De quem é a música?

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ilustradiario

“De quem é a música?” é o nome do texto que foi publicado na edição deste final de semana do Diário de Santa Maria, jornal do Grupo RBS que tem sede em Santa Maria-RS e cobre a região central do Estado. Foi escrito por mim a partir de um outro texto que fizemos em conjunto (eu, Reuben e Edson) e que  foi publicado no jornal O Imparcial, de São Luís-MA, em 16 de março deste ano (Caderno Ímpar, pág.2)

Trata-se de um remix de várias postagens publicadas aqui versando sobre o caso Pirate Bay, a história do copyright e os embates frequentes entre a Indústria Cultural e a dita “pirataria digital”. O texto saiu na seção Ideias , do Caderno Mix (espécie de caderno de cultura do fim de semana), e pode ser lido aqui.

[Leonardo Foletto.]

Crédito: 1.

Cultura Digital.br (o livro)

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cultura digital

No último sábado foi lançado oficialmente em São Paulo pela Azougue Editorial o livro “cultura digital.br“, mais uma das iniciativas geradas e/ou relacionadas ao agora portal Cultura Digital. Em 316 páginas, entrevistas com 25 pessoas das mais destacadas na área de cultura digital do país, numa obra que promete ser uma (ótima) referência para o assunto.

O livro é organizado por Rodrigo Savazoni – que, dentre outras coisas, é coordenador do Fórum de Cultura Digital Brasileira e consultor da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) – e Sérgio Cohn, editor da Azougue Editorial e de um bom número de livros interessantes. Rodrigo está também circulando o país em uma tour de lançamento do livro – a próxima parada é na quinta-feira dia 3 de setembro na Unicamp, em Campinas, no Seminário Sobre Arte e Tecnologia no Fórum da Cultura Digital Brasileira.

Abaixo, o texto de divulgação, que pode ser encontrado no blog da editora e que já andou também circulando pelo Trezentos, onde Rodrigo Savazoni é um dos integrantes.

A cultura digital está transformando em profundidade todos os fazeres e saberes da humanidade, e o Brasil desemplenha papel central nesse processo. Como já disse Richard Barbrook, um dos maiores especialistas na área, o Brasil colocou “pela primeira vez o Hemisfério Sul em posição central no debate sobre as tecnologias digitais”. Cultura digital.br, ao dar voz para importantes brasileiros em atuação na área, sobre temas como política, economia, estrutura, arte, comunicação e memória no contexto digital, se torna um livro imprescindível para todos aqueles que desejam pensar ativamente as questões e potencialidades do nosso tempo.

Entrevistados: Alfredo Manevy, André Lemos, André Parente, André Stolarski, André Vallias, Antonio Risério, Bernardo Esteves, Claudio Prado, Eduardo Viveiros de Castro, Eugênio Bucci, Fernando Haddad, Franklin Coelho, Gilberto Gil, Guido Lemos, Hélio Kuramoto, Jane de Almeida, Juca Ferreira, Ladislau Dowbor, Laymert Garcia dos Santos, Lucas Santtana, Marcelo Tas, Marcos Palácios, Ronaldo Lemos, Sergio Amadeu e Suzana Herculano-Houzel.

O livro já está sendo vendido por R$42,00 na página da editora. Nao tenho (ainda) a informação se ele também  está sendo lançado em algum tipo de licença Creative Commons e/ou em PDF para download. Caru Schwingel avisa, via comentário, que o livro estará disponível em breve no http://www.culturadigital.br em formato PDF.

Atualização 26/09:

Já está disponível para download aqui.

[Leonardo Foletto.]

Leia Richard Stallman

stallman

Já havia indicado via twitter esta semana (a propósito: @leofoletto), mas o texto é importante o suficiente para apontar aqui no blog, ainda que com atraso.

Trata-se de “Acabar com a Guerra da Partilha“, do nosso velho conhecido Richard Stallman. Publicado originalmente em seu próprio site, o texto foi traduzido para o português pelo parceiro Miguel Caetano, do sempre ótimo Remixtures, e publicado na última segunda-feira, dia 24 de agosto. É uma interessante pensata sobre a questão do compartilhamento de arquivos, especialmente voltada à música e as gravadoras. Ao final, Stallman dá dicas de como os músicos podem “sobreviver” com seu trabalho neste novo contexto que a rede e o compartilhamento ilimitado nos apresenta.

“Quando as companhias discográficas armam um escarcéu a respeito do perigo da “pirataria”, elas não estão a falar de ataques violentos a navios mas sim a queixar-se da partilha de cópias de música, uma actividade em que milhões de pessoas participam num espírito de cooperação. O termo “pirataria” é empregue pelas companhias discográficas para demonizar a partilha e a cooperação ao compará-las com o sequestro, assassinato e roubo.

Continue lendo aqui.

Fica aqui também a sugestão para dar uma passada no site pessoal de Stallman, que tem desde os seus textos políticos, atualizados quase diariamente, até humor, ficção (científica, claro), relatos e fotos de viagem e mais um monte de outras coisas que tu (não) poderia esperar em se tratando de um dos mais instigantes ativistas/pensadores da cultura digital/livre destes tempos.

[Leonardo Foletto.]

Crédito: 1.

Semana de movimento

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Esta semana dois eventos importantíssimos para o noticiário baixacultural vão acontecer em Porto Alegre. Em primeiro lugar,  o grandioso 10º Fórum Internacional de Software Livre, que começa na quarta e vai até sábado. O fisl10 é como uma Campus Party focada no tema software livre, com uma programação bastante ampla e cheia de ótimas atrações.  Em especial, destaco o Festival de Cultura Livre, que na quarta-feira vai trazer um debate sobre “Novas formas de distribuição de conhecimento na internet” com o pirate bay Peter Sundae.

Outro evento legal que vai acontecer em paralelo ao fisl10, também começando na quarta-feira é o I Fórum do Movimento de Música para Baixar, que só pelo nome já indica boa coisa. O Movimento de Música pra Baixar (MPB) é, segundo apresentação no site,” uma inciativa para conectar diversas áreas relacionadas como: música, arte tecnologia e comunicação colaborativa e espalhar suas propostas para o âmbito de diversos territórios, levando suas propostas para o maior numero de pessoas, extrapolando as fronteiras de um determinado gênero musical“. Alguns dos que integram o movimento são Fernando Rosa, editor do grande site Senhor FFernando Anitelli, do Teatro Mágico, que vão participar do FMPB juntamente como figuras como Pablo Capilé, Vice-presidente da Abrafin, Leoni, o eterno onipresente Ronaldo Lemos e mais um monte de gente boa que já toma parte da programação do evento.

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Infelizmente o BC não poderá se fazer presente na capital gaúcha em nenhum dos eventos, por causa das já faladas obrigações paralelas obrigatórias. Mas um monte de amigos e parceiros nossos estarão por lá, então, quem sabe, numa dessas, achamos uma 25º hora do dia para escrevermos algo sobre o evento, de preferência com informações (ou textos) exclusivos. Caso isso não ocorra, vai ter (e já está tendo faz tempo) ótima cobertura em diversos locais da web , inclusive em vídeo, rádio, twitter e tudo o mais, para que possamos acompanhar o evento no aconchego de nossos lares atulhados de coisas na espera para serem organizadas.  Destaco ainda, em especialíssimo, o blog Agência FISL, a ser criado em breve, que pretende agregar toda a cobertura do evento. A ideia do blog vem por uma iniciativa conjunta de diversas publicações de mídia livre: os blogs Outras Palavras e Ponto Livre (São Paulo), o site Soy Loco por Ti (Curitiba) e a  TV Ovo (Santa Maria). Todos estes participaram de alguma forma do Seminário na Cesma, onde, muito provavelmente, foi gestada a criação do blog.

Atualização 24/06: O blog Agência Fisl já está no ar.

[Leonardo Foletto.]

Para o fim de semana

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Blues On Film é um tipo de site que não tem como não indicar pro máximo de gente possível: trata-se de um arquivo de vídeos históricos com toda a elite do blues americano, de Bessie Smith à Muddy Waters, de John Lee Hooker à Bo Diddley, de Eric Clapton à Robert Johnson, e mais uma tremenda quantidade de nomes conhecidos (e outros nem tanto) do blues.

Dentre os mais de 500 vídeos que dá para encontrar lá, destaco um: Bessie Smith cantando a clássica “St. Louis Blues” em um clipe (!) com roteiro de W.C. Handy (!) realizado em 1929 (!!). Taí abaixo, pra quem quiser ver:

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De modo parecido ao Blues on Film funciona o Beatlestube, que diz agrupar todos os vídeos dos Beatles que podem ser encontrados na Web – grande parte no You Tube. O site traz  a letra e depoimentos dos fab four sobre o processo de composição de cada música  (e ali tem praticamente todas as músicas da banda). Tem desde os clipes caseiros altamente toscos  encontrados em profusão no You Tube até os clássicos, como “I am The Walrus“, tirado do ultrapsicodélico filme Magical Mistery Tour, e “Yer Blues“, com Lennon acompanhado por uma senhora banda formada por Eric Clapton, Mitch Mitchel e Keith Richards especialmente para tocar no filme The Rolling Stones Rock and Roll Circus, de 1968.

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Semelhante ao beatlestube já tem também para o U2, Queen e o Rolling Stones.

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[Leonardo Foletto.]

Estudantes por uma Cultura Livre

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Aula de hoje: o que é copyleft?
Aula de hoje: o que é copyleft?

Já não é mais tão novidade (e o que é novidade que dura mais que alguns minutos hoje em dia hein?). Mas vale o registro: um grupo considerável de estudantes das principais universidades americanas está, já há algum tempo, com um projeto bastante interessante chamado “Students For Free Culture”, hospedado no site FreeCulture.org. Criado em 2004, o grupo é ” a diverse, non-partisan group of students and young people who are working to get their peers involved in the free culture movement“, como dizem no about do seu site. Tem por funções:

_ Creating and providing resources for our chapters and for the general public;
_ Outreach to youth and students;
_ Networking with other people, companies and organizations in the free culture movement;
_ Issue advocacy on behalf of our members;

Simpáticas camisetas vendidas no freeculture.org
Simpáticas camisetas vendidas no freeculture.org

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Depois de cinco anos de atuação um tanto restrita ao Estados Unidos, eles resolveram, no final de abril, soltar um “Manifesto da Cultura Livre” (em inglês), que compila todos os aspectos por eles tratados (e também por nós aqui do BC). O Blog Trezentos, nosso parceiro aqui do lado, resolveu traduzir e publicar o texto e nós reproduzimos aqui abaixo, porque manifestos desse tipo devem ser divulgados sempre que possível. Ressaltamos aqui alguns trechos mais importantes, mas salienta-se que todo o texto é importante:

A missão do movimento da Cultura Livre é construir uma estrutura participativa para a sociedade e para a cultura, de baixo para cima, ao contrário da estrutura proprietária, fechada, de cima para baixo. Através da forma democrática da tecnologia digital e da internet, podemos disponibilizar ferramentas para criação, distribuição, comunicação e colaboração, ensinando e aprendendo através da mão da pessoa comum – e através da verdadeiramente ativa , informada e conectada cidadania: injustiça e opressão serão lentamente eliminadas do planeta.

Nos acreditamos que a Cultura deve ser uma construção participativa de duas mãos, e não meramente de consumo. Não nos contentaremos em sentar passivamente na frente de um tubo de imagem de midia de mão única. Com a Internet e outros avanços, a tecnologia existe para a criação de novos paradigmas, um deles é que qualquer um pode ser um artista, e qualquer um pode ser bem sucedido baseado em seus méritos e não nas conexões da industria.

Nos negamos a aceitar o futuro do feudalismo digital, onde nos não somos donos dos produtos que compramos, mas nos são meramente garantidos uso limitado enquanto nos pagamos pelo seu uso. Nós devemos parar e inverter a recente e radical expansão dos direitos da propriedade intelectual que ameaçam chegar a um ponto onde se sobreporão a todos os outros direitos do indivíduo e da sociedade.

A liberdade de construir sobre o passado é necessária para a prosperidade da criatividade e da inovação. Nós iremos usar e promover o nosso patrimônio cultural, no domínio público. Faremos, compartilharemos, adaptaremos e promoveremos conteúdo aberto. Iremos ouvir a música livre, apreciar a arte livre, assistir filmes livres, e ler livros livres. Todo o tempo, iremos contribuir, discutir, comentar, criticar, melhorar, improvisar, remixar, modificar, e acrescentar ainda mais ingredientes para a “sopa” da cultura livre.

Ajudaremos todo mundo à entender o valor da nossa abundância cultural, promovendo o software livre a o modelo open source. Vamos resistir à legislação repressiva que ameaça as liberdades civis e impede a inovação. Iremos nos opor aos dispositivos de monitoramento à nivel de hardware que impedirão que os usuários tenham controle de suas próprias máquinas e seus próprios dados.

Não permitiremos que a indústria de conteúdo se agarre à seus obsoletos modelos de distribuição através de uma legislação ruim. Nós seremos participantes ativos em uma cultura livre de conectividade e produção, que se tornou possível como nunca antes pela Internet e tecnologias digitais, e iremos lutar para evitar que este novo potencial seja destruído por empresas e controle legislativo. Se permitirmos que a estrutura participativa, e de baixo para cima, da Internet seja trocada por um serviço de TV a cabo – Se deixarmos que paradigma estabelecido para criação e distribuição se reafirme – Então a janela de oportunidade aberta pela Internet terá sido fechada, e teremos perdido algo bonito, revolucionário e irrecuperável.

O futuro esta em nossas mãos, devemos construir um movimento tecnológico e cultural para defender o comum digital.

Tradução: João Carlos Caribé

[Leonardo Foletto.]

Créditos foto: FreeCulture.org

BaixaCultura em Minas Gerais

seminario

Nesta sexta estarei em Bê-Agá — a aprazível terra da pinga, do pão de queijo e de meninas bonitas como minha amiga Ludmila Ribeiro –, a convite do comparsa Makely Ka, para participar do Seminário Internacional Música & Movimento, que acontece dentro da programação do Conexão Vivo. A sexta-feira é justamente o dia dos debates em torno dos direitos autorais, e eu mediarei uma mesa sobre a licença Creative Commons. Ao meu lado estarão Sérgio Branco (CC – Fundação FGV) e o advogado Hidelbrando Pontes.

As discussões do seminário se estruturam em 04 eixos: Música, Tecnologia e Mobilidade, Direitos Autorais, Movimento e Internacional. Como chego na manhã de sexta e volto pra São Paulo na manhã do sábado, infelizmente não acompanharei o total das discussões. Mas assim, observando apenas os temas e os descritivos [que seguem abaixo], é possível enxergar como tudo o que se propõe debater está profundamente enraizado no presente, sendo, portanto, crucial para se propor caminhos futuros.

Aí está talvez, voltando muito rapidamente ao tema do meu último post, a grande diferença entre a maneira como os profissionais da música e da literatura se organizam. Dentro de um evento grande como o Conexão Vivo, em que além de algumas dúzias de excelentes shows é possível encontrar a presença do poder público e da “iniciativa privada” a começar do folder de divulgação, há espaço para um seminário desses, que reúne um bom punhado de pessoas interessadas em pensar a música para pensar…o mercado da música, o contexto em que se produz e se quer produzir música. Até onde minha enfumaçada memória consegue alcançar, não consigo lembrar de algum encontro de escritores que tenha discutido outra coisa além da obra deles próprios, seus processos criativos e aquelas coisas de emo que começam com “a literatura para mim…”. Não cabe aqui (ou a mim) questionar a relevância de se discutir estas questões. Destaco a diferença pelo que ela possui de sintomático das diferenças de mentalidade dos dois setores artísticos.

Prometo voltar a isso, e prometo relatar o que rolar ao meu redor em minha estadia-relâmpago por Minhas. Dormir é que eu não posso prometer, passando tão brevemente por esta terra em que moram tantos bons amigos, alguns que inclusive eu nunca vi pessoalmente, como o próprio Makely. Um brinde!

[Reuben da Cunha Rocha.]

Tema 23/04 – MÚSICA, TECNOLOGIA & MOBILIDADE

Os dispositivos móveis representam uma revolução nas formas de armazenamento, portabilidade e consumo de música. Um novo e promissor negócio para o setor musical começa a estabelecer novos paradigmas para o mercado. Iniciativas cada vez mais ousadas e múltiplas estratégias de comercialização e difusão, possibilitaram, inclusive, o incremento de receita no setor, quando comparados os anos de 2007 e 2008. Que negócios são esses e quais os seus modelos mais viáveis para o desenvolvimento do setor musical independente? Paralelamente ou de maneira integrada, os sites de hospedagem e difusão de música na web (MySpace, Last FM, Sonico, Blip.FM, Trama Virtual e Conexão Vivo no Brasil, entre outros) e mesmo os sites de relacionamento em que as (p)referências musicais estão muito presentes (Orkut, Facebook, Hi5 e outros) pertencem ao fenômeno das redes sociais, cuja importância crucial para a música hoje deve ser analisada pelo menos em dois diferentes aspectos. Por um lado, com a desorganização e fragmentação da indústria fonográfica, eles se tornaram o filtro preferencial de divulgação, reflexão e consumo, cristalizando tendências, revelando artistas e mesmo impulsionando negócios. Por outro, ainda que com diferentes características de interatividade, objetivo e conteúdo, são reflexo da mesma transformação ética da sociedade, de uma nova correlação de poder e autoestima cultural. Os antigos fiadores e formadores de opinião (principalmente gravadoras e imprensa) cedem espaço a uma dinâmica cultural mais ágil, desierarquizada e marcada pela diversidade real.

Tema 24/04 – DIREITOS AUTORAIS

Muitos são os rumores sobre a nova lei de direitos autorais, que substitui a atual legislação, vigente há pouco mais de dez anos. Os defensores das alterações e das licenças Creative Commons afirmam que o desenvolvimento das novas tecnologias tornou mais fácil o processo de produção, difusão e recombinação de obras culturais, mas que a legislação atual é um entrave à sua divulgação e ao seu acesso. Por outro lado, os defensores da manutenção da atual legislação, atentos ao impacto que tais alterações podem provocar em suas receitas e posicionamento mercadológico a duras penas alcançado, afirmam que muito se discutiu para chegar à atual legislação, que dez anos é pouco tempo até mesmo para uma conscientização popular sobre os direitos dos autores e que o Estado não deve ser um adversário, mas um guardião desses direitos. Chegam a indagar: “afinal, deve a sociedade civil ser pautada por questões suscitadas pelo governo? Ou deve ela, sociedade civil, levantar as questões que de fato lhe interessam?”. Polêmica a parte, é um bom momento para entender melhor um dos campos mais delicados do direito em todo o mundo e refletir sobre compartilhamento de informações, sobrevivência, respeito e democracia.

Tema 25/04 – MOVIMENTO

Crise (psico)econômica, falência dos modelos de negócio tradicionais no mercado musical, reforma nos mecanismos de financiamento, ausência de uma política setorial ampla e objetiva, direito de expressão de valores simbólicos potencializado por meio da rede virtual, o “artista pedreiro”. Diante de tantas variáveis e algumas incertezas, o movimento musical independente do Brasil se reinventa de norte a sul, apresentando tecnologias de relacionamento e gestão que enfocam o trabalho em rede, a divulgação viral, o uso de moedas complementares e preconizam a formação de um “mercado médio”, mais democrático e justo, cujas relações se estabelecem distantes dos velhos dogmas de mercado. Seriam sustentáveis tais propostas? Como os gestores públicos nas esferas federal e estadual podem desenvolver modelos e ações capazes de responder a esse imenso potencial econômico e um dos mais expressivos ativos da cultura nacional? Como estabelecer políticas públicas que abarquem todos os estágios e níveis do empreendimento cultural? Será de fato o uso das leis de incentivo pelos departamentos de marketing da iniciativa privada o grande desestruturador do setor cultural ou há um combinado de fatores, um simbionte público-privado que precisa ser reinventado sem preconceitos, discursos ideológicos e corporativismos?

Tema 26/04 – INTERNACIONAL

Pixinguinha e Os Batutas foram os primeiros a levar a música brasileira para fora do país, numa excursão à França em 1922. Com a Bossa Nova, já na década de cinqüenta, nossa música deixou de ter um caráter quase folclórico para assumir lugar de destaque nas principais casas de espetáculo do mundo como referência de vigor e sofisticação. Diante dos novos desafios colocados na atualidade, exportar a música produzida aqui tornou-se imperativo como estratégia vital de desenvolvimento. Prova disso são os desdobramentos econômicos, sociais, políticos e estéticos cada vez mais inegáveis que reverberam tanto fora como dentro do país. Apresentamos aqui algumas iniciativas de estados, países e regiões que podem servir não só de modelo, mas também como ponte para a o diálogo e a criação de redes articuladas de intercâmbio tecnológico e cultural.

Conexão Vivo

O programa nacional Conexão Vivo foi criado há nove anos para promover o desenvolvimento da cadeia produtiva da música independente e suas inter-relações com outras áreas da criação artística, como o cinema de animação.
Suportado por uma rede colaborativa de gestores públicos e privados, artistas e público, o programa é pautado em eixos como gestão compartilhada, respeito e promoção da diversidade, integração entre ambiente virtual e presencial e, sobretudo, promoção da circulação e veiculação de conteúdos autorais em ambientes e territórios não convencionais.

Em 2007, o Conexão Vivo criou sua primeira experiência de plataforma web em formato de rede colaborativa, que evoluiu para o atual portal www.conexaovivo.com.br que, em apenas 3 meses, teve a adesão de mais de 10 mil perfis de artistas, gestores e público interessados em música, cultura digital e cidadania. Desde 2003, o programa incorporou momentos de reflexão e formação em suas diretrizes, promovendo debates, oficinas e seminários.

Um dos objetivos do programa é a continuidade de suas ações. Ainda em 2009, o Conexão Vivo pretende atuar em diversos estados brasileiros, tornando-se o maior programa relacionado à música do país.

O Seminário Música & Movimento – Primeira Edição (2003)

A primeira edição do Seminário Música & Movimento foi realizada, em 2003, em meio à ausência completa de iniciativas dessa natureza no país. O Seminário foi considerado um marco, tendo reunido os principais gestores públicos e privados do setor e empreendedores dos mais diversos segmentos para discutir os rumos da música brasileira sobre os seus mais amplos aspectos.

No âmbito federal, um novo e promissor governo se iniciava, dotado de uma forte base teórica e ideológica e grande desejo de romper com o modelo existente. A música no ambiente virtual ainda era uma tênue promessa, sobretudo no Brasil, e o tratamento dado pela imprensa ao setor independente, quando não o ignorava, era jocoso. A ausência de movimentos fortemente articulados, bem como a necessidade de formação de redes colaborativas em contraposição a esta constatação, foram pontos amplamente debatidos.

Cerca de 40 debatedores e mediadores geraram, em cinco dias, um conteúdo bastante rico e proveitoso para os quase 100 frequentadores diários dos debates. Rui Cesar (Mercado Cultural), André Midani, Sérgio de Sá Leitão (MinC), Ana de Hollanda (Funarte), Felippe Llerena (iMúsica), Gloria Braga (ECAD), Bruno Boulay (Bureau da Música Francesa), Fernando Brant (UBC), Sílvio Pellacani (Tratore), dentre outros, discorreram suas visões e anteviram temas ouvidos pela primeira vez pela maioria dos presentes: “trabalho em rede colaborativa”, “distribuição e difusão digital via web e dispositivos móveis”, “Creative Commons”, “reestruturação das fontes de financiamento público para a música” “núcleos mistos de ação formado por recursos públicos e privados”, “empoderamento das culturas populares”.  Temas e frases que hoje povoam com naturalidade o nosso presente.

O Seminário Música & Movimento – Segunda Edição (2009)

Quais são os desafios para o desenvolvimento do setor musical a partir de novas plataformas de negócios introduzidas pelos portais de relacionamento e pela demanda de conteúdo em dispositivos móveis? Estamos vivendo uma democracia colaborativa digital? Ela já chegou ao mercado independente? As Web Rádios associadas às redes de relacionamentos são, de fato, um caminho para um novo mercado e uma nova ordem de veiculação e distribuição? É viável comercializar massivamente conteúdo independente por meio de dispositivos móveis? Quem está fazendo isso e como? Quais são as bases desse novo negócio? Como se estruturam e para onde levarão os modelos de organização preconizadas pelo Espaço Cubo, Eletrocooperativa e Circuito Fora do Eixo? Como os Pontos de Cultura podem contribuir na mobilização do setor musical, na mudança e consolidação de novos paradigmas? O novo modelo de financiamento público será capaz de alavancar de vez a gigantesca e qualificada produção musical brasileira e alçá-la à potência econômica mundial que merece ser? E a reforma na Funarte, com sua nova equipe, quais são as diretrizes? A licença Creative Commons trouxe avanços para a ampliação dos processos colaborativos? Quais as perdas para os criadores? Quais os aspectos simbólicos e econômicos da alteração na legislação brasileira do direito autoral? O que a diretoria do ECAD tem a dizer? Os circuitos internacionais de música estão articulados em rede? Os artistas brasileiros estão conseguindo ocupar os espaços disponíveis de forma organizada e continuada? Qual a eficácia das ações da BM&A? Como se estruturam as redes de música latino americanas? Estamos de fato nesse circuito? Quando abriremos um diálogo realmente ativo com o continente africano? E a nossa relação com os paises lusófonos, a quantas anda?

Mais do que responder a essas e tantas outras questões o Seminário Música & Movimento deve analisar as experiências bem sucedidas empreendidas nos últimos anos por coletivos de criação e produção, empresas, fóruns e governos e apontar indicadores e caminhos. Deve, ainda, articular uma nova rede de re-editores de cultura e  de detentores de tecnologias complementares de gestão e produção, capaz de lidar pró-ativamente com as iniciativas estruturantes do setor privado, do poder público e da sociedade civil organizada, potencializando-as.

[Reuben da Cunha Rocha.]

Condenados

PD*26945087.

Interrompemos a programação normal do blog para dar uma notícia extraordinariamente ruim: os quatro administradores (ou colaboradores, ou criadores) do Pirate Bay foram condenados pela corte sueca. O veredito saiu agora pouco pela manhã, 17 de abril, como anunciado.

Os quatro (Peter Sunde, Carl Lundström, Fredrik Neil e Gottfrid Svartholm) foram acusados de “assisting in making copyright content available’. Punição: um ano de cadeia e pagamento de um valor  que somados cada um fica em torno $3,62 milhões  de euros. Pagamento a ser feito para as  velhas conhecidas empresas representadas pela MPAA.

A cobertura completa do caso está sendo feita pelo Torrent Freak, atualizada frequentemente. As discussões em torno da decisão estão sendo travadas no Twitter, sob a tag #piratebay. Recomendo especialmente dar uma olhada no twitter do Remixtures, que está discutindo a questão desde cedinho da manhã. Mais informações e detalhes do caso ao fim do dia aqui no BC, quando já teremos por terminada as leituras do veredito final – que, aliás, dá para acompanhar ao vivo no próprio Pirate Bay.

Por enquanto, fiquem com o “Why the Pirate Bay Veridict Doesn’t Matter“, um dos primeiros textos sobre o assunto já lançados na rede.

[Leonardo Foletto.]

ATUALIZAÇÃO:

Havia combinado de fazer outro post, mas creio que fique melhor uma atualização do mesmo, já que a informação principal foi dada. O Remixtures fez um post em que dá mais detalhes da condenação:

De acordo com o veredicto, os três administradores da “Baía dos Piratas” Fredrik Neij aka Tiamo de 3o anos, Peter Sunde aka Brokep de 3o anos, Gottfrid Svartholm Warg aka Anakata de 24 anos, bem como o empresário Carl Lundstrom de 49 anos – responsável pelo financiamento inicial do site – foram responsabilizados por facilitarem a disponibilização de conteúdos protegidos por direitos de autor. O tribunal condenou por unanimidade os quatro indivíduos a uma pena de prisão de um ano e ao pagamento de 30 milhões de coroas suecas (2,7 milhões de euros) em indemnizações e juros que devem ser pagos por todos de forma solidária.

Diz o Rraurl que a defesa estava segura em convencer a corte de que o PB não hospeda os arquivos que são baixados, por isso não poderia ser considerado culpado. No entanto, a corte sueca decidiu pelo veredito levando em consideração que as ferramentas de busca e armazenamento do site levam o usuário a violar essas leis. Obviamente, os acusados irão recorrer da decisão. Dizem, inclusive, que a idéia é levar o caso à Suprema Corte da Suécia – o veredito foi dado em um Tribunal Distrital de Estocolmo em primeira instância.

Marcelo Branco, coordenador da ASL (Associação Software Livre.Org) para o site do 10º Fórum Internacional do Software Livre, diz algo que este blog concorda plenamente:  “a condenação é absurda e revoltante, pois o Pirate Bay não tem nenhum conteúdo protegido por copyright, é apenas um site de busca como o Google, Yahoo ou  Microsoft Search. A diferença é que é especializado em conteúdos culturais“. Edson, em conversa à tarde, salientou que o Pirate Bay é, sobretudo, um meio de troca de arquivos. Sendo ilegais ou não,  a “culpa” seria dos usuários, não dos administradores de metadados. É como condenar uma loja de armas por conta dos crimes que se cometem com elas. Os caras que vendem não têm como saber quais dos clientes vão cometer crimes, mas sabem que eles irão acontecer.

O sociólogo Sérgio Amadeu diz que “esta condenação só vai servir para aumentar a audiência e o compartilhamento dos serviços do The Pirate Bay. O Napster foi condenado e o uso do P2P se ampliou. Agora a condenação do  Pirate Bay, fará com que os serviços do BitTorrent cresçam ainda mais” .

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Mas a melhor fala de todas é de Pete Sundae (o da esqueda na versão simpsons acima): “Nada vai acontecer conosco ou com o site. É apenas mais um teatrinho para a mídia“.

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Hermeto fluindo ao vento

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Um dos grandes músicos  em atividade neste país, o “Beethoven do século 20” (como o define  um tanto exageradamente o acordeonista Sivuca, outro gênio brasileiro), Hermeto Pascoal, ao fim do ano passado, abriu mão das licenças pela internet e liberou para uso de qualquer músico todas as composições registradas em seu nome. Fez isso com estilo, na forma da singela cartinha abaixo, publicada em seu site oficial.

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Hermeto, que nos idos de 1973 já lançava um disco com o nome de ” A Música Livre de Hemeto Pascoal“, é uma daquelas muitas figuras que pouco ou nada ganhou com direitos autorais de suas composições: como não se organizou para registrar suas músicas, tudo que ganhou de $$ na música foram com shows, segundo afirma o repórter Lucas Pretti em matéria do Estadão, do qual tirei boa parte das informações deste texto.

Aliás, não poderia ser mais incoerente alguém como Hermeto ganhar com direito autoral. A ideia de liberdade musical, de improvisação, de pulverização das composições, é algo que sempre acompanhou o alagoano,  que não perdia a oportunidade de falar que  “tudo é música” e todos podem fazer música com qualquer coisa – objetos, plantas, voz, teclado, flauta doce ou copo de água, como ele mostrou algumas vezes em entrevistas. Sua música já era de código aberto muitos anos antes do termo existir.

Sua ida para a internet tem muito a ver com sua namorada e parceira musical desde 2002, Aline Morena, que não se conformava que um artista do porte de Hermeto não tivesse sequer um site próprio. Tanto botou pilha no barbudo que fez quatro sites, um para cada tipo de apresentação de Hermeto (com a Big Band, o Grupo, orquestras sinfônicas e para o duo com ela), todos que podem ser acessados através do site oficial.

A previsão é que nos próximos dias comece a disponiblização de  sua extensa discografia para download, na própria página oficial.

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Existem vários vídeos só no Youtube dando conta dos múltiplos talentos do músico. Tem desde uma conversa musical com Dominguinhos, daquelas que só duas figuraças conseguem fazer sem doer, até um depoimento no ótimo documentário Janela da Alma, passando pelo impressionante improviso vocal de “Remelexo“, tirada do ao vivo em Montreux de 1979. Mas  se é pra selecionar um para encerrar o post, fiquemos com outro improviso, mais longo, também no ao vivo em Montreux de 1979:

[Leonardo Foletto.]

Roube esta revista

trip

Fã confesso da Trip, fico feliz de poder comentar a decisão da revista de disponibilizar todo o seu conteúdo na rede. De quebra, a edição deste mês tem uma boa matéria-perfil sobre as nobres figuras que disponibilizam discos na rede, aqui. Também tem outras coisas importantíssimas, mas que não são exatamente ligadas à cultura livre, embora sejam ligadas à liberdade. Bem, Leonardo Foletto acabou de bater aqui na porta, vindo à Paulicéia pro show do Radiohead. Daí ser perfeitamente compreensível que este post fique meio a meio de caminho e a gente vá botar o papo em dia em alguma calçada da cidade que não dorme.

[Reuben da Cunha Rocha.]

Por enquanto nada decidido

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PD*26945087

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O julgamento do Pirate Bay X Governo Sueco terminou na última sexta-feira, mas o veredito final só vai ser dado no dia 17 de abril – portanto daqui a mais de um mês. Cabe agora ao juiz decidir se o Pirate Bay é culpado pela acusação de facilitar a violação dos direitos autorais por permitir que usuários baixem arquivos “ilegais” através de seu sistema.

Como noticia o Rraul, apesar da vitória do Pirate Bay ser dada como certa, pode haver surpresas. O certo mesmo é que é muito improvável que o site seja desativado, e muito menos ainda que as pessoas deixem de utilizá-lo para este fim.

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A campanha de mobilização pública em favor do Pirate Bay rendeu, dentre muitas coisas, um site – o Filesharer.org. Nele, os visitantes publicam fotos de seus rostos declarando que “não são as pessoas por trás do Pirate Bay que trocam arquivos ilegais na web. Somos nós, milhões de pessoas que usamos o site. Eles estão atrás das pessoas erradas. Nós não vamos desaparecer mesmo que o PB perca a causa, nem a tecnologia que nos permite compartilhar músicas e filmes que nós gostamos vai sumir“. A campanha foi lançada por membros do Partido Vermelho (Rødt) da Noruega.

O Pirate Bay também lançou um manifesto com 100 princípios que explicam a sua forma de pensar. O livro se chama “POwr, Broccoli e Kopimi” e pode ser baixado aqui.

Em tempo: O Rraul, site focado em música e cultura eletrônica, fez uma excelente cobertura do caso, inclusive um resumo de cada dia do julgamento. É só clicar no link mais acima para conferir. É de lá que tirei a primeira foto desse post, aliás.

[Leonardo Foletto.]

Tem de grátis online

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Esses simpáticos adesivos aí acima são criação do artista plástico Evan Roth, colaborador de um interessante coletivo de graffiti que utilizam de ferramentas open source para comunicação urbana (e que será pauta de outro post aqui, em breve).  Evan teve a boa idéia de criar os stickers para colá-los em mercadorias que estão em lojas, para dizer que eles também podem ser obtidos gratuitamente na web. Claro que ele não poderia deixar de fotografar e mostrar em seu blog as suas intervenções adesivísticas por aí:

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Evan também resolveu dar o nome do adesivo à sua primeira exposição como artista plástico, sediada na Advanced Minority, em Viena, Áustria (alô baixaculturais no velho continente!). A temática das obras dele seguem na linha da arte urbana e do graffiti. Aqui tem uma amostra das obras do cara; e aqui abaixo vai a foto da entrada da galeria.

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[Leonardo Foletto.], via Trabalho Sujo.

Créditos imagens: Bad Ass Moteherfucker

O ano começa

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É verdade que demorou mais do que esperávamos, mas a partir de amanhã voltaremos à programação normal do BaixaCultura.  Como Reuben explicou no post anterior, a ausência foi dada pela coincidência de viagens no mesmo período, algo não planejado mas também não discutido muito porque viagens, como se sabe, são necessárias e indispensáveis.

(Reuben já está em São Paulo, o que promete pautas mais interessantes pro BC, pelo óbvio e simples motivo de que em São Paulo as coisas – e principalmente as pessoas – acontecem e aparecem mais facilmente. E agora também teremos um correspondente na USP, o que de certo significará alguma coisa.)

Retornamos com o mesmo espírito de antes e um poquinho mais calejados da validade de nosso trabalho aqui, nem que seja válido somente para manter nossas mentes (e as de vocês) um pouco mais saudáveis e preparadas para o incerto futuro baixacultural que aguarda todos nós.

[Leonardo Foletto.]

Crédito imagem: Rosah Casanova

A culpa é da estrada

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Foi uma coincidência que causou o sumiço geral dos editores do BaixaCultura na última semana: tanto eu quanto Leonardo estivemos (estamos, na real) no meio de longas viagens. Enquanto isso, Edson estuda pra passar na OAB e poder, de fato, garantir que ninguém aqui vai ser preso.

No caso de Leo, foram (são) dois destinos diferentes, sem garantia de acesso à internet. Vocês não sabem, mas o cara é um mochileiro. No meu caso, um só lugar e a soma de todos os transtornos (e todas as muitas e muitas alegrias) gerados por uma mudança de cidade. Inclusive um leve desaparecimento de tudo.

Em São Paulo, sem telefone e internet até agora, com o carnaval batendo à porta e sem notícias de meus dois comparsas, tudo indica que o BaixaCultura seguirá o fluxo das coisas e voltará a dar as caras apenas quando o ano enfim começar, no meio da próxima semana.

Cuidem-se todos, e até lá!

[Reuben da Cunha Rocha.]