Notícias do Front Baixacultural (4)
novembro 24th, 2008 § 1 Comentário
Excepcionalmente para a divulgação de um evento. Donativos e passagens aéreas estão sendo aceitos para o BC realizar a primeira grande cobertura ao vivo da história do blog.
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O MInistério da Cultura, a Escola de Comunicação da UFRJ e a Rede Universidade Nômade convidam para o FÓRUM LIVRE DO DIREITO AUTORAL: O DOMÍNIO DO COMUM a ser realizado nos dias 15, 16 e 17 de dezembro de 2008 no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ (Auditório Pedro Calmon) Avenida Pasteur 250 – Campus Praia Vermelha – Rio de Janeiro
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PROGRAMAÇÃO
Segunda-feira 15 de dezembro
8h às 9h – Credenciamento e Café da Manhã
9h – Abertura:
Ministério da Cultura (CGDA-MinC), Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ e Rede Universidade Nômade
Mesa 1 (9h30) – A Constituição do Comum. Produção Intelectual no Capitalismo Cognitivo (com tradução)
Michael Hardt, co-autor de Império e Multidão (Universidade de Duke, Carolina do Norte)
Yann Moulier-Boutang (Université de Technologie de Compiègne, França)
Mediador: Tatiana Roque (IM/UFRJ)
Debatedor: Cesar Altamira (Universidad Nómada, Argentina)
Mesa 2 (14h-17h) – Proprietários e Piratas. A crise dos limites entre legalidade e ilegalidade: Mudanças na Lei
Pablo Ortellado (GPOPAI/USP)
Joaquín Herrera (Universidad Pablo Olavide-UPO, Espanha)
Henrique Antoun (ECO/UFRJ)
Guilherme Carboni (FAAP/Direito)
Mediador: Alexandre Mendes (Direito/UERJ)
Debatedor: Francisco de Guimaraens (PUC/Rio)
Mesa 3 (18h-21h) – Conferência de Abertura: Antonio Negri (com tradução)
Antonio Negri é autor de ‘Império’ e ‘Multidão’. A mesa conta com a participação de Tarso Genro (Ministro da Justiça), Aloísio Teixeira (Reitor da UFRJ), Ivana Bentes (ECO/UFRJ e Universidade Nômade) e Giuseppe Cocco (ESS/UFRJ e Universidade Nômade)
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Terça-feira 16 de dezembro
8h – Café da Manhã
Mesa 4 (9h) – O Consumidor-Produtor (com tradução)
Christian Marazzi (Scuola Universitaria della Svizzera Italiana)
Estela Waksberg Guerrini (Instituto de Defesa do Consumidor – IDEC)
Fabio Malini (UFES)
Paulo Henrique de Almeida (UFBA)
Mediador: Gilvan Vilarim, Revista LUGAR COMUM
Debatedor: Allan Rocha de Souza (UERJ e INPI)
Mesa 5 (11h30) – Interesse Público e Proteção Privada – Usos livres, educacionais e não-comerciais de Conteúdos Protegidos
Jorge Machado (GPOPAI-USP)
Leandro Mendonça (UFF)
Muniz Sodré (Biblioteca Nacional)
Flávia Goulart (Vice-presidente da Abeu e diretora da Editora da UFBA – EdUFBA)
Mediador: Alex Patez Galvão (ANCINE)
Debatedor: Mauricio Rocha (UERJ)
Mesa 6 (14h30-17h) – Redes Colaborativas, Pontos de Cultura e Mídia, Travas Tecnológicas
Sérgio Amadeu (Faculdade Cásper Libero)
Célio Turino (Secretário de Programas e Políticas Culturais do MinC)
Ivana Bentes (ECO/UFRJ)
Barbara Szaniecki (Revista Global/Universidade Nômade)
Mediador: Leonora Corsini, LABTeC/UFRJ e Universidade Nômade
Debatedor: Sarita Albagli (IBICTS)
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Quarta-feira 17 de dezembro
8h – Café da Manhã
Mesa 7 (9h) – Novas Formas de Licenciamentos
Bráulio Araújo – Intervozes
Claudio Prado – Laboratório Brasileiro de Cultural Digital
João Baptista Pimentel Neto (Jornalista, Secretário do Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros)
Oona Castro (Overmundo)
Mediador: Giuliano Djahjah (Pontão de Cultura Digital da ECO)
Debatedor: Antonio Martins (Le Monde Diplomatique)
Mesa 8 (13h) – Encerramento: Fórum Livre
Desconferências a partir da inscrição dos participantes e pré-inscritos (10 min.) para sintetizar os 3 dias de debates e direcionar para a proposta/documento em relação às mudanças da lei
Desconferencistas (com tradução)
Representante das Universidades
Coordenação Geral do Direito Autoral (CGDA-MinC)
Editoras Universitárias
João Batista Pimentel – Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros
Maria dos Camelôs
Oscar Vega (Grupo Comuna da Bolívia)
Raúl Prada (Grupo Comuna da Bolívia)
Peter Pál Pelbart (PUC-SP)
Judith Revel (França)
Renato Rovai (Revista Fórum)
Gustavo Barreto/Pontão de Cultura Digital da ECO/UFRJ
Leandro Uchoas/Pontão de Cultura Digital da ECO/UFRJ
Giuliano Djahjah/Pontão de Cultura Digital da ECO/UFRJ
Thiago Novaes/ Descentro
Alexandre Freire /Descentro
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Inscrições – que são gratuitas mas limitadas – e mais informações sobre o evento, aqui: http://forumdireitoautoral.pontaodaeco.org
[Leonardo Foletto]
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2HO
novembro 21st, 2008 § Deixe um comentário
Hélio Oiticica, ao lado de José Agrippino de Paula, é uma das lendas mais palpáveis da constelação que se organiza em torno das origens da tropicália, este antimovimento que foi tudo o que foram suas lendas: canibal do seu próprio presente, futuro inventado das melhores mentes de um país retrógrado.
Identifico HO com certo tipo de artista que, pouco preocupado com a mesquinha pretenção de durar, deu tudo de si para dar relevo ao seu próprio tempo, e nesse sentido é um artista relevante porque soube construir o seu contexto: não é por acaso que antes de impactar gerações futuras de artistas plásticos Oiticica foi fundamental para seus contemporâneos, e não apenas para as artes visuais ou para a mencionada tropicália – bastaria aqui mencionar que o poeta Waly Salomão não hesitou em dedicar-lhe seu Mel do Melhor, retrospectiva duma magmática obra no início da qual também estava o estímulo do artista.
Agora, longe do contexto original mas ainda no presente que lhe pertence, a obra de Hélio Oiticica chega à rede em dose dupla. O projeto iniciado pela família [valeu, Marcelo!], embora possua um vasto material [5.000 páginas de documentos] disponível para pesquisa, dá acesso a apenas poucas fotos e vídeos do e sobre o artista, germinando em mim a inevitável pergunta: por que diabos não digitalizar os documentos e permitir acesso direto à fonte, ao invés de estimular a pesquisa mediada pelo site?
Bem, é isso que faz o Programa HO, fruto da primeira iniciativa, dessa vez em parceria com o Itaú Cultural. Com informações detalhadas [data da composição, local, resumo, documentos relacionados, anexos de imagens] sobre documentos por vezes pessoalíssimos [cartas, anotações para futuros textos, bilhetes - mas o que é pessoal para um artista total?], o site ainda oferece para leitura um formato charmoso pra caramba, em que tu tem acesso às imagens dos textos ao invés de apenas acessar seu conteúdo. Tu vê a página datilografada da carta escrita a Torquato Neto ao invés de apenas ler o que Oiticica havia escrito, por exemplo.
Assim, por exemplo:
[Reuben da Cunha Rocha.]
Cê
novembro 20th, 2008 § 7 Comentários

O que você quer dizer com "protegido por copyright"?
Richard Stallman é um barbudinho invocado. Na década de 70 ele trabalhava no desenvolvimento de um programa de computador e resolveu compartilhá-lo com uma companhia de softwares, que, em singelo gesto de agradecimento, fez modificações sobre a obra, tacou-lhe uma licença de copyright e assim impediu Stallman de trabalhar sobre sua cria. Indignado, na década de 80 o programador resolveu criar uma licença própria para seu projeto de software GNU, a General Public License (GPL), que a partir de então impediria a restrição de copyright sobre a obra. Assim nascia o Copyleft, termo associado à GPL posteriormente por Don Hopkins, amigo de Stallman.
Como você pôde ver na resumida historinha, o copyright é o maior amigo do explorador, o maior inimigo da boa-fé. Mas… o que é copyright mesmo?
Copyright é o direito de cópia que um autor possui sobre suas obras. Até aí tudo lindo. O problema é que esse direito de cópia não tem como titular unicamente o autor. Na verdade, ele é majoritariamente exercido, via imparcialíssimos contratos de cessão, por empresas que dão suporte financeiro e material às obras intelectuais. São elas as grandes produtoras de filmes, as gravadoras, as grandes editoras de livros e por aí vai. Assim você pode entender porque o Alan Moore faz cara feia pra todas as adaptações de suas obras no cinema. O copyright também faz com que tudo seja automaticamente proibido. Se por motivos de força maior eu tivesse de inserir aquele cêzinho xarope bem aqui neste texto, você teria que me pedir permissão para reproduzí-lo, mesmo se minha vontade fosse que todo e qualquer infeliz habitante da terra, céu e inferno lesse minhas palavras.

O Copyleft, criado por Richard Stallman e sua turma do software livre, é uma linda afronta ao copyright. Primeiro porque tanto o significado da palavra (o trocadilho entre right – direita – e left – esquerda) quanto seu símbolo (um belo “c” contraposto) cospem fogo contra a retrógrada prática de apropriação intelectual da restrição do direito de cópia. Depois, temos o próprio conteúdo inovador do Copyleft, lançado ao mundo através da licença pública do GNU: “‘Software livre’ se refere à liberdade dos usuários executarem, copiarem, distribuírem, estudarem, modificarem e aperfeiçoarem o software”. A licença também permite a exploração econômica da obra, desde que não a torne objeto de monopólio, ou seja, se eu escrever um livro licenciando-o por copyleft, você pode produzí-lo em série e vendê-lo, mas não pode impedir que as pessoas o copiem livremente. Leia mais sobre as liberdades da licença aqui.
Aí o mundo ocidental inteiro viu que renunciar ao copyright não mata nenhum autor de fome, muito pelo contrário. Aqueles que o fazem atuam com convicção e, querendo ou não, erguem a bandeira da cultura livre. Diferentemente da indústria cultural, que deve gastar boa parte de seu pequenino orçamento contratando carpideiras.

Com o desenvolvimento e constante crescimento do uso do Copyleft surgiram as licenças Creative Commons (simbolizadas por dois cês). Estas são, basicamente, uma via mais organizada e detalhada de disponibilização de obra intelectual. O Copyleft nasceu como uma licença livre que visava a livre distribuição e modificação de programas de computador. Com a expansão para outros formatos, surgiram licenças mais específicas, que, por exemplo, permitiam a distrubuição livre, mas não a modificação do conteúdo. Muitas dessas diferentes formas de publicação de trabalho intelectual começaram a ser regulamentadas por escritórios de Creatives Commons, que possuem atuação em diversos países e oferecem registro pela internet, possibilitando vários tipos de disponibilização da obra, incluindo a própria GPL do GNU e o domínio público (quando todos podem explorar como bem entenderem a obra de um autor, restando intacta apenas sua autoria).
Enfim, a Creative Commons nada mais é do que uma licença mais “organizada” do que o Copyleft. Ambos têm demonstrado como o copyright é cada vez mais dispensável para o mundo. Mas não posso negar uma coisa: o Copyleft, por toda a sua carga ideológica e significado direto me soa mais apropriado para a representação da cultura livre, que tem como principal oponente um modelo de exploração econômica que se iniciou como monopólio de livreiros na Idade Média e hoje tenta manter seus lucros através de propaganda caluniosa e lobby cara-de-pau. Através do copyright, quem fica mais rico com arte é quem menos entende ou cria arte.
[Edson Andrade de Alencar.]
Crédito das imagens:

