II Fórum da Cultura Digital Brasileira

Página do Fórum 2010

Boa parte das pessoas que passam por aqui já devem estar sabendo, mas não custa reforçar: o II Fórum da Cultura Digital Brasileira vai acontecer no próximo mês, entre 14 e 17 de novembro, na Cinemateca, em São Paulo. O legal é que está com as chamadas para apresentação de atividades (oficinas, experiências, redes e pesquisas acadêmicas) abertas até pelo menos o dia 22, ou seja, amanhã.

A ideia do evento este ano é a de reunir pessoas, Brasil e mundo afora, e suas experiências com a cultura digital. Daí vem o nome que acompanha o fórum “a rede das redes”, que representa a intenção de ouvir/reunir todos que estejam fazendo alguma coisa em prol da tal cultura digital, seja nas suas localidades interioranas quanto nas capitais mundiais tecnológicas.

A programação do evento ainda está para ser fechada (creio que no início da semana que vem já esteja sendo divulgada), mas a julgar pela do ano passado, coisa boa deve vir por aí. Um dos ilustres que estiveram em novembro passado, data do I Fórum, foi Jamie King, idealizador dos documentários “Steal This Film”, que exibimos e traduzimos por aqui – aliás, parece que ele vem novamente este ano, agora para apresentar sua experiência do Vodo Project, uma iniciativa que auxilia videomakers na circulação (e remuneração) de seus filmes pelo planeta.

Foto do Fórum 2009

O fórum do ano passado teve diversos shows, de Porcas Borboletas à Mini-Box Lunar, passando por Jorge Mautner, Lucas Santanna e Teatro Mágico (foto acima). Ao que tudo indica, este ano não haverá shows nos dias do evento – mas se tu quiser levar tua banda pros lados da Cinemateca entre os dias 15 e 17 de novembro, provavelmente haverá um espaço livre para “manifestações artísticas”.  É esperado, também, um show grandão para a abertura do evento, no domingo dia 14, no Auditório Ibirapuera, pertinho da Cinemateca.

Assim que houver a confirmação dos convidados do II Fórum divulgaremos por aqui. Vale dizer que, independente dos convidados “principais”, muita gente “anônima” (e interessante) que trabalha com cultura digital – e tudo que esse guarda chuva engloba, de programadores hard users à artistas yuppies que usam o digital em suas obras – vai estar por São Paulo nestes três dias de novembro, seja apresentando algo, assistindo as palestras e/ou somente fazendo contatos para projetos posteriores.

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Espaço da Cinemateca, São Paulo, em foto do Fórum da Cultura Digital 2009
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Lamentavelmente, quando ocorreu a primeira edição do Fórum, ano passado, estávamos viajando e postando pouco no BaixaCultura, de modo que não acompanhamos o evento. Perdemos coisas interessantes que, felizmente, podem ser recuperadas através do blog do I Fórum, como a entrevista com Cícero Silva (curador de arte do culturadigital.br e um dos organizadores do FILE), Heloísa Buarque de Holanda (professora da UFRJ que já falamos por aqui), Anapuaká Muniz (um dos coordenadores da rede Web Brasil Índigena), dentre outras coisas que tu pode ver com calma e tranquilidade lá no blog do fórum.

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As fotos dessse post são de Gil Prado.

Roube este filme legendado

"eles parecem trabalhar como uma banda de rock"
“Eles parecem trabalhar como uma banda de rock”

O Leonardo anda fazendo uma sutil cobertura de uma questão judicial que vem atraindo muita atenção do mundo inteiro, como você pode ver aqui, aqui e aqui. O Pirate Bay canaliza em uma postura extremamente combativa as prerrogativas de inúmeros usuários de internet que compartilham conteúdo pelo mundo. Os caras têm sido acusados (e agora foram condenados) da maneira mais impiedosa e leviana possível de serem os responsáveis pelas infrações a copyright realizadas por todos que trocam arquivos por meio de seu tracker de bittorrent (o ótimo thepiratebay.org).

Meu objetivo neste post não é analisar se um tracker como o Pirate Bay se enquadra ou não em hipótese de armazenamento de obras não autorizadas ou qualquer coisa parecida. Estou aqui apenas para esclarecer a maneira como este exemplo de batalha judicial entre piratas e indústria cultural vem se desenrolando com o passar do tempo. E o que marca a peleja é uma previsível saraivada de golpes sujos, mas o interessante é que eles não têm sido aplicados pelos asquerosos e escrotos “piratas”. Os engravatados e poderosos dirigentes da indústria fonográfica, de Hollywood e suas organizações de lobby atacam sem piedade, e com ajuda de autoridades, um simples grupo de jovens nerds suecos, como se eles tivessem a ganância e o poder de um Bill Gates.

Mas não preciso ficar aqui discorrendo sobre isso quando temos um belo vídeo que trata dessa história. Steal This Film é um documentário lançado em 2006 por um grupo de produtores chamados The League of Noble Peers. Não me pergunte nada sobre eles, não sei muita coisa. Apenas que o endereço oficial da turma é esse aqui: www.stealthisfilm.com.

stealscreen

O documentário, de uns 32 minutinhos, traz ao público a forma como entidades de lobby, como a MPAA, trabalharam sua influência sobre as autoridades na Suécia para causar um ataque ao Pirate Bay, bem como entrevistas com os responsáveis pelo site, usuários de tecnologia de compartilhamento de arquivos, produtores e dirigentes da indústria cultural. Um dos pontos altos que considero neste filme é quando o conhecido ator americano Richard Dreyfuss, em um depoimento, solta a seguinte frase:

Então, todos os caras que começaram este negócio trapacearam alguém para chegar onde estão e agora estão sendo trapaceados, provavelmente.

Fica nítido o ressentimento do ator para com seus patrões em Hollywood. É mais um exemplo de artista que não se sente muito protegido com o modelo de lucros do copyright.

O grande empecilho para a popularização desse documentário aqui no Brasil sempre me pareceu ser a falta de legendas em português. Portanto, me pus a fazê-las (com base nas originais em inglês) e disponibilizá-las em uma versão editada do vídeo pelo BaixaCultura. Acredito ser um ótimo momento para desfrutar da primeira parte desta série (que vai para sua terceira parte atualmente), uma vez que o Pirate Bay tem sido foco de atenção como réu e militante em questões de copyright. Estas legendas são um gesto de apoio a esses caras, que têm administrado muito bem a pressão de um monte de gente grande, e também uma forma de expor o substrato ilegítimo onde se erguem decisões oficiais como a que foi proferida nestes últimos dias.

Enfim, assista logo a essa bagaça e entenda como a indústria de música e filmes americana chegou aos tribunais da Suécia. É só clicar na imagem abaixo para baixar o vídeo legendado completo pelo rapidshare (depois é só clicar em “Free user”, esperar a contagem e clicar no sugestivo botão “download”).

Clique aqui para baixar o vídeo
Clique na imagem para baixar o vídeo

O vídeo disponível acima já possui as legendas embutidas. Se você já possui o vídeo original e quer apenas inserir um arquivo de legenda, pegue aqui o arquivo SRT da legenda. Ou então assista ao documentário em quatro partes em vídeos no Youtube, clicando aqui, ou vendo aí embaixo (sugiro maximizar o tamanho da tela e, àqueles com boa conexão, que liguem o botãozinho “HQ”).

Parte 1 de 4:

Parte 2 de 4

Parte 3 de 4

Parte 4 de 4

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[Edson Andrade de Alencar.]

Imagens:

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