Campus Parte 5

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Quinta-feira foi outro dos dias movimentados por aqui, principalmente na área da Campus Blog.  Para aguentar o excesso de programação, só com Açaí ou Red Bull – disparado o líquido mais vendido aqui,  a ponto de acumular latas e latas nas mesas dos mais viciados. Lamentável é a proibição de venda de bebidas alcólicas, já que uma parte do público é menor de 18 anos. Uma cerveja seria muito bom pra ficar pensando melhor, inclusive para os mais novos. Percebo que a vontade de beber aqui é imensa; há um incipiente mercado informal de bebidas no camping, onde latinhas adquirem preços de até R$12,00. Na entrada do centro de exposições, acumulam-se grupinhos com seus isopores lotados de bebida, principalmente à noite. Outros levam às escondidas em pequenos cantis. É uma grande necessidade coletiva que precisa ser resolvida para o próximo Campus Party.

Dois painéis mereceram mais a minha atenção ontem: o lançamento do livro Blogs.com: Estudos Sobre Blogs e Comunicação, organizado pelas pesquisadoras Adriana Amaral (U. Tuiuti do Paraná), Raquel Recuero (UCPEL) e Sandra Montardo (Feevale), pelo motivo de que um dos 11 artigos do livro é  o  Blogosfera X Campo Jornalístico: Aproximação e Consequências, fruto de minhas elocubrações acadêmicas no ano passado; e a palestra “O direito conhece a internet?“, pela óbvia relevância do tema também para o BaixaCultura.

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Comecemos pelo merchand, então. O livro foi lançado após a palestra da Raquel – uma das organizadoras, aí na foto acima – sobre os microblogs e o twitter, que foi uma das mais concorridas do espaço e, também, uma das que o pessoal mais gostou, a considerar os comentários via twitter na LiveStream do BlogBlogs.

(Acho que não contei o que é a LiveStream do BlogBlogs, então vale um novo parêntese: é um agregador que pega tudo quanto é post em blogs, fotos no Flickr, twitters, vídeos no YouTube e mais um monte de coisas que usem a tag #cparty, atualizando de minuto a minuto. Se você usar essa tag em qualquer um dos programas acima e mais outros quantos, vai aparecer no LiveStream. É um dos negócios mais populares daqui, já que os cerca de quatro milhares de computadores aqui produzem no mínimo três vezes isso sob a tag #cparty)

Ao fim da palestra, Raquel chamou as outras organizadoras do livro, que falaram sobre o quanto ele pode ser importante para a pesquisa de blogs no Brasil, já que não existe muita bibliografia nacional sobre o assunto, e do processo que fizeram para selecionar os doze artigos (+ prefácio de André Lemos e posfácio de Henrique Antoun). Por enquanto, ele só está disponível em versão E-Book, que dá para baixar grátis aqui.

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Algumas horas mais tarde teve o debate sobre direito e internet. Estavam lá o onipresente Ronaldo Lemos, Ivo Côrrea, advogado do Google no Brasil, Renato Opice Blum, da Blum Advogados, e Franciso Madureira, jornalista responsável pelos blogs do UOL – na foto, da esquerda para direita. Feito um guri birrento, tentei de novo fazer uma cobertura em “tempo real” via twitter.  Se novamente não consegui direito, pelo menos o que escrevi na hora me ajudou a gravar algumas falas da palestra, tipo:

_ Ronaldo Lemos: Não existe regulamentação específica sobre qualquer pessoa que coloca conteúdo na internet. Cada juiz acaba decidindo segundo suas próprias convicções, porque não existe detalhamento na lei para estes crimes.

_ Renato Blum: “A grande maioria das decisões judiciais no Brasil segue a regulamentação da lei americana“.

_ Ivo Côrrea: Há uma dificuldade do judiciário em entender a internet, sejam juízes, advogados, promotores…

Como pode-se notar, não se ouviu muita novidade; as falas acima, e o tom restante da palestra, foram mais no sentido de reforçar que há a necessidade de um marco regulatório civil para a internet brasileira, porque do jeito que está hoje há uma brecha tremenda para a interpretação pessoal de cada um. E aí pode praticamente tudo, desde proibições ridículas a liberações abusivas.

Ainda assim, a mesa estava bem interessante. Reforçou essa posição que falei acima, e houve vários exemplos para ilustrar isso. Deu pra ver que espera-se cada vez mais uma movimentação da sociedade com relação a esta dita regulamentação, principalmente em não deixar que ela não seja restritiva demais  – e que essa restrição se dê na esfera penal, a “última” das esferas a se recorrer – como aquela que propõe a Lei Azeredo. Aliás, daqui a pouco vai ter um debate imperdível sobre esse tema: O futuro da Internet no Brasil“. De um lado, José Henrique Santos Portugal (Representando o Senador Eduardo Azeredo) e o Desembargador Fernando Neto Botelho; do outro, Sérgio Amadeu, um dos principais coordenadores do evento, e, novamente, Ronaldo Lemos. O nobre senador mineiro negou-se a vir pessoalmente ao evento, embora boatos dêem como não impossível sua presença. Vai apanhar na certa, aparecendo ou não.

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Mais à noite houve dois lançamentos de livro na área da música. Um foi o de TecnoBrega: O Pará reiventando o negócio da musica“, de Oona Castro, do Overmundo, e dele, o  irrequieto da Cultura Livre no Brasil,  Ronaldo Lemos. O livro está disponível em PDF e impresso, a módicos R$30,00.  Vale a pena: é um estudo profundo, acadêmico (no melhor dos sentidos da palavra, parece) e bem escrito sobre o fenômeno da música tecnobrega do Pará. Como diz o outro irrequieto da cultura livre no Brasil, Hermano Vianna, na contracapa do livro:

“Escondido em Belém do Pará, o tecnobrega testa uma original economia cria há aos, na marra. As músicas saem direto de estúdios da periferia e são distribuídas nos camelôs da cidade, animando gigantescas festas de aparelhagem, sem mais depender da grande mídia ou gravadoras. Um mundo paralelo cujo funcionamento é finalmente revelado neste livro: estudo pioneiro sobre as novas indústrias culturais que comandam a vida musical mais popular no Brasil de hoje. Quem quiser pensar o futuro da música não pode ignorar as lições tecnobregas da Amazônia digital.”

O outro foi O Futuro da Música depois do CD“, no mesmo esquema coletânea e E-Book do livro sobre blogs, organizado por Sérgio Amadeu e Irineu Franco Perpétuo.  O livro é bem abrangente: tem artigos de músicos, (Chico Pinheiro, André Mehmari), engenheiros (Davi N. Nakano, João C. leão), comunicólogos/jornalistas (Adriana Amaral, Laam Mendes de Barros), sociólogos (Sérgio Amadeu), antropólogos (Simone Pereira de Sá) produtores musicais (Pena Schimidt), musicólogos (Harry Crowl, Ricado Bernardes), dentre outros. Desde já penso que o livro é essencial para entender essa coisa toda que a gente tá passando. Para baixar, entre aqui.

Os dois compensam a leitura, e o bom de ser lançado por aqui é que sempre dá pra acessar os livros gratuitamente em PDF.

[Leonardo Foletto, enviado especial e irrequieto a São Paulo]

Créditos fotos: 1) Minha 2) João Pedro 3, 4) Flickr de Talita Mariano
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  1. Fala Foletto.
    Depois de várias críticas ao Campus Party em alguns blogs, comecei a formular uma imagem ruim desta edição do evento. Este teu post me mostrou que, pelo menos neste dia, rolou bastante conteúdo legal por aí. Que bom. Depois desta leitura, pensei sobre a naturalidade humana de criticar erros em detrimento à avaliação do que de fato deu certo, e talvez por isso não encontro tantos posts como esse. Não estou dizendo que ninguém deve criticar o que está errado, mas espero que você continue cobrindo estas palestras interessantes por aí, porque está difícil de achar texto assim. Bem, já fiz o download do livro e vou lá dar uma espiada nele. Abraço.

  2. Aloha camarada está é minha primeira vez que eu comento em seu blog e gostaria de agradecer pelo conteúdo que é fascinante. Sobre Campus Party é que também li muita coisa ruim sobre o evento mas mesmo assim estou animado em ir no próximo ano.
    Não vejo a hora de tirar um tempinho para devorar Blogs.com: Estudos Sobre Blogs e Comunicação.
    Vlw pelo pdf e continue com o excelente blog.

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