O fenômeno Ai que vida! e a “pirataria” digital

outubro 14th, 2009 § 18 Comentários

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O cartaz que abre este post é de “Ai que Vida!”, longa-metragem produzido no Maranhão e no Piauí, 24º filme do jornalista e cineasta maranhense Cícero Filho. É muito provavelmente o primeiro dos 24 que tu deve ter ouvido falar – se é que ouviu. Trata-se de um pequeno fenômeno do cinema (independente) nacional: produzido em 2007, ainda hoje encontra-se em cartaz em alguns cinemas da região Nordeste, especialmente nos estados do Piauí e Maranhão. Em sua semana de estréia, no já longínquo setembro de 2007, fez mais espectadores no Cinema Riverside, em Teresina, do que fez, no mesmo cinema,  o badalado Harry Potter e Ordem da Fênix, 5º filme do bruxo criado pela hoje bilionária escocesa J.K. Rowling, em um mês.

Cícero e sua equipe de 25 pessoas começaram as gravações com R$ 800,00 no bolso e uma câmera digital mini-dv, emprestada por uma faculdade de comunicação de Teresina, além de três atores profissionais no elenco. Escolheram como cenário a pequena Amarante, distante 170 KM de Teresina, a capital piauiense, pois segundo o co-roteirista, diretor de arte e Diógenes Machado, :”A cidade é o berço da cultura de nosso estado. A terra do cavalo piancó, do inegualavel poeta Da Costa e Silva, das mais belas construções arquitetônicas do Piauí.

Com ajuda da prefeitura, que hospedou a equipe de Cícero de graça, e dos moradores da cidade, que fizeram desde figuração até empréstimos de carros e casas para a gravação do filme, vinte e cinco dias depois estava finalizado o processo de gravação do filme. O orçamento extrapolou o inicial e  chegou aos R$30 mil. Problema? Que nada, é costume, como de novo nos conta o co-roteirista Diógenes: “Como sempre, pouca gente acretitava no nosso trabalho, só quando terminamos de gravar foi que os empresários resolveram ajudar. Começou a aparecer mil reais dali, cinco mil de um lado, quatro mil do outro e felizmente conseguimos angariar fundos para começar a edição“.

Quatro meses na ilha de edição depois, Ai que Vida! estava pronto para estrear. Mas onde? A primeira rede de cinemas de Teresina que foi procurada pela equipe não topou exibir o filme, nem mesmo numa segunda-feira e com direito a 80% da bilheteria das sessões. “O diretor dos cinemas nos disse que não adiantaria 80% da bilheteria no contrato já que não ia dar ninguem mesmo“, conta Diógenes. Foram duas semanas de negociação, que de nada adiantaram. A equipe tentou outro cinema, o Riverside, localizado num shopping de mesmo nome, que aceitou; ficariam uma semana em cartaz, para ver no que dava. O resultado foi um sucesso estrondoso, com todas as sessões da semana lotadas e mais renda do que um mês de exibição do último Harry Potter. Como prêmio ganharam mais uma semana de exibição, também lotada, e a partir daí o filme se espraiou pelo Cine Praia Grande, em São Luís, capital do vizinho estado do Maranhão, e por festivais de cinema como o de Brasília e da Paraíba.

Dá uma olhada no trailer do filme antes de continuar lendo a postagem:

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Através de um patrocínio do Governo do Estado do Piauí, foram produzidas 300 cópias de DVD, que logo foram distribuídas nas locadoras da capital Teresina. Mas a demanda foi maior que os 300 DVDs, tamanha a identificação dos espectadores com a história simples e popularíssima, carregada de citações à cultura local e ao modo de vida das pessoas da região.  Então, a própria população tratou de trocar/vender/copiar adoidado os dvds nos camelôs, num fenômeno parecido com o do Tropa de Elite, que já era conhecido de boa parte do público brasileiro quando estreou oficialmente nos cinemas em 12 de outubro – e foi a maior bilheteria no período de uma semana no Brasil em todo o ano de 2007, com cerca de 180 mil espectadores.

A cópia/troca dos DVDs do “Ai que Vida!” não foi nenhum pouco condenada por Cícero, segundo o próprio afirmou em entrevista ao site Cabeça de Cuia:

“Ai que vida” se alastrou, tudo culpa da pirataria. Fico feliz, ao ver que o filme está sendo aceito de forma positiva pela população. Difundir o cinema para a população menos favorecida é um foco primordial do meu trabalho. Meu maior lucro é ver as pessoas comentando que gostaram muito do filme, que se retrataram com o enredo e as personagens!”.

Camelôs, a "origem de todo o mal"

Camelôs, a "origem de todo o mal"

Assim como Tropa de Elite, Wolverine, SICKO e outros tantos,  “Ai Que Vida!” é prova de que uma coisa não necessariamente anula a outra. Ou em palavras mais adequadas: que a dita “pirataria” não necessariamente anula a renda obtida no cinema, como querem nos fazer crer os incomodativos comerciais exibidos antes daquele DVD que alugamos na locadora da esquina. Ao contrário, em alguns casos pode aumentar tanto o burburinho em torno da produção que ela vai circular ainda mais, o que fatalmente resultará em mais prestígio ao seu autor, o que, por sua vez, poderá render mais contatos e condições de produção de uma nova (e melhor) obra cinematográfica.

Como já falamos por aquia pirataria gera mais grana do que querem nos fazer crer. Nisso, o jurista Lawrence Liang, um hábil indiano que investiga questões relacionadas com pirataria, economia informal, direitos de autor e cultura livre no Alternative Law Forum de Bangalore, tem algo a nos dizer, via entrevista no Remixtures:

Todo o circuito da pirataria cria economias locais bastante dinâmicas. Gera emprego, permite a transferência de tecnologia, possibilita o surgimento de inovações locais. Se olharmos o fenómeno de um ponto de vista de uma economia global da informação, onde somos uma multinacional que controla os direitos de um filme ou de uma música, sim, é mau para a economia. Mas se estivermos interessados no desenvolvimento das economias locais, bem como da inovação local, diria que é algo positivo para a economia.

Pode notar: quem joga a culpa pela “morte da indústria cinematográfica” no vazamento de uma cópia dita “pirata” frequentemente são aqueles cineastas/produtores decadentes que estão vendo seu lucro fácil de décadas se esvaírem em milhares de mãos espalhadas pelos mais obscuros quartos ao redor do planeta. Aqueles que se escondem em castelos encantados por lucros de décadas gerado por multinacionais que se acostumaram a controlar os direitos de toda e qualquer produto cultural que o dinheiro lhes permite comprar.

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O casal romântico Valdir e Charleni à frente de todo o elenco do filme

O casal romântico Valdir e Charleni à frente de todo o elenco do filme

O cenário que se avizinha mui provavelmente permite espaço para todos que souberem aproveitar bem as potencialidades de cada mídia. Como disse Gilberto Gil no final desta postagem, não adianta buscar uma resposta pronta a pergunta-que-não-quer-calar “como vou ganhar dinheiro?. Ao que parece, as respostas estão por aí, escondidas em cada tipo de produção, em cada tipo de mídia, em cada tipo de orçamento, em cada tipo de objetivo desejado. O hábito secular de ir ao cinema não irá acabar duma hora pra outra, substituído pela solitária prática de ver um filme numa tela de 14 polegadas em um sistema de som abelhudo de caixinhas de sons toscas; vai, sim, é dividir espaço com esse novo hábito e outros tantos que surgem (e mais e mais vão surgir) de acordo com as possibilidades e criatividades de cada um.

Para fechar, vale citar o que Giba Assis Brasil, veterano cineasta gaúcho, disse em matéria na revista Aplauso de setembro, que infelizmente só circula no estado do Rio Grande do Sul:

“A industria está perdida. No caso do DVD, estão errando o alvo e deixando grandes corporações criminosas ganharem dinheiro as suas custas. Seria mais inteligente se mudassem a sua política de preços. Ou que arranjassem alternativas para vender cópias pela Internet a preço baixo. Em vez disso, preferem chamar garotos que baixam filmes de ladrões e criar uma ficção segundo a qual o compartilhamento está associado ao tráfico de drogas. Ninguém vai acreditar nisso. Eles vão perder de novo.”

Se relacionamos a fala de Giba com esse post do Remixtures começamos a entender que algumas coisas são mais complicadas do que parecem…

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[Marcelo De Franceschi. Leonardo Foletto.]

Créditos fotos: 1, 2, 3.
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P.s: Antes que nos esqueçamos: se você ficou louco pra assistir ao filme “Ai que vida!”, baixe aqui o arquivo, que está em boa qualidade. E se você gostou também da trilha sonora, não deixa de assistir ao clipe da música tema aqui.

Notícias do Front Baixacultural (14)

março 9th, 2009 § 2 Comentários

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Música erudita gratuita ganha espaço na rede (Folha Online, 6/01)

Tempos atrás fizemos um post contando de um ótimo blog com um tremendo acervo de discos de música erudita. No início deste ano, a Folha Online, por meio do colaborador Irineu Franco Perpétuo, fez uma matéria contendo algumas dicas de mais blogs e sites com música erudita para baixar. Destaque para o italiano Branle de Champaigne, especialista em música renascentista, medieval e barroca;  o argentino Il Canto Sospeso, centrado na música erudita contemporânea (séculos XX e XXI); e o brasileiro Brazilian Concert Music, só com compositores brasileiros.

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Download de “Watchmen” de Alan Moore completo (Comunidade Revista Bizz no Orkut, 1/03)

Em semana de estréia do filme Watchmen, o nobre colega Marcello foi à comunidade da Revista Bizz para disponibilizar para download a edição completa da revista de Alan Moore e Dave Gibbons. O link para baixar é esse aqui, mas entra lá no tópico da comunidade para ver o  quanto Marcello foi espinafrado por sua atitude de apoio a “pirataria”.

Em tempo:  Neste link está o trailer do filme; o site oficial, muito bonito como costumam ser a maioria das páginas dos filmes de hollywood; e o verbete na Wikipédia sobre o filme, bastante completo.

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Daniel diz que pirataria pode ajudar a difundir seu filme (Babel, 5/03)

O bombardeio midiático em cima do novo filme do cantor Daniel fez com que boa parte de nós, pobres consumidores de cultura, ficassemos sabendo que “O Menino da Porteira” estreou semana passada nos cinemas brasileiros. Pois não é que Daniel, ao descobrir só agora que 90% das cidades brasileiras não têm cinema, resolveu ir contra seus patrões e declarar, implícita e explicitamente, que a pirataria pode ser muito boa para a divulgação de seu filme:

“Antes de o filme ser lançado, é complicado. Mas, depois, a gente vai ter que ter noção que, se o filme tiver respaldo, vai ter certa procura da pirataria. Você viu o que aconteceu no Tropa de Elite? Foi pirateado, mas teve sucesso de público também. Então…”.

Daniel entende que seu público principal não é aquele que costuma ir às salas de cinema no Brasil, grande parte delas localizada em shoppings. Para esse seu público preferencial ver seu filme, a pirataria pode sim ajudar. Então, a entrevistadora pergunta: “se souber que, numa cidade pequena, sem cinema, alguém viu o filme num DVD pirata, ficará chateado?

“Acho que é uma coisa quase normal. Lógico que a gente gostaria que fosse tudo da forma correta, mas não é assim.Tem amigos meus, como Bruno e Marrone, que começaram a fazer sucesso depois da pirataria. O complicado é que a pirataria tira emprego, não gera benefício pra ninguém. Mas às vezes a pessoa só vê assim.”

Mas a desobediência de Daniel esbarraria logo depois na fala de Rodrigo Saturnino Braga, diretor-geral da Sony Pictures no Brasil, co-produtora e distribuidora do filme,

“Os DVDs piratas também não chegam nas cidades que não têm cinema. Eles são vendidos aqui debaixo do meu escritório, na Berrini”, diz o executivo da Sony.

Em tempo (2):  a matéria linkada aqui é do Babel, recente e já ótimo blog da jornalista de Carta Capital, Ana Paula Sousa.

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Portrait of an Artist as an Avatar (NY Times, 5/03)

A editoria de tecnologia do NY Times não é a toa referência para boa parte dos jornais (e portais) mundiais: traz informações atuais, bem apuradas e, principalmente, ótimos textos, tudo como manda o tão esquecido Manual do Bom Jornalismo. Esse perfil aqui, produzido por Sarah Corbett, é mais um desses exemplos: conta a história do “artista” Filthy Fluno, um avatar pixelado e black power do Second Life (!) que ajudou seu criador -  Jeffrey Lipsky, artista plástico – a consolidar sua carreira no “mundo real”, com exposições em lugares tão distintos quanto Nova York e Portugal. No meio disso tudo,  muitas questões sobre as fronteiras cada vez mais apagadas entre o mundo digital e o real.

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Lars Ulrich dos Metallica pirateia-se a si próprio (Remixtures, 6/03)

Miguel Caetano do Remixtures nos conta que Ulrich, baterista do Metallica e principal responsável pela guerra declarada pela banda ao saudoso Napster, numa recente entrevista a Eddie Trunk do programa “That Metal Show” da cadeia de televisão VH1 Classic, confessou que baixou de maneira “ilegal” o  próprio disco novo de sua banda, Death Magnetic:

“Eu sentei-me e descarreguei o Death Magnetic da Internet apenas no intuito de experimentar. Foi algo do tipo “Wow, é assim que isto funciona.” Eu pensei para os meus botões que se havia alguém com direito a descarregar de borla o Death Magnetic era eu.”

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[Leonardo Foletto.]

Crédito foto: World War II Photos

Cinema Livre e com legenda

dezembro 17th, 2008 § 1 Comentário

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Começo o texto com uma explicação: a idéia desta pauta surgiu quando começamos a primeira leva de divulgação do BC, através de emails para conhecidos. Uma jornalista colega minha (Leonardo) retornou com uma sugestão de pauta: nas palavras dela, “apesar da minha porção jornalista andar meio adormecida, eu continuo adorando sugerir uma pauta .”

Ligada que sempre foi em cinema, tanto em apreciação quanto em produção, ela me falou do Movimento Cinema Livre, uma iniciativa com “o intuito de tornar mais acessível o chamado cinema autoral, disponibilizando gratuitamente legendas inéditas e/ou raras em português na internet“, segundo a própria apresentação do movimento.

A pauta prometia uma matéria grande, com entrevistas aprofundadas com os fundadores  do movimento. Mas aqui surgiu um problema um tanto comum em jornalismo: a pauta não cumpriu o que prometia  (ou o jornalista foi incompetente em cumprí-la?). O Movimento Cinema Livre apareceu como uma comunidade no Orkut que depois também passou a ter um blog; só que, hoje, ambos estão relativamente parados – o último post do blog é de 25 de agosto deste ano. E, ainda por cima, o email anunciado como de contato no blog não respondeu a um pedido meu de entrevista feito faz quase duas semanas.

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Mas aí pergunto: e deixar de noticiar uma boa iniciativa, que disponibiliza mais de 1000 legendas de filmes raros, só porque ela anda meio parada e não nos concedeu uma entrevista? Sabemos bem que até umas aspas – no jargão jornalístico, uma fala direta de um entrevistado – pode ser conseguida através de uma boa vasculhada na rede.

E foi com isso em mente que achei esta matéria,  no blog Conversa de Botiquim, um blog de um estudante de jornalismo da Unisinos, de São Leopoldo-RS. Com aspas dos fundadores do grupo, explicando como  começou a iniciativa e como funciona a seleção dos filmes a serem legendados, tudo conforme manda o bom jornalismo.

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A matéria tá interessante e devido as condições supracitadas, citarei as aspas de lá.  Pra começar: como  se deu a criação do movimento? “Eu percebi que havia comunidades direcionadas para troca de legendas, mas nenhuma atendia aos filmes que o MCL atende. Além do mais, pensei em traduzir legendas, mas sozinho vi que levaria décadas. Então pensei em criar uma comunidade”, diz Thiago Mattos, fundador da comunidade.

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Uma breve pausa para explicação. Os  filmes que o MCL atende são O diferencial da coisa: são daqueles que a gente costuma classificá-los de “cinema autoral”, que passam longe de Hollywood e pertinho de Cannes. Filme de cineastas como Godard, Truffaut, Antonioni, Bergman, Bertolucci, Lars Von Trier, Cocteau, Cassavetes, Buñuel, dentre outros. Os típicos filmes que raramente encontramos em locadoras – e, quando encontramos, geralmente eles estão lá por aficcionados do tipo que participam do MCL.

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Voltando à história. Criada a comunidade, em novembro de 2006, Thiago e o grupo que se formava nela começaram a divulgá-la no próprio Orkut: “A gente espalhou trezentos tópicos por comunidades de cinema sobre o MCL. Era um texto gigante, que acho que nenhum ser humano chegou a ler”, comenta o fundador ironicamente .

Em alguns meses já contavam com mais de 2 mil participantes. Com toda essa gente, organizaram um esquema para melhor funcionamento: através de enquetes, definiam-se os filmes a serem legendados. Os usuários baixavam a legenda em outra língua – normalmente inglês e espanhol – e traduziam para o português. Com ela concluída, a legenda era enviada para o email da comunidade, e posteriormente é inserida no banco de dados do site Opensubtitles.

Aos poucos a idéia da comunidade se expandiu. Em maio de 2007, nasce o blog, onde também disponibilizavam resenhas e entrevistas (feitas pelos próprios participantes da comunidade ou retirada de sites especializados). Em alguns casos, encontrava-se ali o pacote completo: resenha, legenda e link para baixar o filme. Em fevereiro deste ano, surgiu a comunidade “Manifesto Cinema Livre“, uma expansão do MCL destinada à discussão de produção cinematográfica.

Em junho deste ano a comunidade original migra para a “Nuovo Cinema Livre“. Desde então, as comunidades e o blog estão praticamente parados. Ao que parece, o marasmo na comunidade e no blog devem-se a uma nova iniciativa do Movimento: a criação de uma revista digital, que  vai disponibilizar os links e informações gerais dos filmes trabalhados, a funcionar neste endereço aqui.

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Não consta que o MCL não teve problemas com relação à direitos autorais. Até porque a sua “pirataria” é voltada para um nicho  de filmes marginalizados no circuito comercial, que obviamente não são a menina dos olhos da indústria, preocupada mais com lucro$. A pergunta que o Movimento faz é a seguinte: Se são filmes que o mercado praticamente não liga, que mal há em disponibilizá-los na rede?

Não há nenhum mal, claro. Até porque antes ver um  Buñuel, um Bertolucci, um Antonioni (todos com cartazes de filmes neste post) no computador, com uma imagem não tão boa quanto deveria, do que esperar ad eternum algum cinema ou um Telecine Cult da vida passá-los. Porque um filme só tem sentido se é pra ser visto, não?

[Leonardo Foletto]

P.S: Tirando a imagem da abertura, as imagens que ilustram este post foram tiradas daqui. São cartazes de filmes de “cinema autoral”  versão polonesa, país que tem uma curiosa tradição de fazer cartazes de filme radicalmente diferentes dos originais.

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