Quadros modificados
dezembro 30th, 2008 § 1 Comentário
O artista plástico espanhol José Ballester resolveu montar uma seleção de quadros inusitada: pegou pinturas famosas e esvaziou-las de seus componentes humanos ou animais. Com elas, fez uma exposição – na Galeria Distrito Cu4tro, que mesmo sendo em Madrid dá para ver aqui. Abaixo, selecionei dois dos quadros de Ballester junto com seus originais “habitados”:
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O Jardim das Delícias Terrenas, de Bosch.
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El Jardín Deshabitado, de Ballester.
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“O Banquete na Floresta de Pinheiros”, de Sandro Botticelli.
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Bosque Italiano III, de Ballester.
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Ballester segue uma tendência nas artes que vem a se chamar “Apropriacionismo“, que se desenvolveu nos anos 80 e 90 como uma volta à arte e a cultura dos séculos anteriores sob um olhar normalmente irônico ou histórico. O nome mais conhecido dessa tendência é o do francês Marcel Duchamp, aquele do urinol e do bigodinho da Monalisa aqui abaixo:
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O que diferencia o trabalho de Ballester junto à outros apropriacionistas é, segundo o blog sdelbiombo, o profundo respeito dele pelas obras clássicas: suas intervenções são – pelo menos em tese – no sentido de dar ainda mais pureza às obras.
É inevitável que, ao olharmos estes quadros mais “limpos” , nossa atenção se vá para detalhes estéticos que antes não perceberíamos, como as nuâncias das cores e as perspectivas dos desenhos. O que acaba acontencendo, então, é que a obra coloca outros significados para quem a vê, como bem diz o texto de apresentação do catálogo da exposição, de Francisco Calvo Serralle:
… Se trata de puntos de vista “subvertidores” de lo que se entiende como el uso normal o normalizado de relacionarse con una obra de arte o con un museo, pero no sólo para con ello cuestionar su inercia obcecada, sino para, en efecto, “rehacerlos”. De manera que, eso es en principio lo que nos propone Ballester con sus análisis “clarificadores” de reconocidos cuadros del Museo del Prado, en todos los cuales la estrategia dominante o el guión ha consistido en despojarlos de figuras humanas y de sus menesterosas o atribuladas acciones, quedándose sólo con los telones de fondo de sus respectivos paisajes.
O interessante para nós aqui do BC é a que estas imagens foram feitas digitalmente, a partir das possibilidades dadas pela tecnologia e que estão sendo ainda facilitadas pela internet. É mais um desmembramento da tal “Cultura do Remix” de que fala Lawrence Lessig, que consiste fundamentalmente em aproveitar o trabalho do autor de uma forma não imaginada inicialmente por ele.
[Leonardo Foletto.]
Notícias do Front Baixacultural (8)
dezembro 29th, 2008 § Deixe um comentário

(Excepcionalmente com uma semana de atraso, devido às folgas que se fazem cada vez mais necessárias em finais de ano).
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O deputado pirata (Super Interessante, 12/2006)
Sim, essa é bem antiga, mas é algo que fazia tempo que procurava: a entrevista publicada pela Super com Rick Falkvinge, o sueco fundador do Partido Pirata, qjue tem como principal bandeira de campanha a liberação dos donwloads na rede. Em 2006, eles conseguiram34 918 votos, 0 que seria suficiente para assumir uma cadeira no parlamento sueco se não fosse a cláusula de barreira adotada no país, que impede a presença de partidos nanicos no Parlamento. Neste ano, eles voltaram: inscreveram 20 candidatos para a eleição do Parlamento Europeu, que vai acontecer em junho de 2009.
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Los Enemigos del copyright ( El País, 17/12)
Boa matéria do jornal espanhol falando sobre Joost Smiers e seu novo livro, Um Mundo sin Copyright, que paradoxalmente não é disponibilizado em Copyleft ou CC (culpa da editora, dizem). Smiers, que é professor da Research Group Arts & Economics da Utrecht School of the Arts, na Holanda, defende que o copyright é anti-democrático, porque só beneficia as grandes corporações: “Estoy a favor del mercado, pero estos grandes conglomerados de la industria cultural lo que hacen es manipularlo con su maquinaria de marketing. Nos convierten en consumidores pasivos. Creo que nadie tiene derecho a decirnos qué película tenemos que ver o qué libro debemos leer. Y eso es lo que hacen con su publicidad“.
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A Cauda Longa afinal é bastante curta (Remixtures, 26/12)
Todo mundo ouviu falar (e adorou saber) da tal Teoria da Cauda Longa, apresentada pelo editor da revista Wired Chris Anderson, que dizia: “O futuro do negócio dos conteúdos online está em vender menos cópias de um maior número de diferentes items“. Mas como diz o Remixtures, “esta visão optimista da produção e distribuição de conteúdos tem vindo a ser arrasada com uma série de dados empíricos”. Nesse post, o blog português mostra duas dessas pesquisas que põe em dúvida a veracidade da tal Cauda Longa.
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The Comics Are Felling the Pain of Print (NY Times, 26/12)
O NY Times traz matéria com um viés interessante: como alguns cartunistas começaram a aparecer mais (e lucrar mais) com a disponibilização gratuita de seus cartoons na rede. Vale a leitura, principalmente para quem se interessa sobre o mundo novo que a rede está abrindo aos cartoons & HQs.
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Internet toma lugar dos jornais como 2º fonte de notícias dos EUA, diz Pew (IDG Now, 26/12)
Um estudo recente da Pew Research Center for the People & the Press diz que a internet já é a segunda fonte de informaçãoes dos norte-americanos – 40%, contra 35% dos jornais, perdendo só para a TV, com 70%. Claro que no Brasil ainda não se tem um número tão alto, mas quem se arrisca a dizer em quanto tempo números próximos a estes vão valer também por aqui?
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[Leonardo Foletto.]
Crédito foto: World War II PhotosDescriminalização da pirataria de natal
dezembro 25th, 2008 § 2 Comentários
Cinco blocos do programa Caleidoscópio [TV Horizontes, 04 de maio de 2007] em que Renato Vilaça (professor de Comunicação e músico), Túlio Vianna (professor de Direito da Puc-MG) e Wagner Carone (um senhor representante da Sony) debatem o tema da década: cultura livre.
A maioria das coisas ditas não é novidade nenhuma – vários argumentos já foram pisados e repisados, de um e de outro lado da moeda. Mas quando você ouvir algo que já sabe, pense em como é dura a lentidão dessa luta. As explicações que a você e a mim parecem tão evidentes [e, nesse caso, são legitimadas por um cara que lida com a lei] têm pouco peso prático diante do lobby gigantesco da Grana, e às vezes só nos resta isto: repetir, repetir, repetir. E piratear, é claro.
Parte 01: http://www.youtube.com/watch?v=5oI9_u-ddXY
Parte 02: http://www.youtube.com/watch?v=LkFYbgmBja0&feature=related
Parte 03: http://www.youtube.com/watch?v=PJUI2DGhc0M&feature=related
Parte 04: http://www.youtube.com/watch?v=PJUI2DGhc0M&feature=related
Parte 05: http://www.youtube.com/watch?v=ntG2M4ThOWE&feature=related
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[Reuben da Cunha Rocha. Com agradecimentos ao Edson pelos links]
Crédito imagem: Revista Life via Google .