Notícias do Front Baixacultural (11)

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95% dos downloads de música são ilegais (Estadão, 16/01)

Dados da Federação Internacional da Indústria Fonográfica: mais de 40 bilhões de arquivos de música foram compartilhados ilegalmente no ano passado. No entanto, a mesma federação anuncia que o número de downloads legais também cresceu, e que a venda de músicas digitais corresponde hoje a 1/5 do faturamento total da indústria. Mas a maluquice das pessoas que efetivamente pagaram para baixar singles de Lil Wayne (o campeão de downloads legais de 2008 ) não é o bastante para salvar a indústria do naufrágio – segundo a mesma IFPI, a renda mundial da indústria de discos diminuiu mais 7% no ano passado. Comemoremos.

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A vontade dele é te matar (Pop Up!, 14/01)

A fatídica entrevista de João Carlos Muller, consultor jurídico da Associação Brasileira de Produtores de Discos, continua repercutindo. Desta vez é o jornalista Bruno Nogueira que chama a atenção para alguns pontos pouco destacados aqui no blog. E nós todos continuamos nos divertindo com a falta de noção das pessoas com algum poder e nenhum discernimento. Com a palavra, Bruno Nogueira:

Entre outras coisas, ele compara o cara que pega aquele disco raro do Zé Ramalho, que saiu de catalogo e não vende mais, para download em um blog com um assaltante de caixa forte de banco. E diz que para turma que baixa o disco que eles podem ficar tranquilo, porque agora eles estão atrás apenas do fornecedor. Igual guerra do tráfico.

Sua principal crítica ao Creative Commons tem como base o argumento que Gil, que é todo pró a idéia, até agora só licenciou uma música na vida. Mas entre as várias incongruências – que passam por defender o DRM, licença digital que nenhuma gravadora adota mais, claramente sem saber o que se trata – a cereja do bolo está também no próprio ex-ministro. Depois de um papo de que o autor merece o mundo, ele solta a pérola:

“O Gil recuperou na justiça a obra dele, numa burrice que o Guilherme fez, eu avisei a ele que ia perder aquela obra. Ferrou-se!”

Burrice do Guilherme, porque, segundo Muller, também não é só porque você tem uma idéia que você pode ser dono dela.

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Uma nova cara para o Remixtures (15/01)

O blog Remixtures, onipresente neste clipping e capitaneado pelo bravo colega d’além-mar Miguel Caetano – e não Miguel Jorge, como erroneamente foi informado semana passada, pelo quê pedimos desculpas públicas -, está de cara nova e com um novo e polêmico modelo de negócio: o Freemium. Trata-se de um sistema cuja lógica é a mesma das bandas que disponibilizam suas músicas gratuitamente na intenção de lotar – e lucrar com – os shows: num modelo freemium, o serviço básico é grátis, e o lucro vem dos produtos adicionais. Nas palavras de Caetano:

Em termos concretos, a proposta freemium do Remixtures passa por disponibilizar uma série de serviços personalizados e complementares a uma vasta gama de entidades potencialmente interessadas como jornais, revistas, publicações online, escolas de formação profissional, bandas e músicos independentes, editoras discográficas, promotoras de concertos, universidades, associações industriais e profissionais, etc. Inicialmente e salvo situações excepcionais, este modelo deverá abranger os seguintes serviços disponibilizados ao preço mínimo referido.

A descrição dos serviços e os respectivos preços tu confere no link do título. É uma forma interessante e pra lá de válido de trazer o modelo da música para o campo da produção textual, já que em vários pontos da discussão cultural em torno da internet a música parece vários passos adiante das demais formas de expressão. Boa sorte ao Remixtures na nova fase!

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E por falar em Remixtures, quando me preparava para fazer a segunda tradução para este blog, do artigo Copyright, Copyleft & the Creative Anti-Commons, tive a grata surpresa de descobrir que Miguel Caetano já fez.

[Reuben da Cunha Rocha.]

Crédito foto: World War II Photos
  1. As formas de lucro além venda de disco são utilizadas já por uma pá de banda. E isto é interessante pra caralho. Até para evolução de bandas menores . Abração, reuben!

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