III Encontro SUL da Rede de Produtoras Culturais Colaborativas

Pelo terceiro ano consecutivo, as produtoras culturais colaborativas da região sul vão realizar seu encontro anual em Porto Alegre e região metropolitana. O III Encontro Regional SUL da Rede das Produtoras Culturais Colaborativas contará com debates, oficinas, install fest de software livre, roteiro pelos espaços coletivos de produção cultural de Porto Alegre e atrações culturais, com a participação das produtoras colaborativas da região Sul, representantes das produtoras das regiões Norte e Nordeste do Brasil e parceiros locais que trabalham com produção cultural, software livre e economia solidária. O evento vai de 4 a 7 de outubro (quarta-feira à sábado) em Porto Alegre, no Espaço Cultural 512 (Rua João Alfredo, 512, Cidade Baixa) e na Unisinos Campus Porto Alegre (Av. Dr. Nilo Peçanha, 1640, sala 307) e em Novo Hamburgo, no Espaço Sideral e na Casa Aberta Clube da Esquina (Rua Casimiro de Abreu, 272/251)

A edição deste ano do encontro tem o reconhecimento e apoio da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural do MinC, através do edital Cultura e Redes, realizado em 2015, cujos recursos foram liberados somente este ano. As inscrições para todas as atividades são gratuitas e podem ser realizadas aqui.

A programação completa está abaixo. Todes estão convidados a cdiscutir/praticar/conhecer a tecnologia social das produtoras colaborativas, economia solidária, gestão de espaços coletivos de produção, tecnologias livres, criptomoedas, redes livres, comunicação alternativa e outros temas que vão ser debatidos nos dias de evento.

Programação completa
Evento Facebook

PROGRAMAÇÃO

1º DIA – 4 de outubro (quarta)
LOCAL: Recepção/ almoço/atividades – Espaço Cultural 512 (Rua João Alfredo, 512, Cidade Baixa, Porto Alegre – RS)

14h – Abertura
RODAS DE CONVERSA
15h – Como a web 3.0 pode ser um mutirão para fazer a inteligência coletiva emergir? Daniel Muller (ASL)
16h – Permacultura digital: intertextualizando a cultura da permanência. Fabianne Balvedi (PR), Pedro Jatobá (BA) e Leandro Atlas (RS)
17h – O Corais 20 tá chegando!: apresentação da nova versão da plataforma de gestão da Rede das Produtoras Culturais Colaborativas, Cooperativa EITA
19h – Install Fest – Oscar Luz e Associação do Software Livre (ASL)
19h – CINELIVRE: exibição de filmes produzidos em software livre e/ou distribuído em licenças livres. (Curadoria: Cláudia Archer)
20h30 – O Futuro do Software Livre no Brasil (Associação do Software Livre – ASL)
21h – Quarta Livre no 512
Shows: Mosaico Fluido, Áurea Vênus, Andrei Côrrea (vocalista/guitarrista da banda Trem Imperial) e convidado surpresa. Nos intervalos do show, DJ Virgulinux vai tocar suas seletas musicais nordestinas montadas só com músicas livres para baixar e de domínio público disponíveis na internet.

2º DIA – 5 de outubro (quinta-feira)
LOCAL: Unisinos Porto Alegre (Av. Dr. Nilo Peçanha, 1640, sala 307)

Seminário do III Encontro SUL das Produtoras Colaborativas
10h – Abertura. Mesa 1: As produtoras colaborativas e os arranjos locais de produção econômica
Tempos de “crise” são tempos de união e de criar novas (ou recriar velhas) formas de produção. Também são períodos para se buscar bons exemplos e soluções de viabilidade financeira que sejam, de fato, colaborativas. Como a tecnologia social das Produtoras Culturais Colaborativas pode contribuir para este cenário? Como a economia solidária pode dialogar com a economia colaborativa na produção de alternativas viáveis financeiramente e socialmente justas? Quais os principais desafios para quem quer sobreviver produzindo uma cultura livre, colaborativa e economicamente sustentável? Como, nas brechas da crise, detectar e potencializar arranjos locais de produção cultural livre? Estas e outras questões serão discutidas nessa mesa de abertura do Seminário do III Encontro SUL de Produtoras Culturais Colaborativas.
_ Pedro Jatobá (Iteia/Rede das Produtoras Colaborativas)
_ Aline Bueno (mestranda em design estratégico na Unisinos, integrante do SeedingLab e do Vila Flores);
_ Ana Mercedez Sarria Icasa (Núcleo de Estudos de Gestão Alternativa- NEGA, UFRGS);
_ Joel Grigolo (Matehackers/MachinariumLAB);
_ Leandro Anton (fotógrafo, Geógrafo e Educador Popular, integrante da Coordenação do Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo);

14h – Crise capitalista atual e possibilidade de um pós-capitalismo: o papel da democratização da cultura via militantes digitais
Gláucia Campregher (Professora do Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFRGS) e Rodrigo Brites (discente de Relacões Internacionais da UFRGS e pesquisador da internet como ferramenta de poder). A proposta da discussão é alertar para o alcance da cultura digital, principalmente aquela voltada para o desenvolvimento de práticas colaborativas, na proposição de alternativas à crise atual que aponta para maior concentração de riqueza, poder, e controle das produções materiais e imateriais, mesmo que ao mesmo tempo estas novas tecnologias permitam também alguma democratização na sua produção e consumo.

16h – Mesa 3: Comunicação e cultura livre em tempos bicudos
Virou consenso dizer que o jornalismo brasileiro vive um “apagão” nos últimos anos, a partir do acirramento político que se deu em torno das Jornadas de Junho de 2013 e das eleições presidenciais de 2014. Ao mesmo tempo que o dito jornalismo tradicional está em crise,  é visível a expansão de coletivos de comunicação e jornalismo “contra-hegêmonico” pelo Brasil, que buscam construir narrativas sobre os acontecimentos de pontos de vista que não os tradicionalmente mostrados na mídia tradicional. De que formas estes coletivos conversam com o software e a cultura livre? Como produzir comunicação e jornalismo em tempos bicudos, de acirramento de lados que não dialogam? Como fugir da polarização e produzir informação qualificada sobre os acontecimentos hoje no Brasil? Essas e outras questões vão pontuar o debate com diversos integrantes de coletivos de comunicação do RS e SC.
_ Agência Ganesha (Florianópolis, SC)
_ Nonada Jornalismo Travessia (POA-RS)
_ Coletivo Catarse (Porto Alegre – RS)
_ Coletivo Maruim – Florianópolis, SC

Mediação: Leonardo Foletto (http://baixacultura.org/, doutor em comunicação e informação pela UFRGS)

3º DIA – 6 de outubro (sexta)

10h – Oficina Laboratório Fotodoc online com ferramentas livres (Sheila Uberti – http://fotolivre.org)
Atividade de apresentação e prática guiada sobre as possibilidades de publicar online a documentação fotográfica de projetos culturais. Falaremos sobre licenças, softwares, integração de ferramentas, atualização e manutenção dos conteúdos. Não é necessário conhecimento de nenhuma linguagem de programação ou de edição de imagens avançada.

LOCAL: Espaço Cultural 512 (Rua João Alfredo, 512, Cidade Baixa, Porto Alegre – RS)

14h – Passeio pelos Espaços coletivos de produção cultural em Porto Alegre (conhecidas também como “Casas Colaborativas”).
A proposta da atividade é conhecer os espaços e compartilhar informações sobre as atividades realizadas, as formas de gestão e de troca de informação entre os participantes.
Quilombo do Sopapo
Marquise51
Galpão Makers
Vila Flores – encerramento com roda de conversa sobre a reconfiguração das Casas Colaborativas

4º DIA – 7 de outubro (sábado)

15h -A tecnologia blockchain (Bitcoin¢) e seus impactos socioeconômicos (Lucas Alberto – ASL e convidados)
16h – Internet(s) possíveis para a cultura livre. Roda de conversa (Casa de Cultura Digital Porto Alegre)
17h – Redes Livres e/ou Provedores Comunitários no Brasil e mundo (Rodrigo Troian, Coolab – laboratório cooperativo de redes livres)

Local: Espaço Cultural 512 (Rua João Alfredo, 512, Cidade Baixa – Porto Alegre).

Festa de Encerramento

19h – Festa da Cultura Livre: Junção Primavera Cultural Novo Hamburgo  – Lúpulo Jah e Outro Mundo Acontece: Kalunga Quilombola (POA) e Expo Arte,

Local: Espaço Sideral (Rua Casemiro de Abreu, 272, Novo Hamburgo) e Casa Aberta Clube da Esquina (Rua Casemiro de Abreu, 251), uma na frente da outra.

SOBRE AS PRODUTORAS CULTURAIS COLABORATIVAS

As Produtoras Culturais Colaborativas (http://www.corais.org/colabor ativas) são uma tecnologia social que integra práticas formativas em software livre, metodologias de inclusão digital e produção cultural comunitária orientadas pelos princípios da economia solidária. São iniciativas de desenvolvimento local realizadas em telecentros onde jovens, produtores e gestores culturais, empreendedores e artistas, participam da gestão do espaço e do processo formativo, criando e comercializando produtos e serviços da economia criativa em software e licenças livres e de forma autogestionária. A tecnologia social qualifica espaços de inclusão digital em laboratórios de educação em cultura livre, contribuindo para o registro de suas comunidades. Existem pontos da rede em Recife e Olinda (PE), Belém e Santarém (PA), Porto Alegre e Novo Hamburgo (RS), Florianópolis (SC), Curitiba (PR), Salvador e Chapada Diamantina (BA).

A sutileza poético-ativista PORO

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Fazia tempo que queríamos conversar um pouco com PORO e eis que neste fevereiro de 2014 isso foi possível. Por quê?

Bem, vamos por partes. A primeira coisa a dizer sobre eles, antes de qualquer explicação, e caso você não os conheça, é: vá ao site e flaneie pelas intervenções urbanas e ações efêmeras, projetos, publicações, vídeos, fontes (sim, eles produzem fontes!). Não se esqueça de ir na seção de downloads, cheia de material para baixar e espalhar por aí.

Foi?

Então a segunda coisa que vamos dizer aqui é que eles são uma dupla mineira – Brígida Campbell e Marcelo Terça-Nada. A terceira é que eles atuam desde 2002 em “trabalhos que buscam apontar sutilezas, criar imagens poéticas, trazer à tona aspectos da cidade que se tornam invisíveis pela vida acelerada nos grandes centros urbanos, refletir sobre as possibilidades de relação entre os trabalhos em espaço público e os espaços “institucionais”, lançar mão de meios de comunicação popular para realizar trabalhos, reivindicar a cidade como espaço para a arte”, segundo a explicação que eles apresentam no site.

Este belo doc aqui abaixo conta um pouco da trajetória do PORO.

 

A quarta é que lembramos deles neste fevereiro de 2014 por conta do lançamento do ebook do livro deles “Intervalo, respiro, pequenos deslocamentos“. No trabalho, disponível pra download gratuito, está um panorama da produção do grupo nos 14 anos de vida até hoje, relacionando a produção do Poro a uma discussão sobre ações artísticas que promovem a percepção sobre o espaço público, cidade, patrimônio, memória, trabalho colaborativo, inserções artísticas e relações entre arte e política.

Desde já, é uma obra de referência sobre a produção contemporânea de arte pública (public art) e suas conexões com a mídia tática, apropriações midiáticas, culture jamming, site specific, entre outros temas que volte e meia também tratamos por aqui. Recomendamos a compra do exemplar impresso (R$35), mas caso você não queira ou possa no momento, leia aqui abaixo, no Issuu:

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O papo rolou por e-mail, com alguns complementos por chat. No final da entrevista, publicamos alguns cartazes e as capas dos panfletos de algumas intervenções do PORO – que, lembrando sempre, você pode (e deve) baixar e sair espalhando por sua cidade.

B: Vcs começaram em 2002 a trabalhar com uma arte que não deixa de ser ativista (ou um ativismo que é arte), e fazem isso até hoje. Como vcs chegaram a este modelo/estratégia de “ativismo poético”? veio de um processo natural de inquietação com as formas de arte ditas tradicionais?

Sim, podemos dizer que isso veio naturalmente a partir da soma natural de vários desejos: ocupar o espaço público de forma crítica e poética; refletir sobre as questões das cidades contemporâneas; atuar na esfera do simbólico e do imaginário urbano; investigar o aspecto gráfico das formas de comunicação popular; criar pequenos intervalos de silêncio e encantamento na malha urbana; experimentar possibilidades de uma arte expandida, para além do sistema institucional da arte (às vezes criando diálogos e transbordamentos com esse sistema).

Nunca tivemos nada contra as formas de arte mais “tradicionais” pelo contrário a gente se interessa do mesmo jeito, mas desde o início de nossa trajetória sentimos uma espécie de mal estar com as relações institucionais que de alguma maneira burocratizam a arte. Daí foi que caminhamos para fazer uma trilha mais livre, mais solta, buscando experimentações plásticas/gráficas, buscando espaços para ocupar/atuar, tentando tecer redes de pessoas e grupos de várias partes do Brasil e buscando uma rede de produção paralela às instituições, baseada na amizade e no contato com pessoas que têm os mesmos desejos.

E a cidade veio como um lugar também natural, onde era possível sentir a pulsão na nossa frente, e a nossa poética foi se estabelecendo a partir da vontade de interferir, mesmo que numa escala do sutil, nos modos como as cidades estão se transformando. Talvez chegamos às nossas táticas de atuação tentando responder à pergunta: Como discutir a cidade de uma maneira poética e próxima aos contextos onde os problemas urbanos acontecem?

B: Quais as principais dificuldades que vcs encontram pro trabalho? polícia, financiamento, não-entendimento/fruição do público?

Tem dificuldade não! O trabalho de arte para nós não deve ser algo difícil, complicado. Pelo contrário deve ser prazeroso, fácil de produzir e de circular. Talvez por sua simplicidade, o trabalho do Poro consegue estabelecer diálogos com diversas pessoas com os mais diferentes backgrounds, o que tem proporcionado circular nosso trabalho também fora do campo específico das Artes (com A maiúsculo) e está por aí, na cidade, nas casas das pessoas, nas festas, nas prateleiras… Gostamos disso: das diversas formas de fruição e compreensão do trabalho. Inclusive quando ele se mistura com outras coisas e às vezes se torna “não-arte”, isso é ótimo!

Acreditamos muito na filosofia do “faça-você-mesmo” e sempre produzimos com o que temos à mão. A questão é fazer!
Já ganhamos alguns editais e prêmios onde foi possível produzir os trabalhos de maneira mais estruturada. Mas achamos que o artista não deve ficar dependendo disso, até porque quem tem a pulsão criativa não aguenta esperar!

B: As ações de vcs são estão muito ligadas a rua, ao espaço urbano tomado como possível expressão poética da cidade. Já pensaram em usar a internet como palco/plataforma para apontar sutilezas e criar imagens poéticas também no mundo digital?

Desde o início da nossa atuação, usamos a web como canal de difusão de nossas ações, seja através da veiculação de registros das intervenções, seja distribuindo as matrizes digitais dos panfletos/adesivos/carimbos, seja circulando proposições para que as pessoas experimentassem realizar as intervenções em suas cidades. Para isso já usamos as mais diversas táticas, como o que chamávamos de panfletagem eletrônica (via email) ou os convites para imprimir, xerocar e distribuir os trabalhos (a partir de nosso site).

No caso da circulação dos registros das intervenções, a produção e edição dos vídeos e fotos dos trabalhos passa pela criação de novas narrativas sobre aquela intervenção. Pois os registros vão ressaltar determinados aspectos do trabalho e vão ser fruídos em locais totalmente diferentes daqueles onde as intervenções foram feitas. Isso cria novas camadas de percepção sobre os trabalhos e sobre o espaço público.

Vale ressaltar que a internet é nossa grande aliada na “permanência” de nossas obras. Explicando: como a maioria de nossos trabalhos são efêmeros, ou muito sutis, passam muitas vezes despercebidos no espaço urbano e os registro e sua circulação pela web provocam um outro tipo de duração e significados.

Inclusive convidamos os leitores para baixar um de nossos últimos trabalhos: a fonte digital PARKING.TTF (disponível em www.poro.redezero.org/fonte), uma fonte digital inspirada nos estacionamentos das grandes cidades. Bora fazer arte no editor de texto do seu computador!

B: Em ano de Copa, mil holofotes apontados para o Brasil e outros tantas manifestações previstas/necessárias, vocês planejam alguma ação específica? Uma pergunta/desafio: como usar esse fardo gigantesco da copa pra dar luz a lugares/pessoas esquecidas e fazer algo pra mudar essa relação?

Essa coisa toda é super complexa. As paisagens das cidades estão borradas, sem poesia. Temos participado deste processo todo de outras formas também, além da arte, participando das reuniões e debates, protestos e mobilizações.

Mas o movimento mais importante já está sendo feito: uma mudança na consciência simbólica das pessoas. Muita gente está manifestando, ou está em reuniões de assembléias populares, conversando sobre política, dormindo nas ocupações, pulando catraca pela primeira vez… Isso é incrível e é um aprendizado fantástico, para nós todos e especialmente para os mais jovens. A experiência fica impregnada em quem participa. E todo mundo passa a entender a cidade de outra forma. Ampliando o olhar sobre as formas de viver e fazer política. As pessoas estão ocupando as cidades e esse sempre foi o nosso sonho!

Ainda não realizamos um trabalho específico sobre a copa, mas temos algumas coisas em gestação… fiquem de olho no nosso site e no Facebook do Poro.

B: Como vocês perdem tempo?

Lemos artigos no Baixacultura (que a gente adora). E além daquelas 20 maneiras que publicamos nos panfletos da série Perca Tempo, a gente também: anda de bicicleta, percorre paisagens, encontra os amigos, cuida de plantas, faz sucos experimentais de frutas, joga conversa fora, desenha, fotografa, faz inúmeras anotações em caderninhos, inventa moda, arruma problema… na verdade a gente não para quieto…

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Pormenores da cultura livre latino-americana

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Passou mais de uma semana, e o relato do congresso de Cultura Livre realizado no final de maio em Quito, no Equador, tardou mas vem agora.

A ideia do congresso, que realizou sua 2º edição e teve organização de FlacsoUnesco y Radialistas, era de gerar  “un espacio de debate e intercambio de experiencias sobre el acceso universal al conocimiento, la creación artística y cultural, la gestión de la cultura, el uso de las tecnologías abiertas y libres, la producción colectiva, el acceso abierto a producciones científicas, el uso de licencias alternativas, los nuevos modelos pedagógicos y las ventajas para la ciudadanía”.

Sem puxa-saquismos, mas foi isso que realmente aconteceu. Já foi importante só o fato de juntar gente de toda a América Latina para trocar experiências sobre iniciativas de cultura, software e mídia livre. Em determinado momento, contei estar em mesas/rodas com gente de Argentina, Uruguai, México, Colômbia, Venezuela, Perú, Chile, Bolívia, Espanha, além de Equador. Foi bom de ver que há gente por toda a região com iniciativas interessantes nesta área.

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Como são muitas as coisas a se falar, vou dividir o relato em dois, de acordo com os dias do evento. O de hoje vai sobre cultura livre, tema do 1º dia, e educação aberta e repositórios livres ficam para a semana que vem.

A quinta feira de congresso teve uma programação diversificada, que conseguiu intercambiar este “mundo novo” (nem tão novo assim) da cultura livre sob a perspectiva dos já iniciados e dos que não conheciam. A conferência de abertura foi “Gestión pública de la cultura en tiempos digitales, a cargo de Jorge Gemetto y Mariana Fossatti, de Ártica Centro Cultural 2.0. Mostraram bastante exemplos de iniciativas de cultura digital, das quais cito LaLulula.tv, “uma curadoria de videos para compartir” bastante interessante organizada por um artista argentino, La Exposición Expandida, uma proposta oriunda da Espanha de ampliar uma exposição tradicional de arte para os blogs e redes sociais, e o “Tiranos Temblad“, canal no Youtube com resusmos bem humorados dos acontecimentos uruguaios da semana.

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Jorge y Mariana de Artica

O trabalho do Ártica é diversificado: oferecem cursos online dos mais diferentes, de WordPress para projetos culturais a iniciação a pintura digital, além de consultorias de gestão de conteúdos e vendas de produtos culturais na web, dentre outros que não cabem nesse post.  Não tem uma sede fixa, mas em tempos de redes distribuídas isso não é empecilho para fazer uma série de trabalhos importantes. Funcionam na prática o que se identificam em conceito: ser um centro cultural 2.0.

Na sequência da programação, rolaram três painéis simultâneos, com vários convidados cada um: “Propiedad Intelectual y Cultura Libre”, “Iniciativas artísticas y culturales Libres” y “Cultura, Diseño, Música y Audiovisuales con Hardware y Software Libre”. Eu participei do segundo e me surpreendi com algumas falas, especialmente a do equatoriano Diego Morales Oñate, que relacionou a cultura livre com os fanzines – foi bom ver que não somos os únicos a pensar que há uma estreita ligação entre as duas partes, relação que fizemos ao chamar o Zinescópio para participar do dia da cultura livre na Casa da Cultura Digital Porto Alegre.

Coffe break disputado
Coffe break disputado

Diego me apresentou também “La minga“, uma antiga tradição andina, especialmente dos altiplanos peruanos e equatorianos, de trabalho colaborativo comunitário com fins de utilidade social. É uma atividade que está na pré-história do trabalho colaborativo e que vem sido resgatada com as novas possibilidades de colaboração via rede, junto com o mutirão brasileiro, do ayni andino e do tequio mexicano, entre outras práticas que colocam a américa latina como precursora do mundo 2.0, como aponta e lista Bernardo Gutierrez nesse artigo.

Outro destaque desse painel foi a fala de Simona Levi, importante ativista baseada na Espanha, que citou diversas iniciativas da qual faz parte, como o FC Fórum – fórum de acesso ao conhecimento – e o X-net, do singelo slogan: “internet libre o barbarie”. Simona encerrou com uma convocação a batalha contra o copyright: “acabou a lógica da propriedade, estamos na lógica do acesso“.

Depois do recesso do meio dia, três conversas paralelas foram realizadas no evento: “Proyectos artísticos en Copyleft”, “Arte y crowdfunding” y “Nuevos modelos de negocio y competencias y su relación con la CL”. Participei de uma roda enxuta mas produtiva sobre arte e crowdfunding, que foi interessante também por apresentar diversos sites de crowdfunding em língua castelhana: Goteo.Org, plataforma baseada na Espanha bastante conhecida e 100 % aberta; Idea.me, a mais difundida na américa latina; Kifund, focada em projetos audiovisuais; e Verkami, para projetos criativos/artísticos.

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Talles de arte y crowdfuding

Deu para sacar que o crowdfunding é visto o como uma novidade grande – e, portanto, é visualizado com relativa desconfiança em alguns países da região, especialmente o Equador: “aqui não dá certo”, “como fiscalizar o dinheiro doado?” foram algumas das perguntas ouvidas. Falei de algumas experiências que tive com as plataformas brasileiras, sobretudo o Catarse.me, e disse que por aqui o financiamento coletivo tem cada vez mais se consolidado na área cultural, principalmente como estratégia de venda antecipada – citei casos como o de Vitor Ramil no Traga seu Show, Nei Lisboa no Catarse, além dos que participei mais proximamente, como as 3 vezes do BaixoCentro e o Ônibus Hacker. Fiquei com a impressão de que o Brasil está na ponta de lança nessa seara aqui na américa latina.

Ao final do dia, este que vos fala teve a honra de fazer uma charla sobre “Creación y difusión cultural en la era hacker” – aqui tem a apresentação pra baixar. Fiz um balanço de algumas iniciativas que participo ou participei, caso de Casa da Cultura Digital, BaixoCentro, Ônibus Hacker, além do BaixaCultura. Apontei também os princípios da ética hacker e como eles, na minha visão, tem influenciado alguma coisa destes trabalhos todos. Ao fim, mostrei algumas fotos e um vídeo do BaixoCentro (o da abertura) para ilustrar um pouco da ideia de que a cultura hacker está presente para além dos dispostivos tecnológicos – também está nas ruas, para “hackear las calles”, como disse em portunhol.

Yo e Santiago García, dos Radialistas, coordenador do evento.
Yo e Santiago García, dos Radialistas, coordenador do evento.

A parte final da apresentação, da cultura livre nas ruas, foi a que me rendeu mais perguntas ao fim. Em conversas posteriores, tive a impressão de que os movimentos da sociedade civil – como o BaixoCentro, a Marcha das Vadias e os recentes organizados em função dos aumentos das passagens de ônibus – e a sua atuação “apartidária”, organizada sem hierarquias (muito) aparentes e com a intenção de ocupar as ruas e reinvindicar seus direitos, são o que de mais forte o Brasil tem apresentado para a latino-américa. Ou, pelo menos, o interessante parece ser a relação destes movimentos com a cultura livre, caso específico do BaixoCentro e nem tanto dos relacionados aos outros aqui citados.

Ainda fui entrevistado pelo El Comércio, jornal de maior tiragem do Equador, na segunda seguinte ao evento. Teve alguns erros de lugares (citaram São Paulo, sendo que hoje estou em Porto Alegre), algumas atropeladas em respostas – colocar o que falei sobre o BaixoCentro numa pergunta sobre propriedade intelectual. Mas não é fácil organizar informações sobre tantas coisas distintas em uma entrevista curta de jornal, então até que não foi de todo mal. Em geral, falei o que falo sempre por aqui: “La originalidad está más ligada a cómo se organizan las cosas que a la creación de una idea única“.

[Leonardo Foletto]

P.s: As apresentações feitas durante todo o evento estão disponíveis aqui. E mais relatos sobre o congresso tem com os uruguaios de Artica e com o peruano Juan Arellano, editor do Global Voices na América Latina.

P.s 2: Sobre Crowdfunding no Brasil, vale a pena ver este mapeamento colaborativo das ferramentas brasileiras com mais de 30 iniciativas.

As fotos são do Flickr do Congresso, por Carlos Vizuete y Beatriz Elguero.

Metareciclagem e o cyberpunk de chinelos

Em meados de fevereiro, num calor de exigir chinelos, bermudas e camisetas, conversei com Felipe Fonseca, mais conhecido nas redes por Efefe, na sala de convivência da Casa da Cultura Digital. A entrevista durou cerca de duas horas e versou principalmente sobre a Rede Metareciclagem, que, sucintamente, pode ser definida como “uma rede auto-organizada que propõe a desconstrução da tecnologia para a transformação social”.

É, ao lado da Transparência Hacker, do Fora do Eixo e dos Pontos de Cultura, uma das principais redes ligadas a cultura digital no Brasil. Iniciou em 2002, em São Paulo, tendo o foco em ações de apropriação de tecnologia de maneira descentralizada e aberta – não apenas “reciclar computadores”, como inicialmente se fazia e pensava, mas para promover a desconstrução e apropriação de tecnologias de todas as ordens e origens.

Depois de ganhar prêmios de Mídia e Software Livre e menções honrosas no Prix Ars Electronica (2006), hoje a comunidade conta com algumas dezenas (centenas?) de pessoas, espalhadas por todo os cantos do Brasil, que mantém uma lista de email constantemente atualizada com milhares de coisas que possam se conectar (ou não) com o assunto tecnologia, cultura digital e gambiarras diversas. [Neste vídeo do projeto Retalhos, Felipe fala um pouco mais da rede].

Gravei toda a entrevista em áudio, que, a pretexto de falar da Metareciclagem, circundou por assuntos como os laboratórios de cultura digital experimental – ele foi um dos curadores do laboratório experimental do Festival CulturaDigital.br (foto acima) – , a redelabs, o evento Mídia Tática 2003 (da qual falamos bastante por aqui), a estada de Fonseca em Barcelona, Porto Alegre (sua terra natal), Ubatuba (e o Ubalab) e outros assuntos que dizem respeito a este inquieto pesquisador.

Felipe agora está no mestrado no Labjor na Unicamp e tenta trazer suas pesquisas independentes para dentro da estrutura rígida da academia. Uma das iniciativas que ele está envolvido nessa seara é a parceria da Metareciclagem na organização da Conferência Internacional em Gestão Ambiental Colaborativa – o Cigac, a se realizar no interior da paraíba em junho (na imagem abaixo).

Ainda tou devendo transcrever a entrevista inteira. Mas o fato que me fez lembrar dessa entrevista foi que no próximo final de semana a Metareciclagem faz um Encontrão Hipertropical em Ubatuba, litoral de São Paulo, de 25 a 27 de maio. Os Encontrões de MetaReciclagem, como explica Felipe, “são principalmente momentos de reconhecimento da rede – as boas-vindas aos novos integrantes, a atualização sobre os diversos projetos em que estamos envolvidos, a realimentação e reinvenção dos nossos mitos fundadores e mantenedores”.

Eles estão a cata de grana para bancar esse encontro – que é feito de forma totalmente independente – e, para isso, fizeram uma “vaquinha” para tentar viabilizar algumas presenças em Ubatuba – você pode ajudar com qualquer quantia, via PagSeguro e PayPal (mais informações sobre como doar).

A metareciclagem

Enquanto a transcrição da entrevista não sai, resolvi republicar um texto de Efe que diz muito de suas pesquisas e ações dentro da metareciclagem e fora dela: Cyberpunk de chinelos.

A começar pela bela sacada do título, que descontrói e “abrasileira” a imagem que acostumamos a ver relacionada ao “cyberpunk” das ficções científicas, o texto trata da onipresença da tecnologia na vida global, passando pelo papel da arte em puxar a experimentação com as novas tecnologias digitais e destacando uma ideia que só se atualiza de alguns anos pra cá: “o Brasil não vai virar uma Europa, como o mais provável é que o mundo inteiro esteja se tornando um Brasil – simultaneamente desenvolvido, hiperconectado e precário“.

O texto é o que abre o primeiro livro de Efe, Laboratórios do Pós-Digital, lançado em 2011, uma coletânea de artigos escritos entre 2008 e 2010 que pode ser baixado, comprado e acessado de diversas maneiras – e que merece uma leitura atenta de todos que se interessam pelos assuntos abordados neste texto que encerra aqui.

[Leonardo Foletto]

Cyberpunk de Chinelos 

Felipe Fonseca (Fonte: Laboratório de Pós-Digital)

O mundo virou cyberpunk. Cada vez mais as pessoas fazem uso de dispositivos eletrônicos de registro e acesso às redes – câmeras, impressoras, computadores, celulares – e os utilizam para falar com parentes distantes, para trabalhar fora do escritório, para pesquisar a receita culinária excêntrica da semana ou a balada do próximo sábado. Telefones com GPS mudam a relação das pessoas com as ideias de localidade e espaço. Múltiplas infra-estruturas de rede estão disponíveis em cada vez mais localidades. Essa aceleração tecnológica não resolveu uma série de questões: conflito étnico/cultural e tensão social, risco de colapso ambiental e lixo por todo lugar, precariedade em vários aspectos da vida cotidiana, medo e insegurança em toda parte. Mas ainda assim embute um grande potencial de transformação.

O rumo da evolução da tecnologia de consumo até há alguns anos era óbvio – criar mercados, extrair o máximo possível de lucro e manter um ritmo auto-suficiente de crescimento a partir da exploração de inovação incremental, gerando mais demanda por produção e consumo. Em determinado momento, a mistura de competição e ganância causou um desequilíbrio nessa equação, e hoje existem possibilidades tecnológicas que podem ser usadas para a busca de autonomia, libertação e auto-organização – não por causa da indústria, mas pelo contrário, apesar dos interesses dela. As ruas acham seus próprios usos para as coisas, parafraseando William Gibson. Em algum sentido obscuro, as corporações de tecnologia se demonstraram muito mais inábeis do que sua contrapartida ficcional: perderam o controle que um dia imaginaram exercer.

O tipo de pensamento que deu substância ao movimento do software livre possibilitou que os propósitos dos fabricantes de diferentes dispositivos fossem desviados – roteadores de internet sem fio que viram servidores versáteis, computadores recondicionados que podem ser utilizados como terminais leves para montar redes, telefones celulares com wi-fi que permitem fazer ligações sem precisar usar os serviços da operadora. Um mundo com menos intermediários, ou pelo menos um mundo com intermediários mais inteligentes – como os sistemas colaborativos emergentes de mapeamento de tendências baseados na abstração estatística da cauda longa.

Por outro lado, existe também a reação. Governos de todo o mundo – desde os países obviamente autoritários como o Irã até algumas surpresas como a França – têm tentado restringir e censurar as redes informacionais. O espectro do grande irmão, do controle total, continua nos rondando, e se reforça com a sensação de insegurança estimulada pela grande mídia – a quem também interessa que as redes não sejam assim tão livres.

Nesse contexto, qual o papel da arte? Em especial no Brasil, qual vem a ser o papel da arte que supostamente deveria dialogar com as tecnologias – arte eletrônica, digital, em “novas” mídias? Vêem-se artistas reclamando e demandando espaço, consolidação funcional e formal, reconhecimento, infra-estrutura, formação de público. São demandas justas, mas nem chegam a passar perto de uma questão um pouco mais ampla – qual o papel dessa arte na sociedade? Essa “nova” classe artística tem alguma noção de qual é a sociedade com a qual se relaciona?

É recorrente uma certa projeção dos circuitos europeus de arte em novas mídias, como se quisessem transpor esses cenários para cá. Não levam em conta que todos esses circuitos foram construídos a partir do diálogo entre arte e os anseios, interesses e desejos de uma parte da população que é expressiva tanto em termos simbólicos como quantitativos. Se formos nos ater à definição objetiva, o Brasil não tem uma “classe média” como a europeia. O que geralmente identificamos com esse nome não tem tamanho para ser média. Aquela que seria a classe média em termos estatísticos não tem o mesmo acesso a educação e formação. É paradoxal que a “classe artística” demande que as instituições e governo invistam em formação de audiência, mas se posicione como alheia a essa formação, como se só pudesse se desenvolver no dia em que a “nova classe média” for suficientemente educada para conseguir entender a arte, e suficientemente próspera para consumi-la.

Muita gente não entendeu que não só o Brasil não vai virar uma Europa, como o mais provável é que o mundo inteiro esteja se tornando um Brasil – simultaneamente desenvolvido, hiperconectado e precário. Não entendeu que o Brasil é uma nação cyberpunk de chinelos: passamos mais tempo online do que as pessoas de qualquer outro país; desenvolvemos uma grande habilidade no uso de ferramentas sociais online; temos computadores em doze prestações no hipermercado, lanhouses em cada esquina e celulares com bluetooth a preços acessíveis, o que transforma fundamentalmente o cotidiano de uma grande parcela da população – a tal “nova classe média”. Grande parte dessas pessoas não tem um vasto repertório intelectual no sentido tradicional, mas (ou justamente por isso) em nível de apropriação concreta de novas tecnologias estão muito à frente da elite “letrada”.

Para desenvolver ao máximo o potencial que essa habilidade espontânea de apropriação de tecnologias oferece, precisamos de subsídios para desenvolver consciência crítica. Para isso, o mundo da arte pode oferecer sua capacidade de abrangência conceitual, questionamento e síntese. Vendo dessa forma, as pessoas precisam da arte. Mas a arte precisa saber (e querer) responder à altura. Precisa estar disposta a sujar os pés, misturar-se, sentir cheiro de gente e construir diálogo. Ensinar e aprender ao mesmo tempo. Será que alguém ainda acredita nessas coisas simples e fundamentais?

Créditos fotos: Alosyio Araripe e Bruno Fernandes.

Propagandas Antipirataria [6]

Mais algumas pérolas da nefasta coleção de propagandas antipirataria que o mundo insiste em soltar, contra toda a lógica possível das redes.

É dito na campanha Pirata: To Fora!, do Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil (Sindireceita) com apoio do Conselho Nacional de Combate à Pirataria, que, sem o imposto arrecadado das empresas, o Estado perde um pouco  de receita.

Na verdade, sabemos que não é bem assim, e tu já conhece como que se dá essa falsificação da numerologia pirata ou, ainda, como a economia informal pode ser uma alternativa viável de sustento.

A questão central é que essas propagandas caem em diversos erros de generalização, a começar por 1) esquecer por completo o abuso que é o preço de um original aqui no Brasil, o que estimula a pirataria, como bem explicou Ronaldo Lemos na metade desta entrevista; e 2) misturar a reprodução de mídias digitais com a falsificação de produtos que podem afetar, de verdade, a saúde das pessoas.

A pirataria de remédios é algo, sim, muito mais complexo de analisar e problemático de compreender que a de bens culturais, já que oferece risco direto ao bem estar do comprador, coisa que um CD ou um DVD não (bem, alguns sim, vai).

A campanha da Receita Federal erra de cara com o logotipo, ao mostrar uma mão com um CD, como “símbolo” da “pirataria”, na palma. E cai na prepotência de apontar os “sete pecados” da pirataria, do qual tu vê o quinto na imagem aqui de baixo.

Diga, meu amor, quem não rouba ou copia ideias para criar

**

A campanha da Rolling Stone alemã é ainda mais apocalíptica que a propaganda brasileira. [Rolling Stone, tu, filha da contracultura dos anos 1960, fazendo esse joguinho das gravadoras?].

Diz o texto: “E um dia todos esses álbuns lendários desaparecerão. E as grandes bandas. E todos os talentosos musicos jovens. Como eles irão ganhar a vida se todos fazem download de seus trabalhos de graça? Ajude-nos: money-for-music.de”.

Não há como ajudar, pois o site não tem nada desde o lançamento.

[Leonardo Foletto, Marcelo De Franceschi]

Créditos: Imagens da campanha da Rolling Stone Alemã.

“Efêmero Revisitado” para download

Depois do lançamento no Festival CulturaDigital.br, prometemos e, com alguma demora, aqui estamos cumprindo: “Efêmero Revisitado: Conversas sobre teatro e cultura digital” na íntegra, pra download e visualização on-line.

Colocamos o livro no Scribd:

no Issuu, aquela site/ferramenta muito usado para disponibilizar revistas;

e em PDF, pra download simples, neste link do rapidhsare (só clicar no “save”, mais a direita).

Para obter a versão impressa do livro, estamos esquematizando uma distribuição via Estante Virtual que, esperamos, até o fim de 2011 esteja azeitado, escreva para baixacultura@gmail.com que a gente conversa. Por enquanto, são três os lugares onde você pode encontrá-lo:

_ São Paulo (SP): Casa da Cultura Digital, Rua Vitorino Carmilo, 459, Barra Funda. Tel: (11) 3662 0571

_ Santa Maria (RS): Cesma (Cooperativa dos Estudantes de Santa Maria), Rua Professor Braga, 55, Centro. Tel: (55) 3222-5584;

_ Porto Alegre (RS): Casa Fora do Eixo, Rua José do Patrocínio, 34, apto 111, Cidade Baixa. Tel: (51) 3225-3975;

Selo

“Efêmero” é o primeiro projeto do Selo BaixaCultura, braço impresso da página, que quer publicar livros, revistas, zines, coletâneas e assemelhados que se encaixam no vasto cabedal de temas que tratamos por aqui desde setembro de 2008: cultura livre, (contra) cultura digital, remix, plágio, copyleft, direito autoral, software livre, ativismo nas redes (e ruas), cut-up, pirataria, comunicação digital, anarquia & utopia criativa, vanguardas digitais, contracultura, etc.

O próximo lançamento do Selo é para o 1º semestre de 2012 (mais detalhes nos próximos meses). Trata-se de uma revista com textos sobre cultura livre, estética do plágio, cópia, remix e cultura digital, alguns inéditos, outros traduções, outros ainda versões remixadas do que já publicamos por aqui.

Propagandas Antipirataria [5]

Digamos que tu seja uma mega banda, ou um produtor musical dono de rádios, ou um empresário de grandes estúdios de cinema que vive de vendas para altas audiências. Tu fez suce$$o pensando em fazer com que um objeto cultural alcance o maior número possível de pessoas  – desde que essas pessoas paguem o preço que tu estipular. Preço que, claro, vai ser carregado de uma gorda margem de lucro, pois assim os que podem vão pagar e os que não podem vão ficar loucos dando um jeito de pagar.

Só que a tecnologia para produzir a música, o filme, o livro é desenvolvida de uma forma que estes poucos “donos” não esperavam. A esta altura de cultura digital tu já deve saber que as mensagens são transformadas em códigos binários (0 e 1), ao ponto de as pessoas se comunicarem muito mais (as vezes somente) em máquinas com telas. É assim que elas dão um jeito de passarem músicas – discos inteiros que tu vendia a preço de ouro – para códigos tocáveis nos autofalantes da máquinas, cada vez mais baratas e populares. Ao passo que as máquinas evoluem e ficam menores e mais simples, filmes e livros também são reduzidos e compartilhados.

Tu, dono de gravadora, estúdio de cinema, editora, não raro se indigna com essa liberdade toda, afinal até então somente tu e mais uns poucos detinham o poder de disponibilizar cultura e conhecimento. Os meios de produção e distribuição estão sob tua responsabilidade, e tu não quer adequar os produtos as novas maneiras de consumo. Pra quê né? Até hoje deu tão certo. Em vez de acompanhar o consumidor, tu tenta fazer com que ele não copie, compartilhe, venda, compre as cópias mais baratas daquilo que tu vende bem mais caro. Per$eguir e proce$$ar toma tempo e causa uma má impressão.

Outra opção que tu faz é tentar persuadir e convencer as pessoas de que elas estão erradas, de que tá tudo errado, o mundo tá todo errado agora, e que o bom mesmo era antigamente, quando só tinha o vinil, a fita, o jornal, o cinema, não essa coisa de digital que misturou tudo. Tanto faz produto ou arquivo, é tudo pirataria!

É por esse lado que vai a campanha “Stop piracy in NYC“, organizado pelo Estado de NY. Segundo ela, 700 mil trabalhadores vivem de indústrias criativas em Nova York. Qual a lógica não dita? Se tu comprar produto “pirata” ou baixar, a empresa quebra e o trabalhador vai pra rua. Como se ninguém quisesse mais o ‘original’. Como se a culpa de não comprar o ‘original’ fosse somente do consumidor.  A campanha ainda tem um caráter mobilizador, incentivando as pessoas que só compram o ‘original’ – e nunca, nunca baixam arquivos da internet – a fazerem videos anti-pirataria que serão avaliados e veículados.

[Repara nessa troca de e-mails entre a Comissária do Gabinete, Katherine Oliver, o vice-presidente da MPAA e outros membros da NBC Universal. A primeira mensagem cita um estudo encomendado pela MPPA que afirma que a cidade perde 23 mil empregos por ano com a “pirataria”. No e-mail seguinte, o representante da MPAA diz que vão fazer tu-do para ajudar na divulgação.]

Para encerrar esse post – o até aqui quinto das propagandas antipirataria – mais pro fim tu encontra quatro videos da campanha “Brasil Original: Compre essa ideia”, promovida em 2010 pelo Conselho Nacional de Combate a Pirataria, que tem em seu grande número de membros um representante da MPAA. É mais uma prova de que não, as indústrias ainda não querem mudar o seu modus operandi, mas sim continuar a ficar ditando o preço que quiserem e o resto que consuma, afinal é isso que mantém a economia, né Bush, Lula? A responsabilidade e a culpa parece ser sempre e somente do consumidor, nunca dos produtores (corporações) ou financiadores (bancos).

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=GtgoEc-GeDM]

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=otD1VmWfmA8]

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=7ZbkaLRE0co]

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=7kHLQakhCB0]

Crédito das imagens: 1 – 4.

[Marcelo De Franceschi]

A história dos Telecentros no Brasil em livro

Há poucos dias foi disponibilizado para download o livro Inclusão Digital – Vivências Brasileiras, do historiador paulista Maurício Falavigna. A obra tinha sido lançada semana passada, dia 24 de março, pelo autor durante sua palestra no XXI Fórum de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). Esse tipo de Fórum ocorre mensalmente desde fevereiro de 2009 e é organizado pela Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev), em Brasília. Todas as edições anterioes são disponibilizadas em cadernos de debate. Na última edição, o evento trouxe as experiências brasileiras e os desafios que estão colocados à inclusão digital brasileira.

Falavigna não só escreveu sobre a inclusão digital com foco nos telecentros do Brasil como também atuou no processo. Foi diretor-executivo do projeto de telecentros Sampa.org, do Instituto de Políticas Públicas Florestan Fernandes em São Paulo de agosto de 2000 até 2010. O projeto serviu de piloto para o que viria a ser a política de implementação dos Telecentros na cidade de São Paulo e no resto do país. Atualmente, o autor é coordenador do Pólo Regional Sul do Telecentros.BR.

Em oito capítulos, é feito um balanço desses dez anos dos esforços pela sempre necessária, e nunca maldita como alguns pensam, inclusão digital. Como ocorreu na virada do milênio, o livro traz toda a evolução dos esforços civis e governamentais pela democratização do acesso à rede, que começou com os Telecentros brasileiros – ou infocentros – que são locais de acesso à internet e de utilização de outros recursos de informática. Abertos a uma comunidade local, os telecentros oferecem cursos e, principalmente, uso livre dos equipamentos por um tempo determinado, em geral com orientadores para possíveis auxílios ao usuário.

Leia um trecho das 250 páginas pra ter uma noção de como foi discutir as tecnologias da informação, que começavam a chegar, com quem mal tinha outros direitos básicos:

Educadores formais miravam as máquinas e o futuro com desconfiança, educadores populares olhavam mais as redes do que as máquinas, aquelas desconhecidas… Planejadores e administradores de políticas públicas, entre outros, imaginavam a governança eletrônica, a democracia eletrônica, ouvidorias on-line, desburocratização e serviços mais ágeis, enquanto a sociedade civil verificava formas de ampliar a transparência administrativa. Mas a pergunta inevitavelmente surgia: para quem? Tudo era urgente e necessário, os movimentos sociais mais tradicionais pareciam necessitar de auto-reflexão, modernização, readaptação.

Descendo aos estratos mais terrenos e pessoais das convivências, muitos dos atores sociais acima descritos tinham dificuldade de explicar em que estavam trabalhando para seus amigos e familiares – “ah, inclusão digital, Internet para todos etc.” E as respostas não tardavam, pareciam engatilhadas: “mas lá no Capão Redondo, lá no Santa Marta, lá na Restinga? Se faltam escolas, postos de saúde, lazer, saneamento, transporte e tudo o mais?”. É, era sempre por lá mesmo. Onde faltava tudo.

E para quem ia trilhando desde cedo aqueles caminhos de barro, era impressionante perceber como todas as demandas e debates iam confluindo naturalmente: cidadania e tecnologia, moradia e Internet, lazer e conhecimento, espaços de aprendizagem e espaços políticos. Percebíamos que as mudanças trazidas pelas novas tecnologias traziam em seu cerne discussões fundamentais sobre a inserção do cidadão brasileiro na Sociedade do Conhecimento.

Espaços similares aos de São Paulo surgiram no mesmo ano, 2001, em Porto Alegre (RS), Belém (PA), Salvador (BA), Belo Horizonte (BH), Brasília (DF). A partir da organização deles, ocorreram anualmente em cada cidade as nove Oficinas para Inclusão Digital – fóruns de debates reunindo pessoas e instituições que contribuíam para o acesso a informática. Após algumas edições do evento, é oficializado o programa federal Telecentros.Br em 2009, tornando obrigatório o uso de softwares livres nas unidades, e o Plano Nacional de Banda Larga em meados de 2010, com objetivo de popularizar a internet rápida.

Também é relatado o processo de implantação dos Centros de Recondicionamento de Computadores (CRCs), em 2006, que são unidades que reciclam equipamentos descartados e os doam a entidades, escolas e telecentros; culminando com a construção do Observatório Nacional de Inclusão Digital (Onid) – projeto do Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais e Tecnológicos (IPSO) junto com Ministério do Planejamento – que mapeia, acompanha e avalia as ações de inclusão digital.

Claro que pra surgir esse monte de instituições muita gente teve que se puxar e fazer muita coisa. E é aí que entre os textos históricos – e as vezes até pessoais – de Falavigna estão intercalados entrevistas, fotos e depoimentos de agentes que fizeram parte dos telecentros. De acordo com o autor, “em dezembro de 2010, 8083 telecentros espalhados pelo Brasil figuram no Mapa do Observatório. O Sudeste é a região com mais manchas de unidades, detendo 44% dos telecentros brasileiros, seguido pela região Nordeste que aparece com 25%. O Sul possui 14%, o Centro-Oeste 10% e a região Norte figura com 7% dos centros de Inclusão Digital.”

A riqueza do material do livro se dá por, dentre outras coisas, mostrar uma luta que é muito mais por inclusão social do que propriamente digital, ao permitir que a população que não pode pagar por um computador ou por internet tenha acesso às informações da rede. Se tu quiser saber minuciosamente como foi e está sendo esse grande processo, acessa o livro aí embaixo, que estará na nossa Biblioteca a partir de hoje.

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Credito da foto: 1.

[Marcelo De Franceschi]

Guia para o Fórum da Cultura Digital 2010

À esta altura – em que o blog “oficial”, a hashtag e mesmo o BaixaCultura já andam inflando a divulgação – tu já deve estar sabendo muito bem que o Fórum da Cultura Digital Brasileira 2010 vai acontecer na próxima semana, de segunda a quarta, 15 a 17 de novembro, na Cinemateca (foto acima).

Já deve, inclusive, saber que na programação vai ter tanta coisa que é preciso que se faça um “Entenda a programação” para que ninguém se perca entre os mais de 300 convidados a apresentar experiências/redes/oficinas no evento e as diversas atividades paralelas que compõe os pelo menos seis espaços do Fórum.

Se olhou com alguma atenção, já deve entender que um dos editores deste blog está algo envolvido com o Fórum, o que, para o olhar de alguns, o torne um pouco suspeito para falar do evento.

Apesar disso, tu vai ler aqui que o Fórum da Cultura Digital 2010 – A Rede das Redes vai ser um evento fundamental para a cultura digital brasileira de hoje e dos próximos anos. Pelo menos a diversidade vai estar presente: bolivianos, argentinos, colombianos, europeus, norte-americanos, amazonidas, cearenses, gaúchos, uruguaios, africanos, espanhóis, finlandeses… O mundo, como disse ontem no twitter Rodrigo Savazoni, um dos que estão na linha de frente da organização.

*

Já que a programação é grande e o tempo cada vez mais curto, fazemos a partir de agora um esforço para compilar o que, na nossa nobre e nada isenta visão, vai de acontecer de melhor no Fórum. Começamos neste primeiro post pelo que vem antes do começo, ou seja, pelo Fórum Internacional Geopolítica da Cultura e da Tecnologia.

Iniciativa do sociólogo Laymert Garcia dos Santos (Unicamp) e de Gilberto Gil, o Fórum de Geopolítica acontece de quinta feira (depois de amanhã, 11/11) à sábado 13/11, na mesma Cinemateca que vai receber o outro fórum a partir da próxima segunda. A programação conta com diversos pensadores do mundo inteiro, em especial dos chamados BRICS (sigla para Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), para pensar a relação entre a tecnologia, a cultura e a geopolítica global.

O evento todo vai ser transmitido em streaming pelo site. Dá pra destacar a participação do membro da European Patent Office Konstantinos Karachalios, o indiano Lawrence Liang – que vai estar na mesa com o interessante nome de “Há outras lógicas além da estratégia ocidental de aceleração total econômica e tecnológica?”, na sexta-feira, das 14h às 17h30, o líder indígena do Peru Saúl Puerta Peñado, da Asociación Interética de desarollo de la selva peruana, e em especial do antropólogo brasileiro Eduardo Viveiros de Castro, que participará da mesa “Como se configuram hoje as estratégias de controle?” no sábado à tarde, das 14h às 17h30.

Viveiros de Castro é nome especial para entender o Brasil hoje e sempre, vide a excelente entrevista com ele que está no livro Cultura Digital. Charla que<, por sinal, este blog não pode deixar de aproveitar a chance de citar três trechos lidos, relidos e sublinhados (no livro impresso):

Outro dia, conversando com amigos, alguém falava sobre como o capitalismo tinha mudado no mundo todo, sobre o sistema de controle da mão-de-obra do capitalismo moderno, a precarização, informalização etc. E aí alguém lembrou que isso sempre existiu no Brasil. E eu fiquei pensando, sempre disseram que o Brasil era o país do futuro, iria ser o grande país do futuro. Coisa nenhuma, o futuro é que virou Brasil. O Brasil não chegou ao futuro, foi o contrário. Para o bem ou para o mal, agora tudo é Brasil.  (p.83)

Qual é o modelo típico, a trajetória típica do intelectual brasileiro (ou, aliás, norte-americano também)? É o menino de província,nascido na cidade pequena, e que está o tempo todo sonhando com o Rio de Janeiro ou São Paulo. Esse modelo do sujeito que espera o suplemento dominical do jornal como se fosse a Bíblia, a hóstia, que encomenda livros da capital, meses a fio à espera das notícias culturais da metrópole. Éramos todos meninos do interior; inclusive os cariocas e paulistas – nossa metrópole era estrangeira, apenas. Isso acabou. Hoje tudo está dado. Você descarrega livro, pega tudo. Há uma democratização gigantesca, desde que você tenha um computador de banda larga, que no Brasil talvez se expanda com esse projeto do governo de pontos de inclusão digital, quiosques digitais, que é uma coisa interessante, treinar jovens de pequenas cidades do interior para operar internet. Há esse problema da perda da diferença, da estandartização,mas é aquela coisa: fica tudo igual, mas algumas diferenças são potencializadas ao mesmo tempo em que outras se equalizam. (p.87)

O Creative Commons está tentando consagrar do ponto de vista jurídico o processo de hibridização, a antropofagia, o saque positivo, osaque como instrumento de criação. Estão tentando fazer com que o saque e a dádiva possam se articular. Eu sampleio e dou, não é “eu sampleio e vendo, vou ficar rico”, a ideia é “sampleio, mas também dou”, um processo em que saque e dádiva se tornam, de alguma maneira, mutuamente implicados um no outro. A citação, que é o dispositivo modernista por excelência de criação, é na verdade o reconhecimento de que não há criação absoluta, a criação não é teológica, ex nihilo, você sempre cria a partir de algo que já existe. Como a famosa frase do Chacrinha: “Nada se cria, tudo se copia”. E como se sabe, nada se copia igualzinho, ao se copiar sempre se cria, quanto mais igual se quer fazer mais diferente acaba ficando: a “contribuição milionária de todos os erros”, dizia Oswald de Andrade, darwinista infuso. Foi de tanto falar latim que os europeus acabaram falando português, francês, espanhol…(p.92)

 

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Poster de Futurível

Ao fim do Fórum de Geopolítica e no início do Fórum de Cultura Digital acontece “Futurível”, show desde já histórico que contará com a participação de Gilberto Gil, Macaco Bong, DJ Tudo, a Banda de Pife Princesa do Agreste, de Caruaru, acompanhado de projeções do VJ Scan. Tudo também transmitido via streaming, através do site oficial do show.

Descontando algum ranço possível com o instrumental da Macaco Bong, provavelmente hoje uma das bandas que mais faz show no Brasil, o show vale pela promessa de reedição do repertório da fase mais roqueira de Gil, circa Expresso 2222, quando era acompanhado por então músicos de rock como Lanny Gordin (Baixo e Guitarra), Bruce Henry (Baixo), Antonio Perna (Piano e Selesta) e Tutty Moreno (Bateria e Percussão)– lançando-os em experimentos com o forró, reggae, funk, samba e outros gêneros, segundo nos diz o release da apresentação.

[Inclusive, “Futurível”, o nome do show, é título de uma canção sua de 1969, que juntava as palavras “futuro possível” e já sinalizava a sua constante tematização da tecnologia, exemplificada também em “Pela Internet“, provavelmente a primeira música brasileira a falar de internet no país, composta em 1996, apenas UM ano do início da internet comercial no Brasil]

A expectativa é que, com Futurível, Gil possa levantar voo de vez naquilo que vem se ensaiando devagar nos seus últimos discos e torne a ser um artista relevante para as novas gerações, colocando sua antena pop calejada de história para captar o presente e unir com aquilo que de melhor ele já fez (e sabe fazer) em outros tempos, de modo parecido ao que Caetano conseguiu fazer nos últimos discos, Cê e Zii e Zie.

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Nossa ideia era fazer também um guia detalhado das diversas programações do Fórum da Cultura Digital 2010, mas o tempo não deixou que isso fosse feito decentemente, além do fato que o blog do evento já dá conta de guiar o participante do Fórum e informar aquele que vai acompanhar o evento de casa, via streaming (para esses, alerta-se que não são todos os espaços que serão transmitidos, mas sim dois: Seminário Internacional e Experiências da Cultura Digital).

Aí vão três indicações esparsas de coisas a se notar no Fórum:

_  Experiências da Cultura Digital, na Sala Petrobrás (capacidade de cerca de 110 lugares), um grande mosaico de experiências relacionadas à cultura digital. O grande barato desse espaço é a diversidade e a troca de ideias/contatos/etc que se darão a partir das apresentações. Provavelmente, será o espaço mais dinâmico do Fórum, e quem sabe o mais caloroso, ainda que não tão badalado quanto outros;

_ A mesa de abertura (14h, 15/11) do Seminário Internacional, por sua importância histórica: “Cultura Digital oito anos depois, dez anos a frente“, que retoma um dos primeiros encontros que Gilberto Gil e John Perry Barlow tiveram, no Mídia Tática 2003, para fazer um balanço evolutivo da cultura digital e pensar ideias para os próximos anos;

_ No mesmo Seminário Internacional, a mesa que encerra a programação de segunda-feira (19h), Perspectivas Criativas da Cultura Digital , com Vincent Moon (La Blogotheque) e HD Mabuse (C.E.S.A.R). Vale olhar antes o La Blogotheque, página em que Vincent Moon despeja seus vídeos amalucados feitos em todos os cantos do mundo;

No mais, fica a dica de circular bastante pelo evento, conhecer as pessoas, puxar umas conversas nos cafés e levar pessoas interessantes aos botecos das redondezas, porque dizem que é assim que as coisas funcionam.