Instrucciones (1)

setembro 28th, 2008 § Deixe um comentário

Este blog tem uma porrada de links à direita, no que se chama de blogroll. Eles estão divididos por área/segmento cultural, e na grande maioria deles há diversas coisas para baixar. Para facilitar a busca, vou espassar algumas seções de intrucciones entre os posts ditos normais.

Vamos começar com o Álbum Virtual, primeiro link da seção Baixe Música. É o site criado pela Trama para disponibilizar para donwload gratuito discos novos dos artistas da gravadora. Os álbuns ficam disponíveis em um tempo determinado, que é de alguns meses. Dá para baixar todas as faixas, o encarte, e segundo a apresentação do site, vídeos e versões exclusivas. Quem estreou o projeto foi Tom Zé e seu “Danç-éh-Sá Ao vivo”; hoje, quem tá por lá para ser baixado é o novo do CSS, “Donkey”, “Chapter 9″, do Ed Motta, e “Artista igual Pedreiro“, péssimo nome para o álbum de estréia da boa banda mato-grossense Macaco Bong.

O Segundo link é para a comunidade do Orkut Álbuns Raros. Com um nome explicativo desses, fica difícil acrescentar alguma coisa para descrever o link. Mas vamos reforçar que o nome albuns raros não é a toa; lá tem muita coisa rara mesmo.

Quer dois exemplos? Neste tópico tem alguns discos da banda do grande cartunista Robert Crumb, a R. Crumb And His Cheap Suit Serenaders. E neste aqui, discos da Emir Kusturica and the No Smoking Orchestra, maravilhosa banda que faz as trilhas dos filmes do cineasta nascido em Sarajevo, na Bósnia.

*

Eu ia continuar apresentando mais links, mas no afã de testar cada um deles, me deparei com alguns vídeos dessa banda do Emir Kusturica. E achei este aqui abaixo, uma verdadeira pérola bem ao estilo dos filmes do Kusturica – bom, pelo menos ao estilo do único filme que vi dele, o A vida é um milagre, que é uma coleção de cenas maravilhosamente non-sense.

[Leonardo Foletto.]

O Silêncio da Cidade

setembro 27th, 2008 § 2 Comentários

A legitimidade das entidades representativas no âmbito da cultura é uma entre tantas coisas que o contexto da cultura digital põe em discussão, não necessariamente pela qualidade (ou falta dela) do trabalho que executam, mas pela coerência mesmo de sua permanência, e as condições dessa permanência num contexto cultural que no mínimo dificulta as ações a que se propõem.

No Brasil, o ECAD talvez seja um dos grandes guardiões da indistinção entre direito autoral e direito de lucro que confunde empresário e artista, ou o artista-bufão e o músico, ou, pra sair do meu próprio e tacanho raciocínio binário, da indistinção que alicerça certa rotina cultural herdada do século 20.

Baseada num princípio de regulação da execução pública das obras de seus filiados, a ação do ECAD talvez faça todo o sentido no contexto das rádios comerciais, por exemplo, que por definição fazem grana com a música alheia e têm mesmo é que pagar alguém por isso, de preferência os autores!

No entanto, no que extrapola esse contexto e adentra a esfera mais dinâmica, concreta e cotidiana da circulação de música pela simples fruição, ocorre de borrar-se a linha que separa regulação de controle, com tudo de autoritarismo e arbitrariedade que a palavra contém.

Me diz tu se isso aqui não é abusivo.

Mesmo um entusiasmado entusiasta (!) do aperreio de instituições comerciais dos mais variados tipos como eu consegue perceber que esses pobres coitados não estão exatamente lucrando com a execução dos produtos culturais que veiculam. No caso das lojas, ainda lucram com os aparelhos de execução, mas no caso dos bares e restaurantes a coisa é puramente policialesca, um filme cyberpunk de mau gosto.

[E não deixe de reparar na lógica de Juiz Dredd que se repete e repete ao longo da argumentação dos homens-de-preto: 'a lei está conosco, não há que se mexer na lei, há que se ajustar o mundo, sentimos muito, sentimos muito'.]

O que talvez devesse ser um mecanismo de mediação entre os interesses de artistas, produtores, distribuidores e público, iniciativa da própria sociedade no sentido de impedir o abuso e a exploração indevida da cultura que produz, termina por se mostrar tão burocrático e autoritário quanto, sei lá, um juiz maluco do futuro, só que menos divertido.

É, amiguinho, o controle de informação é o declarado interesse do ECAD. E de controles de quaisquer tipos dificilmente nascerá algo simpático à criatividade.

Só que, apesar da tendência geral das sociedades de manterem instituições defuntas pela pura prática do saudosismo ou mera necessidade de manter empregos, as pessoas continuam pensando.

Mas isso já são cenas de capítulos futuros. Esperaê, vai.

[Reuben da Cunha Rocha.]

O verdadeiro Mago

setembro 19th, 2008 § 2 Comentários

O caso de Alan Moore é o de um artista relevante dentro e fora da obra, ou o de um artista cuja obra ultrapassa a soma dos livros e inclui a ética de sua escrita, as opiniões que distribui e até a pertinência dos temas sobre os quais opina.

Ou ao menos é o que The Mindscape of Alan Moore me faz pensar. Mindscape, essa invenção bonita da língua inglesa cuja tradução é ruim, ‘paisagem mental’, fazer o quê.

Desde a primeira fala, quando apresenta a distinção essencial entre ficção e mentira, até a intrincada analogia entre as linguagens da arte e da magia, o Grande Barba é uma palavra só: autenticidade.

Ou talvez seja muitas outras. A elegante ironia, sobretudo auto-ironia, a clareza de visão sobre qual deva ser o papel do artista dentro de uma sociedade cujo funcionamento depende sobretudo de passividade e torpor coletivos, a radical certeza do caos, o real desprezo pela estrutura da fama, o didatismo do pensamento mais complexo, essas coisas todas que foram lapidarmente definidas por Bruno numa conversa recente de MSN: “o cara é fodão e pronto!”.

Como se não bastasse, é O Homem Que Recusou Hollywood Money em prol de uma integridade de cuja existência o cinismo de nossa educação exige suspeita.

O documentário, de 2003, alcança o Velho Doido do último ponto de sua carreira até aqui, o trabalho que pela, digamos, profundidade no tratamento do tema (as possiblidades artísticas da pornografia) terminou não só com sua publicação, mas com o casamento dos autores.

The Mindscape of Alan Moore é um filme que inclusive dispensa imagens. É pura densidade de discurso de um dos artistas mais essenciais que andam respirando por aí, infelizmente condenado pela precariedade da leitura dispensada à linguagem que lhe deu fama.

[Reuben da Cunha Rocha.]

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