Redes Mesh

As redes mesh são um modelo alternativo de infraestrutura para a construção de redes de internet. É composta de vários nós que passam a se comportar como uma única e grande rede, onde estes nós repetem o sinal de maneira descentralizada e as mensagens são transmitidas por diferentes caminhos. Oferece maior estabilidade à comunicação e também facilita sua expansão a áreas mais remotas, já que sempre é possível agregar novos nós à rede. A partir desta arquitetura surgem as redes livres, que funcionam como grandes redes sem fio abertas, montadas a partir de um grupo de roteadores conectados entre si que propagam o tráfego entre usuários e também emitem serviços em banda larga a partir de pontos conectados à internet. Estas redes costumam funcionar de duas maneiras: se não tem nenhum ponto conectado à internet, funcionam como grandes intranets, onde os usuários têm acesso a uma rede comunitária offline e podem se comunicar entre si da maneira que quiserem e usufruir serviços nesta rede. Se um dos pontos tem acesso a internet, então se tornam opções mais baratas de conexão à internet – o que propicia a criação de pequenos provedores comunitários estruturados, uma opção real especialmente para lugares de difícil acesso onde as operadoras de internet não vêem interesse em chegar ou chegam com serviços caros e ruins. 

Para estas redes funcionarem, não basta apenas instalar roteadores e antenas (a parte “técnica”), mas garantir a manutenção e a gestão das redes pelas comunidades onde funcionam. Por isso, iniciativas de redes livres como as da Coolab, no Brasil, Altermundi, na Argentina, Rhizomática, no México, ou a Guifi.Net, na Catalunha, funcionam a partir de uma metodologia de construção colaborativa, que inclui formação local para que os moradores operem a infraestrutura. Nas redes mais antigas, como a Guifi.net, um ecossistema se estabelece com a criação de pequenos provedores, empresas e coletivos de usuários que, em alguns casos, recebe apoio dos órgãos públicos locais e estaduais, que investem e potencializam as redes também como ferramenta de autonomia das comunidades.

As redes livres comunitárias emergem com o duplo propósito de garantir o direito ao acesso à internet e, ao mesmo tempo, que as comunidades sejam criadores de seu próprio “pedacinho de internet” de maneira autogestionada, colaborativa e de acordo com suas tradições.

Assistir fora do Youtube: https://invidious.osi.kr/watch?v=JsAwZ3yXXTU

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