Quadrinhos pirata
março 18th, 2011 § 2 Comentários
Uma nova seleção de quadrinhos sobre pirataria & assuntos correlatos se faz necessária, já que a nossa última tem quase dois anos. Clique nas imagens para ver elas maiores, caso queira.
Créditos: 1, 2 (Patrick Corregan); 3; 4,5,6 (by Mark Parisi); 7 (CartoonStock); 8 (Laerte); 9,10 (Malvados).Pausa para Laerte
novembro 3rd, 2010 § 6 Comentários
Interrompemos a programação normal do blog para um comentário especial sobre um assunto “da moda”.
Semana passada saiu uma interessante entrevista do Laerte para o Ig Moda, na qual ele fala sobre Crossdressing – prática que adotou desde o fim 2008, quando começou a fazer uma série de tirinhas chamada Eu, Travesti. É fácil pensar que ele virou gay (é bissexual assumido já faz algum tempo) ou que ele está ridículo (alguém de outra cultura pode dizer que me visto de maneira ridícula, e vice-versa), ou que ele está com a cara de uma tia, dar risada e acabou. Mas, além desses julgamentos prontos, se se prestar mais atenção, pode se ver uma boa reflexão que ele está produzindo. Um conflito intelectual proporcionado não só em algumas pessoas, mas nele também.
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Tendo já contribuído bastante para a arte sequencial do Brasil, Laerte poderia se acomodar e continuar compondo qualquer besteira, da mesma maneira que inúmeros músicos depois do auge fazem. Entretanto, não é o que ocorre. Sua produção é contínua dos anos 1970 até hoje. Ele acaba de lançar um livro novo, “Muchacha”, que pode ser lido na íntegra em seu blog, o Manual do Minotauro, onde publica quase todos os dias. E como consequência direta de sua incursão pelo guarda-roupa feminino, já foi criado um blog inteiro só com incontáveis tirinhas sobre seu personagem crossdresser – Hugo/Muriel, que Laerte já assumiu como sendo seu alter-ego. A partir dele e de si próprio, Laerte está mixando dois gêneros e materializando questionamentos que uma minoria gostaria de poder expressar, ou expressa e não tem repercussão. Parece buscar inspiração na complexidade que é ser mulher, se afundando na lingerie feito Arnaldo Baptista, para tentar entender este universo oposto ao seu, enquanto usa sua notoriedade, talvez sem querer, para dar visibilidade à liberdade.
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Em época de que nada mais parece ser estranho, dá para se perguntar: quais artistas conseguem ainda provocar estranhamento hoje nas pessoas? Quem tenta “aplicar um golpe na lógica, o de implodir o senso comum” como ele disse em outra entrevista, sem parecer forçado? Quem as faz repensar, nem que seja por 10 segundos, o seu próprio comportamento – ou reprodução de comportamento?
Alguns demonstram sentir um desconforto ao olhar e saber que ele se veste com roupas femininas, como se o modo de se vestir estivesse protegido por alguma lei, uma propriedade estética, e qualquer infração a essa lei fosse um crime. Taí: só por causar este desconforto nessas pessoas já dá pra dizer que é instigante a opção de Laerte.
[Marcelo De Franceschi]
A fugaz e inofensiva saga do Capitão Copyright
outubro 29th, 2010 § 1 Comentário
Dando sequência a mais uma seção efêmera do BaixaCultura, falemos de um outro personagem quadrinístico. Dessa vez, um herói que virou vilão e sumiu, tanto que tu provavelmente nem se lembra de que ele existiu.
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O famigerado Capitão Copyright foi criado em 2006 pela “Access Copyright” – também conhecido como Canadian Copyright Licensing Agency, uma reunião de editores, fotógrafos e escritores que defendem o status quo do copyright - para “educar” as crianças canadenses sobre os limites do copyright e as consequências de seu infrigimento.
No papel, a ideia era que o capitão fosse uma ferramenta útil para professores promoverem a doutrina do “Acess Copyright” – ou seja, de que “roubo” de obras com copyright é errado.
Como era de se imaginar, não deu certo. Já no mesmo ano, em 2006, o projeto parou de funcionar. A explicação oficial foi a seguinte: “we have come to the conclusion that the current climate around copyright issues will not allow a project like this one to be successful“. Algo como “Nós tivemos que finalizar o projeto por conta de que o atual clima que envolve os assuntos de copyright não permite que um projeto como este tenha sucesso“.

Este “clima” contrário ao copyright na época se manifestou em blogueiros, pensadores, artistas e outros tantos que começaram a perseguir o tal “herói”, publicando textos e mais textos que versavam sobre o grande equívoco de ensinar as crianças canadenses as malícias ultrapassadas das leis de copyright.
Michael Geist, colunista de tecnologia do jornal Ottawa Citizen, deu essa declaração em uma matéria produzida sobre o assunto no site Canada.com:
“Nossas crianças precisam desenvolver o gosto pela aprendizagem, a paixão pela criatividade. (…) Estes exercícios [do Capitão Copyright] não oferecem nada disso, são uma vergonha que não deveria ter espaço em nenhuma sala de aula do país.”
Depois dessa e uma série de outras críticas, o Capitão Copyright não teve como continuar. Todos os sites da iniciativa desapareceram, mas como uma vez na rede sempre na rede, dá pra dar uma olhadela nas páginas oficiais do projeto via Wayback Machine. Ou, então, fique com essa HQ aqui abaixo, fazendo piada com uma situação que já nasceu como piada pronta.














