Notícias do front baixacultural (22)

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Internet Vs. Mídia tradicional: mudança sem retorno (Agência Carta Maior, 21/05)

Se alguém tinha dúvidas a respeito do crescimento expressivo da internet no Brasil,taí duas pesquisas para acabar com elas. A primeira das pesquisas é “O Futuro da Mídia”, desenvolvida pela Deloitte e pelo Harrison Group simultaneamente no Brasil, Alemanha, Japão, Estados Unidos e Inglaterra, que identificou como pessoas entre 14 e 75 anos “consomem” mídia hoje e o que esperam da mídia no futuro. Nas palavras dos organizadores da pesquisa,

O levantamento mostra que o Brasil, com um mercado formado essencialmente por um público jovem é, dos cinco países participantes da pesquisa, aquele em que os consumidores gastam mais tempo por semana consumindo informações ofertadas pelos mais variados meios de comunicação e se mostram especialmente envolvidos com atividades on-line. Os consumidores brasileiros gastam 82 horas por semana interagindo com diversos tipos de mídia, incluindo o celular. Para a grande maioria (81%), o computador superou a televisão como fonte de entretenimento. Os videogames e os jogos de computador constituem importantes formas de diversão para 58% dos entrevistados.

Já a outra pesquisa divulgada pela Agência Carta Maior trata de redes sociais. No painel de abertura do 8º Tela Viva Móvel, dia 20/5, em São Paulo, o gerente de conteúdo e aplicações da Oi, Gustavo Alvim, informa que as redes sociais já desempenham papel mais importante que o acesso a emails no cenário da internet mundial. Em média, enquanto 65,1% dos usuários mundiais de internet acessam emails, 66,8% acessam redes sociais. “E o Brasil é o líder absoluto em redes sociais, com 85% de seus internautas que acessam pelo menos uma rede social”.

Numa consulta informal à minha memória de frequentador de Lan Houses, não tenho dúvidas que vi mais gente em páginas de orkut do que nas de emails. E não duvido que, antes dos emails, ainda venha o Youtube – especialmente nos vídeos-piadas que todos nós acabamos por conhecer Mais informações das duas pesquisas tem no link da Carta Maior do início do post.

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Copiar e compartilhar em legítima defesa (Trezentos, 25/05)

Alexandre Oliva – conselheiro da FSFLA (Fundação Software Livre America Latina), engenheiro de compiladores que desenvolve Software Livre na Red Hat desde 2000 e, também, um dos Trezentos do blog supracitado – nos avisa do ótimo blog da 7º SENAED (Seminário Nacional ABED de Educação a Distância),  que aconteceu entre 23 e 31 de maio agora. No blog, destaque para a introdução feita por Alexandre sobre o tópico Copiar e compartilhar em legítima defesa, feita em quatro partes (a primeira aqui, e no fim de cada uma tu acha a seguinte). O texto traz explicações bastante completas sobre o aspecto jurídico da cópia, envolvendo leis, direitos, indústria cultural, e mais uma pá de temas que devem interessar a todos nós que buscamos nos informar sobre a questão da Cultura Livre.

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Jamendo: 20 mil álbuns de música livre, legal e grátis pronto a descarregar (Remixtures, 26/05)

Nem precisaria estar reforçando esta afirmação, mas aqui vai: ao contrário do que a maioria imagina, nem só de download de conteúdo supostamente ilegal vive a web. O Remixtures nos apresenta o site Jamendo,  que já conta com um acervo de mais de 20 mil álbuns disponibilizados por artistas de todo o mundo, a maioria publicados segundo licenças Creative Commons que permitem que qualquer pessoa copie e partilhe as músicas com quem quiser. Na semana passada, o portal – que é baseado no mínusculo Luxemburgo -foi incluído na lista Webware dos 100 melhores sites do mundo de acordo com a CNET, tendo mesmo sido o primeiro classificado na categoria de música. O Remixtures afirma que os números do Jamendo “são um sinal indesmentível de que as grandes editoras, as sociedades de gestão colectiva e outros titulares de direitos estão completamente errados e que não é necessário manter o sistema vigente de direitos de autor para que artistas e bandas continuem a compor e a gravar“.

Como um tipo de negócio que precisa se sustentar, o Jamendo tem um serviço de licenciamento para difusão em estabelecimentos comerciais, que também conta com a venda de raridades e de outros artigos físicos que não podem ser digitalmente reproduzidos. Como se pode ler no blog do serviço, os artistas podem criar a sua própria loja virtual no Jamendo e vender CDs autografados, booklets em formato PDF ou edições digitais com qualidade áudio de alta definição.

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EUA, Canadá, UE contra flexibilizar direitos autorais para permitir o acesso de cegos (Cultura Livre, 29/05)

A sessão Obsrvatório OMPI, ligado ao MinC e ao culturalivre.org.br, divulga uma notícia alarmante: EUA, Canadá, UE, Austrália e até o Vaticano (!) decidiram por não flexibilizar os direitos autorais para cegos e deficientes visuais, que não podem fazer modificações em obras para fazerem com que aparelhos eletrônicos possam ler livros, por exemplo, em voz alta. A decisão foi tomada na décima oitava sessão do Comitê sobre Direitos Autorais e Direitos Conexos (SCCR, na sigla em inglês) que terminou na última sexta-feira.

O foco do projeto reprovado, segundo post do americando Cory Doctorow,  do blog BoingBoing, era:

…is to allow the cross-border import and export of digital copies of books and other copyrighted works in formats that are accessible to persons who are blind, visually impaired, dyslexic or have other reading disabilities, using special devices that present text as refreshable braille, computer generated text to speech, or large type. These works, which are expensive to make, are typically created under national exceptions to copyright law that are specifically written to benefit persons with disabilities…

Lamentável decisão capitaneada pelo todo-querido Barack Obama, que as vezes decepciona quando se trata de política na esfera da propriedade intelectual.

[Leonardo Foletto.]

Crédito fotos: World War II Photos



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