Live At Campus Party

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Cá estamos na Campus Party, depois de 20h de ônibus, 3h na fila e mais algumas poucas no Terminal Tietê, auto proclamado o segundo maior terminal rodoviário das Américas. Minha vinda ao evento estava condicionada a um free pass que surgiu na última hora, sendo isso o principal fator para a viagem ter sido feita de ônibus. Mas não que eu reclame: estou aqui, e é isso que importa.

Este ano a Campus Party é sediada no Centro de Exposições Imigrantes, ao lado da Rodovia dos Imigrantes, acho que na Zona Sul de São Paulo. Dá pra chegar aqui fácil: só pegar o metrô linha azul e descer na última estação, Jabaquara. Foi o que fiz, e lá esperei algum tempo para pegar o prometido ônibus que levaria as hordas de nerds para o Imigrantes, uns 15 minutos a pé da estação. Não foi difícil achar outros que fizeram o mesmo trajeto: mochilão nas costas, bolsa grande nas mãos, calça jeans folgada, tênis-lancha e o olhar indefectível de inocência nerd compartilhada funcionavam como identificação certa dos que também iam para a Campus Party.

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A fila que nos aguardava para entrar no local era surpreendentemente grande, se pensarmos que os portões ainda não estavam abertos.  Chegávamos de ônibus, passando por toda a extensão dela, como um perigoso jogo de quebra de expectativas para quem não dormia direito nem tomava banho havia mais de 24 horas. Menos mal (?) que havia gente na fila desde a noite do dia anterior, literalmente pré-acampando no recinto, e mais outros tantos com caixas e prédios de computadores, e outras tantas figuras raras de se ver para um interiorano como eu – japonês rastafari, japonês moicano, japonês loiro supostamente não falso e outros tipos de japoneses – que ao menos garantiam um atrativo para a espera na fila. Fora que nessas filas somos obrigados a comentar todas as coisas inusitadas que vemos para quem está atrás ou na nossa frente da fila, o que garante uma amizade momentânea prazerosa, que às vezes até parte para outras coisas que não vêm ao caso agora.

(Não pense em bobagem; estamos falando de um recinto com mais de 4500 pessoas que são tão aficcionadas por computador, e tudo que dele emana, quanto por sexo ou futebol, quando não pelas três coisas juntas.)

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Mas enfim que entrou todo o pessoal da fila. E enfim passamos mais umas boas duas horas numa outra fila dentro do Imigrantes, desta vez para acampar. Nada que as amizades de fila não façam passar rápido e sem dor, embora as costas começassem a latejar com o vai-e-para-pega mochila-larga mochila.

O espaço das barracas, caso não dê pra visualizar bem na foto, é realmente gigantesco, afinal são 4000 barracas . Filas e filas e filas e filas e filas de barraquinhas azuis, tipo Iglú, numeradas, iguaizinhas e bonitinhas. Demorei cerca de dez minutos para achar a minha, 732.  A vizinhança próxima revelou-se alguns minutos depois: jovenzinhos cariocas e seus rrr carregado, fascinados por games e do tipo que nunca acamparam na vida; um piauiense que trouxe um colchão inflável desde Teresina, 03 dias de viagem de ônibus; um estudante de jornalismo de Cricíuma-SC, sulista como eu, primeira amizade-de-fila; e mais alguns outros que no momento ainda não sei quem são.

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À noite resolvi andar por São Paulo. Encontrei um amigo ao lado da Igreja de Santa Cecília, sentamos num bar. Duas coisas inusitadas no local: uma jukebox, imitação modernosa daquelas clássicas de filme americano que se passa nas décadas de 40,50 e 60, recheada de sucessos sertanejos à R$1,00 a música; e o oferecimento do garçom para a compra de um cigarro no bar ao lado, típica malandragem que eu ainda não entendo direito com funciona.

Caminhamos por alguns dos pontos mais ou menos centrais da cidade, tipo embaixo do Minhocão, a pior obra de engenharia já feita no Brasil como dizem por aqui; a Avenida São João e a famosa esquina com a Ipiranga, o local onde Caetano Veloso diz sentir alguma coisa em seu coração; a Praça da República, decadente e algo ameaçadora à noite.

Fui embora a ponto de pegar o metrô aberto e chegar no Imigrantes para ver o Teatro Mágico. Não sei qual foi o critério que tiveram para escolher a banda para fazer o show de abertura da Campus Party, assim como não sei porque vão fazê-los tocar hoje à noite de novo, depois das 24h. Só posso dizer que ver o pessoal daqui aplaudindo a banda, e até batendo palma junto quando eles pediam, foi um troço tão bizarro que eu só tive tempo de tirar uma foto e ir dormir.

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[Leonardo Foletto, enviado especial e gratuito a São Paulo]

Créditos fotos: A primeira é de João Pedro Alves, o estudante de jornalismo de Cricíuma-SC. O restante é minha.
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