Semana de movimento
junho 23rd, 2009 § Deixe um comentário
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Esta semana dois eventos importantíssimos para o noticiário baixacultural vão acontecer em Porto Alegre. Em primeiro lugar, o grandioso 10º Fórum Internacional de Software Livre, que começa na quarta e vai até sábado. O fisl10 é como uma Campus Party focada no tema software livre, com uma programação bastante ampla e cheia de ótimas atrações. Em especial, destaco o Festival de Cultura Livre, que na quarta-feira vai trazer um debate sobre “Novas formas de distribuição de conhecimento na internet” com o pirate bay Peter Sundae.
Outro evento legal que vai acontecer em paralelo ao fisl10, também começando na quarta-feira é o I Fórum do Movimento de Música para Baixar, que só pelo nome já indica boa coisa. O Movimento de Música pra Baixar (MPB) é, segundo apresentação no site,” uma inciativa para conectar diversas áreas relacionadas como: música, arte tecnologia e comunicação colaborativa e espalhar suas propostas para o âmbito de diversos territórios, levando suas propostas para o maior numero de pessoas, extrapolando as fronteiras de um determinado gênero musical“. Alguns dos que integram o movimento são Fernando Rosa, editor do grande site Senhor F, Fernando Anitelli, do Teatro Mágico, que vão participar do FMPB juntamente como figuras como Pablo Capilé, Vice-presidente da Abrafin, Leoni, o eterno onipresente Ronaldo Lemos e mais um monte de gente boa que já toma parte da programação do evento.
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Infelizmente o BC não poderá se fazer presente na capital gaúcha em nenhum dos eventos, por causa das já faladas obrigações paralelas obrigatórias. Mas um monte de amigos e parceiros nossos estarão por lá, então, quem sabe, numa dessas, achamos uma 25º hora do dia para escrevermos algo sobre o evento, de preferência com informações (ou textos) exclusivos. Caso isso não ocorra, vai ter (e já está tendo faz tempo) ótima cobertura em diversos locais da web , inclusive em vídeo, rádio, twitter e tudo o mais, para que possamos acompanhar o evento no aconchego de nossos lares atulhados de coisas na espera para serem organizadas. Destaco ainda, em especialíssimo, o blog Agência FISL, a ser criado em breve, que pretende agregar toda a cobertura do evento. A ideia do blog vem por uma iniciativa conjunta de diversas publicações de mídia livre: os blogs Outras Palavras e Ponto Livre (São Paulo), o site Soy Loco por Ti (Curitiba) e a TV Ovo (Santa Maria). Todos estes participaram de alguma forma do Seminário na Cesma, onde, muito provavelmente, foi gestada a criação do blog.
Atualização 24/06: O blog Agência Fisl já está no ar.
[Leonardo Foletto.]
Deus ensina
junho 22nd, 2009 § 2 Comentários
Von DEWS!, velho entrevistado do BaixaCultura, escreveu um didático post sobre a heróica arte da tradução voluntária de HQs, uma espécie de guia prático para quem se aventura por estas plagas cheio de tesão, mas sem nenhuma técnica. Vai pra série Manual das atividades piratas, com louvor.
[Reuben da Cunha Rocha.]
Autocrítica da internet
junho 13th, 2009 § 4 Comentários
Ou a crítica de certo otimismo em relação à intenet ao qual este blog pode facilmente se colar, falo sobre a greve da USP transversalmente para falar sobre a internet e dar assim mais um pulo para fora do silêncio.
Vivendo sem TV há mais de um ano, foi só conversando ao telefone com minha mãe que fui saber que quase não se tem noticiado os confrontos da PM com os manifestantes, isto é: com estudantes e funcionários da Universidade de São Paulo. Até terça passada a greve não me interessava de maneira muito direta: entendia que qualquer que fosse a demanda, os funcionários tinham o direito legal às manifestações, a mim não interessava fingir participação em causa alheia como também não interessava criticá-la.
Até que um belo dia a Polícia Militar entrou no campus, e em confronto armado com os grevistas. Confronto armado, com bala de borracha e bomba de efeito moral (que diabos é efeito moral?) no rodo, pra todo lado. Encontrei no youtube um vídeo do Jornal Nacional em que William Bonner tentava pôr em descrédito a situação, com um “a USP tem 10.000 alunos, e apenas 600 aderiram à greve” ou algo do tipo.
As reivindicações dos funcionários, repito, pouco me dizem respeito. Não se trata de descaso, trata-se de não fingir que uma causa é minha quando não é. A questão não é essa, muito menos o número de participantes, se ele é menor ou igual à população da Cidade Universitária. A questão é que, se não me engano, a polícia não entrava armada num campus desde 1979. Trinta anos. E resolveu (“resolveu”) entrar para conter (“conter”) uma situação legítima. O direito à paralisação não depende de quais sejam as reivindicações.
Bem, a situação é muito séria, e muito mais séria do que se tem noticiado — a violência simbólica de se ter uma tropa da PM num campus universitário excede o número de feridos, o tipo das balas ou o eterno ramerrão de saber se a polícia atirou primeiro ou depois de ser chamada de filha da puta. E a internet anda tão silenciosa quanto a TV.
O que me faz pensar: tem sempre alguém dizendo que o bacana da internet é poder dizer o que quiser, sem editor nem horário. E do que interessa poder dizer o que se quer quando ninguém está interessado em dizer o que importa?
Era isso. Bom feriado.
[Reuben da Cunha Rocha.]
PS: No youtube tem um canal da greve, de onde tirei o vídeo que abre o post.
PS2: Tem umas fotos da pancadaria no Centro de Mídia Independente. Algumas exclusivamente de PMs sem identificação. Não sei se você sabe o que isso significa.