Propagandas antipirataria
fevereiro 5th, 2009 § 2 Comentários
Histórias de um cronópio
fevereiro 4th, 2009 § Deixe um comentário

Pipol: "Não duvide de um cronopiano, não é saudável!"
Cronópios são seres “tão estranhos que eu não conseguia vê-los claramente, uma espécie de micróbio flutuando no ar, uns glóbulos verdes que pouco a pouco iam tomando características humanas”, como descreve seu criador, o escritor argentino Julio Cortázar. Em Histórias de Cronópios e Famas um provável leitor encontra mais que esta pista inicial – cronópios são criaturinhas ingênuas que se alimentam de poesia, o oposto das famas, essas prisioneiras da realidade. “Todos queremos tanto ser cronópios e repudiar aos famas. Com os cronópios, Cortázar nos proporcionou uma vida menos pesada, melhor, quase suportável”, propõe Cassiano Viana neste belo texto. Mesmo depois disto, cronópios continuam sendo mais. Cronópios, provavelmente o maior portal de literatura da web brasileira, no ar há 05 anos sob edição de Edson Cruz e Pipol.

Pipol e Edson Cruz
Se não o maior, no mínimo o mais completo. No sentido de dar à literatura tratamento de web, inseri-la completamente no contexto da cultura digital. Numa palavra: multimídia. Além de um monstruoso volume de artigos, ensaios e literatura inédita, o site hospeda projetos pioneiros e nada convencionais. Como a revista Mnemozine, que já apresentou dossiês robustos sobre poetas do porte de Pedro Xisto [um verdadeiro resgate do autor], Augusto de Campos, Paulo Leminski e Alice Ruiz. Ou a coleção de pocket e-books, que em seu breve catálogo contém nomes como o do cineasta Sylvio Back e do lendário Wilson Bueno. Ou o Cronopinhos, a bela iniciativa de literatura infantil que além de textos inclui arquivos de áudio e livros visuais. Ou ainda a TV Cronópios, talvez a maior contribuição do portal para a memória literária brasileira, que já registrou entrevistas com Roberto Piva, Glauco Mattoso, José Saramago, entre muitos e muitos outros.
Com toda essa disposição para explorar as possibilidades da internet, o editor e responsável pela programação visual de todos esses projetos [que, se tu clicou nos links acima, reparou que é no mínimo luxuosa] respondeu de bom grado a algumas questões propostas por email por este insipiente repórter. As perguntas giram em torno das inovações que o portal inseriu na maneira de ler [e quem sabe fazer] literatura na web. As respostas, como o leitor verá, apontam para muitas outras novidades. Com a palavra, Pipol:
Qual a periodicidade/receptividade dos ebooks? Existe uma linha editorial pros títulos?
Os livros digitais no formato proposto pelo Cronópios, apesar da boa receptividade, são um projeto a ser revisto. O processo de editoração e montagem dos livros é bastante trabalhoso, o que dificulta os lançamentos com maior frequência. Quando lançamos o projeto, tivemos a adesão rápida e entusiasmada de vários autores. Recebemos vários originais para seleção e escolhemos alguns pelo critério: criatividade + textos curtos + . Eu digo que precisamos rever o projeto porque é possível agilizar tudo com um pouco mais de tecnologia e uma nova abordagem. Talvez terceirizando a editoração dos livros (design, revisão, etc). Estamos estudando isso. O projeto é bom, merece continuar.
Uma coisa que de cara chama a atenção no projeto é que ele é adequados pro formato virtual (livros de tamanho pequeno e de curta metragem, visualmente atraentes e nada cansativos). Às vezes tenho a impressão de que o download de livros não tem a mesma força que o de músicas ou filmes justamente porque são poucas as iniciativas preocupadas com a adequação do formato. O que você pensa em relação a isso? Que outras experiências apontaria como interessantes?
Concordo com você. Realmente os livros para download nada mais são do que um PDF ou outro formato similar. Nada atraente mesmo. Mas é que não existe ainda um aparelho bacana como um iPod, próprio para leitura. Os e-books tipo Kindle e o Sony Reader ainda são chatos e em preto e branco (imagina só!). Quando surgir “o” aparelhinho certo tudo mudará. Notícias recentes dão conta de que nos EUA já está pegando o hábito de se ler em aparelhos eletrônico de leitura (o Kindle da Amazon já pode ser considerado um sucesso). O comportamento humano é muito maleável, como tudo pode mudar de uma hora para outra. É incrível, até a semana passada parecia que o livro digital nunca iria passar de uma experiência…
Como é a questão dos direitos autorais dos ebooks?
Nós estamos empolgados com o Creative Commons, gostamos da idéia e apoiamos tudo que facilite a vida criativa.
O mesmo sobre a TV: qual a periodicidade dos programas? Como funciona a estrutura técnica de vocês?
A TV Cronópios é o meu projeto preferido entre todos do Cronópios. Poucos se dão conta, ou pelo menos ninguém ainda falou sobre isso comigo, é o caráter de “manifesto audiovisual” que esse projeto tem em sua estrutura de produção. A aparente simplicidade na verdade é uma sofisticação, uma combinação de ética e criatividade. É uma “TV poética”. Já trabalhei em televisão e sei bem que os profissionais desse meio podem transformar tudo em coisa sem importância ou ruim.
Para fazer trabalho tão sutil, trabalhamos pesado. A equipe é reduzidíssima, somos só três: A Egle Spinelli fazendo câmera, direção e edição; o Edson Cruz fazendo entrevistas; e eu, fazendo câmera, direção e edição. Em alguns projetos, como os nossos programas, contamos com outros colaboradores, como fotógrafos, iluminadores, equipe de som… Geralmente fazemos os programas em parceria com uma instituição ou empresa. Por exemplo, estamos trabalhando na criação de um programa em conjunto com a Livraria Martins Fontes. Fizemos em dezembro a gravação de um evento sobre editoração e mercado editorial, realizado pelos alunos da ECA-USP [Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo]. Entramos no projeto como apoiadores e estamos editando agora o material para ser transformar numa ferramenta de consulta e apoio educacional.
A estrutura técnica é a mais simples possível. Usamos câmeras miniDV e softwares comuns de edição de vídeo. A hospedagem dos vídeos é feita em servidor do Cronópios. Não usamos o YouTube para hospedar os vídeos. Isso acaba custando muito mais para nós, pois sempre temos que gastar mais com banda e transferência de dados… Não somos bobos por isso, trata-se de um investimento na nossa marca, no nosso conceito de comunicação.
O fato de a exibição ser gratuita dificulta o trabalho?
Claro que sim. Temos que arrumar dinheiro de um jeito ou de outro. Muito do que gostaríamos de fazer simplesmente não pode ser feito. Tudo tem que ser barato para não ficarmos na frustração.
Vocês pretendem investir mais no lado multimídia da mídia com que trabalham?
Sim, sim. O Cronópios ganhará cada vez mais recursos e ferramentas multimídia. Estamos pensando numa forma de utilizar voz sintetizada por software para ler os textos publicados no site, ajudando na acessibilidade para deficientes visuais ou mesmo simplesmente para ouvir o texto enquanto se faz qualquer outra coisa. Vamos reformular também o nosso serviço de Podcasts. A TV Cronópios terá outros programas, inclusive com transmissão ao vivo.
Algum projeto novo pro Cronópios?
Estamos de volta às pranchetas de projeto. O Cronópios está sendo totalmente reformulado. E as idéias são bem ambiciosas, algumas inovadoras. Estamos estudando como incorporar novas tecnologias, inventando outros usos para melhorar o que já existe, criando novos sites e oferendo novos serviços, etc etc etc.
Uma das idéias, já dá para adiantar, é transformar o Café Literário em um local de encontros virtuais, aproveitando e adaptando a tecnologia do Chat. Chamaremos a nova ferramenta de Café Cronópios. Os cronopianos poderão manter conversas (particulares ou públicas) com outros frequentadores do Café. Uma tela mostrará o usuário que estiver online no espaço virtual do Café Cronópios.
Vamos inaugurar também um novo site, agora dedicado à ficção científica brasileira. Já temos o editor que vai cuidar desse projeto. Em breve anunciaremos o nome. O material reunido para dar início ao site é de primeira. Todos os principais autores do gênero no Brasil estarão reunidos. Com isso, uma nova comunidade vai se “teletransportar” para junto dos cronopianos, aumentando o intercâmbio, gerando motivação e criação.
Estamos trabalhando também na criação de um site para oferecer cursos e oficinas online. Esse projeto tem a parceria da Livraria Martins Fontes. Estamos nos reunindo semanalmente para isso. Já temos o esboço de como funcionará e estamos nos aprofundando nas necessidades técnicas e na busca de recursos financeiros.
E ainda estamos criando uma agência de notícias do meio literário e artes em geral. Será um site independente com uma equipe independente formada por dois jornalistas que irá diariamente editar e publicar informações e notícias. O site terá também uma área com interface Web 2.0, que irá permitir a qualquer pessoa enviar informações e divulgar trabalhos de todo o país.
Tudo isso é possível sim, não é exagero de minha parte, embora, admito, possa parecer. Mas não duvide de um cronopiano, não é saudável. He he he.
[Reuben da Cunha Rocha.]
Notícias do Front Baixacultural (12)
fevereiro 2nd, 2009 § Deixe um comentário

(Cá estamos de volta, depois da uma semana de ausência por ocasião da cobertura da Campus party 2009)
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Internet em 2020: propriedade intelectual (Dia a Dia, bit a bit, 15/01)
Silvio Meira, de quem já linkamos um perfil, fez uma ótima série de posts só agora descoberta por mim: trata-se de um comentário detalhado dos resultados do Pew Internet Project (PIP) sobre o futuro da rede, divulgado ao final do ano passado. Ele dividiu em seis posts, cada um tratando de temas diferentes, como mobilidade, interfaces, privacidade e transparência, e, claro, propriedade intelectual. Nesse assunto, os resultados do relatório dizem que na próxima década continuará a disputa entre os donos de copyright e defensores de propriedade intelectual, de um lado, e crackers [e/ou piratas] do outro, algo que Silvio (e nós) não concorda e ilustra o porquê citando uma série de posts seus sobre o assunto.
O restante do post, como os outros sobre a pesquisa, é deveras interessante e altamente recomendável. São vários trechos que nos fazem pensar sobre todas estas questões que discutimos quase diariamente aqui no BC, e Meira traz idéias sobre problemas que permeiam nossas discussões, como nesse trecho aqui abaixo:
“aliás, tem coisa que, mesmo já estando na rede, hoje, não deveria durar muito, como venda de música como “arquivo”. música e vídeo [e software] tem que passar a ter um tratamento negocial similar à assinatura de um serviço, temporário ou permanente, ao invés de serem distribuídas como arquivos que podem se perder no seu drive, celular ou onde forem armazenadas. uma vez assinadas, o provedor cuidaria para que o conteúdo pudesse ser usado a seu bel prazer, de acordo com direitos que você adquiriu.
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As 20 coisas que você precisa saber sobre música online (Pop Up!, 20/01)
Bruno Nogueira comenta o livro “ 20 things you must know about online music”, um e-book escrito por Andrew Dubber, professor e pesquisador musical da Birmigham City University, na Inglaterra, que dá para ser baixado no site dele. O livrinho é uma compilação de posts escritos pelo professor Andrew sobre música online, com conselhos bastante práticos (as tais 20 coisas do título) sobre o assunto, voltado especialmente a quem produz música e quer sobreviver dela.
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El Partido Pirata aterriza en EEUU (El País, 30/01)
Uma filial do já conhecido Partido Pirata europeu está sendo criada nos Estados Unidos, no Estado da California. O Pirate Party americano tem as mesmas plataformas eleitorais do seu irmão mais antigo – neutralidade da rede e proteção da privacidade – e, para ser reconhecido pela Secretaria de Estado da California, juntou mais de 88 mil assinaturas de apoio. Diz o site do partido que o processo de criação do partido está andando e, em breve, eles terão sua existência reconhecida.
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Impedir a partilha de ficheiros é impossível (Remixtures, 1/02)
Nosso bravo colega além-mar Miguel Caetano fala de uma cartilha – ou “livro branco” - sobre segurança nas redes Peer-to-peer, lançada pela empresa alemã Ipoque, especializada na venda de soluções de gestão de tráfego para os fornecedores de acesso à Internet. A cartilha, que pode ser baixada mediante registro, aponta uma série de medidas que podem ser tomadas para a proteção do direito do autor em redes P2P, e chega a interessante conclusão de que a maioria das medidas inventadas até ao presente são ineficazes. Miguel faz um resumo de algumas destas medidas, dividindo-as em três tópicos: o que definitivamente não resulta, o que pode funcionar mas apenas nalguns casos e o que funciona mas sai muito caro.
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Troca de música gratuita é positiva para a economia, afirma estudo (Folha Online, 2/2)
Um estudo realizado pelo governo da Holanda (sempre ela) aponta a troca de arquivos musicais gratuita como positiva para a economia, e que as pessoas que trocam música dessa forma na internet também costumam comprar mais produtos de entretenimento. A notícia é tão boa que vou até colar um trechinho dela aqui abaixo:
As perdas dos titulares de direitos autorais sobre trocas de música, de acordo com o documento, são inferiores em relação aos impactos econômicos gerados pelos os usuários que fazem o download de músicas gratuitamente. Ao não pagar por uma música, os usuários liberam os fundos de propriedade intelectual que, por sua vez, se destinam à aquisição de outros produtos –situação que se considera positiva para a sociedade no geral.
Estamos justificados agora, RIAA e APCM?
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[Leonardo Foletto]
Crédito foto: World War II Photos
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