Roube este filme legendado

"eles parecem trabalhar como uma banda de rock"
“Eles parecem trabalhar como uma banda de rock”

O Leonardo anda fazendo uma sutil cobertura de uma questão judicial que vem atraindo muita atenção do mundo inteiro, como você pode ver aqui, aqui e aqui. O Pirate Bay canaliza em uma postura extremamente combativa as prerrogativas de inúmeros usuários de internet que compartilham conteúdo pelo mundo. Os caras têm sido acusados (e agora foram condenados) da maneira mais impiedosa e leviana possível de serem os responsáveis pelas infrações a copyright realizadas por todos que trocam arquivos por meio de seu tracker de bittorrent (o ótimo thepiratebay.org).

Meu objetivo neste post não é analisar se um tracker como o Pirate Bay se enquadra ou não em hipótese de armazenamento de obras não autorizadas ou qualquer coisa parecida. Estou aqui apenas para esclarecer a maneira como este exemplo de batalha judicial entre piratas e indústria cultural vem se desenrolando com o passar do tempo. E o que marca a peleja é uma previsível saraivada de golpes sujos, mas o interessante é que eles não têm sido aplicados pelos asquerosos e escrotos “piratas”. Os engravatados e poderosos dirigentes da indústria fonográfica, de Hollywood e suas organizações de lobby atacam sem piedade, e com ajuda de autoridades, um simples grupo de jovens nerds suecos, como se eles tivessem a ganância e o poder de um Bill Gates.

Mas não preciso ficar aqui discorrendo sobre isso quando temos um belo vídeo que trata dessa história. Steal This Film é um documentário lançado em 2006 por um grupo de produtores chamados The League of Noble Peers. Não me pergunte nada sobre eles, não sei muita coisa. Apenas que o endereço oficial da turma é esse aqui: www.stealthisfilm.com.

stealscreen

O documentário, de uns 32 minutinhos, traz ao público a forma como entidades de lobby, como a MPAA, trabalharam sua influência sobre as autoridades na Suécia para causar um ataque ao Pirate Bay, bem como entrevistas com os responsáveis pelo site, usuários de tecnologia de compartilhamento de arquivos, produtores e dirigentes da indústria cultural. Um dos pontos altos que considero neste filme é quando o conhecido ator americano Richard Dreyfuss, em um depoimento, solta a seguinte frase:

Então, todos os caras que começaram este negócio trapacearam alguém para chegar onde estão e agora estão sendo trapaceados, provavelmente.

Fica nítido o ressentimento do ator para com seus patrões em Hollywood. É mais um exemplo de artista que não se sente muito protegido com o modelo de lucros do copyright.

O grande empecilho para a popularização desse documentário aqui no Brasil sempre me pareceu ser a falta de legendas em português. Portanto, me pus a fazê-las (com base nas originais em inglês) e disponibilizá-las em uma versão editada do vídeo pelo BaixaCultura. Acredito ser um ótimo momento para desfrutar da primeira parte desta série (que vai para sua terceira parte atualmente), uma vez que o Pirate Bay tem sido foco de atenção como réu e militante em questões de copyright. Estas legendas são um gesto de apoio a esses caras, que têm administrado muito bem a pressão de um monte de gente grande, e também uma forma de expor o substrato ilegítimo onde se erguem decisões oficiais como a que foi proferida nestes últimos dias.

Enfim, assista logo a essa bagaça e entenda como a indústria de música e filmes americana chegou aos tribunais da Suécia. É só clicar na imagem abaixo para baixar o vídeo legendado completo pelo rapidshare (depois é só clicar em “Free user”, esperar a contagem e clicar no sugestivo botão “download”).

Clique aqui para baixar o vídeo
Clique na imagem para baixar o vídeo

O vídeo disponível acima já possui as legendas embutidas. Se você já possui o vídeo original e quer apenas inserir um arquivo de legenda, pegue aqui o arquivo SRT da legenda. Ou então assista ao documentário em quatro partes em vídeos no Youtube, clicando aqui, ou vendo aí embaixo (sugiro maximizar o tamanho da tela e, àqueles com boa conexão, que liguem o botãozinho “HQ”).

Parte 1 de 4:

Parte 2 de 4

Parte 3 de 4

Parte 4 de 4

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[Edson Andrade de Alencar.]

Imagens:

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  1. Parabéns, e muito obrigado.

    Nós do Partido Pirata (.org) estávamos traduzindo a legenda no nosso wiki. Agora não precisamos mais. U-huuu!

    No arquivo zipado, a legenda está em srt, sub, ssa ou afins, ou está dentro do vídeo?

  2. Ah! O filme para download tem legendas embutidas, pois coloquei tarjas sobre as legendas genuínas em inglês (durante o “suequês”, hehehe). Ficava meio bagunçado uma coisa por cima da outra.

  3. Valeu pessoal, estava realmente esperando a legenda pelo Partido Pirata. Vou dar uma olhada.

    Cês já enviaram a legenda para o site Steal this Film? Eles colocam lá, enviem que vai ajudar bastante na divulgação do documentário.

    Ah, e vou acrescentar um link para vocês no meu blog. Dêem uma olhada no meu, acho que podemos conversar sobre nossos temas em comum.

    Abraços,

  4. Valeu, Filipe. Com certeza temos a causa em comum.
    Há mais de uma semana eu até enviei a legenda em SRT para o email lá do site oficial do Steal This Film, mas não obtive resposta até hoje. A intenção era que fosse publicada, mas até agora nada. Se souberes de outra forma, ou outro email, por onde conseguir o contato com eles, dá a dica pra gente, seremos muito gratos. A única coisa que eu realmente não sabia era que havia um projeto de legenda em andamento pelo PP. Fiz buscas antes de levar adiante a legenda e só encontrei umas poucas manifestações de espera por alguma legenda em português, mas nada específico. Assim como a nossa “licença” ali do lado diz, esta legenda pode ser divulgada em qualquer lugar da rede e fora dela.
    Grande abraço.

  5. Haha, só temos a agradecer. ;D
    Nosso trabalho tava demorando mais que discurso do Fidel!

    Quanto à divulgação, eu sugiro o envio da legenda para o legendas.tv (porque legendas é com S!) e para o opensubtitles.org

    Com o tempo, o pessoal vai espalhando a obra. Eu mesmo vou lançar o filme com a legenda lá no cpturbo, quando acabar o jogo do meu time. =]

  6. lamps,
    Não entendi o lance do Peter Sunde.
    Me desculpe a desinformação, mas não conheço e nem sei o que seria MKO.
    De qualquer forma, não encontrava de forma alguma a legenda em pt-br. E acho que agora muita gente que procurava vai conseguir encontrar.
    Obrigado pela força e pelas dicas de divulgação.
    Grande abraço.

  7. Só uma referência às piadinhas que esses suecos fazem no twitter. ;D

    O MKO é http://www.makingoff.org
    Um fórum fechado. Bom fórum de filmes, por sinal. Eu não tinha achado essa legenda por lá, devem ter uppado esse ano, talvez no mês passado, sei lá. =D
    Agora sim, a legenda tá num lugar aberto. ;]

  8. lamps: que bom que agora a legenda é livre. Não entendo como alguém consegue deixar restrito um conteúdo que fala de liberdade de comunicação.

    Marcelo: obrigado pelos elogios, mas repasso os referentes à sincronia à Liga dos Nobres Pares. Fiz a legenda sobre a legenda em inglês disponibilizada por eles (até vou acrescentar essa informação no post). Mudei coisas, mas essencialmente o timing é aquele no original.

    Aracele: valeu e que bom te ajudar mais uma vez.

    Grande abraço.

  9. Não interessa o que você fala, cada um sabe o que é certo e errado e que compartilhar arquivos com diretos autorais é crime, ou seja você está roubando de alguma forma dinheiro de alguém, tornando-se um ladrão (igual aos que roubam banco) . As gravadoras colocam preços altos porque 80% das músicas infelismentes são pirateadas e compartilhadas; o mesmo acontece com os softwares, jogos e filmes. Enfim, só espero que a sociedade tenha juizo e pare de ser ladrão como voçê seu canalha pirata cibernético!

    Pensem um pouco sobre isso e vejam o que está certo e o que está errado, para que um dia as pessoas possam viver com mais justiça e igualdade.

  10. Querido Leonardo,

    Você acredita que as gravadoras vendem cd caro apenas por conta da pirataria.
    Você acha que usuários de mp3 livre são ladrões e ainda por cima defende a indústria cultural, a santa das santas.
    Você acredita que copiar é o mesmo que roubar.
    Você acredita que ensinará a sociedade a ser mais justa e igualitária tentando ofendê-la e inferiorizá-la em relação aos seus próprios e exclusivos conceitos de certo e errado.
    Desculpa, meu amigo, mas eu não posso fazer nada por você. Com tanta informação por aí (aqui mesmo no blog), e você ainda vem reproduzir esse monte de asneira ultrapassada.
    “Não interessa o que você fala” foi uma ótima maneira de introduzir o seu “pensamento”. Bem típico de quem adora falar sobre o que não entende e nem quer entender. Sorte sua que esse é um espaço livre e essa baboseira que você postou vai ficar aí, atestando a ignorância de que você tanto se orgulha.

  11. >Não interessa o que você fala, cada um sabe o que é certo e errado e que compartilhar arquivos com diretos autorais é crime, ou seja você está roubando de alguma forma dinheiro de alguém, tornando-se um ladrão (igual aos que roubam banco) .
    O que os autores desse blogue fazem é justamente refletir sobre o tema. Compartilhar arquivos ainda é crime, como um dia foi crime dizer que a Terra gira em torno do Sol.
    Refletindo sobre o tema, você verá que roubo de propriedade intelectual é o plágio. Não há roubo na cópia de propriedade intelectual. Pense bem. =D

    Mas eu gostei da sua postura, chefe! O pessoal que é contra a pirataria costuma evitar o uso de argumentos, e costuma usar termos ofensivos no lugar disso. Facilita muito o trabalho de contra-argumentação dos piratas. o/

  12. Desculpem se ofendi alguém, eu, num momento de insanidade enviei este comentário para aliviar tudo o que sinto pela pirataria. Sendo eu como um não-praticante da pirataria ou algo do tipo, fico muito infeliz vendo a pirataria vem se tornando algo cada vez mais comum na sociedade.

    Mais uma vez peço desculpas a Edson Andrade e a todos e espero que entendam isso.

  13. Tá tranquilo, chefe. Pelo menos da minha parte. O Edson provavelmente também não vai ficar puto com vc. =D

    Mas então, o que vc acha de dar uma olhada nas ideias e argumentos dos piratas? Esse documentário que o pessoal desse blogue legendou, o “steal this film”, é interessante. E curtinho, não enche o saco. hehehehe =D

    Tem muita gente pelo mundo defendendo as ideias piratas, é um tema que tá ganhando mais e mais importância com o passar do tempo. Inclusive muitos artistas já se declaram piratas e/ou apoiam esse tipo de iniciativa. De pronto, posso citar o Gilberto Gil e o Paulo Coelho. =]

  14. Opa. Não fiquei ofendido não, Leonardo. Você apenas tinha sido um tanto rude, e eu utilizei do mesmo recurso pra me comunicar. Mas o que eu posso te dizer é o que nosso amigo lamps já postou aí, não há por que odiar a pirataria. Você pode não ver ética e plena laegalidade nela, mas é inegável que ela já ampliou gigantescamente o acesso a cultura e a divulgação de obras intelectuais. Ética por ética, legalidade por legalidade, as gravadoras e grandes estúdios, exemplares dos maiores combatentes da pirataria, já demonstraram passar por cima da moral e da lei em diversas oportunidades ao longo da história. è muita coisa pra um cara sem tempo como eu postar aqui, mas vale uma pesquisa. A pirataria tem sido parte de um debate justamente por ser uma alternativa, ou no mínimo uma resistência, a um modelo excludente em um mundo onde o compartilhamento de conteúdo se tornou algo extremamente simples e até vital.

  15. opa bom o filme, soh uma duvida que me surgil ao final
    nos creditos do filme le-se “copyrigth 2006”
    pq não copyleft ou alguma licensa menos restritiva…!?
    esas licenças não eram conhecidas ou compativeis com as leis suecas na época, ou foi proposital lançar um filme em copyrigth para ser “roubado”????

    abraços e força ae no site!

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