“Tudo é Remix” na íntegra e com legendas

A quarta e últma parte do documentário “Everything is a remix“, dirigido por Kirby Ferguson, está no ar desde final de fevereiro deste ano.

The System Failure” tem pouco mais de 15 minutos e versa sobre como nosso sistema de direito não reconhece a natureza derivada da criatividade. Em vez disso, como explica o resumo do filme, “as idéias são consideradas como propriedade, lotes únicos e originais, com limites distintos. Mas as idéias não são tão ordenadas assim. Eles estão em camadas, que estão interligadas,  enroladas. E quando surgem os conflitos do sistema com a realidade … o sistema começa a falhar.

A série teve o lançamento de sua primeira parte, “The Song Ramains the Same” em setembro de 2010, de sua segunda, “Remix Inc.“, em fevereiro de 2011, e a terceira parte, “The Elements of Creativity” saiu no final de 2011.

Como Kirby (acima) nos contou em março do ano passado, sua idera era “to show how copying is an element of creativity, and in one way or another, we all copy” [mostrar como copiar é um elemento de criatividade, e de uma forma ou de outra, todos somos cópias].

“Everything is a Remix”, a série toda, é mais um trabalho a endossar o coro que, sempre que possível, reiteramos por aqui: não há nenhuma “obra-prima”, nenhum “gênio” sem outras obras e autores por trás, como hiperlinks ligando as palavras a mais palavras misturando tudo para formar mais palavras/imagens/sons/videos. Tudo é cópia da cópia da cópia da cópia.

Subimos no YouTube com a legenda em português, feita pelo Jorge Todeschini. Olha aí:

Os outros episódios estão aqui abaixo:

Parte 1

Parte 2

Parte 3

P.S: Kirby recentemente conseguiu finalizar, via crowdfunding, seu novo projeto de vídeo: “This is not a Conspiracy“, “a multi-part series that will explain the major ideas, events and human quirks that have shaped where we are right now politically”. 

Credito foto: Kirby.

Grandes Experimentais da Cultura Digital & Livre (1): Rubens Velloso

Damos início hoje a mais uma nova seção especial (que não sabemos onde vai dar) por aqui: chama-se conforme o título do post acima e tem como resumo “Entrevistas remixadas com experimentais (pouco) compreendidos da cultura digital & livre“. A primeira é com Rubens Velloso, diretor da companhia Phila 7 – talvez o principal grupo brasileiro que  trabalha na pesquisa de novas linguagens cênicas que levam em conta a questão digital, telepresença, corpos biomecânicos, conceitos relativos de espaço, tempo e narrativa, dentre outras questões correlatas.

Foi por acaso que tivemos a ideia dessa nova seção do Baixa. Eu (Leonardo, que a partir de agora, nesse post, deixa o plural de lado para assumir a 1º pessoa) estava fazendo uma entrevista para a pesquisa sobre teatralidade digital que tem me ocupado nestes até agora 6 meses de 2011 e pensei: mas por que não usar esse conteúdo também no Baixa?
[A pesquisa é oriunda de uma bolsa da Funarte, Reflexão Crítica em Mídias Digitais 2010, e vai resultar num livro reportagem tendo por foco o grupo Teatro para Alguém; tenho mantido este blog aqui como uma espécie de making off de tudo isso.]

Fotos de Play On Earth, montagem do Phila 7 de 2006

Rubens me recebeu em sua casa, na Lapa, zona oeste de São Paulo, numa noite de segunda-feira. É um ótimo papo; daquelas raras pessoas que tu pode perceber que está pensando muitas coisas a frente de nós (eu, tu e a gigantesca maioria dos habitantes dessa Terra). Em 2006, com seu segundo espetáculo, “Play on Earth”, o Phila 7 – a companhia na qual é diretor – tornou-se pioneira no uso da internet para a criação e apresentação de uma peça teatral que uniu três elencos em três continentes simultaneamente: Phila 7 em São Paulo, Station House Opera em NewCastle na Inglaterra e Cia Theatreworks em Cingapura. Três audiências, cada uma em sua cidade, a assistir às atuações em tempo real, formaram um quarto espaço imaginário.

Dois anos depois, um experimento ainda mais radical: “What´s Wrong with the World?” da série Play on Earth, um espetáculo ao vivo entre Brasil (Rio de Janeiro) e Inglaterra (Londres). Linkados pela internet, os atores atuaram ao mesmo tempo e ao vivo, fazendo do “mundo” seu palco numa proposta marcada pelo ineditismo de linguagem e estrutura dramática.

"What's Wrong With the World", 2º experimento cênico-digital do Phila 7

Rubens e o Phila 7 avançaram e estão para lançar, no fim deste ano e no 1º semestre de 2012, três “espetáculos” que dão prosseguimento à essa busca. Um deles Rubens chama sabiamente de “superfície de eventos“, porque está longe do que estamos acostumados a entender como teatro, cinema, perfomance, dança  – é tudo isso, mas também um embrião de uma outra coisa ainda sem nome.

O papo a seguir é uma versão editada e remixada de nossa conversa. [Mas se você quer ouvir na íntegra e na sequência correta pode ir lá para o fim do post que o áudio está lá, em duas partes, com qualidade não muito boa mas audível]. Rubens falou muito de teatro, facebook, internet, direitos autorais e outras coisas inevitáveis desses tempos. Mostrou seu trabalho de invenção de linguagens – e de criação de uma gramática para falar dela, como o “MCs de fluxos reflexivos” para se referir ao trabalho dos atores com que vem trabalhando nos processos que prepara para o final deste ano e 2012.

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BaixaCultura: Como você começou com essas experimentações de linguagens?

Rubens: Nessa contemporaneidade, eu me senti muito confortável, muito mais do que me sentia quando jovem. Porque eu fazia estas coisas – eu já misturava super-8 com 35mm, fazia teatro depois filmava, etc. Isso pra te explicar um pouco do que estou fazendo agora. Vou partir de três montagens pra te explicar o que é que eu to fazendo. Dois já estão armados com certeza, o outro eu to armando, vai acontecer.

O primeiro chama On Ego, é um texto inglês contemporâneo [De Mick Gordon e Paul Broks] em que parte das questões da neurociência, da dissolução do eu e das redes neurais como expressão de você – você é uma narrativa de uma rede neural. Em On Eagle, eu trabalho com a ideia de que o cérebro – a rede neural que você tem – já te remete a uma visão muito radical e contemporânea do que é o indivíduo hoje. Muda para várias coisas, e uma questão que me interessa é que o eu já não é tão importante como manifestação, e sim como você se linka com o outro. Quer dizer, estamos falando aqui, mas existe uma outra coisa que está trabalhando aqui e que tá construindo uma ideia que aos poucos vai ficando em conjunto.

Cartaz da Leitura pública de On Ego, feita em 28 de março, em SP

O cérebro, de alguma maneira, depois de milhões de anos de evolução, ele cansou de que o homem, para transcender e entender as coisas todas, criassem deuses e coisas assim. Então, o que ele criou? Um simulacro, que são as redes. Ele criou um simulacro dele mesmo para você entender que as coisas precisam estar conectadas com um centro, mas podem estar rizomáticas. Ele criou os computadores para várias coisas, mas uma delas é para mapear ele mesmo e falar assim “Ó como eu sou”, e esse como eu sou é como você é.

A partir destas questões, e de outras questões geracionais muito claras depois do advento da internet – essa geração que nasceu com a internet tem o seu olhar todo modificado, no sentido de que a presença física e a presença virtual são vistas como duas formas de presença. Com manifestações diferentes, mas são presenças: uma presença carbônica, que é como nós estamos aqui, e a presença sílícia, quando tá na rede. Quando voce trabalha com isso, me interessa a potência do teatro na singularidade do local onde ele se dá. Me interessa o que está em torno – e que ainda está em fase embrionária e que tá começando a explodir sem rumo, o que é bom. Me interessa, a partir disso, potencializar estas duas formas de presença e quebrar as paredes do teatro, fazer com que ele, na força que ele tem como uma forma de presença, desdobrar essa reflexão pra fora dele e de fora dele lá pra dentro.

Eu já não penso mais em dramaturgia, mas tramaturgia, que é como você escreve – não só os diálogos mas todos os acontecimentos – como uma trama que vai se enredar nessas várias formas. Profanações [o 2º “espetáculo/superfície de eventos que Rubens e o Phila 7 preparam] é isso: tudo que vai acontecer – teatrais, imagéticas, virtuais – vão estar ali unidos por uma tramaturgia, onde os atores – que eu chamo de MCs de fluxos reflexivos – são os receptores e gerenciam isso junto ao público para que a ideia vá se construindo. É um pouco diferente do Teatro para Alguem porque eu nem estou interessado nem no teatro sozinho nem no teatro transmitido pela internet. Eu estou interessado nas potencialidades destas formas e em como nós podemos enredá-las para gerar uma potência que se espalhe como reflexão.

Em What's Wrong With the World, atores & projeções de atores & vídeos contracenam juntos

Não é teatro, nem cinema, e eu nem quero chamar de híbrido. Voce se apropria de todas as formas de produções estéticas – imagens, teatro, vídeo, formas de presença diferente, artes plásticas. Mas pra você chegar nisso tem que mudar o pensamento inteiro. Você não faz isso só intelectualmente, você tem que mudar a forma de pensar. Tá acontecendo comigo, eu faço exercícios. Por exemplo: Eu pego dois computadores e ligo, ponho dois filmes (ou videoarte) diferentes, ligo música aleatoriamente, deixo a sala do meu escritório aberta para fazer um frame com o real de senso comum, esse real que a gente se apoia. A partir desses fragmentos, eu vou construindo rapidamente uma narrativa, com a ajuda de livros – ponho quatro cinco livros junto disso tudo. Vou vendo onde estas coisas se conectam e vou construindo, na minha cabeça, uma narrativa que vai juntando tudo isso.

B :É a típica cognição da internet, não? Fazer várias coisas ao mesmo tempo.

R: Exato. Voce pega o que acontece no Facebook, por exemplo. Existem vários approachs [modos] pra entender isso, mas os dois mais comuns são 1) ah, isso é legal, mas é muito bobo; e 2) ah, isso é legal, o que me interessa mais. O bobo vai estar lá sempre, porque o bobo tá na vida da gente. Mas isso é legal: como eu posso captar isso como estrutura de reflexão, onde o teatro tem uma potência muito grande, e fazer a junção. Pra isso, você tem que mudar conceito de espaço, você tem que se educar para isso.

O cérebro sabe disso, de certa forma; na zona cognitiva e da razão, ele entende que “ah, onde nós conversamos agora é um espaço físico”. Mas se eu ligar um computador aqui, eu to com esse espaço e outro espaço que eu trouxe pra dentro de casa. Se eu ligar uma câmera, eu jogo esse espaço que eu estou – ou no mínimo um recorte dele – pra dentro de outro espaço, de uma outra pessoa, que está em outro lugar. Eu vou criando espaços conectados e formas de presença, vou enredando tudo isso de uma forma que, se você não se preocupar mais de que forma isso está vindo, você faz uma potência reflexiva espalhada violenta.

B: Ainda é difícil da gente não pensar em como isso está sendo feito.

R: É novo. Outro dia eu estava em um seminário sobre teatro e lá estava uma neurocientista. Falei isso que estou te falando e ela disse, “olha, você tem toda razão. O cérebro está constituindo redes de compreensão e ele entende toda a questão digital como extensão de seu corpo. É seu corpo extendido para fora de você, mas dizendo de você”. Mas é claro que isso tem um tempo de amadurecimento. Tanto que quem mais aproxima do nosso trabalho no Phila 7 não é o pessoal do teatro, mas sim o pessoal de multimeios. É que o olhar dessa moçada está mais ligado pra isso. Eu falo pra gente do teatro – que são aqueles que eu mais conheço – e muitos me olham assim, “ih, enlouqueceu, isso não é teatro”. Mas eu falo, “não quero que se chame de teatro, mas o teatro está lá. A teatralidade está lá, a potência do teatro está lá”. Mas não é como você aprendeu sempre, uma caixa preta, palco italiano, é outra coisa.

Making of de “What’s Wrong With the World”

B: No teatro é difícil achar interlocutores pra falar dessa relação com o digital, não?

R: Muito. Eu sou um ET. Às vezes a discussão morre em ver se é ou não é teatro. Mas meu pepino é maior que o do Teatro para Alguém, por exemplo. Porque, quando eles chamam de “teatro digital”, eles abrem essa discussão. Eu nem quero discutir isso. Eu não quero nomear nem de teatro nem de digital essas coisas todas. Eu to trabalhando com redes digitais, digineurais, você entende? Eu to criando um vocabulário pra isso, to escrevendo mesmo, pra poder me comunicar. Porque quando voce fala em teatro digital, voce nomeou duas coisas que já tem carimbo na sociedade. O pessoal do teatro, por questões óbvias, fala: isso não é teatro. Se eles [do Teatro para Alguém] chamassem de teatralidade digital, já começaria a ser mais aceito.

Eu to cagando pra se é teatro ou não é teatro o que eu faço. Mas o teatro está no que o Phila 7 faz, ele está lá linkado com outras coisas, ele não tem o formato que a gente acostumou a ter. Mesmo quando você rompe com o palco italiano – que nem o Vertigem, que foi fazer peça em cadeia, hospital – é um lugar, onde se forma uma singularidade e o teatro se instaura. Esse lugar sempre vai existir pra mim, só que não tem mais parede, dali é pra fora e de fora pra dentro.
[NE: O Teatro da Vertigem é uma companhia de São Paulo que busca trabalhar com espaços não convencionais. “Projeto Apocalipse”, um de seus espetáculos, circulou o Brasil e alguns lugares da Europa sendo apresentado em cadeias; BR-3 se passava num barco que navegava pelo rio Tietê, em São Paulo]

Mas imagina, não é fácil: teatro tem mil e mil anos, e você insere uma questão que, em primeira instância, seria o contrário do que ele é: a força do teatro está exatamente na preseça. De uma certa forma, é difícil derrubar isso. O que você tem de fazer é se desvincular disso. Esquece. Não to fazendo teatro. Mas existe teatro lá, e pode existir sim.

Espaço de convivência da sede "real" do Phila 7, na Rua Tito, 79, em São Paulo

B: Como viabilizar financeiramente uma prática que ainda não tem nome?

R: Tenho pensado nisso. Inclusive, vou te chamar quando isso acontecer. Vai se chamar “Churrascão da Arte Diferenciada” (risos). Eu acho que ele pode se financiar na medida em que o coletivo se apropria disso, principalmente através da rede. Você pode, por exemplo, fazer dramaturgias porosas onde as pessoas das redes virtuais – ou mesmo presencialmente – vão construir na decisão do espetáculo. Elas contribuem com ideias e esse financiamento vem dessas proprias comunidades. Eu acho que isso é viável a médio prazo.

B: Como um crowdfunding?

R: Exatamente. Mas você nao faz a oferta da coisa; você começa a debater, ver onde a ideia se encaixa e vai construindo com ela. Eu tenho uma ideia que a pessoa tem o direito de acompanhar todo o processo, enviar imagens ou textos que elas achem pertinentes. E quando a coisa acontecer, ela tem um acesso a essa coisa – sempre tem um centro onde ela acontece. Você percebe que tudo isso ainda é futuro. Eu to falando de um presente que espera um devir, né. Mas alguem tem que meter a mão na massa, alguém tem que fazer o trabalho sujo.

B: E a colaboração das pessoas, como fica?

R: É complicada, tudo é complicado. Voce tem que mudar seu pensamento. No Profanações, eu me reuni com essas cabeças que vamos trabalhar: a ideia é isso, agora vamos construir juntos. É difícil, primeiro, aceitar que não temos uma coisa feita. A 2º coisa dificil é: pra você fazer esses trabalhos, a questão do ego tem que ser subvertida. Se você for trabalhar não a ideia mas sim o que você quer dessa ideia, e não do que você pode compor com ela, fudeu.

Você tem que trabalhar em outras instâncias da sua relação com a arte. Eu escrevo lá no Facebook só pra provocar as pessoas: processos desse tipo são propriedades de uma inteligência coletiva, não de uma inteligencia individual que direciona tudo. É uma inteligência coletiva que constrói a coisa toda. Eu vi que há uma narrativa mas é sempre aberto a experimentações, a novas ideias. Não é uma coisa fechada. Nunca tá pronto. É processo. Eu não estou trabalhando mais com coisas fechadas

Eu não estou atrás de sucesso, entendeu. Não to mesmo. To cagando. Eu sou um sujeito fadado ao fracasso, porque eu trabalho no fracasso. O que eu faço não é sedimentado, e você não pode se importar com isso. E te falo, parece utopia, mas é possível. Eu detesto quando alguém fala assim: você tem um projeto. E fala projeto para não falar produto. Eu não tenho e não quero ter. Não tenho nem produto pra te dar. Eu tenho uma coisa que nem é minha, é coletiva. Se é pra fazer o mais do mesmo, isso eu já fiz pra caracoles na minha vida. Na verdade nem fiz, já misturava, já era problema, mas não tão radical. Eu não tenho nenhum interesse no espetáculo ficar prontinho, bonitinho, se repetir toda a noite.

"WeTudo: Desesperando Godot" (2009) último "espetáculo" do Phila 7, dirigido por Rubens

B: Existe uma dificuldade de gerações mais velhas em entender que o direito autoral, do jeito que é posto hoje, não tem mais serventia.

R: Acabou! Acabou o direito autoral. Acabou mesmo. Tem que achar outra coisa. Isso já era. E quer saber, eu acho do caralho! Faz parte da inteligência coletiva, é genético, DNA, coisa da consciência humana. Pra mim, pro meu trabalho, jogar esse jogo (do direito autoral) seria negar tudo o que eu estou fazendo. É negar tudo. Claro, eu sou um artista, temos que ganhar dinheiro para sobreviver. Mas nós temos que construir outras formas desse dinheiro chegar na gente.

B: E isso não está estabelecido ainda, o que angustia as pessoas. Vai substituir pelo quê? Ninguém sabe ainda.

R: O problema é que ninguém sabe porque ninguém pensa diferente. Eles ficam pensando em como substituir o direito autoral e eles ainda pensam em direito autoral como uma propriedade privada que vai valer pelo resto da minha vida e quem quiser usar vai pagar pra mim. Não tem mais isso! Acabou! Tem que ter outro jeito.

Eu falo: “não fica sonhando com coisas que não vão acontecer mais”. A música já entendeu, tá aprendendo na marra. O cinema, a mesma coisa. Mas ele fica inventando coisas, tipo o 3D. Eu sou partidário – falo isso com gente de cinema, e sou xingado – de uma ideia intermediária. É assim: quando voce faz um filme pela lei do audiovisual, você, cineasta, já ganha por isso, o seu valor já tá embutido no valor obtido. A empresa que patrocina, não patrocina porra nenhuma, é o povo que patrocina o cinema brasileiro. Bradesco nao patrocina pica nenhuma, nem Petrobras. É tudo lei de incentivo, tu não paga o imposto lá e joga aqui.

Portanto, nós deveríamos pegar o filme e disponibizá-lo de todas as formas possíveis, pra maior quantidade de pessoas possivel. A arrecadação que possa vir tem que formar um fundo de cinema pra gente começar a ser independente do cinema mercadológico. Entendeu? Você ir lá pedir dinheiro pro Bradesco e ele perguntar “ah, mas vai ter ator da Globo?”, “o filme é comportado? tem uma linguagem certinha?”. O fundo seria pra ficar livre disso, experimentar outras coisas, outras linguagens. Isso é uma solução intermediária, e nem isso o pessoal do cinema topa…

Eu adoro essas revoluções que estão acontencendo agora, que às vezes parecem eufóricas e juvenis. O que eu adoro nelas é que elas não tem centro, é uma ideia. “Marcha da liberdade“, por exemplo. Cada um vai lá gritar liberdade do que lhe interessa. E tá chegando (no Brasil), vai chegar no mundo inteiro.

Essa geração nova [que tá organizando essas pequenas revoluções] já tem introjetado coisas que você não precisa mais trabalhar para introjetar. Essa moçada que eu chamei pra trabalhar raramente ia ao teatro. Esse pessoal gosta de um monte de coisa legal, mas detesta teatro. Eles só se interessaram por teatro porque eu os chamei para trabalhar nessas ideias. Temos que construir um olhar pra poder ver o teatro, se não ele vai virar ópera, com aquele público senil, aquela coisa formal.

É necessário aprender a ouvir também. Eu falo dessas conversas do Facebook, que parecem idiotas, mas não são por um motivo muito simples: pra essa geração mais nova, a questão da presença é muito diferente do que a gente caracteriza como “estar presente”, do “estar aqui vendo uma imagem”. Nada. São formas de presença. Aquele bate-bapo ali é como se estivessem numa mesa de botequim. Não há diferença entre essas formas de presença pra eles.

Claro, existe muita merda no facebook, mas acho que a arte é um caminho para fazer a reflexão sobre isso. Ela tem que gerar reflexão, gerar conteúdo, gerar proposta, pensamento. As pessoas estão abertas pra isso, mas você tem que chegar nelas de algum jeito. Cabe as artes respectivas entrar ali e gerar atrito para gerar conteúdo. Eu acho isso, e é o que eu to tentando fazer.

Parte 1: [soundcloud url=”http://api.soundcloud.com/tracks/16697089″]

Parte 2: [soundcloud url=”http://api.soundcloud.com/tracks/16711475″]

Créditos fotos: Site Phila 7

Futuro(s) apocalíptico(s): Prometeus e 2014

É exercício natural de toda e qualquer pessoa tentar prever o futuro. Uns acertam, outros erram, alguns juntam coincidências e conseguem “ver o futuro” com certa habilidade, se tornando inesquecíveis (Nostradamus, por exemplo) ou esquecíveis (lembra da Mãe Dinah?). Em geral, as pessoas se esquecem (ou nunca conseguem) prever aquilo que é mais importante – por que ninguém conseguiu prever lááá atrás algo sequer parecido com a internet?, disse Luis Fernando Veríssimo (ou algum dos tantos que se passam por ele na rede) certa vez.

O fato é que esse “nariz de cera” (termo jornalístico para definir uma introdução de matéria floreada e que nada de importante diz) todo do parágrafo acima é para dizer que a Baixa TV ganha dois vídeos “premonitórios”. A começar por “Prometeus -The Media Revolution“, curta produzido em 2007 pela “Casaleggio Associati“, empresa de consultoria e estratégia de rede com sede na Itália, que faz uma projeção de como seria a indústria da mídia e os seus efeitos sobre a sociedade em um futuro próximo.

A brincadeira premonitória do curta vai “construindo” um mundo ao longo dos próximos anos (2020, 2027, 2050…) onde:

_ Google adquiriu a Microsoft e o Amazon a Yahoo: ambos “controlam” o mundo;

_ O Flickr torna-se o maior repositório de fotos online da história e o Youtube, de vídeos;

_ Jornais e revistas são financiados pelo Estado e o mais importante torna-se o jornal “participativo” OhMyNews;

_ Download “ilegais” são punidos com prisão e o papel eletrônico (e-readers) substitui o papel normal como produto de massa;

_ Televisões e rádios desaparecem de onde estão hoje e migram para a internet;

_ Anúncios são escolhidos pelos autores e criadores de conteúdo;

_ Lawrence Lessig, o pai do Creative Commons, torna-se Secretário de Justiça dos EUA e declara ilegais os direitos autorais;

_ Dispositivos que copiam os cinco sentidos estão disponíveis nos mundos virtuais, e toda a realidade pode ser replicada no Second Life;

Dentre outras previsões, estapafúrdias ou não.

A produção tem bons insights: Lawrence Lessig acabar com os direitos autorais tem um pouco a ver com o texto do professor e ativista holandês Joost Smiers (em companhia de Marieke Van Schijndelpublicado no NY Times e traduzido pelo Cultura & Mercado, “Imagine um mundo sem Copyright“. E, claro, algumas falhas: OhMyNews, símbolo do chamado “jornalismo colaborativo”, está em franca decadência finaceira por culpa de um modelo de negócio sustentável, o “santo graal” do jornalismo na internet.

De resto, a brincadeira dá a sensação de que poderia render mais do que os 5min16s. Assim se diferenciaria mais do docficção “Epic 2014“, que veio antes (2004), também apocalíptico em suas previsões de fim da imprensa como conhecemos hoje (“As fortunas do Quarto Poder estão se acabando”, diz a voz suave em off, a trilha éterea dando um clima de futuro de filme asséptico de Hollywood).

“2014” tem a vantagem de fazer um balanço dos “inventos” da rede dos últimos anos (internet, Google, Amazon, blog, gmail, etc), o que dá um caráter mais educativo ao filmezinho – a produção é como se fosse uma “aula” passada um fictício Museu of Media History, em 2014.

Dirigida pelos jornalistas Robin Sloan e Matt Thompson, o curta traz, como Prometeus, bons insights em seus 8min55s. Mas dá a mesma impressão de um futuro imaginado por escritores de ficção científica das décadas de 1960 e 1970. Ou seja: de que o homem é muito mais criativo para criar o futuro do que para prevê-lo.

Por via das dúvidas, tirem suas próprias conclusões aqui abaixo e no BaixaTV:

Fotos: 1.

COPY! (ou como o Pirate Bay ajudou os Piratas de Tóquio)

“COPY” Official Videoclip from yasudatakahiro on Vimeo.

Fomos mais um dos que, no último 10 de março, entramos no Pirate Bay e nos deparamos com a beleza acima. Não entendemos nada (além do “Copy!) da letra, mas pela repercussão obtida na rede, estava aí mais uma bela jogadinha subversiva do Pirate Bay.

A banda que compôs a música, o Kaisoku Tokyo (“Piratas de Tóquio”, segundo o google tradutor) também gostou da jogada. Antes de aparecer no Pirate Bay, o vídeo – que havia sido postado a 3 meses no Vimeo pelo diretor, o VJ Takahiro Yasuda – tinha entre zero e 121 acessos por dia. Quando entrou na página inicial ganhou 1,5 milhão de acessos apenas no dia 10, o primeiro dia completo que passou no ar. Isso significa que pelo menos 1,5 milhão de pessoas entraram no The Pirate Bay em um dia, algo comparável ao lançamento de um clipe novo de Lady Gaga, segundo a Época.

Ficamos curiosos pra entender o funcionamento desse pequeno case de sucesso instantâneo da web. No dia seguinte, escrevemos para a banda, que não demorou a responder. O detalhe da data é importante: escrevemos no dia 11 de março, justamente o day after ao terremoto/tsunami no Japão. Uma incoveniência terrível, já que minutos após escrever o e-mail ficamos sabendo do caos no país. Menos mal que o Kaisoku Tokyo entendeu bem (a primeira coisa que eles responderam foram que estavam bem, em Tóquio).

A gurizada do Kaysoku Tokyo

A seguir, um pouco mais sobre a banda nas palavras de Tetsumaru Fukuda, o vocalista:

Our band, Kaisoku Tokyo was formed with my college friends. All of the members are students of my Art College.My friend, who made the COPY clip is Takahiro Yasuda and he is also my college friend. I, as a vocal, write all lyrics, and we, all players, make all melodies as playing. COPY was made by drumming phrase./

Ao que parece, o aparecimento do vídeo de “Copy” no Pirate Bay foi uma súbita e inusitada decisão da cúpula do site, já que a banda só ficou sabendo depois do vídeo estar lá. Se tu acompanha o Pirate Bay sabe que não é novidade essas “brincadeirinhas” com os doodles da primeira página; alguns posts atrás, Eliane Fronza destacou alguns deles em prints na sua monografia. Quem sabe os administradores do site também pudessem fazer uma competição  de desenhos para promover a página, como fez o espertalhão Google recentemente.

Como diz o vocalista Tetsumaru: “This is such a creative and ultramodern happening that unknown japanese band’s song is shown up on the website which is one of the biggest illegal download website, and I think this can be caused because of this time“.

Abaixo vai a letra completa, que Tetsumaru gentilmente enviou, atendendo ao nosso pedido de que nada além do copy tínhamos entendido dela (e precisa?).

【”COPY”official lyric in ENGLISH.】

COPY, COPY, COPY, COPY, COPY!

This one, that one,
Anything, Everything, is COPY!!

Anyone can do with ten cents.
You love fuckin’ COPY, COPY !!

COPYYYYYYYYYYYYYYYYYY!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

COPY!!!!COPY!!!!COPY!!!COPY!!!

COPY, COPY, COPY, COPY, COPY!

This one, that one
Anything, Everything, is COPY!!

Anyone can do with ten cents.
You love fuckin’ COPY, COPY !!

COPYYYYYYYYYYYYYYYYYY!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

COPY!!!!COPY!!!!
You love fuckin’ COPY, COPY!!!
You are fuckin’ COPY, COPY!!!

Créditos: Site oficial.

BaixaTV no ar

 

BaixaTV – nosso instrumento de dominação das massas, cúmplice da espetacularização da sociedade – é uma das nossas novidades (bem, não tão novidade, vai) para 2011, que englobam desde coisas simples, como trazer mais colaboradores e conteúdos exclusivos a este singelo front da cultura livre, até coisas mais trabalhosas, como dominar o mundo.

O que o leitor-espectador encontrará a princípio nessa nova versão da Baixa TV (a “antiga” está aqui) será uma seleção de programas de TV, documentários e trailers de alguma forma relevantes para as discussões aqui propostas – alguns destes arquivos já foram inclusive apresentados no blog. E por que reciclar informação já disponível aqui mesmo? É simples: nós acreditamos que organizá-la de modo a facilitar o acesso permitirá que a informação siga circulando. Livre circulação como princípio de liberdade de informação.

Clicando em BaixaTV, logo abaixo da biblioteca no lado esquerdo da tela, você já poderá ver alguns dos vídeos que comentamos nestes tempos de blog. Tem desde os já clássicos “Good Copy, Bad Copy” e “Roube Este Filme” até coisas mais obscuras como o curta “The Disney Trap: How Copyright Steals Our Stories”, da italiana integrante do Wu Ming Monica Mazzitelli, que fala das falacatruas Disney sobre os direitos autorais e do qual explicamos uma parte em “A Armadilha Disney“.

Resgatando o nosso “vasto” arquivo achamos também um bom debate sobre descriminalização da pirataria com Túlio Vianna, num programa da TV mineira Novo Horizonte em 2007, que indicamos no natal de 2008, e o excelente “A História das Coisas”, que versa sobre o quanto o famigerado capitalismo está destruindo nosso querido planetinha. Falamos dele em outubro de 2008.

Assim como a Biblioteca, o BaixaTV será atualizado daqui pra frente com alguma frequência. E também como a Biblioteca, está sempre aberto a contribuições.

Créditos: Revista Time.

 

A Queda da Constantin Films

Mas isso é o fim!

Foi só falar sobre um daqueles casos de empresa reacionária e já surgiu mais outro. Dia 19 de abril a produtora alemã Constantin Films fez um pedido de remoção das paródias que mostram o desespero de Hitler no filme “A Queda”. Evidentemente que o pessoal se indignou tanto quanto o personagem e fez uma paródia tirando sarro da decisão. Com toda razão lógico. Que empresa seria contra a publicidade grátis – um trabalho árduo e criativo –  feita pelos espectadores? Só mesmo uma que fosse contra os próprios clientes, o que pode ser classificado como um suicídio comercial. Até o diretor do filme, o alemão Oliver Hirschbiegel, apreciava os memes, como ele falou numa entrevista em janeiro deste ano para a New York Magazine:

“Someone sends me the links every time there’s a new one,” says the director, on the phone from Vienna. “I think I’ve seen about 145 of them! Of course, I have to put the sound down when I watch. Many times the lines are so funny, I laugh out loud, and I’m laughing about the scene that I staged myself! You couldn’t get a better compliment as a director.” Some of Hirschbiegel’s favorites are the one where Hitler hears of Michael Jackson’s death, and one in which the Fuhrer can’t get Billy Elliot tickets.

[“Alguém me envia o link toda vez que aparece uma nova,” disse o diretor, pelo telefone de Vienna. “Acho que vi umas 145 delas! Claro, eu tive que diminuir o volume quando eu via. Muitas vezes as legendas são tão engraçadas, eu ria alto, eu estou rindo da cena que eu mesmo dirigi. Você não poderia ter um elogio melhor como diretor.” Um de seus favoritos é o da Morte de Michel Jackson, e um em que o Fuhrer não consegue comprar ingressos para Billy Eliot.]

No fim da matéria ele fala que estaria mais feliz se ganhasse royalties, uma ideia bem antiquada. E se ele bolasse uma forma de doações, que nem comentaram na matéria ou como novos diretores tem feito? Mas o fato é que ele gostou dos videos, mencionando exemplos que são citados na paródia das paródias, a qual nos pomos a traduzir para o português. Nela, é usada como argumento o Uso Justo estipulado pela Lei do Copyright Americana que diz o seguinte:

“…the fair use of a copyrighted work, including such use by reproduction in copies or phonorecords or by any other means specified by that section, for purposes such as criticism, comment, news reporting, teaching (including multiple copies for classroom use), scholarship, or research, is not an infringement of copyright.”

[…o uso justo de um trabalho protegido por copyright, incluindo a utilização por reprodução em cópia ou registos sonoros ou por qualquer outra forma especificada por esta seção, para fins de crítica, comentário, reportagem noticiosa, ensino (incluindo cópias para uso em sala de aula), estudo ou investigação, não constitui uma violação de copyright.]

Também é falada na visibilidade mundial que o filme ganhou, além de uma critica a (falta de) posicionamento do Youtube e ao comportamento dos usuários. Fizemos várias tentativas de colocar no Youtube, mas foi impossível. O software de reconhecimento de som do portal barrou a vizualização dos demais usuários. Só nos restou o Vimeo. Se algum usuário do Youtube quiser reclamar ao portal sobre o uso justo, dá pra fazer preenchendo um formulário curto, que pode ser encontrado na seção “Correspondências de ID do conteúdo” clicando em “Ver informações sobre direitos autorais” e depois em “Tenho um motivo válido para disputar esta reivindicação. Leve-me ao formulário de disputa“. Mas é difícil adiantar alguma coisa por ali. Então fiquem aí com o lamento de Hitler e o que o Brainstorm #9 classificou como o melhor video viral de um filme já realizado.

[vimeo http://vimeo.com/11258097 w=500&h=400]

[Marcelo De Franceschi.]

Correspondências de ID do conteúdo

Mtv Decreta: É crime baixar videos (mas não exibí-los)

Não, este não é um novo programa do “Canal dos ovos de ouro” (seja lá o que isso signifique). É apenas o título de um texto sobre um pouco da política de conteúdo da Mtv Brasil, e consequentemente de sua ex-proprietária, a Viacom – um dos maiores conglomerados do audiovisual da Terra. Quase um mês atrás, a emissora notificou judicialmente o gigante Google cobrando royalties sobre os videos postados pelos telespectadores no Youtube, o dito “conteúdo ilegal”. A justificativa, de acordo com a notícia, é de que o Google estaria lucrando com a produção da Mtv com os anúncios na página ou nos videos, não se sabe exatamente em qual pois os jornalistas não lincam para o comunicado original. Também ninguém foi atrás do motivo dos dois não entrarem num acordo pela divisão dos lucros.

Trata-se de uma medida muito desinteligente, além de hipócrita, por parte da Mtv Brasil. Explico: dia desses quis rever a edição do programa Mtv Debate que foi ao ar em 17 de  março de 2009, cujo tema era “É crime baixar músicas e filmes?”, e que estava disponível nesse link aqui. No começo de março de 2010, cliquei e fui surpreendido pela mensagem de que o conteúdo não estava mais disponível para vizualização. Estranhei e procurei uma maneira de perguntar porque daquilo. Não achei e-mail para contato, então tentei por twitter e recebi como resposta a mensagem: “sempre que estreamos novas temporadadas, todo o conteúdo do ano anterior são retirados do ar automaticamente”.

Ou seja, não existe um arquivamento do conteúdo no portal. Se tu quiser rever algo do teu interesse e for do ano passado, não vai dar de jeito nenhum, os comentários e o debate já era. Só se alguém gravou, ou baixou, e colocou num site de compartilhamento de videos. Isso foi o que fez o nosso camarada Marcelo Branco, ex-coordenador da Associação Software Livre.org e que participou do programa do qual eu estava atrás. Branco pegou e colocou as partes no canal dele no Youtube para guardar de recordação e esperando mais opiniões, imagino eu. O que ele não esperava era  depois de uns três meses receber uma mensagem irônica – de remoção dos vídeos, na íntegra abaixo:

Prezado usuário,

Notificamos a remoção ou desativação do acesso ao material a seguir em decorrência de uma notificação de terceiros da parte de Viacom International Inc. informando que este material é infrator:

Debate – É crime baixar músicas e filmes? (parte IV): http://www.youtube.com/watch?v=SpKzou1COZc
Observação: A reincidência na violação de direitos autorais acarretará a exclusão da conta do usuário infrator e dos respectivos vídeos enviados. Para evitar que isso ocorra, remova todos os vídeos sobre os quais você não detém os direitos de reprodução e não envie outros vídeos que violem os direitos autorais de terceiros. Para saber mais sobre a política de direitos autorais do YouTube, leia nossas Informações sobre direitos autorais.

Se optar por enviar uma contranotificação, visite a Central de Ajuda para acessar as instruções.

Observe que na seção 512(f) da Lei de Direitos Autorais, qualquer pessoa que intencionalmente apresentar declaração falsa de que um material ou atividade foi removido ou desativado por engano ou identificação incorreta pode estar sujeita à responsabilidade.

Atenciosamente,
Equipe do YouTube, Inc.

ATENÇÃO

Recebemos reivindicações de direitos autorais sobre o material que você enviou, como segue:

  • de Viacom International Inc. sobre o vídeo Debate – É crime baixar músicas e filmes? (parte IV) – marcelobranco3204
    ID do vídeo: SpKzou1COZc

Observação: As contas consideradas infratoras reincidentes serão encerradas. Exclua os vídeos dos quais você não possui os direitos autorais e não envie vídeos infratores.

Se não estiver certo do que isso significa, é muito importante que visite nosso guia Informações sobre direitos autorais.

Se acredita que possui os direitos necessários ou autorização para enviar este conteúdo, você pode registrar uma contranotificação. Existem muitas consequências legais para o preenchimento de uma notificação falsa ou de má fé. Analise os materiais adequados relacionados às leis de direitos autorais antes de enviar uma contranotificação. Você pode encontrar mais informações em nossa Central de Ajuda.

Você também pode localizar uma cópia desta mensagem em sua página de avisos da conta, para sua referência.

A Mtv/Viacom praticamente deu sua opinião a respeito da questão debatida. É crime sim, um atentado aos “direitos autorais”, mesmo que tu tenha uma parte disso, participando da produção do conteúdo. A empresa não entendeu que não vai adiantar apagar video por video e continuam querendo processar o provedor mais popular. Se esquecem que ainda há outros sites para os quais os usuários estão migrando, como o Daylimotion, o Vimeo ou no Facebook. E foi neste em que Marcelo Branco também salvou o programa, possibilitando que eu finalmente possa reassisti-lo e copiá-lo. E se apagarem, colocaremos de novo, até que aprendam que brigar com a audiência não funciona. Fora a questão de que é uma criação nacional – cujos assuntos abordados são muito mais importantes que as produções “gringas” exibidas – e que deveria ser mais valorizada, a começar pelo criador.

Tá na hora de um programa novo: Reforma Mtv

Inclusive eu já baixei o programa. Copiei a primeira edição da temporada 2010 do Mtv Debate com o tema “Internet: liberar ou controlar?“, direto do endereço original. E assim farei sempre que o tema me apetecer. Além de indicar um programa relevante, que não é um dos mais  assistidos pela maior parte do público-alvo, ainda estou arquivando para que pessoas que não o assistiram possam vê-lo, caso ele não esteja mais no Portal Mtv. O que provavelmente acontecerá quando entrar a temporada 2011. No meu canal, dá pra assistir a partir do primeiro bloco aqui.

Outra falta de noção da Mtv/Viacom a respeito dos videos online é ponto de que ela mesma se serve desses videos, assim como muitas tvs têm feito, em seus programas geralmente ao vivo. Essa apropriação tinha de monte no Acesso e no Scrap Mtv – quando saía alguma novidade na internet no outro dia ou semana davam a informação e exibiam o conteúdo de baixa qualidade. Que tal o Youtube cobrar os “direitos autorais” sobre a utilização desses videos? Aí está o ridículo da situação. A Mtv Brasil parece ainda ter resquícios de sua antiga proprietária, a Viacom, cuja totalidade das ações da emissora o Grupo Abril adquiriu em dezembro de 2009. A briga entre Viacom e o Youtube vem se arrastando desde 2006, sendo que em 2007 a empresa exigiu do Google 1bilhão de dólares num processo semelhante ao da Mtv Brasil. Para a solução, falta só as mega-empresas usarem melhor a cabeça e entrarem num acordo. Ninguém vai aguentar essa de notifica, apaga, notifica, apaga – muito menos desistir do que se quer ver.

[Marcelo De Franceschi]

Uma amostra do trabalho dos Uploaders

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Mui provavelmente, depois de ter baixado gigabytes de discos e filmes, já deve ter lhe ocorrido a seguinte pergunta: “mas quem será que colocou esse monte de arquivo pra mim?” Afinal, alguém comprou (ou copiou de alguém) o produto e botou lá, depois de um bom trabalho, pra gente consumir de graça. E é sobre eles, e um pouco sobre como eles põem os arquivos pra todo mundo baixar, que vamos falar um pouco aqui. Uma singela homenagem a esses nobres compartilhadores.

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Há quase um ano, a revista Trip publicou uma matéria buscando conhecer o perfil e entender o porquê dessas pessoas comuns se prestarem a fazer todo o trabalho de graça. Para apurar as informações, a repórter precisou ser sabatinada pelos desconfiados “criminosos” frequentadores do fórum do The Pirate Bay, até que conseguiu conversar com eles. Alguns inclusive aceitaram fazer umas espécies de retratos falados, no site FlashFace, que ilustram a matéria [e que também utilizamos para abri este post]. Então deu pra descobrir  quais os motivos que os movem e quais os custos da filantropia digital. Os esforços para fazer isso são claros. Tempo, dedicação e organização são imprescindíveis pra criar algo de qualidade, tudo na faixa.  E as razões também não poderiam ser mais simples. Eles ganham um pouco de conhecimento e de diversão, e em troca querem reconhecimento e agradecimento, na forma de um comentário ou até amizade, vinda de quem só baixa. Uma situação bem semelhante quando nós do Baixacultura escrevemos ou traduzimos algo, vide principalmente aquiaqui. Dentre seis depoimentos que aparecem na reportagem de Ana Magalhães Silva, um é bem emblemático sobre alguns dos motivos dos uploaders:

“Acho absurdo você ter que pagar R$ 100 num DVD de um filme… se os valores fossem mais acessíveis talvez não houvesse pirataria. Sempre que eles fecham um site de download, aparecem outros dez. Faço upload há dois anos e o que me motiva a lançar mais é o agradecimento dos usuários.”

O trecho é do jovem usuário chamado Júnior, autor de um video que reproduzimos abaixo. Nele, é mostrado como subir um cd de músicas e como é criado o respectivo arquivo .torrent.  Criar uma conta em um servidor de hospedagem de arquivos é fácil, mas criar um torrent não é muito popular. Torrents podem ser mais rápidos de baixar e os arquivos baixados podem  ser muito mais pesados que aqueles comportados por sites.  Entretanto,  o processo é um pouco mais complicado do que simplesmente enviar o conteúdo. O seguinte tutorial foi criado para ajudar os membros do fórum Bj-share, um dos maiores sites de torrent do Brasil, que possui regras muito bem definidas sobre os deveres de quem o utiliza e os tipos de arquivos que devem ser colocados, além de informações para iniciantes.

Antes mesmo desse processo de semeação dos arquivos, existe ainda  um outro processo bem mais demorado: a digitalização. Ripar um cd é um ato simples, mas e um livro ou um filme? São processos muito mais exaustivos e dispendiosos. Livros e revistas podem ter suas páginas diretamente escaneadas e postas num arquivo pdf, ou então ter as palavras reconhecidas e gerar um documento mais flexível. Esta forma é mostrada no site E-books Gospel, de onde vem um belo exemplo. “Ninguém pode ser dono absoluto do conhecimento” é o mandamento da página, que possui 151 livros em português e que inclusive disponibiliza o link pra baixar o programa escaneador dos livros. Juntamente com o livro baixado, vem um “leia-me” em forma de imagem explicando que o conteúdo livre visa “apenas a edificação espiritual e o fornecimento de bons livros aos menos previlegiados e acesso a cultura e conhecimento”. E que assim seja. Abaixo, a video-aula mostra a minuciosa ação de escanear página por página e depois corrigir possíveis erros.

Outro arquivo mais difícil de ser criado é um filme de 700 megabytes, ou mais. Ripar um dvd pode demorar horas. E depois tem o processo de conversão e por fim a criação do torrent. Existem muitas maneiras de se fazer a ripagem, mas uma nos pareceu bem simples. O português Ricardo Santos possui um blog onde desde 2006 publica resenhas e dicas sobre programas gratuitos. Numa dessas ele mostra num vídeo guia como criar um arquivo de um dvd e depois gravá-lo em outro. Todos os programas utilizados estão disponíveis notexto original.

E uma prática tão demorada quanto chupar um filme é a produção de uma legenda para uma série ou longa-metragem. E se se quer fazer algo que preste não é recomendável ser feito à duas mãos. Geralmente uma equipe inteira é necessária para traduzir, sincronizar e revisar corretamente as legendas ansiosamente esperadas por muitos aficionados nas produções norte-americanas. A Equipe Darkside por exemplo possui 20 pessoas para decifrar todas as dificuldades dos episódios de séries que normalmente nem estrearam no Brasil. Mais de 50 séries já passaram pela equipe, que ainda disponibiliza lições bem completas de treinamento para quem quiser se aprofundar. Para ter acesso as informações é preciso fazer um cadastro, mas no canal do grupo no YouTube eles já deixaram duas divertidas vídeo aulas. Uma é sobre a formatação e outra sobre a adequação das legendas. O grupo também aceita novos integrantes e, para quem está começando, especifica os padrões técnicos para a produção de legendas entendíveis.

Claro que há também softwares e games mas queremos destacar aqui que toda essa trabalheira é realizada por quase profissionais. Digo quase pois a diferença é que eles não ganham um tostão por isso. São como voluntários de uma ONG que beneficia milhares de pessoas que só querem ter acesso à cultura e à informação. Então, agora que você já sabe um pouco como funciona, que tal dizer um “muito obrigado” ou começar a fazer a sua parte e devolver o que baixou?

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P.s: Demos uma de uploaders e atualizamos o link do filme “Ai que vida”, que tinha expirado, deste nosso post.

[Marcelo De Franceschi.]

Controlemos, pois

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É em ritmo ainda lento, de preguiçosa volta de férias, é que o BaixaCultura segue com suas atividades. A indicação para relaxar o corpo, mas não o pensamento, é o webdocumentário Ctrl-V:VideoControl, resultado de uma pesquisa sobre a predominância do audiovisual em nossa sociedade.

Na verdade, é só a primeira das três partes do documentário. Mas essa parte de 23 minutos já é uma rica introdução para o assunto. O vídeo fala um pouco sobre a origem do distrito-capital da cultura norte-americana, Hollywood, e principalmente das consequências do padrão Hollywood de qualidade audiovisual. Grandes estudiosos do tema expõem seus pontos de vista sobre como sempre se deu a disseminação de valores políticos e econômicos através dos filmes veiculados pela maior industria cultural do mundo.

Dentre outras coisas, é esclarecido como essa indústria ganhou força. Por ser uma arte cara, em que era, e ainda é, necessário grandes equipamentos para a capitação e reprodução de imagens em movimento, pouquíssimos possuíam condições de fazer cinema no início do século XX. Os monopólios cinematográficos se formaram e criaram as primeiras salas de cinema, que estruturaram os chamados circuitos de distribuição. Estava criado um sistema exclusivo de entretenimento audiovisual dominante no mundo inteiro desde a Primeira Guerra. O governo americano tinha total consciência da força das imagens e por isso sempre apoiou a maior máquina de fazer filmes do mundo, uma grande exportadora do american way of life. A nossa conhecida Motion  Picture Association of Amercia (MPAA) inclusive tinha o nome de Motion Pictures Export Association entre 1945 e 1994, palavrinha esta que consta no site da MPAA da Ásia mas não no site da MPAA da América.

E o resto é conhecido. A industria cre$ceu e dominou o mundo. Mas chegaram os tempos de Internet, com seus computadores conectados, compartilhando conhecimento, música, livros, e, mais tarde, filmes. Então Hollywood sentiu o perigo de perder seus poderes altamente lucrativos e políticos e começou a caça às bruxas, ou melhor, aos piratas. Pressionando a Justiça americana com sua influência esmagadora, afundou o Pirate Bay e fez a mais recente baixa, o Mininova, além de processar individualmente diversos usuários  de programas P2P. Essa relação simbiótica entre o governo e a industria cultural é tratada ao fim do documentário, pelo jornalista Edward Jay Epstein que faz um alerta: “Teremos (já temos) uma enorme batalha pelo direitos digitais. Um dos principais meios de influência da Casa Branca sobre Hollywood é a necessidade que esta tem de que o governo vá a um país como, por exemplo, a Tailândia e diga: ‘Se quiserem que façamos X, Y e Z por vocês, inclusive socorro militar, queremos que façam algo sobre a pirataria digital”.

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Infelizmente, por enquanto só está acessível a primeira parte do documentário [que dá pra ver no site, nessa tela aí acima]. Isso porque as outras partes serão editadas colaborativamente, com trechos que estão disponíveis no canal do youtube do documentário. O resultado do processo de pesquisa e edição será um longa-metragem de aproximadamente 70 minutos no total das três partes do webdocumentário. Conforme o diretor Leonardo Brant, a produção de Ctrl-V:: VideoControl, contou com o apoio da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID)  e inúmeros pesquisadores e profissionais envolvidos com o tema, além da participação ativa da equipe do Instituto Diversidade Cultural e dos membros da Red Audiovisual Iberoamericana , fundações que Brant ajudou a criar.

O diretor, pesquisador de políticas culturais e autor de quatro livros sobre o assunto, revela que todos as entrevistas foram gravadas com uma câmera fotográfica digital com a função vídeo. Atitude compatível com seu discurso de democratização do acesso ao audiovisual, e que não comprometeu a qualidade das imagens. Outros recursos utilizados foram ainda o uso do preto e branco em todos os depoimentos, não desviando dos discursos a atenção do espectador ; e enfatizando esses depoimentos, a intercalação entre eles com trechos de filmes hollywoodianos, como do filme “This is the Army”, de 1943, e do famoso Matrix, de 1999.

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Amanhã, dia 26 de janeiro, o documentário completo será apresentado no primeiro dia do Fórum Social Mundial, em São Leopoldo, durante a 2ª Reunião Pública Mundial da Cultura. No dia seguinte, quarta-feira, o webdoc vai fazer parte da mostra “Outros Mundos – O Cinema Contra as Injustiças da Globalização”, em Porto Alegre.

[Para saber mais detalhes sobre as exibições, clique aqui. ]

Confira abaixo uma entrevista realizada por e-mail mui gentilmente concedida pelo diretor Leonardo Brant. Ele fala sobre o processo de pesquisa para o projeto, o que o levou a fazer tal inovação, como foram as filmagens, e quais os planos para Ctrl-V.

1)    Há quanto tempo está fazendo a pesquisa? Como ela funciona?

Pesquiso a relação entre diversidade cultural e democracia audiovisual desde 2002. A primeira iniciativa foi a publicação de uma coleção de livros a esse respeito, entre 2003 e 2005. Ctrl-V nasceu da convergência dessa pesquisa com meus experimentos audiovisuais. E sobretudo a partir da decisão de trabalhar com cooperação internacional, em parceria com o Divercult, organização cultural com sede em Barcelona. Ctrl-V é uma pesquisa-ação. Busca resgatar elementos históricos, sociais e mercadológicos relacionados ao audiovisual. O objetivo é ampliar as perspectivas políticas e mercadológicas do processo de convergência digital, alertando para riscos e visualizando as incríveis oportunidades que as tecnologias da informação e comunicação oferecem para a consolidação de uma cidadania cultural.

2) Por que a decisão de produzir o documentário?

Não tínhamos interesse em produzir uma pesquisa teórica. Nosso objetivo foi justamente testar a efetividade dos pensamentos e conceitos com que nos identificávamos. As propostas de comunidade de conhecimento, cultura da convergência, democracia audiovisual são reveladoras e nos fazem acreditar em nossa capacidade de exercer o poder e ocupar as brechas de controle e opressão do capitalismo. Mas até onde podemos esticar essa corda? Além de tratar da propriedade intelectual, por exemplo, buscamos ocupar as brechas da legislação atual. Colocamos o tempo todo o nosso conhecimento, e das redes com que dialogamos, à prova.

3) Quais os motivos para a divisão da produção em três partes? Quando serão distribuídas no site as outras?

O primeiro motivo é que o tempo da Internet é diferente do tempo da sala de cinema ou da televisão. O tempo de maturação de um produto cultural na web também é diferente. Exige a ativação de redes, a discussão de cada um dos pontos abordados em cada uma das partes. O material é denso, complexo. Depois de seu percurso na web, queremos avançar nas possibilidades de difusão em outras plataformas.

4) Há o projeto para extensão da pesquisa em outras plataformas, como um livro, não?

Começamos a pensar no livro apenas agora. É claro que cada entrevista já foi pensada para o suporte livro, mas ainda não tinha ideia de como iria organizar todo o material pesquisado. Agora já temos um experiente e competente editor trabalhando nesse conteúdo, o Ricardo Giassetti. Nossas discussões sobre formato, linguagem, edição apenas começaram. É cedo para falar de como será o livro.

5) Como foi a experiência de filmar com uma câmera fotográfica?

A câmera utilizada em todas as imagens do webdoc é Canon G10, de 14,7 megapixels. A resolução de vídeo é de 640 linhas, suficiente para o ambiente web, mas não para outros suportes, sobretudo numa era de TV em alta definição. Fiz uma pesquisa razoável com máquinas fotográficas, até que cheguei num modelo bem compacto, que guarda as características de um instrumento caseiro, mas oferece algumas possibilidades mais avançadas de fotografia. Não queríamos fazer um vídeo caseiro, mas sim um filme, com textura, linguagem e som de cinema. Tivemos inúmeras dificuldades para buscar uma aproximação maior com esse tipo de linguagem, mas acho que o resultado foi bem positivo. Hoje utilizaria outras câmeras disponíveis no mercado, sobretudo com maior resolução de vídeo e som externo. A captação de som foi, em termos técnicos, o maior complicador de todo o processo.

6) Depois da exibição no Fórum Social Mundial, quais os futuros planos para a produção?

Redes sociais. Precisamos dialogar com sites e redes focados na conversação sobre cinema, televisão, convergência digital. Queremos dialogar também com outros produtores de webdocumentários focados nessa temática. Por fim, vamos lançar uma mostra com debate, testando uma ampla discussão em ambiente transmídia. A mostra será realizada uma vez por mês na Matilha Cultural, um espaço interessantíssimo no centro de São Paulo com quem nos identificamos muito.

[Marcelo De Franceschi]

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Para o fim de semana

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Blues On Film é um tipo de site que não tem como não indicar pro máximo de gente possível: trata-se de um arquivo de vídeos históricos com toda a elite do blues americano, de Bessie Smith à Muddy Waters, de John Lee Hooker à Bo Diddley, de Eric Clapton à Robert Johnson, e mais uma tremenda quantidade de nomes conhecidos (e outros nem tanto) do blues.

Dentre os mais de 500 vídeos que dá para encontrar lá, destaco um: Bessie Smith cantando a clássica “St. Louis Blues” em um clipe (!) com roteiro de W.C. Handy (!) realizado em 1929 (!!). Taí abaixo, pra quem quiser ver:

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De modo parecido ao Blues on Film funciona o Beatlestube, que diz agrupar todos os vídeos dos Beatles que podem ser encontrados na Web – grande parte no You Tube. O site traz  a letra e depoimentos dos fab four sobre o processo de composição de cada música  (e ali tem praticamente todas as músicas da banda). Tem desde os clipes caseiros altamente toscos  encontrados em profusão no You Tube até os clássicos, como “I am The Walrus“, tirado do ultrapsicodélico filme Magical Mistery Tour, e “Yer Blues“, com Lennon acompanhado por uma senhora banda formada por Eric Clapton, Mitch Mitchel e Keith Richards especialmente para tocar no filme The Rolling Stones Rock and Roll Circus, de 1968.

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Semelhante ao beatlestube já tem também para o U2, Queen e o Rolling Stones.

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[Leonardo Foletto.]

As olheiras de Noah, ou CineYoutube (1)

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Acordo. Tropeço até a sala. Estão todos acordados. Finjo que não estou tonto. Volto pro quarto. Olho pro espelho. Ao invés das linhas da vida nas mãos, posso ver minha história nas olheiras no rosto do meu reflexo. Lembro de ter feito um comentário parecido quando minha namorada me apresentou o trabalho de Noah Kalina, o novaiorquino que aos 19 anos começou uma fotografia que hoje, aos 27, ainda não terminou.

Noah K. Everyday é o nome da obra em construção, registro digital do processo de envelhecimento do fotógrafo. Que é também meu e teu: é isso que penso quando reparo que quanto mais escrevo a respeito de Noah mais sua imagem se assemelha para mim à do próprio tempo, quem sabe o tempo seja isso, a medida da profundidade de nossas olheiras. É provável que o impacto que senti tenha vindo menos das fotografias e mais da velocidade que não esperava do meu próprio desgaste, e é por isso que sugiro que tu veja o primeiro dos vídeos disponibilizados por Noah, que organiza as fotografias dos primeiros 2356 dias [entre os anos 2000 e 2006] do projeto:

O próximo vídeo será lançado no aniversário de 10 anos do projeto, segundo o fotógrafo. Depois disso a idéia é disponibilizar um vídeo a cada cinco anos de trabalho, até acabar. Quando acaba? Quando Noah morrer, ora.

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Em tempo. Entenda que a coisa cresceu tanto que já rolou até paródia dos Simpsons.

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Ainda em tempo. Esta é a primeira de uma série de resenhas de vídeos de youtube, esse formato ainda pouco apreciado pela crítica cultural. E tal.

[Reuben da Cunha Rocha.]

A memória da música

Há alguns dias, o jornalista Pedro Alexandre Sanches [leia o livro, leia mesmo o livro] fez um comentário sobre dois [este e este] documentários recentes dedicados à música brasileira, e acabou levantando uma questão interessantíssima sobre o papel cultural do download e da pirataria.

O lance é que enquanto via os documentários Sanches se tocava duma coisa: há ali várias imagens que entraram pra história precisamente por não poderem ser vistas, imagens às quais o acesso era negado e das quais em alguns casos se dizia inclusive que haviam se perdido definitivamente. Dita por mim, essa constatação talvez não valha muito. Mas pense que Sanches é dono de um dos mais vastos repertórios musicais do atual jornalismo, e isso não quer dizer apenas que tenha ouvido todos os discos, mas também que possui rara compreensão cultural dos movimentos da música brasileira e que deve sempre ser ouvido, mesmo quando está errado. Se ele não viu, dificilmente alguém o fez. Acho que tu devia ler a íntegra do texto, mas repara nisso [grifos meus]:

enfim, a surpresa de simplesmente poder ver esses documentários me parece tão impactante quanto as histórias fabulosas, entre grimm, shakespeare e freud, que os celulóides desenrolam. e aí a pergunta que ribomba é: onde é que essas imagens andaram esse tempo todo?, como e por que é que o brasil as escondeu (e ainda esconde) por tantas décadas?

para que inventaram fita vhs, dvd, blu-ray, se não servem para trazer de volta um pouco do que há de mais precioso no nosso passado? para lançar dvd do show ao vivo do disco ao vivo do show do disco de estúdio, a voz do morto?

e ainda resmungam e não conseguem compreender como e por que é que tomaram conta do pedaço a pirataria (essa criminosíssima via de democratização da arte, da cultura, do entretenimento e das abobrinhas), o download e o youtube (sim, ali, no youtube, há fragmentos de quase tudo um pouco, aperitivos de secos & molhados, novos baianos & outros caetanos)? ãhã.

Discordo exclamativamente da postura do jornalista em relação à pirataria (“essa criminosíssima via de democratização” etc.). Não porque acredite que ela seja outra coisa que não ilegal. Isso é um fato, né? O que eu acredito é que são as leis que precisam se adequar à dinâmica e à urgência da democratização da cultura [inclusive daquela à qual nomeia “abobrinha”, o que a mim soa apenas patrulhesco]. Não é o Bataille quem diz que a verdadeira poesia existe fora das leis? Provavelmente diz em outro contexto, mas cabe certinho assim, descontextualizado, recontextualizado.

O que me interessa do comentário de Sanches é essa lembrança das mídias digitais como um espaço paradoxalmente adequadíssimo à memória da cultura, o benefício das novas mídias também pro passado cultural. O ineditismo das imagens que tanto surpreende o jornalista está relacionado a um fato pra lá de específico: num passado não tão distante, elas integravam o acervo das redes de TV. Como e se era possível acessá-las [se visitas ao acervo eram permitidas, se cópias dos programas eram disponibilizadas para venda] eu não sei. Só sei que as TVs estão onde sempre estiveram, no Rio e em São Paulo, e eu moro na putaquepariu! Agora, no não-lugar da rede, as imagens estão aí, ao alcance de qualquer pesquisa desleixada.

A minha, por exemplo, me levou ao encontro de ninguém menos que Jackson do Pandeiro e João do Vale dando uma canja no rastapé:

E que tal esse Erasmão?

[Penso ainda no primeiro vídeo e lembro de Marcelo Montenegro descrevendo João do Vale como o Muddy Waters do sertão, e lembro do nosso outro bluesman. Encontro-o assim, com seus óculos antigos, seu cigarro, sua mágoa e o violão, e divido contigo mais esse vídeo:]

[Reuben da Cunha Rocha.]

Instrucciones (1)

Este blog tem uma porrada de links à direita, no que se chama de blogroll. Eles estão divididos por área/segmento cultural, e na grande maioria deles há diversas coisas para baixar. Para facilitar a busca, vou espassar algumas seções de intrucciones entre os posts ditos normais.

Vamos começar com o Álbum Virtual, primeiro link da seção Baixe Música. É o site criado pela Trama para disponibilizar para donwload gratuito discos novos dos artistas da gravadora. Os álbuns ficam disponíveis em um tempo determinado, que é de alguns meses. Dá para baixar todas as faixas, o encarte, e segundo a apresentação do site, vídeos e versões exclusivas. Quem estreou o projeto foi Tom Zé e seu “Danç-éh-Sá Ao vivo”; hoje, quem tá por lá para ser baixado é o novo do CSS, “Donkey”, “Chapter 9”, do Ed Motta, e “Artista igual Pedreiro“, péssimo nome para o álbum de estréia da boa banda mato-grossense Macaco Bong.

O Segundo link é para a comunidade do Orkut Álbuns Raros. Com um nome explicativo desses, fica difícil acrescentar alguma coisa para descrever o link. Mas vamos reforçar que o nome albuns raros não é a toa; lá tem muita coisa rara mesmo.

Quer dois exemplos? Neste tópico tem alguns discos da banda do grande cartunista Robert Crumb, a R. Crumb And His Cheap Suit Serenaders. E neste aqui, discos da Emir Kusturica and the No Smoking Orchestra, maravilhosa banda que faz as trilhas dos filmes do cineasta nascido em Sarajevo, na Bósnia.

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Eu ia continuar apresentando mais links, mas no afã de testar cada um deles, me deparei com alguns vídeos dessa banda do Emir Kusturica. E achei este aqui abaixo, uma verdadeira pérola bem ao estilo dos filmes do Kusturica – bom, pelo menos ao estilo do único filme que vi dele, o A vida é um milagre, que é uma coleção de cenas maravilhosamente non-sense.

[Leonardo Foletto.]