Valêncio Xavier

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Reconheço o acaso modelando esta história, mas não posso deixar de pensar na péssima piada que a coincidência armou ao inserir nas duas pontas da minha estada em Florianópolis mortes que me concernem. Nos dias em que eu desembarcava na ilha do sul era Manoel Carlos Karam quem pedia a conta, agora que abandono aquele lar temporário é a vez de Valêncio Xavier.

O que os dois possuem em comum, além de serem ambos objetos desta triste lógica e de morarem ambos em meu coração, é o fato de serem dois dos escritores mais jovens da literatura brasileira. Não em idade, os 60 anos de Karam e os 75 de Valêncio não permitem que se lhes chame de precoces. Mas cada um de seus livros possui estranheza, vigor, adolescência, bom humor e inventividade o bastante para que tenham permanecido sempre distantes do centro das atenções de nosso circo literário [VX, ao final da vida, começou a ter sua obra editada pela Companhia das Letras, mas MCK nem a isso chegou] e próximos do olhar carinhoso de gerações mais recentes de leitores.

Eu daqui observo no centro da estante os exemplares de Rremembranças da menina de rua morta nua, O mez da grippe e Minha mãe morrendo e O menino mentido, penso na releitura enquanto a única homenagem que importa e imagino se no além VX poderá voltar a fumar os cigarros que a doença lhe roubou.

Leia aqui um conto do livro Crimes à Moda Antiga.

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Clique aqui e aqui para ler dois trabalhos sobre a obra do autor.

Aqui, para mais detalhes sobre a vida, a obra e o afinal descanso de um criador incansável.

[Reuben da Cunha Rocha.]