma média de seis dólares cada, compensando a banda com aproximadamente US$ 3 milhões. Além disso, uma vez que possui a gravação original (o primeiro da banda), o Radiohead também pode licenciar o álbum para uma gravadora e distribuir a maneira antiga – em CD. Nos Estados Unidos, o disco vai à venda dia 01 de janeiro pela TBD Records/ATO Records Group.

Mesmo que o pague-o-quanto-quiser tenha funcionado para o Radiohead, no entanto, é difícil imaginar o modelo rendendo para Miley Cyrus – também conhecida como a patricinha hippie top das paradas Hannah Montana. A gravadora de Cyrus, Walt Disney Records, vai manter a venda de CDs no Wal-Mart, muito obrigado. Mas a verdade é que o Radiohead não pretendia iniciar uma revolução com In Rainbows. O experimento prova simplesmente que há uma profusão de oportunidades para a inovação nos negócios da música – este é apenas um dos muitos novos caminhos. Wired convidou David Byrne – um inovador lendário de si mesmo e o homem que escreveu a canção “Radio Head” dos Talking Heads – para conversar com Yorke sobre a estratégia de distribuição do In Rainbows e o que os outros podem aprender da experiência.

Byrne: OK.

Yorke: [Para o assistente.] Feche a maldita porta.

Byrne: Bem, bom disco, muito bom disco.

Yorke: Obrigado. Excelente.

Byrne: [Risos].

Yorke: É isso, não é?

Byrne: É isso aí, estamos feitos. [Risos.] OK. Vou começar perguntando algumas coisas do negócio. O que você fez com esse disco não era tradicional, nem mesmo no sentido de envio de cópias para a imprensa e tal.

Yorke: A maneira que nós denominamos isso foi “nossa data de vazamento.” Cada gravação das últimas quatro – incluindo minha gravação solo – tinha sido vazada. Então, a idéia era, vamos vazar isso, então.

Byrne: Primeiramente haveria uma data de lançamento, e cópias adiantadas seriam enviadas aos colunistas meses antes disso.

Yorke: Sim, e então você telefonaria e diria: “Você gostou? O que você acha?” E é de três meses de antecedência. E, então, seria: “Você faria isso para a revista”, e talvez este jornalista tenha escutado. Todos esses jogos bobos.

Byrne: Isso é principalmente sobre as paradas, certo? Sobre o funcionamento da comercialização e do pré-lançamento até o momento que um disco sai de modo que – bum! – ele vai para as paradas.

Yorke: Isso é o que as grandes gravadoras fazem, sim. Mas isso não nos faz bem, porque nós não avançamos [para as outras camadas de fãs]. A principal coisa foi, havia todo esse exagero [com a mídia]. Nós estávamos tentando evitar todo o jogo de quem fica primeiro com as resenhas. Naqueles dias havia tanto papel para preencher, ou papel digital para preencher, que qualquer um que escreva as primeiras coisas é copiado e colado. Qualquer um que tenha a sua opinião primeiro tem todo esse poder. Especialmente para uma banda como a nossa, é totalmente uma sorte se essa pessoa está conosco ou não. Isso só parece selvagemente injusto, eu acho.

Byrne: Portanto, esse [Tal] se desvia de todos esses colunistas e vai direto para os fãs.

Yorke: De certa forma, sim. E foi uma emoção. Nós masterizarmos, e dois dias depois ele estava no site sendo, você sabe, pré-lançado. Isso foi só umas poucas semanas realmente emocionantes para ter aquela conexão direta.

Byrne: E deixar as pessoas escolherem os seus próprios preços?

Yorke: Isso foi uma idéia [do empresário Chris Hufford]. Nós todos pensávamos que ele estava maluco. Enquanto estávamos colocando o site, ainda estávamos dizendo: “Você tem certeza disso?” Mas foi muito bom. Nos liberou de alguma coisa. Não era niilista, implicando que música não valia nada. Era o total oposto. E as pessoas entenderam isso tal como foi concebido. Talvez seja apenas pessoas tendo um pouco de fé no que estamos fazendo.

Byrne: E isso funciona para vocês. Vocês têm um público formado. Como eu – se eu ouço que há algo de novo de vocês lá fora, eu vou sair e comprar sem confiar no que os colunistas dizem.

Yorke: Bem, sim. A única razão que nós poderíamos nem ter saído com essa, a única razão que ninguém nem dá a mínima, é o fato de que nós passamos por toda a linha dos negócios em primeiro lugar. Não é suposto ser um modelo para qualquer outra coisa. Era simplesmente uma resposta a uma situação. Estamos fora do contrato. Temos o nosso próprio estúdio. Temos este novo servidor. Que diabos faríamos então? Esta foi a coisa óbvia. Mas só funcionou para nós por causa de onde estamos.

Byrne: E quanto às bandas que estão começando?

Yorke: Bem, primeiro e antes de tudo, você não assina um imenso contrato de gravação que tira de você todos os seus direitos digitais, então quando você vender algo no iTunes, você consegue absolutamente nada. Essa seria a primeira prioridade. Se você é um artista emergente, deve ser assustador no momento. Então de novo não vejo uma desvantagem em todas as grandes gravadoras não terem acesso a novos artistas, porque elas não têm idéia do que fazer com eles agora de qualquer forma.

Byrne: Deve ser uma coisa fora de suas cabeças.

Yorke: Exatamente.

Byrne: Eu estive me perguntando: Por que lançar essas coisas – CDs, álbuns? A resposta que eu tiro disso é, bem, às vezes é artisticamente viável. Não é apenas uma coleção aleatória de músicas. Às vezes, as canções têm uma linha comum, mesmo que não seja óbvio ou até consciente por parte dos artistas. Talvez seja apenas porque todo mundo está pensando musicalmente da mesma maneira por dois meses.

Yorke: Ou anos.

Byrne: No entanto isso leva tempo. E outras vezes, existe um óbvio …

Yorke: … Propósito.

Byrne: Certo. Provavelmente, o motivo pelo qual é um pouco difícil de romper completamente com o formato de álbum é, se você está começando uma banda no estúdio, faz sentido do ponto de vista financeiro fazer mais do que uma música de uma vez. E faz mais sentido, se você está pondo todo o esforço em executar e fazer qualquer outra coisa a mais, se há um tipo de pacote.

Yorke: Sim, mas outra coisa é o que esse pacote pode fazer. As canções podem se amplificar cada uma se você colocá-los na ordem correta.

Byrne: Você sabe, mais ou menos, de onde o seu rendimento vem? Para mim, é provavelmente muito pouco da música atual ou vendas de discos. Eu faço um pouco em turnê e, provavelmente, a maioria vem de material de licenças. Não para comerciais – eu licencio para filmes e séries de televisão e esse tipo de coisa.

Yorke: Certo. A gente faz algo disso.

Byrne: E para algumas pessoas, os custos para sair em turnê são realmente baixos, então eles fazem muito em cima isso e não se preocupam com nada além.

Yorke: Nós sempre entramos em turnê dizendo: “Desta vez, não vamos gastar o dinheiro. Desta vez, vamos fazer o básico.” E então é: “Ah, mas nós precisamos deste teclado. E destas luzes.” Mas, no momento, ganhamos dinheiro principalmente de turnês. As quais são difíceis para mim conciliar, porque eu não gosto de todo o consumo de energia, a viagem. É um desastre ecológico, viajar, fazer turnês.

Byrne: Bem, existem os ônibus biodiesel e tudo isso.

Yorke: Sim, depende de onde você consegue o seu biodiesel. Há maneiras de minimizar isso. Fizemos uma dessas medições de carbono recentemente em que eles avaliaram o último período da turnê que fizemos, e tentaram descobrir onde estavam os maiores problemas. E foi obviamente todos viajando para o show.

Byrne: Ah, você quer dizer o público.

Yorke: Yeah. Especialmente nos Estados Unidos. Todo mundo dirige. Então, como vamos abordar isso? A ideia é que toquemos em locais urbanos, com alguns sistemas de transporte alternativos a carros. E minimizar o vôo do equipamento, o envio por navio tudo. Nós não podemos ser enviados no navio, no entanto.

Byrne: [Risos].

Yorke: Se você for no Queen Mary ou algo assim, na verdade é pior do que voar. Então voar é sua única opção.

Byrne: Você está fazendo dinheiro com o download de In Rainbows?

Yorke: Em termos de receita digital, fizemos mais dinheiro com este disco do que com todos os outros álbuns do Radiohead juntos, para sempre – em termos de qualquer coisa na rede. E isso é loucura. É em parte devido ao fato de que a EMI não estava nos dando todo o dinheiro das vendas digitais. Todos os contratos assinados em uma determinada época não têm nenhuma dessas coisas.

Byrne: Então, quando o álbum sair como um CD físico, em Janeiro, vai contratar sua própria empresa de marketing?

Yorke: Não. Isso começa a ficar um pouco mais tradicional. Quando nós começamos primeiro com a idéia, não íamos fazer um CD normal físico. Mas depois de um tempo que era como, bem, isso é só esnobismo. [Gargalhada.] A, que está pedindo por problemas, e B, que é esnobe. Então, agora estão falando em colocar no rádio e esse tipo de coisas. Eu acho que é normal.

Byrne: Eu estive pensando sobre como a distribuição e lojas de discos e CDs e todas essas coisas que estão mudando. Mas estamos falando de música. O que é música, o que a música faz para as pessoas? O que as pessoas pegam disso? Para que é isso? Essa é a coisa que está sendo mudada. Nem todas as outras coisas. As outras coisas é o carrinho de compras que segura um pouco disso.

Yorke: É um serviço de entrega.

Byrne: Mas as pessoas continuarão a pagar para ter essa experiência. Você cria uma comunidade com a música, não só nos shows mas falando sobre isso com seus amigos. Ao fazer uma cópia e entregá-la aos seus amigos, você estabeleceu um relacionamento. A implicação é que eles agora são obrigados a lhe dar algo de volta.

Yorke: Yeah, yeah, yeah. Eu só estava pensando enquanto você dizia que: Como é que uma gravadora põe suas mãos naquilo? Isso me faz pensar no livro Sem Logo em que Naomi Klein descreve como as pessoas da Nike pagariam caras para imitar os jovens e agradá-los. Eu sei por fato que as grandes gravadoras fazem a mesma coisa. Mas ninguém nunca me explicou exatamente como. Quero dizer, eles se escondem em torno de fóruns de discussão e postam “Você já ouviu falar do …”? Talvez eles façam isso. E então eu estava pensando no filme do Johnny Cash, quando Cash entra e diz: “Eu quero fazer um disco ao vivo em uma prisão”, e sua gravadora acha que ele é maluco. Ainda naquela época, a gravadora foi capaz de alguma forma compreender o que os jovens queriam e de dar para ele [a oportunidade]. Considerando agora, eu penso que há uma falta de compreensão. Não é sobre quem está roubando quem, e não se trata de ordens judiciais, e não é sobre DRM e todo esse tipo de coisa. É sobre se a música afeta você ou não. E por que você iria se preocupar com um artista ou com uma empresa depois que as pessoas copiam a sua música se a música em si não é valorizada?

Byrne: Você está valorizando o sistema de entrega como oposto da relação e da coisa emocional…

Yorke: Você está avaliando a companhia ou o interesse dos artistas em vez da música em si. Eu não sei. Nós sempre fomos muito ingênuos. Nós não temos outra alternativa para fazer isso. É a única coisa óbvia a se fazer.

[Marcelo De Franceschi]
Créditos: Imagem de abertura do ensaio daqui.

Kopimi, ok?

Copie esse post. Vai: seleciona, dê Ctrl c e Ctrl v no seu site e venda se quiser. É isso que prega a licença anarquista Kopimi. Com ela, significa que o autor está abrindo mão de todos os direitos de sua obra, ou seja, nenhum direito reservado. Praticamente um Domínio Público. A licença, mais uma declaração de liberação geral, é muito pouco conhecida em português, o que não condiz com seu funcionamento mui simples: basta apenas colocar o selo dela – esse  triângulo aí de cima ou qualquer modificação dos logotipos da página – no seu site, livro, filme ou até na música ou o que quer que seja.

Os ideiais do logotipo também estão presentes no e-book POwr, Broccoli and Kopimi lançado em 2009 pelos capitães do Pirate Bay. Isso porque tudo surgiu da organização anticopyright The Pirate Bureau, criada na Suécia em 2003. Sabe-se que o grupo é formado por teóricos, artistas, consultores, ativistas e que em 2005 era composto por 40 mil membros. Mais do que isso ainda está por ser revelado ou traduzido, até é uma futura pauta para nós, mas é sabido também que deles surgiu o Pirate Bay – que inclusive tem um K no fim de sua página inicial – e o Partido Pirata sueco.

Sobre o livro, o Remixtures já falou muito bem a respeito, com uma tradução da introdução e da conclusão. O resto que falta para traduzir são as 100 pequenas regras do estilo de vida pirata digital, como podemos denominar.  Por parte do Pirate Bureau, também foi feita uma tentiva de ação viral com o símbolo. A “Embaixada da Pirataria” consistia em imprimir um papercraft de pirâmide com os Ks do Kopimi, tirar uma foto e enviar pro site. Infelizmente, a iniciativa durou pouco, apenas quatro meses. Por aqui, o símbolo recebeu uma adaptação criativa do Partido Pirata brasileiro, numa tradução em português: a CO-pie, do logo abaixo.

Um outro uso da Kopimi, mais “lingüístico”, foi feito por um estudante de design americano. Dylan Roscover é fã dos caras do Pirate Bay há um bom tempo e resolveu homenageá-los  ao criar a Kopimi Magazine. Dylan pegou uns ótimos textos do Torrent Freak, vetorizou algumas imagens dos Piratas e fez a revista. “Eu recebo um monte de pedidos para os meus estilos mais populares, em parte porque eles são distribuídos e publicados livremente sem nenhum processo legal. Eu queria criar uma publicação que mostrasse essa atitude de uma forma criativa e unica” nos contou por e-mail o estudante da Universidade de Full Sail, da Florida. O site dele também tem umas ilustrações muito caprichadas, vale uma boa olhada.

No flickr as imagens estão sob as condições de atribuição-compartilhamento, mostrando que o autor das ilustrações não concorda totalmente com a filosofia da licença Kopimi – ou não pôde disponibilizar do modo que desejaria no Flickr, vai saber. Ao fim da curta conversa, Dylan ainda deixou um recado sobre sua atitude:

File sharing is advantageous for new media. Getting your work out there is easier than ever, and should be encouraged, not discouraged 🙂” [Compartilhamento de arquivos é vantajoso para as novas mídias. Ter o seu trabalho lá fora é mais fácil do que nunca, e deve ser incentivado, não desencorajado. :-)]

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[Marcelo De Franceschi]

I wanted to create a publication that showcased this attitude in a creative and unique way.

A Queda da Constantin Films

Mas isso é o fim!

Foi só falar sobre um daqueles casos de empresa reacionária e já surgiu mais outro. Dia 19 de abril a produtora alemã Constantin Films fez um pedido de remoção das paródias que mostram o desespero de Hitler no filme “A Queda”. Evidentemente que o pessoal se indignou tanto quanto o personagem e fez uma paródia tirando sarro da decisão. Com toda razão lógico. Que empresa seria contra a publicidade grátis – um trabalho árduo e criativo –  feita pelos espectadores? Só mesmo uma que fosse contra os próprios clientes, o que pode ser classificado como um suicídio comercial. Até o diretor do filme, o alemão Oliver Hirschbiegel, apreciava os memes, como ele falou numa entrevista em janeiro deste ano para a New York Magazine:

“Someone sends me the links every time there’s a new one,” says the director, on the phone from Vienna. “I think I’ve seen about 145 of them! Of course, I have to put the sound down when I watch. Many times the lines are so funny, I laugh out loud, and I’m laughing about the scene that I staged myself! You couldn’t get a better compliment as a director.” Some of Hirschbiegel’s favorites are the one where Hitler hears of Michael Jackson’s death, and one in which the Fuhrer can’t get Billy Elliot tickets.

[“Alguém me envia o link toda vez que aparece uma nova,” disse o diretor, pelo telefone de Vienna. “Acho que vi umas 145 delas! Claro, eu tive que diminuir o volume quando eu via. Muitas vezes as legendas são tão engraçadas, eu ria alto, eu estou rindo da cena que eu mesmo dirigi. Você não poderia ter um elogio melhor como diretor.” Um de seus favoritos é o da Morte de Michel Jackson, e um em que o Fuhrer não consegue comprar ingressos para Billy Eliot.]

No fim da matéria ele fala que estaria mais feliz se ganhasse royalties, uma ideia bem antiquada. E se ele bolasse uma forma de doações, que nem comentaram na matéria ou como novos diretores tem feito? Mas o fato é que ele gostou dos videos, mencionando exemplos que são citados na paródia das paródias, a qual nos pomos a traduzir para o português. Nela, é usada como argumento o Uso Justo estipulado pela Lei do Copyright Americana que diz o seguinte:

“…the fair use of a copyrighted work, including such use by reproduction in copies or phonorecords or by any other means specified by that section, for purposes such as criticism, comment, news reporting, teaching (including multiple copies for classroom use), scholarship, or research, is not an infringement of copyright.”

[…o uso justo de um trabalho protegido por copyright, incluindo a utilização por reprodução em cópia ou registos sonoros ou por qualquer outra forma especificada por esta seção, para fins de crítica, comentário, reportagem noticiosa, ensino (incluindo cópias para uso em sala de aula), estudo ou investigação, não constitui uma violação de copyright.]

Também é falada na visibilidade mundial que o filme ganhou, além de uma critica a (falta de) posicionamento do Youtube e ao comportamento dos usuários. Fizemos várias tentativas de colocar no Youtube, mas foi impossível. O software de reconhecimento de som do portal barrou a vizualização dos demais usuários. Só nos restou o Vimeo. Se algum usuário do Youtube quiser reclamar ao portal sobre o uso justo, dá pra fazer preenchendo um formulário curto, que pode ser encontrado na seção “Correspondências de ID do conteúdo” clicando em “Ver informações sobre direitos autorais” e depois em “Tenho um motivo válido para disputar esta reivindicação. Leve-me ao formulário de disputa“. Mas é difícil adiantar alguma coisa por ali. Então fiquem aí com o lamento de Hitler e o que o Brainstorm #9 classificou como o melhor video viral de um filme já realizado.

[vimeo http://vimeo.com/11258097 w=500&h=400]

[Marcelo De Franceschi.]

Correspondências de ID do conteúdo

Propagandas antipirataria [2]

Seguimos aumentando nosso albúm de figurinhas, como anunciado aqui. Dessa vez, além de anúncios da coitada indústria cinematográfica, temos alguns da crescente indústria dos games. Ainda há uma propaganda bem chinela do governo da Maurícia [!] e por fim uma campanha para uma revista de música da Índia. Caso alguém tiver outras imagens pra trocar é só dar um toque que colocamos aqui.

Fontes:

[1, 2, 3]

[4, 5, 6,]

[7]

[8]

[Marcelo De Franceschi.]

Propagandas antipirataria: o retorno [1]

Há muito tempo figuraram aqui algumas imagens antipirataria (neste e neste post), a maioria delas antigas ou muito amadoras. Pois decidimos procurar outras do tema, mas mais atuais e com um acabamento mais profissional, mesmo que ainda todas com conceitos forçados e baseadas em falácias. Encontramos várias campanhas então faremos uma série desse tipo para intercalar com a série de posts ensaísticos. Saca só a genialidade do pessoal.

Fontes:

[1]

[2]

[3]

[4]

[5]

[6 e 7]

[8]

[Marcelo De Franceschi]

Universidade Pirata da Bahia

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Eis que uma iniciativa inédita no país toma corpo na Bahia, a partir de apoio da Universidade Estadual da Bahia e do Pontão de Cultura Junta Dados: a  Universidade Pirata. O objetivo da coisa é oferecer cursos relacionados à cultura digital e, como não poderia deixar de ser, “fomentar o uso de tecnologias livres (software e hardware livre) e promover discussões sobre democratização da comunicação, apropriação tecnológica, conservação ambiental dentro de um espaço autônomo na Universidade“.

A ideia do pirata no nome é aquela mesma que está por trás de boa parte das associações, na rede, com o termo pirataria; “um esforço para demonstrar que o termo pirata não indica cibercriminalidade, e sim o grupo de pessoas que busca meios de reparar as restrições ao mercado cultural, intelectual e de informação”, nas palavras do texto de divulgação da iniciativa.

Os cursos oferecidos são os seguintes: Lógica de programação, Vídeo em Software Livre, Pure Data, Direito Autoral e Meta-reciclagem, todos a ocorrer por 4 meses com aulas uma vez por semana. As inscrições estão abertas até 15 de abril (tem prioridade aqueles que participam de pontos de cultura) e, por enquanto, os cursos só funcionam de maneira presencial, no campus de Salvador. Mas como se tem a previsão de oferecer módulos a distância, fique ligado na página da Universidade Pirata para novas informações.

[Leonardo Foletto.]

P.S: Deveria oferecer minha singela exposição sobre a “pirataria” digital através dos tempos que fiz na UFSM?

Créditos imagens: 1.

Compartilhar é cuidar

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Já anda circulando faz algum tempo o bonitinho comercial acima, com Jack Johnson cantando “The Sharing Song“, faixa da trilha sonora Sing-A-Longs and Lullabies for the Film Curious George, que o músico-surfista e seus amigos fizeram em 2006. É numa deliciosa mudança de contexto que a música, aliada a uma animação bonitinha diferente da original presente no filme do macaquinho George Curioso, ganha um sentido de comerical favorável a “pirataria” digital.

Apesar da aparente inocência e simplicidade da letra da canção, no final das contas ela toca na essência da coisa toda ao dizer uma grande verdade: é sempre mais divertido dividir com todo mundo – ainda mais quando se fala em cultura.

[Leonardo Foletto.]

Compacto.Rec e a rede musical dos coletivos

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compacto rec

Como bem disse o Leonardo na última postagem, houve uma crescente organização dos coletivos culturais nos últimos anos. No fim do mesmo ano de surgimento do Macondo Lugar, em 2005, inicia-se a organização do Circuito Fora do Eixo (CFE) uma rede de trabalhos concebida por produtores culturais das cidades de Cuiabá (MT), Rio Branco (AC), Uberlândia (MG) e Londrina (PR). Os agitadores culturais queriam uma circulação maior da produção musical independente de suas cidades, não deixando-a restrita ao seu público. Assim, decidiram formar um coletivo maior, possibilitando trocas culturais e informacionais entre eles.

E é isso que está acontecendo com o projeto Compacto.Rec. “A idéia é produzir uma compilação mensal com músicas, letras, release e fotos através da rede de veículos integrados.” diz o release do mais recente lançamento, o álbum “Strange” da banda Boddah Diciro, do Tocantins. O álbum, além de ser distribuído no site do Compacto.Rec, é divulgado internamente entre os 45 coletivos de todo o Brasil que fazem parte do CFE.

De 2007 até este ano o projeto já tinha lançado três cds sem peridiocidade definida, quando em abril começou a ser trabalhado o disco da banda Madame Saatan, do Pará. Do grupo veio a idéia que originou o projeto, que a princípio seria quinzenal e teria inscrições. Hoje o grupo que pretende ter sua música espalhada tem que ter uma relação de proximidade com um coletivo e o coletivo indica para votação no Circuito.

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rinoceronte.

O disco de setembro foi da banda mineira Porcas Borboletas, com seu cd “A Passeio”. O próximo, em novembro, será o EP do power trio Rinoceronte (o da bonita arte acima) daqui de Santa Maria, que numa definição insuficiente pode ser dito como uma banda que faz um hard rock pesado, calcado em bandas setentistas do estilo, de Free à Black Sabbath.

O que o pessoal está arquitetando é perfeitamente explicado no artigo “Industria Cultural, Industria Fonográfica, Tecnologia e Cibercultura” da mestranda Lucina Reitenbach Viana. No artigo, ela faz um pequeno histórico da industria fonográfica no Brasil e propõe a inserção de uma nova fase do desenvolvimento dessa “indústria”: a fase intitulada “em rede”, iniciada nos meados dos anos 1990.

“Partindo do uso das tecnologias digitais, temos o rompimento da unificação de gostos e costumes outrora impostos pela indústria fonográfica, permitindo novas formas de trabalho acerca da música que conseqüentemente geram outras formas de organização, armazenagem, distribuição e consumo, diminuindo o abismo existente entre artista e público.”

O artigo é o de número 10 dos 11 artigos do e-book “Comunicação Multimídia: Objeto de reflexão no cenário do século 21”, organizado pela Professora Maria José Baldessar da Universidade Federal de Santa Catarina.

O Circuito Fora do Eixo está ligado nisso e é uma iniciativa pioneira no Brasil. O projeto do Compacto.Rec permite uma concentração da imensa e crescente diversidade musical do nosso tempo, aliada a uma distribuição plural. A apresentação do Portal Fora do Eixo representa mui bien o cenário alternativo que se forma:

“A rede cresceu e as relações de mercado se tornaram ainda mais favoráveis às pequenas iniciativas do setor da música, já que os novos desafios da indústria fonográfica em função da facilidade de acesso à qualquer informação criou solo ainda mais fértil para os pequenos empreendimentos, especialmente àqueles com características mais cooperativas.”

[Marcelo De Franceschi].

Créditos Imagens: 1,2.

Futuro da música depois da morte do CD

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futurodamusica

O título da postagem é de um livro que já citei por aqui – e que, aliás, vale a leitura, que pode ser feita baixando de graça o pdf. Mas é também mais ou menos o assunto que eu, Atílio Alencar, Jefferson Bernardo e Leonardo Palma discutimos no programa Onda Ânomala, o podcast organizado pelo coletivo Macondo, de Santa Maria, que é veiculado na rádio do Portal Fora de Eixo e também na página do próprio Macondo.

Discutimos é costume de dizer, porque ninguém discutiu e sim conversou. Leonardo com suas costumeiras e produtivas contribuições teóricas, Atílio e Jefferson com a boa experiência que a manutenção de um lugar como o Macondo traz para falar sobre futuro da música, morte do cd e assemelhados. O Macondo, aliás, é um caso a parte no interior do Rio Grande. De uma modesta experiência hippie-anárquica a coletivo cultural e uma das principais casas de shows do interior do estado não passaram mais do que cinco anos. Nesse período, tocaram no palco da casa figuras conhecidas do cenário (outrora) independente nacional como Wander Wildner, Júpiter Maça, Vanguart, Matanza, Autoramas, Zefirina Bomba, AMP, Feicheleres, Graforréia Xilarmônica, Superguidis, Pública, Identidade, dentre outros, além de diversas iniciativas não-musicais – com destaque especial para a recente criação da sala  Dobradiça, um local dedicado (mais) as artes plásticas que funciona em anexo à sede do Macondo.

Para escutar o Onda Anômala, basta ir aqui e clicar no programa do dia 19 de setembro. Mais sobre o Macondo tem aqui, e também no documentário recém-lançado (o cartaz que abre este post é dele), que conta muito bem a história dos cinco anos da casa, com direito a algumas histórias da já clássica primeira sede, certamente um dos lugares onde mais se viu estranhezas de todo o tipo no interior do RS e onde eu mais tomei Bavária (da clássica) na vida.

[Leonardo Foletto.]

Créditos foto: 1.

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Aprovaram

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Aprovaram de vez o Hadopi II, na terça-feira passada, o que significa que o texto da nova lei – que foi detalhado na postagem anterior à esta – está definido e sacramentado.

Quer dizer, definido até por ali: um grupo de deputados socialistas anunciou que irá recorrer do texto perante o Conselho Constitucional no prazo de uma semana, segundo informa o Remixtures. A partir daí, o conselho terá mais o prazo de um mês para chegar a uma conclusão definitiva a respeito da (in) constitucionalidade da lei. Vale lembrar que este mesmo conselho de sábios julgou inconstitucional a primeira versão do Hadopi, que difere desta principalmente pelo fato de que a decisão sobre a suspensão do acesso à internet dos acusados de reincidir na “pirataria” ficava a cargo  do Hadopi, e não de uma autoridade judicial como na lei aprovada na última terça-feira.

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Como mais uma prova de que não vai ser a lei que irá pegar aquele usuário que supostamente comete “pirataria” digital baixe conteúdo protegido por copyright, dizem que na França anda se proliferando o uso de mecanismos que confundem ou escondem informações do dispositivo pelo qual se está acessando a web. E existem vários que fazem este serviço:  proxys anônimos (anonymizer) que ocultam as atividades realizadas na web, dificultando o acesso às informações que identificam o  nº do endereço IP do computador por onde se está acessando a rede; “embaralhadores de IP” ou “IP Scrambler”, dispositivo que ao se conectar com diferentes proxys em vez de somente um confunde o reconhecimento do nº do IP; “tor“, um software que cria uma rede anônima que distribui suas comunicações ao longo de uma rede de nós rodadas por voluntários ao redor do planeta, o que de alguma forma impossibilita (ou dificulta muito) que se faça um monitoramento das páginas visitadas na web; dentre outros já existentes ou que podem vir a ser criados.

A propósito: informações detalhadas sobre como “surfar” anonimamente pela web tem aqui, num texto de 2007.

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[Leonardo Foletto.]

Crédito imagem: 1.