“Tudo é Remix” na íntegra e com legendas
maio 24th, 2012 § Deixe um comentário
A quarta e últma parte do documentário “Everything is a remix“, dirigido por Kirby Ferguson, está no ar desde final de fevereiro deste ano.
“The System Failure” tem pouco mais de 15 minutos e versa sobre como nosso sistema de direito não reconhece a natureza derivada da criatividade. Em vez disso, como explica o resumo do filme, “as idéias são consideradas como propriedade, lotes únicos e originais, com limites distintos. Mas as idéias não são tão ordenadas assim. Eles estão em camadas, que estão interligadas, enroladas. E quando surgem os conflitos do sistema com a realidade … o sistema começa a falhar.“
A série teve o lançamento de sua primeira parte, “The Song Ramains the Same” em setembro de 2010, de sua segunda, “Remix Inc.“, em fevereiro de 2011, e a terceira parte, “The Elements of Creativity” saiu no final de 2011.
Como Kirby (acima) nos contou em março do ano passado, sua idera era “to show how copying is an element of creativity, and in one way or another, we all copy” [mostrar como copiar é um elemento de criatividade, e de uma forma ou de outra, todos somos cópias].
“Everything is a Remix”, a série toda, é mais um trabalho a endossar o coro que, sempre que possível, reiteramos por aqui: não há nenhuma “obra-prima”, nenhum “gênio” sem outras obras e autores por trás, como hiperlinks ligando as palavras a mais palavras misturando tudo para formar mais palavras/imagens/sons/videos. Tudo é cópia da cópia da cópia da cópia.
Subimos no YouTube com a legenda em português, feita pelo Jorge Todeschini. Olha aí:
Os outros episódios estão aqui abaixo:
Parte 1
Parte 2
Parte 3
P.S: Kirby recentemente conseguiu finalizar, via crowdfunding, seu novo projeto de vídeo: “This is not a Conspiracy“, “a multi-part series that will explain the major ideas, events and human quirks that have shaped where we are right now politically”.
Credito foto: Kirby.De Paraty a Porto Alegre, de Santa Maria ao Ônibus Hacker
maio 16th, 2012 § 1 Comentário
Já faz dois dias que o Ônibus Hacker voltou da participação na Virada Digital em Paraty. Foi uma jornada incrível, apesar (ou por causa?) dos percalços técnicos.
Vejamos: o busão estava programado para sair as 10h de sexta, da Casa da Cultura Digital, em São Paulo; saiu às 19h. Duas horas depois e quase 200 Km rodados, a embreagem recém comprada estourou, e fomos conseguir parar perto de um posto de pedágio próximo a São José dos Campos. Relato da Lívia Ascava, uma das figuras centrais da organização do Busão: “estávamos trocando ideia com o Reinaldo [motorista] quando escutamos um ‘putaqueopariu, o pedal da embreagem caiu’.
Ela continua: “Imagina o pedal colado no chão, tinha que bombear ele para que o ar saísse e assim a pressão voltasse. Começamos com a mão, depois fizemos uma gambiarra com uma corda. Um apertarva o pedal pra baixo, com as pernas. Outro puxava o pedal pra cima, com uma cordinha. Não deu certo; chamamos o guincho e 12 pizzas”. O guincho chegou antes, e as pizzas (calabresa eterna e mussarela a là escassez de gosto) foram consumidas com fome.
Algum tempo depois, com direito a roda de violão em pleno asfalto da rodovia Ayrton Senna, o ônibus foi guinchado a um posto próximo. É de lá que saiu a foto acima, porque foi assim: enquanto as duas vans que nos levariam a Paraty não chegavam, o busão foi estacionado num descampado, luzes coloridas foram montadas e playlists (rock clássico, de Led a Secos & Molhados, predominou) tentaram animar a noite algo fria do interior paulista.
Por volta das 7h da manhã chegamos a Paraty. Uma turma ficou no posto esperando o mecânico consertar o busão, que só foi chegar na cidade às 15h de sábado, se instalando diretamente nas “tendas” da Virada. Foi a deixa para começarem as oficinas do busão: de como fazer uma lei popular à TV Pirata, passando por Como Montar uma Rádio Livre até Narrativas e Conteúdos para Rádio Digital.
Enquanto as grandes figuras da cultura digital/política conversavam questões macros na tenda, nós falávamos para as bases, uma gurizada animada e interessada que nem precisou da nossa deixa para criticar o Jornal Nacional e toda a “grande mídia” e taxá-las de manipuladoras [Mas, por favor, sem essa de PiGs, ok?]. Eles é que vão terminar de transformar (não acabar, atenção) o jornalismo em algo mais conectado com a verdade e a transparência e menos com interesses lucrativos e obscuros.
A oficina que participei, de Narrativas e Conteúdos para Rádio Digital, foi “conversada” dentro do busão, no espaço ao fundo que costumamos chamar de “sala” por ser o das “junções” de gente (ajuda essa parte ter uns bancos a menos). O grande parceiro Gilberto Vieira fez uma decoração com luzinhas coloridas que deu um charme cabaré a coisa toda, o que certamente contribuiu para que umas 15 pessoas passassem por ali (não achei foto dessa oficina; quando achar, posto aqui).
Falamos de cultura livre, rádio livre, jornalismo, o velho binômio hacker X cracker e até do Wikileaks – tive que explicar, pela primeira vez na vida, por que Assange foi “acusado” de estupro por ter feito sexo sem camisinha com duas mulheres suecas. Para ficar algo didático, propomos 3 eixos de trabalhos para produzir conteúdo pra rádio que instalaríamos na Virada: jornalismo, jingles/publicidade e literatura/arte.
A gurizada embarcou na ideia: entrevistaram a mesma Lívia, sentados no chão de brita do local, para entender mais do Busão Hacker; gravaram, com o porto-alegrense Rodrigo Isoppo ao violão e direção musical, um embrião de jingle a partir da música “Vira-Vira”, dos Mamonas Assassinas, e as palavras “virada digital”. E teve até tempo para leitura de poema de um dos garotos, de 16 anos, para sua namorada – ou seria um poema da namorada para ele?
Não conseguimos instalar a rádio na virada, mas o conteúdo da gurizada foi gravado e, se der, editamos e publicamos em outro momento da Rádio Hacker – que, aliás, está sendo instalada numa sala secreta da Casa da Cultura Digital e em breve posto aqui novidades sobre isso e o que ela terá a ver com o BaixaCultura.
[Quer saber mais sobre a Virada? o site do busão Hacker tem mais esse relato, a fanpage no Facebook tem muitas fotos, assim como o Flickr. E o Estadão fez uma matéria sobre o evento todo.]
**
A jornada da semana passada terminou com a volta a São Paulo no domingo à tarde/noite, pós Virada Digital. Mas começou com Santa Maria, na quarta feira, num bate-papo que fiz com André Galarça na Feira do Livro de Santa Maria. O tema era o “Efêmero Revisitado” e suas conversas sobre teatro e cultura digital, mas, como é de costume em eventos que ocorrem na praça central da cidade, o assunto foi para outros lados, de “futuro do jornalismo” a “o que mudou na sua vida depois de escrever um livro”.
Tentei responder a todas as questões; fiquei feliz só delas existirem em mais de 10, algo raro quando se trata de assuntos desconhecidos de muita gente (como ainda é o teatro digital). Pelas minhas contagens, devem ter visto a conversa umas 60 pessoas, entre os talvez 40 sentados e outros tantos que passavam pela praça, sentavam um pouco, e seguiam seu rumo. Um salve a Feira do Livro de Santa Maria e a produtora OPSs! pelo convite e recepção. [Dei uma entrevista rápida a Rádio Itapema local, comandada pelo camarada Márcio Grings; assim que descolar o áudio reproduzo aqui].
***
Na quinta feira, rolou o lançamento/transmissão da Pós-TV sobre teatro digital em Porto Alegre, na Palavraria, com o apoio essencial da Casa Fora do Eixo. Apesar de alguns problemas técnicos (os dois skypes marcados para o momento deram pau diversas vezes, o que é normal nestes casos), a conversa foi bem produtiva; podemos fazer uma ponte legal com Márcio Meirelles, lá de Salvador, e com Leonardo Roat, de Florianópolis, além de Cláudia Schulz, que mediou a conversa.
Os vídeos do programa (Tubo de Ensaio) podem ser assistidos aqui. Agradeço ao pessoal da Casa Fora do Eixo POA que ajudou a produzir todo o evento – inclusive o coquetel que rolou após a conversa – e aos amigos e interessados que apareceram na noite agradável de quinta 10/5 em Porto Alegre.
[Leonardo Foletto]
Créditos fotos: Flickr Ônibus Hacker (2 a 13), Facebook VJ Varga (1), Casa Fora do Eixo POA (14)


















